A ameaça da pornografia para as crianças

Por padre John Flynn, L.C.

ROMA, terça-feira, 27 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Proteger as crianças da exploração sexual é hoje prioridade para muitos governos e organizações privadas. Apesar disso, um recente informe denuncia que não se está fazendo o suficiente para tratar a ameaça que a pornografia dos adultos representa para as crianças.

“Morality in Media”, uma organização sem fins lucrativos com sede em Nova York, publicou em setembro um estudo intitulado: “How Adult Pornography Contributes To Sexual Exploitation of Children” (Como a pornografia adulta contribui para a exploração sexual das crianças).

Ali se sustenta que os organismos dos governos e as organizações privadas estão ignorando as consequências do que qualificam de “exploração” da pornografia adulta na internet e em outros lugares.

A pornografia adulta é uma ameaça para as crianças de diferentes formas, afirma o informe:

–Os delinquentes utilizam pornografia adulta para preparar suas vítimas.

–Para muitos delinquentes, há uma progressão desde ver pornografia adulta até ver pornografia infantil.

–Os homens atuam com as crianças prostituídas como como veem na pornografia adulta, e os aliciadores usam pornografia adulta para instruir as crianças prostituídas.

–As crianças imitam com outras crianças o comportamento que veem na pornografia adulta.

–O vício à pornografia de adultos destrói casamentos, e os filhos nos lares com um só progenitor correm mais risco de sofrer exploração sexual.

Preparação

O autor do informe, Robert Peters, presidente de “Morality in Media”, explica que há duas décadas, em sua pesquisa sobre casos judiciais, esbarrou com múltiplos exemplos de situações que implicam exploração sexual de crianças em que o acusado adulto havia mostrado ou dado pornografia de adultos à vítima menor como parte do processo de preparação.

Muitos debates têm-se centrado no tema de se a pornografia de adultos causa crimes sexuais, observa. Ainda que este assunto da causa direta ainda esteja em debate, Peters comenta que, segundo sua experiência, a utilização de pornografia de adultos por parte de depravadores para despertar e desensibilizar suas vítimas menores é de verdade uma forma como a pornografia de adultos contribui para causar dano.

Isso é mais que uma simples opinião pessoal. Um dos apêndices do informe contém mais de 100 páginas de recortes de notícias e casos judiciais que fazem referência a como os delinquentes mostraram ou deram pornografia a uma criança ou a forçaram a olhá-la.

O informe continua explicando que as pessoas que são viciadas em pornografia requerem classes mais explícitas e anômalas de material sexual conforme avança o tempo, de forma parecida a quem sofre de vício de drogas. Assim, com o tempo, há uma necessidade crescente de mais estímulo para alcançar o mesmo efeito inicial.

Peters também observa que há uma tendência cada vez maior a reproduzir sexualmente os comportamentos vistos na pornografia. Desta forma, os consumidores de pornografia não são meros consumidores passivos, mas tendem a levar à prática os comportamentos que veem.

Ameaça da mídia

Quanto às crianças, o informe explica que se uma criança entrasse em uma livraria adulta, ser-lhe-ia solicitado que saísse, posto que vai contra a lei de vender pornografia às crianças no mundo real.

Pelo contrário, se essa mesma criança está a ponto de entrar na maioria das páginas web comerciais que distribuem pornografia adulta, é possível que veja pornografia adulta gratuitamente e sem restrições. Supostamente, quando se trata de internet, os tribunais pensam que a utilização por parte dos pais de filtros é uma solução adequada para o problema, comenta o informe.

Os pais têm um papel primordial na hora de proteger as crianças do conteúdo danoso da internet, admite Peters. No entanto, a maioria das crianças pode ter acesso à internet fora de casa ou por meio de dispositivos móveis. Tudo que se necessita é que uma criança em um grupo de amigos tenha acesso sem restrições à internet para que todos tenham acesso, destaca o informe.

