Ainda jovem?

Um dia desses conversando com um amigo de cerca de 20 anos escutei o seguinte comentário: “eu não sou mais jovem, sou um adulto”. Claro que eu comecei a rir dele. Afinal, quando a gente vai passando muito dos 30 a gente vai entendendo que a vida é mais longa do que o que pensávamos antes dos 30.

Lembrei-me de um episódio parecido que aconteceu comigo logo quando cheguei à Itália. Eu estava perto de completar 30 anos e, conversando com uns amigos italianos, disse que não era mais jovem. Eles começaram todos a rir de mim, achando muito engraçado a minha observação, porque, para eles, eu era sim um jovem. Eu quase não acreditava naquilo, até que, lendo um jornal um dia no trem me deparei com a seguinte notícia: “assassinado um jovem de 30 anos”. Engraçado essas coisas de diferença cultural. Se pensarmos na idade média, ou mesmo há pouco mais de 100 anos atrás, uma pessoa com 30 anos estava próximo ao fim da vida. Com 40 anos você já era bastante velho pois a expectativa de vida na idade média não passava dos 40.

Na Europa, na velha Europa, onde a quantidade de jovens é muito pequena comparada ao Brasil e a expectativa de vida é bem maior, o conceito de juventude muda em comparação a nós. Mas voltemos ao meu amigo de 20 anos. Quero deixar bem claro que eu tenho 36 anos e não me considero jovem, já não me considerava aos 30! Mas afinal, até que idade vai a juventude? Isso é relativo? De certa forma, sim. Como eu disse, o que é jovem na Europa, na velha Itália, não o é mais aqui no jovem Brasil. Mas acredito que aqui temos um problema: identificar a juventude com a adolescência. Que absurdo isso! Claro que um jovem de 20 anos é um jovem. Os psicólogos defendem a teoria que a adolescência hoje em dia se estende até mesmo aos 24 anos, quando o jovem termina o curso superior. Na verdade, nós brasileiros (graças a Deus) amadurecemos mais rápido que os italianos, especialmente os homens. Entramos e saímos da faculdade mais rápido, começamos a trabalhar com menos idade e, normalmente, nos casamos bem mais cedo. Temos mais filhos pois as mulheres começam a gerar bem mais cedo. Claro que isso está mudando, na medida que vamos ficando menos pobres, vamos ficando mais parecidos com o patamar dos países desenvolvidos, no melhor e no pior.

Mas esse post não é para falar de desenvolvimento econômico e cultural, e sim, para falar de um problema que ao meu ver está na raiz do comentário desse meu amigo. O mundo consumista, hedonista e todos os “istas” que você quiser supervaloriza, isso mesmo, supervaloriza a figura do adolescente. Ser adolescente é o ideal de beleza, de consumo. Sabe porque? Porque isso dá lucro. Tudo o que o mundo incentiva e apóia é o que dá dinheiro. Dá dinheiro porque o adolescente é muito consumista. Ele quer estar na moda para não ser diferente, quer vestir roupa de marca para se afirmar, quer ter o celular de última geração (mesmo sem necessidade), o tênis mais caro, etc. Dá lucro, muito lucro, inclusive para o governo, incentivar a promiscuidade sexual e a cultura gay. Basta olhar para o “fortal”. Imaginem que com tantas ruas nos buracos de nossa cidade (Fortaleza) o governo constrói uma super avenida que liga a Cidade 2000 à praia do Futuro só por causa do fortal!!!

Claro que o consumismo não é uma característica só do adolescente, mas isso está muito presente e é, de certa forma, normal. Por essa supervalorização da adolescência, pelo fato de termos que amadurecer rapidamente para assumirmos responsabilidades no mundo do trabalho por causa da nossa fragilidade econômica, por causa de preconceitos culturais, não queremos mais considerar a faixa que vai dos 20 aos 30 como juventude. É até motivo de piada quando uma pessoa de mais de 25 se diz jovem.

Caríssimos, por fim, gostaria de deixar essa mensagem: não confundamos adolescência com juventude. A juventude engloba duas fases: a adolescência e a juventude na maioridade. Isso é importante para não queimarmos etapas e para não deixarmos de viver aquilo que é maravilhoso e se chama HOJE. Há adultos casados, pais de filhos que, por não terem vivido a juventude, regressam. Conheci um homem casado que deixou a esposa e vários filhos adolescentes para curtir a vida em farras e no surf! Tem cabimento? A resposta que ele deu para a família foi: “vou viver a vida que eu não vivi”. Triste resultado.

Vivermos cada momento com sabedoria na alegria e na simplicidade nos faz mais felizes.

Acho esse tema bastante interessante e vasto. Gostaria da opinião de vocês de modo pessoal. Convido a colocarem aqui comentários sobre essa assunto para que nós possamos aprofundá-lo. Um grande abraço.

9 pensamentos sobre “Ainda jovem?

  1. Muito interessante mesmo. Eu que costumava dizer pra mim mesmo que aos 23 anos não me considero mais um jovem, mas um velho… HAHA Acontece que às vezes nos achamos infantis em uns aspectos e velhos em outros. O ideal mesmo é viver com alegria a idade que nós temos, pois o que temos hoje, a vitalidade, a alegria, o fervor, com o tempo pode diminuir pelos limites do próprio corpo.

    Vivamos o hoje intensamente para a glória de Deus, sem nos apegarmos a nada, mas com toda a juventude de espírito que Deus nos dá gratuitamente, seja qual for a nossa idade!

  2. Amigo,parece que este post foi feito pra mim,é impressionante. estou passando por isso no momento estou até pensando em procurar um psicologo,fazer uma terapia sei lá…to preste a completar 21 anos,e sinto que não vivi minha adolescência,não me envolvi na vida como eu queria,tinha muitos medos, inseguranças,fui adiando as coisas,deixando o tempo passar, e agora me sinto velho, tenho 20 mais a cabeça de uns 15 16 e as pessoas me tratam diferente já me tratam como um home.,estou com muita dificuldade de lidar com isso , pois estou caindo na real que o tempo que perdi nunca mais vai volta e isso está me torturando muito, e mesmo que eu faça tudo o que eu queria ter feito,não vai ser mais a mesma coisa!não vai ser uma coisa natural, porque como diz minha mãe tudo tem o seu tempo certo. alguem aqui tem algum conselho,uma dica,obrigado !

    • Maicon, passados passados cinco anos dessa mensagem, como vc está hj? Se reprimiu ou se permitiu? Gostaria de saber, se vc superou essa angústia. Abraço.

  3. Meus parabéns pelo texto Leonardo… acabei caindo no seu blog através do Google, porque eu tinha essa “pulga atrás da orelha” em relação a minha idade que é 30, me achava velho e infelizmente por motivos de saúde deixei de fazer muita coisa, digo coisas boas, conhecer novos amigos, e fazer os meus hobbys, mas você foi diretamente ao ponto e com uma explicação muito boa, se pararmos pra pensar… a mídia nos faz pensar que somos velhos… e é verdade como você disse em seu texto, tudo isso é feito pelo consumo!
    Muito bom, vou deixar seu blog em meus favoritos🙂

  4. Puxa já fazem 5 anos este texto porem vc cobseguiu escrever sobre uma temática que será atemporal,pois a cada pessoa que estiver lidando com esta questao pessoal será atual…..O importante é nao se importar com o que os outros pensem a seu respeito enquanto houver vida ha esperança cada um tem as suas bareiras ninguem tem o direito se quer de questionar se alguém é novo demais ou velho demais para tais coisas….

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