Porta do Céu

HISTÓRIA DA PORTAÏTISSA

Tradições sobre um ícone milenar que deseja ser posto à porta


A verdadeira Portaïtissa, que data cerca de mil anos, ainda existe: é conservada em um mosteiro do Monte Athos.

Para dizer a verdade, aqueles que a puderam ver, dizem que não se pode mais ver claramente como ela deveria ser originalmente.

As siluetas da Mãe e do Filho, as inscrições, estão recobertas por placas de prata incrustradas de pedras! Aparecem ainda somente os dois rostos de Maria e de Jesus, mas escurecidos pela fumaça das velas e envelhecimento do verniz…

No entanto, este ícone é a origem da vneração à portaïtissa, tão difundido hoje em dia no Oriente e no Ocidente.

O que continua perceptível é uma como que cicatriz sobre a face direita da Virgem, traço de um golpe de sabre que a atingiu e que teria provocado, no local do “ferimento”, um sangramente…

Esta cicatriz vem dos períodos de afrontamento violento dos movimentos “iconoclastas”, que envolviam os que aceitavam os ícones como apoio de suas orações e os que os recusavam como idolatria. O golpe de sabre teria acontecido no período dos imperadores Leão III, o Isauriano e, depois, de Leão V, o armênio.

O ícone, então, existia nesta época longínqua, marcado por esta dolorosa querela que o concílio de Nicéia veio apaziguar ao legitimar oficialmente o culto dos ícones.

A “tradição” ensina que uma viúva piedosa, em Nicéia, temendo outras profanações a seu ícone já “ferido”, teria preferido joga-lo ao mar, pois a fúria das correntes seria menos temível que o furor dos sectários. No mar, teria sido conservado sem afundar até o dia em que dois monges o reencontraram, trazida para a maré, sobre a curva de um rio perto de onde se encontrava seu monastério, em Iviron, no Monte Athos.

Tendo-o recolhido com emoção, colocaram-no na igreja de seu monastério. No dia seguinte, para seu espanto, constataram que havia desaparecido e, ao procura-lo, encontraram-no… perto da porta de entrada da igreja.

Novamente o instalaram dentro da igreja e ele, mais uma vez, deslocou-se para fora. Isso aconteceu durante vários dias. A comunidade monástica, então, decidiu deixa-o “à porta”, já que este parecia ser seu desejo.

Logo edificaram um pequeno santuário no local para abrigar a Portaïtissa, o ícone daquela que queria ser a “porteira”, a “guardiã da porta”.

Ao longo dos séculos o ícone foi conservado com grande veneração neste monastério que festejava solenemente sua festa na quarta-feira da oitava da Páscoa, aniversário de sua descoberta pelos monges.

Por volta de 1920 um monge com dotes incontestáveis, fez, inspirando-se no ícone, uma cópia muito livre, mas particularmente bela, que tornou-se segundo narraremos adiante, o “ícone de Montreal”.

François-Xavier Guibert

Em L´Icône de Toulouse, Maria, Porte du Ciel, p.21

Ed. independente
por Maria Emmir Nogueira, Co-fundadora da Comunidade Shalom

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