Peters também afirmava que em seus muitos anos de experiência um número significativo de aliciadores utiliza a pornografia não apenas para despertar e instruir suas vítimas, mas também para exercitar a si mesmos.

Uma das conclusões do informe é o pedido de que as Igrejas e outras instituições religiosas façam mais frente ao problema da pornografia de adultos.

Também os meios de comunicação e de entretenimento poderiam ajudar a apresentar a produção e o consumo de pornografia adulta como um problema real, em vez de uma questão sem nenhuma significação moral ou social.

Vida familiar

A observação do informe de que a pornografia fere a vida familiar e as crianças não é uma opinião ilhada. Da Austrália, o Sydney Morning Herald, em um artigo de 5 de março, falava do cenário de um marido viciado no pornô. O “catastrófico desajuste emocional que sofre” por este vício é um fato comum.

No ano passado, o telefone da assessoria Mensline Australia teve crescimento de 34% no volume de chamadas de homens que sentiam que a pornografia era um problema em sua relação, comentava o artigo.

A possibilidade de aceder à pornografia através de computadores e telefones tirou, por assim dizer, a barreira de entrada, quer dizer, a vergonha de visitar um sex shop para comprar uma revista ou um vídeo.

O artigo observava que também é um problema grave para as mulheres. “Há uma boa proporção de mulheres que vê o uso do pornô por seu parceiro como uma infidelidade”, afirmava o sociólogo Michael Flood. “Inclusive quando ele é honesto sobre isso, algumas mulheres consideram o uso do pornô como uma espécie de adultério”.

O nexo entre a multimilionária indústria do pornô e o apetite sexual converteu-se em algo como a relação entre as refeições extragrandes e a obesidade, sustentava a feminista Naomi Wolf em um artigo publicado a 4 de abril no Times.

“A onipresença das imagens sexuais não libera o poder de Eros, mas o diluem”, afirmava.

Um artigo publicado no jornal canadense Ottawa Citizen a 29 de maio dava mais evidências sobre as implicações disso para as crianças. Richard Poulin, professor de sociologia na Universidade de Ottawa, participou de uma conferência em Montreal intitulada: “Jovens, mídia e sexualidade”.

Ele observava que as agressões sexuais são cometidas agora por jovens. Ademais, uma pesquisa realizada entre estudantes da Universidade de Ottawa manifestou que a média de idade em que viram pela primeira vez pornografia era de 13 anos. Entre aqueles cujos pais tinham a pornografia em casa, a idade era menor, entre 10 e 11 anos.

Poulin também citava uma pesquisa que mostrava que um em cada cinco homens entre 22 e 23 anos admitia sentir-se atraído por meninas de 13 anos. “Esta não é uma tendência trivial”, indicava.

Ambiente sadio

Bento XVI abordava o tema da pornografia em seu discurso de 16 de abril de 2008 aos bispos norte-americanos, durante a visita aos EUA.

“As crianças têm direito a crescer com uma sadia compreensão da sexualidade e de seu justo papel nas relações humanas”, recomendava. “A elas se deveriam evitar as manifestações degradantes e a vulgar manipulação da sexualidade hoje tão preponderantes”.

As crianças têm o direito de ser educadas nos autênticos valores morais baseados na dignidade da pessoa humana, continuava o pontífice.

“Que significa falar da proteção das crianças quando em tantas casas se pode ver hoje pornografia e violência através dos meios de comunicação amplamente disponíveis?”, perguntava.

Ao tratar este problema, o Papa falava da necessidade urgente de determinar os valores que guiam a sociedade de hoje. Se de verdade quisermos cuidar dos jovens, todos temos de reconhecer nossa responsabilidade de promover e viver os valores morais autênticos, que permitam prosperar a todos, concluía.

Uma recordação oportuna do perigo de fechar os olhos ante um problema que se ignora com muita frequência.

