Julgamento Injusto

Ultimamente o Brasil inteiro tem acompanhado um caso que chocou o país. Um casal, um pai e uma madrasta, assassinaram barbaramente uma criancinha de apenas cinco anos de idade.

Interessante notar a comoção e solidariedade nacional diante desse caso que, altamente propagado pela mídia – sempre em busca de fatos sensacionalísticos – alardeou o máximo possível. Multidões acompanharam pela TV, internet, e até mesmo às portas do Fórum, passo a passo, torcendo e rezando para que o casal criminoso fosse condenado com a pena máxima. Não condeno o fato. Eu também acompanhei o processo. Como todo brasileiro, também quis a justiça. Mas porque será que houve tanto interesse nesse caso? Houveram já outros crimes que abalaram o coletivo emocional brasileiro. Mas muitos outros acontecem todos os dias, muitos. Nós sabemos até mesmo pela mídia. Crimes igualmente bárbaros ou até mesmo piores. Claro, esse não tão propagados pela mídia nacional são de pessoas simples, do povo, que não moram em um quinto andar de um apartamento, não chegam de carro na garagem, não têm tela de proteção no quarto da criança. Não tapemos o sol com uma peneira, essa é a verdade, é a realidade, infelizmente.

Mas justamente por termos contado diário com gritantes injustiças e crimes violentíssimos contra a nossa dignidade, que escolhemos um caso, um único caso, que possa para nós servir de desforra, de símbolo. Inconscientemente pensamos: se ao menos nesse caso houver justiça, ficarei mais aliviado diante da injustiça institucionalizada de nossa sociedade. Diante do crime impune de que a saúde de boa qualidade é acessível só a quem tem plano de saúde; o crime gritantemente injusto de que a educação que forma e dá dignidade ao cidadão é privilégio de quem pode pagar a cara máfia das escolas particulares; a injustiça de que as pessoas que têm um pouco de dinheiro (não precisa ser rico) devem estar trancados em prisões domiciliares enquanto os bandidos estão soltos pelas ruas; ruas esburacadas e destruídas enquanto nós que temos o privilégio de ter um carro temos que pagar um imposto absurdo para circular pelas estradas e além disso a grande maioria do povo se esmaga nos transportes públicos igualmente inseguros (até nos terminais se morre atropelado); a lista podia ser muito maior… mas não vou continuar, nós sabemos onde vivemos!

Pois bem, pelo menos nesse caso do casal Nardoni e Jatobá a justiça foi feita. Nos desforramos.

Mas nesse domingo, eu gostaria de falar de outro julgamento. Um julgamento que, ao contrario do caso da menina assassinada pelo pai e pela madrasta, não teve um veredicto segundo a justiça. Um criminoso foi solto e um justo foi condenado. Sim, não só um criminoso declaradamente culpado foi liberado, mas um justo foi condenado à morte! Sem culpa, sem crime. Se você é católico praticante sabe do que eu estou falando. Nesse Domingo, nós católicos celebramos a entrada triunfal do Nosso Senhor e Deus em Jerusalém e sua condenação à morte de cruz. Um espetáculo jamais visto na história da humanidade. Ele, somente ELE era justo. Não há um único justo fora ele. Mas o povo na época preferiu Barrabás. Ficamos chocados na liturgia quando, o mesmo povo que aclama “Hosana ao Filho de Davi, bendito o que vem em nome do Senhor” é o povo que grita: solte-nos Barrabás e crucifique Jesus! Solte-nos um criminoso condenado e mate o Justo! Ficamos indignados, bom, pelo menos deveríamos ficar doloridos pois ele é o nosso amado Senhor, o Filho de Deus. O que gritaríamos se estivéssemos lá, sem saber muito bem o que estava acontecendo e induzidos pela comoção de massa? Não podemos julgar. O fato é que esse é o julgamento e o veredicto mais injusto da história e nunca haverá um outro tão injusto.

Um JUSTO foi condenado e um INJUSTO foi libertado: JESUS foi condenado e… VOCÊ foi libertado! O julgamento mais injusto e cruel da história da humanidade foi feito para liberar da condenação nada mais nada menos que VOCÊ!

Pense nisso… e feliz Páscoa!

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