Homo sapiens sapiens (terceira parte)

casa paroquial 018Oi.

🙂

Vc tá aí?

Naumm, é a sua avó…

Vovóooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!

A senhora ta usando o msn agora?

To meu filhinho, sabia não, sou uma véia hi lander!

Massa kra.

Ei voh, a sinhora curte jack jonhson?

Claro abestado, tu achava que eu tava por fora das paradas é?

Se liga!

Me ligo…

¬¬

Ei voh, peraí soh um pokinho q tem um abestado aki kerendo q eu leia um texto de estudo, moh paia…

Blz

Bom, claro que se eu escrevesse 150 páginas dessa besteira aí em cima você ia continuar lendo sem parar, mas pensando bem… sabe que eu acho que tive uma boa idéia… ¬ ¬

Mas voltando ao que interessa (agora). Nos textos passados eu falei muito sobre motivação e coloquei algumas etapas ou pontos para se organizar no estudo, o que significa estudar com método para se estudar bem.

Quem estuda bem estuda com prazer e acaba estudando menos porque vai precisar de menos tempo para aprender a mesma coisa que outra pessoa desorganizada levaria para aprender, concorda?

Curiosidade: o termo “estudo” vem do latim studere e significa “aplicar-se com empenho ou ativamente a alguma coisa”. O estudo implica portanto, o conceito do esforço que, porém, pode ser aliviado pelo método e pela motivação.[1]

Sêneca foi um filosofo ocidental que viveu de 4 a.C. a 65 d.C[2], ele escreveu um belíssimo texto sobre o estudo que vou resumir pra vocês: no estudo nós fazemos como as abelhas que recolhem o néctar de diversas flores que servem para fazer o mel, depois elas colocam nos favos de modo ordenado e selecionado. Quando nós estudamos, colhemos conhecimentos de diversas fontes, mas depois devemos distingui-los para que esse conhecimento não se perca mas se conserve. O mel é diferente do néctar porque é reelaborado pela abelha, assim, o nosso conhecimento não é uma simples repetição do que tiramos dos livros porque é reelaborado pela nossa mente.

Outro exemplo muito interessante que usa Sêneca é o do alimento; nós nos alimentamos de diversos tipos de comida e o nosso organismo elabora o que ingerimos para que seja aproveitado para o nosso sustento, o que não serve, bom disso Sêneca não falou, eu não sei porque… Voltando a Sêneca, ele diz que o alimento enquanto não é digerido, é como um peso, mas depois disso é fonte de energia. A mesma coisa devemos fazer com o alimento da nossa inteligência, até que não seja digerido, permanece sempre como um corpo estranho no nosso organismo, devemos digeri-lo pois do contrário não se transformará em energia intelectual mas em um peso para a memória.

“Tomemos esse alimento como se convém e o assimilemos de forma que, de elementos dispersos, se formem em uma só coisa… Façamos também nós assim: que a contribuição de outros autores desapareça, assimilado no produto do nosso engenho[3]. E mesmo que na tua obra transpareça o autor que admires e que está impresso profundamente na tua alma, gostaria que a semelhança fosse aquela de um filho, não aquela de um retrato: um retrato é uma coisa morta.”

Muito bonito, não é? Eu gostei.

As características fundamentais do estudo[4]

  1. 1. a consciência do valor do estudo

Disso já falamos bastante das vezes passadas.

  1. 2. o interesse

Uma frase de Leonardo da Vinci, só pra ficar ainda mais bonito citando filósofos e gênios, posso até ouvir uma turminha dizendo assim: “marróia, só se amostrando!” Nem ligo… Lá vai a frase do gênio de nome mais lindo que já existiu:

“Se como comer sem vontade faz dano à saúde, o estudo, sem desejo estraga a memória e não tem mais nada que ela consiga pegar”.

Um provérbio, esse não sei de quem é, diz: “aquilo que eu escuto, esqueço, aquilo que eu vejo, lembro, aquilo que eu faço, entendo”

Somente fazendo, somente imergindo-se ativamente no estudo, somente amando aquilo que se estuda, é possível aprender facilmente, compreender claramente e lembrar fielmente.

Como foi dito antes, é importantíssimo motivar-se antes de estudar, é inútil começar a estudar uma matéria que você acha um saco. Porém, calma eu imagino o que você está pensando, “eu tenho que estudar a matéria chata”. Então, só tem uma solução, fazer as pazes com a matéria chata através da auto motivação. Um bom método é desafiar você mesmo: aposto como eu consigo superar esse problema bem difícil, aposto como sou capaz de entender essa matéria!

  1. 3. a constância

Aqui se esconde a alma do negócio. Sei o quanto é difícil ser constante, mas a gente deve tentar constantemente ser constante. É uma constatação constatável que a inconstância é uma constante, principalmente entre os jovens, mas se você constantemente enfrentar a sua inconstância verá que conseguirá vencê-la. Entendeu?