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Fazer que os anglicanos se sintam em casa na Igreja Católica

Entrevista com Mons. Stetson, especialista no diálogo coma Comunhão Anglicana Tradicional Por Karna Swanson HOUSTON, terça-feira, 27 de outubro de 2009 (ZENIT.org).

Na semana passada, Bento XVI surpreendeu o mundo com a notícia que permitirá que grupos anglicanos que desejam entrar em plena comunhão com a Igreja Católica o façam através de ordinariados pessoais, preservando ao mesmo tempo elementos da tradição espiritual e litúrgica anglicana. A provisão de ordinariados é a resposta do Vaticano aos anglicanos que expressaram o desejo de converter-se em católicos.

Estima-se que cerca de 25 bispos anglicanos tenham feito uma petição similar. Até agora, existia uma provisão pastoral, emanada por João Paulo II em 1980, mas que só contemplava os casos individuais de sacerdotes episcopalianos que desejavam abraçar o catolicismo. Para entender como funcionam os ordinariados pessoais e a importância desta iniciativa, Zenit entrevistou Mons. William Stetson, sacerdote do Opus Dei e secretário delegado eclesiástico da Congregação para a Doutrina da Fé para a Provisão Pastoral de ex-sacerdotes episcopalianos (termo utilizado para designar os membros da Comunhão Anglicana nos Estados Unidos e na Escócia).

Stetson trabalha em um Escritório de Provisão Pastoral na paróquia de Nossa Senhora de Walsingham, uma congregação de tradição anglicana na arquidiocese de Galveston-Houston.

O que é um ordinariado pessoal? Existe em algum outro lugar na Igreja?

Monsenhor Stetson: Um ordinariado é uma estrutura jurisdicional composta por um prelado com jurisdição ordinária, seu próprio clero incardinado que o assiste em seu trabalho pastoral e os fiéis leigos, por quem vela. Existe um ordinariado militar em muitos países, que tem a responsabilidade do cuidado pastoral daqueles que servem nos exércitos e de suas famílias. Nos Estados Unidos, ele se chama Arquidiocese para os Serviços Militares (Archdiocese for the Military Services). Que eu saiba, não existem outros ordinariados. -Qual é a diferença fundamental entre a provisão pastoral de 1980 e a nova constituição apostólica? Monsenhor Stetson: A provisão pastoral não tinha conteúdo canônico e não contemplava o exercício do poder de governo. A nova constituição apostólica estabelecerá normas canônicas no mais alto nível, para prover a criação de novas estruturas canônicas, chamadas “ordinariados”, em nações individuais. Em conformidade com as normas gerais, cada ordinariado terá o poder de governo (jurisdição) sobre um determinado tipo de pessoas e assuntos.

O que acontecerá com as paróquias católicas de tradição anglicana (Anglican Use parishes) que estiveram funcionando durante anos?

Monsenhor Stetson: Até este momento, as chamadas paróquias de tradição anglicana nos Estados Unidos são paróquias da diocese onde estão presentes, que mantêm elementos da tradição anglicana, especialmente a liturgia. Não há relação canônica entre elas ou com o delegado eclesiástico da provisão pastoral. Presumivelmente, se for estabelecido um ordinariado nos Estados Unidos, as paróquias passariam a ser jurisdição do novo ordinariado e ficariam sob a jurisdição do prelado do ordinariado. As futuras paróquias e comunidades de culto poderiam ser estabelecidas pelo ordinário do ordinariado a pedido de grupos de fiéis anglicanos com um sacerdote, após a consulta ao bispo do lugar em que se encontram.

Qual é o motivo de estabelecer estes ordinariados pessoais? Por que a provisão pastoral não era suficiente?

Monsenhor Stetson: A provisão pastoral é um mero processo administrativo para preparar os antigos sacerdotes episcopalianos casados para serem ordenados como sacerdotes católicos, a pedido dos bispos diocesanos. O novo ordinariado proverá uma estrutura canônica similar a uma diocese, para o cuidado pastoral dos fiéis leigos que procedem da igreja episcopaliana.

Esta estrutura canônica parece responder diretamente a uma petição realizada há dois anos pela Comunhão Anglicana Tradicional, que tem cerca de 400 mil membros no mundo inteiro. Você acha que muitos desses membros entrarão em comunhão com a Igreja Católica através do ordinariado pessoal?

Monsenhor Stetson: A Comunhão Anglicana Tradicional é, na verdade, uma confederação de autodenominadas dioceses presentes em muitos países; está formada por sacerdotes, fiéis leigos e bispos. A Comunhão Anglicana Tradicional, como tal, nunca fez parte da Comunhão Anglicana sob a autoridade do arcebispo da Cantuária. O que vai acontecer com as dioceses nos países concretos dependerá das decisões tomadas pela hierarquia católica nos respectivos países, com a Congregação para a Doutrina da Fé. Seu número maior está na África e na Ásia.

Como será o processo para os anglicanos, especialmente sacerdotes e bispos, que entrarem na Igreja através do ordinariado?

Monsenhor Stetson: A constituição apostólica que permitirá a criação de ordinariados em cada país ainda não foi apresentada. Por esta razão, não conhecemos a natureza do processo. Eu anteciparia que será similar ao usado nos últimos 27 anos pela provisão pastoral aqui nos Estados Unidos, e sua homóloga na Inglaterra.

O anúncio vaticano contempla a possibilidade de que um ordinariado católico tenha seminaristas, que se preparariam junto com os seminaristas católicos, “ainda que o ordinariado estabeleceria uma casa de formação dirigida às necessidades particulares de formação no patrimônio anglicano”. Isso incluiria a possibilidade de matrimônio para estes seminaristas anglicanos?

Monsenhor Stetson: Os pontos específicos desta questão ainda não foram revelados. Ao menos suponho que os seminaristas teriam de estar casados e estudar em um seminário anglicano no momento que trataram de entrar em plena comunhão, e logo continuar estudando para o sacerdócio em um seminário católico. Eles teriam de receber a dispensa da norma do celibato, estudando a Santa Sé caso por caso. Os futuros seminaristas teriam de ser celibatários.

Que outras tradições os anglicanos manteriam ao entrar na Igreja Católica pela via do ordinariado pessoal?

Monsenhor Stetson: As paróquias pequenas, que permitem uma maior coesão. Uma rica tradição de expressão litúrgica (linguagem, música, vestimentas, espaço) em inglês, que data do século XVI. Isso também incluiria uma grande tradição da utilização da Sagrada Escritura na pregação, o amor pelos Padres da Igreja e uma expressão teológica além da escolástica católica romana.

Por que o Vaticano pode oferecer esta concessão apenas aos anglicanos, e não aos luteranos, presbiterianos etc., que quiserem entrar na Igreja?

Monsenhor Stetson: Os anglicanos desfrutaram sempre de um lugar especial na atitude católica para com a ruptura da unidade dos cristãos no Ocidente depois do século XVI. A Igreja da Inglaterra tentou manter muitos elementos da Igreja Católica e, ao mesmo tempo, ser protestante. A Igreja da Inglaterra manteve uma maior unidade dentro de si mesma e, portanto, poder-se-ia tratar como uma entidade única nas conversações com Roma.

Falou-se que esta medida afetará negativamente o diálogo anglicano-católico, quer dizer, o Conselho Internacional Anglicano-Católico (ARCIC). É certo?

Monsenhor Stetson: Aparentemente não, de acordo com as manifestações das autoridades católicas e anglicanas na Inglaterra e em outros países que estão implicados no diálogo ecumênico. Só o tempo dirá.

Por que é uma boa notícia para os anglicanos que buscam a plena comunhão com a Igreja Católica?