Meu chapa, minha chapa, o negócio é o seguinte: água mole em pedra dura, tanto bate até que fura! Você acredita que esse provérbio tem aqui no livro que eu estou pesquisando em latim?! Claro que eu não traduzi do latim, tenho mais o que fazer.[5]

Tem gente que vive de sonho: “eu preciso estudar… um dia eu vou ler aquele romance de Raquel de Queiroz, como é mesmo o nome? O Sexto, o sétimo, sei lá…” A criatura fica pensando nisso comendo pipoca e assistindo malhação! Assim não dá né zé mané!

Talvez a inconstância venha do fato que a gente pensa sempre dar o passo mais largo que as pernas. Aí não consegue fazer nada. Proponha-se a fazer grandes coisas, mas uma coisa de cada vez. Proponha-se a ler muitos livros, mas um de cada vez.

“A constância no estudo se pode obter através de uma contínua auto motivação”.

Um excelente exemplo é o esporte. Para se ser bom em qualquer esporte em primeiro lugar eu tenho que gostar dele, ou aprender a gostar, no caso, só vai experimentando. Depois eu tenho que treinar, treinar, treinar e treinar. Se você gosta do esporte, treinar, por mais cansativo que seja, é um divertimento, é massa. No treino, você vai se aperfeiçoando, vai observando em que precisa melhorar, o treinador vai mostrando pra você os seus vícios e você vai tentando mudar, se superando. A cada vitória você se torna mais confiante e motivado a prosseguir até se tornar com a sua equipe um campeão, ou até desistir e passar para outro esporte como o levantamento de garfo.

Foi assim que aconteceu comigo quando eu comecei a aprender a esquiar… a gente vai perdendo o medo da altura, o medo de cair, vai seguindo as instruções do professor, vai corrigindo os defeitos, vai vendo onde está errado e tentando melhorar, mas é claro que eu tinha que dizer isso!!! Tem uma galera aí que vai tirar o meu coro pro resto da vida!

Bom, no estudo, para se vencer é preciso seguir mais ou menos as mesmas regras. Assim como no esporte é importantíssimo que você não se sinta um fracassado logo de cara, ou porque perdeu uma partida, no estudo você não pode partir achando-se um falido. No esporte as dificuldades são motivadores e não inibidores. Eu poderia usar até mesmo o exemplo do videogame, quem não se desafiou até passar para a segunda fase, a terceira fase e assim sucessivamente até fechar o jogo? Mas você só conseguiu com PERSEVERANÇA!

  1. 4. o método

A primeira coisa que todos têm que fazer é uma agenda semanal. Realística, ou seja, sem exageros, sem querer abarcar o mundo com as pernas, mas também sem ser frouxa demais.

Aprender a sublinhar e fazer esquemas. Quando você sublinha você está destacando o mais importante, você está tomando posse do texto. Eu poderia escrever muito sobre isso, mas vou me limitar a dizer que quem sublinha demais não destaca nada. A maior “tentação” é sempre querer sublinhar tudo. Outro erro é sublinhar o bonito. Não se destaca o bonito, mas o importante, os conceito essenciais, as palavras-chave.

Quanto você faz esquemas você está digerindo o texto, porque você está colocando com suas próprias palavras, através de sinais ou desenhos estilizados, aquilo que é seu. Você está transformando o néctar em mel!

Reelaborar[6] – significa ligar, relacionar o que você está lendo com a sua vida prática ou com outras matérias. Estabelecendo conexões e associações é quase impossível esquecer o que você aprendeu. Ao contrário, se esquece facilmente quando não se reelabora continuamente aquilo que se lê.

Em outras palavras, ler por ler não vale a pena, você pode até memorizar por um tempo, mas vai esquecer rapidamente. Pode fazer um teste, as coisas que você decorou só pra fazer a prova, você esquece no outro dia, as coisas que você aprendeu, reelaborou dentro de você, se tornaram parte do seu patrimônio intelectual, você não esquece nunca. Isso vale seja para uma regra gramatical, seja para uma formula matemática ou para as camadas da membrana celular. Claro que você com o passar dos anos não vai lembrar de TUDO mas o essencial daquilo que você reelaborou dentro de você vai ficar.

Bom, por hoje é só. Espero que você reelabore isso que aprendeu e coloque em prática. Lembre-se da regra de ouro: a melhor maneira de aprender é ensinar.

Um grade abraço.


[1] Op. cit. p. 47.

[2] A.C. = antes de Cristo e d.C. = dona Corina, não acha?

[3] Preste atenção que aqui não se refere a uma fazenda de cana.

[4] Op. cit. pp. 53-57.

[5] Gutta cavat lapidem, non vi, sed semper cadendo.

[6] Essa palavra não existe em português. Pelo menos eu não a encontrei no dicionário. Alguém sugere uma outra com o mesmo sentido?

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