Monsenhor Stetson: Os anglicanos que entrarem na comunhão plena encontrarão um lar espiritual familiar na Igreja Católica através das paróquias que o prelado do ordinariado será capaz de estabelecer com os sacerdotes e o pessoal especialmente preparado, que também virá da tradição anglicana.

Anglicanos voltam à Igreja Católica

BLACKWOOD, quarta-feira, 21 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- As orações dos anglicanos que desejavam entrar em plena comunhão com a Igreja Católica foram mais que respondidas.

catedral anglicana

Foi o que assinalou ontem o primaz da Comunhão Anglicana Tradicional, o arcebispo John Hepworth (Blackwood, Austrália), em um comunicado de resposta ao anúncio do Vaticano de que Bento XVI permitirá que anglicanos entrem em plena comunhão com a Igreja Católica preservando elementos da tradição espiritual e litúrgica anglicana.

Esta política se estabeleceu em uma constituição apostólica que será apresentada em breve, e responde os pedidos dos anglicanos que expressaram seu desejo de aderir à Igreja Católica, especialmente porque a tradição anglicana continua avançando para a abertura de seu sacerdócio e seu episcopado às mulheres e às pessoas que mantêm relações homossexuais, e para a benção das uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Entre vinte e trinta bispos anglicanos formularam este pedido.

A constituição apostólica foi anunciada em uma coletiva de imprensa no Vaticano nesta terça-feira, oferecida pelo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal William Levada.

Dom Hepworth afirmou que a Comunhão Tradicional Anglicana está “profundamente comovida pela generosidade do Santo Padre, o Papa Bento XVI”.

Dedicado à unidade

“Ele oferece nesta constituição apostólica os meios para que antigos anglicanos entrem em plena comunhão com a Igreja Católica” –explicou Hepworth. Ele espera que nós possamos ‘encontrar nesta estrutura canônica a oportunidade de preservar essas tradições anglicanas preciosas para nós e compatíveis com a fé católica”.

“Ele afirma então com afeto: ‘estamos contentes de que esses homens e mulheres tragam consigo suas particulares contribuições a nossa vida de fé comum”, aprecia o prelado.

“Primeiro queria dizer que este é um ato de grande bondade por parte do Santo Padre – continuou. Ele tem dedicado seu pontificado à causa da unidade”.

“Isto é mais do que corresponde ao que, em sonhos, nos atrevíamos a incluir em nosso pedido há dois anos – acrescentou. É mais do que corresponde a nossas orações”.bispos anglicanos

“Nestes dois anos, fomos muito conscientes das orações de nossos amigos da Igreja Católica – afirmou Dom Hepworth. Talvez em suas orações se atreveram a pedir inclusive mais que nós”.

O arcebispo disse que tomaria a oferta do Santo Padre para cada um dos sínodos nacionais da Comunhão Anglicana Tradicional.

A Santa Sé nos desafia a buscar, nas estruturas específicas que estão agora disponíveis, a “unidade plena, visível, especialmente a comunhão eucarística”, pela qual rezamos e sobre a qual sonhamos durante muito tempo. Este processo começará em seguida, afirmou.

Destacando que o Ofício anglicano de Laudes inclui o hino de agradecimento Te Deum, Dom Hepworth acrescentou: “o hino está hoje em nossos lábios com sincero agradecimento a Deus Todo Poderoso, o Senhor e a fonte de toda paz e unidade”.

“Este é um momento de graças, talvez inclusive um momento histórico – afirmou –, não porque o passado tenha se apagado, mas porque se transformou”.

Igreja aprova casamento homossexual

Qui, 22 Out, 12h28

ESTOCOLMO, Suécia (AFP) – A Igreja luterana da Suécia aprovou durante seu sínodo nesta quinta-feira o casamento religioso dos homossexuais, que a lei sueca já havia autorizado em 1º de maio.

A medida, que entrará em vigor a partir de 1º de novembro, foi adotada por quase 70% dos 250 membros do sínodo, segundo um porta-voz da instituição.

Em abril passado, quando o Parlamento sueco adotou a lei, a Igreja luterana, separada do Estado em 2000, apoiou a reforma, mas adiou sua aprovação oficial até a realização do sínodo.

A Suécia, na vanguarda em termos de adoção de por parte de casais homossexuais, passa assim a ser um dos primeiros países do mundo que autoriza a realização de casamentos gays dentro sua principal congregação religiosa.

Em 2008, 73% dos suecos pertenciam à Igreja da Suécia.gay

A principal associação sueca de defesa dos homossexuais, a RFSL, saudou a medida. “A RFSL felicita a Igreja da Suécia por sua decisão, seus membros homossexuais e bissexuais poderão enfim se sentir um pouco mais bem-vindos na sociedade”, escreveu em um comunicado.

Mas a associação criticou o direito dos pastores de rejeitar a título pessoal realizar um casamento entre homossexuais. Nesse caso, a Igreja deverá encontrar outro sacerdote para a cerimônia.

Sinceramente, às vezes nos vem um sentimento de revolta, indignação; uma vontade de criticar gritando a todo pulmão que isso é errado, contra o Evangelho, etc. Porém, notícias como essa servem para nos firmar cada vez mais na nossa fé e na alegria de ser Católico Apostólico Romano. A alegria de pertencer à Igreja fundada por Cristo que, mesmo nas vicissitudes do mundo, por graça do Espírito Santo, conserva incólume o depósito da fé. Bendito seja Deus por isso! Enquanto o mundo se autodestroi, perdendo o ponto de referência nos valores imutáveis, caindo no vazio do relativismo, ao sabor das ondas dos modismos e dos comodismos da sociedade, nós permanecemos e permaneceremos sempre unidos no Amor verdadeiro.

Ultimamente centenas de fiéis, padres e bispos anglicanos estão voltando à fé católica, justamente por não concordarem com a decadência moral e religiosa em que se encontra a Igreja na Inglaterra (e no mundo). A Santa Sé emitiu um documento especial do Papa para acolher esses irmãos de volta no seio da Santa Igreja concedendo-lhes preservar suas tradições litúrgicas e ordenando seus pastores legítimos padres católicos.

Não tenho medo de afirmar e reafirmar a fé nessa VERDADE, já que o mundo não tem medo de propagar suas falácias com autoritarismo dogmático. Cada um colha as consequencias de suas escolhas.

Como um cristão se livra de um assalto


WASHINGTON, EUA (AFP) – Uma mulher que trabalha no balcão de uma financeira nos Estados Unidos conseguiu impedir um assalto, depois de convencer o homem armado a se ajoelhar e rezar, informou nesta quarta-feira a rede de televisão ABC.

assaltante

Gregory Smith, de 23 anos, entrou na loja armado com uma pistola e explicou à funcionária que estava passando por dificuldades financeiras, que tinha um filho para cuidar e que por isso “não tinha outra alternativa” senão cometer o crime, indicou a ABC, citando um relatório da polícia de Indianápolis (Indiana, norte).

A mulher, de 43 anos, tentou dissuadi-lo. “Comecei a chorar, a rezar e a dizer para ele ‘não faça isso’, e que ele era jovem demais para arruinar sua vida”, contou aos policiais. O episódio ocorreu na segunda-feira

Depois da sugestão da funcionária, o assaltante se ajoelha e reza durante vários minutos no meio da loja, como mostram as imagens da câmera de segurança, mostradas pela ABC. Em seguida, ele abraça a funcionária.

“Ele tirou a bala da pistola e disse: ‘aqui está a bala, não vou machucá-la'”, contou a mulher.

No entanto, ele levou o telefone celular e 20 dólares da mulher. Em seguida, entregou-se na delegacia – sua mãe havia visto as imagens do assalto na televisão e ligou para ele pedindo que fosse à polícia

Você sabe rezar o Pai-Nosso?

Esse texto de minha autoria foi publicado pela revista Shalom Maná esse mês.

pai_nosso 1Obviamente que sua resposta à essa pergunta é sim. Quem não sabe rezar o Pai-Nosso? Talvez você espere que, com esse título, eu esteja a ponto de dizer coisas do tipo: “Não, você não sabe rezar o Pai-Nosso porque você não sabe perdoar aos que lhe tem ofendido”.

Bem, isso até pode ser verdade, pode até ser… mas não é  exatamente isso que eu quero lhe falar. Quero saber se você sabe dizer as palavras da oração que o Senhor nos ensinou.

“Que absurdo!” – você pode protestar – “Está pensando que por acaso eu sou um analfabeto religioso? Que nunca fui ao catecismo?”. Bom, calma, claro que não penso isso. Mas tenho observado algumas coisas engraçadas na nossa liturgia que ocorre, não só entre pessoas simples e de humilde condição, mas até mesmo em rádios católicas, entre as pessoas que se dizem informadas e preparadas. Não é por culpa de alguém, mas sim porque simplesmente muitas vezes não prestamos atenção a certos detalhes ou nos viciamos em erros banais.

Vamos lá:

– Pai nosso que estais nos céus…

Até aqui acho que quase ninguém erra. É plural e somos mesmo habituados a dizer no plural.

Uma coisa importante antes de continuar: toda oração litúrgica, ou seja, as orações oficiais, que estão nos livros litúrgicos tais como o Missal, os livros dos sacramentos, dirigem-se a Deus na segunda pessoa do plural. Preste atenção, na missa e nos diversos sacramentos só se dirige a Deus, Jesus, o Espírito Santo, com o “vós”. Esse é chamado o plural majestático, mas isso não tem importância para nós agora, o importante é saber que, na liturgia, não tratamos nenhuma Pessoa Divina com o pronome “tu” ou “você”.

Voltemos ao Pai-Nosso:

– Seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.

Agora sim, um erro comum, pois muita gente coloca o plural aqui, mas aqui é no singular! Então decore bem e veja se você  não está rezando errado: o primeiro é “nos céus” e o segundo é “no céu”.

Alguém poderia me argumentar que na Bíblia (algumas versões) coloca tudo no singular, tanto o primeiro quanto o segundo. Porém, o correto é a versão oficial, litúrgica, presente em latim e em todas as outras traduções.

Nem vou comentar que tem muita gente – muita gente mesmo! – que diz assim:

– Venha a nós ao vosso reino.

Meu Deus, o que quer dizer essa frase? Nada! Está completamente errada, tão errada que não tem sentido. O certo (e acredito que os meus leitores sabem) é:

– Venha a nós o vosso reino.

Bom, até agora eu acredito que a maioria dos que estão lendo esse artigo admita que nunca errou, e que sempre reza o Pai-Nosso como eu estou ensinando. Ok. Vamos ver agora se você diz isso:

– Perdoai-nos as nossas ofensas…

Ah, peguei você não foi? Duvido muito que a maioria das pessoas diga “perdoai-nos”. Pois é, é assim que está no Missal, a versão oficial: perdoai-nos. Pois nós pedimos perdão a Deus e não que Deus perdoe os pecados… PERDOA, SENHOR A NÓS DOS NOSSOS PECADOS: perdoai-nos os nosso pecados.

Agora tente rezar lendo pausadamente o Pai-Nosso, como Jesus nos ensinou e a Santa Igreja nos transmitiu:

Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

Ah, já ia me esquecendo, na Missa não se diz o amém no final do Pai-Nosso.

Espero que eu tenha feito jus ao ditado que diz que ninguém pode ensinar Pai-Nosso a vigário!

Obs.:
Já publiquei uma formação muito semelhante de autoria da Emmir, que fora publicada na Revista Shalom Maná e no Portal da Comunidade Católica Shalom.