Médico, advogado, professor

Um médico, um advogado, um professor.

Três profissões maravilhosas. Pelo bem que fazem à sociedade, são às vezes equiparadas à uma vocação sobrenatural, um chamado divino.

Imagino um jovem que se decide pela medicina. Cheio de garra, de vontade de fazer o bem aos outros, de curar, de socorrer os mais fracos, de lutar pela justiça nos setores públicos… até sonha em achar a cura de uma doença como o câncer, a AIDS…

Um outro que acabou de fazer, com tantas lutas e sacrifícios, todas as etapas para ser aprovado na OAB, que sonha em defender grandes causas, colocar na cadeia criminoso e sanar grandes injustiças.

Talvez ainda mais lindo e menos reconhecido de todos é aquele que adentra pela área do magistério. O sonho de moldar uma criança e fazê-la cidadã do mundo, construir as mentalidades para uma nova sociedade, ser modelo para os jovens e para as novas gerações um referencial.

Acho que, em diversas áreas, quase todo jovem se identifica aqui nessas palavras acima citadas. Até um vocacionado ao sacerdócio, um jovem padre.

Mas… sim, tem que haver um “porém”, as coisas não continuam exatamente assim como sonhamos na juventude. Muitas vezes as contradições, os desafios, as lutas para realizar os mais lindos sonhos parecem maiores do que nós. Vem, para a maioria dos casos nas três profissões acima, o casamento, a mulher/o marido, os filhos, as contas a pagar, a rotina… Os desejos de conforto, segurança, bem intencionados até. Os sonhos “financeiros”, as decepções com colegas, com as empresas, com o governo que nunca muda…

Então, aquele plantão no hospital com falta de remédios e com uma equipe enfadonha já não é o que se possa dizer “que legal!”; aqueles alunos barulhentos, mimados, com pais que fazem tudo o que eles querem, com diretores que olham mais para o carnê de mensalidades que para o boletim, não é exatamente a “construção de uma sociedade democrática”. Juízes corruptos, colegas gananciosos, leis que nunca se aplicam a quem não pode pagar bem vão torrando até o último grama de paciência e de desejo de dedicação.

Os anos vão passando, e os nossos três heróis já não têm 25 anos, mas sim 39, 45… cabelos brancos, calvície, barriguinha protuberante pela cervejinha do final de semana, filhos adolescentes exigindo as últimas invenções do Jobs ou do Gates ou de quem quer que esteja na moda… e nada mudou! Não, na verdade, mudou sim, mudou a disposição, o alento, a garra, o sonho esvaneceu.

Mas, o que pode substituir o sonho? Como colocar algo no lugar da realização de minha juventude? Fácil pensar, na verdade, não se pensa, as coisas acontecem naturalmente. De repente, lá está nosso ex-jovem defendendo um culpado no tribunal só porque ele lhe paga muito bem; passando informações na sala de aula só porque o colégio exige excelência, na verdade, exige que sejam repassados todas as dicas, os “bizus” para o vestibular, não importando minimamente se aquilo forma realmente um cidadão. Lá está nosso doutor preferindo as clínicas ricas, e fazendo todo tipo de jogo de cintura para escapar daquilo que custaria sacrifício para salvar vidas, afinal, sempre foi assim, quem se importa? Mais um, menos um não faz diferença…

Puxa vida, que pessimismo! Sim, caríssimos, graças a Deus que isso não é tão generalizado assim. Talvez você tenha até ficado revoltado em pensar em tantos bons professores, dedicados e doados aos alunos como se fossem filhos; tantos bons advogados que favorecem sempre os pobres e não permitem que as injustiças se perpetuem no nosso tão sofrido Brasil; tantos médicos que se consomem para que outros tenham um atendimento cheio de respeito, mesmo que sejam pobres, sujos, ignorantes… Seria uma injustiça generalizar, não é? Seria muito sério falar mal dessas três profissões por causa de alguns que se corrompem. Seria terrível dizer que os professores de educação física são pedófilos porque há vários casos nessa área, ou que os médicos são uns assassinos porque há alguns sem escrúpulos e por aí vai…

Já perceberam onde eu quero chegar? Obvio. Assim como nessas lindas e maravilhosas “vocações” há quem se perca no caminho, quem abandone seus sonhos, quem não consegue mais olhar para trás e ver de onde tudo isso partiu e que alento o levou a enfrentar tantos sacrifícios para se formar e obter o título tão honroso de médico, professor, advogado… etc., a mesma coisa pode acontecer, e acontece, infelizmente, com o padre.

Ele pode esquecer o seu primeiro chamado, os seus sonhos de seminarista. Pode aposentar o seu breviário (livro de orações) porque, afinal, há muitas reuniões a serem conduzidas. Ele pode deixar mofar os seus livros de espiritualidade, de teologia. Pode empolgar-se (por que não?) com coisas que não deveriam ofuscar a sua mente como o dinheiro, o conforto, as relações sociais favoráveis. Sim, ele, como todo ser humano pode se corromper, como qualquer um, na solidão da paróquia, no perder-se em coisas que realmente não fazem parte dos sonhos de sua juventude.

Quando, para qualquer um, se perde a esperança, se abandona os sonhos, só resta a amargura de entregar-se aos prazeres passageiros. Aí vem à tona aquilo que a graça de Deus, alimentada na oração e no amor, já havia há muito derrotado. Vem à tona os instintos mais baixos, porque afinal, o celibato, a fidelidade, não faz mais sentido. Nada muda, todos são iguais, etc.

É triste. Pode acontecer. Acontece. Mas não é a maioria. E não podemos desistir de lutar, não podemos querem acabar com as maravilhosas carreiras, profissões e funções que tanto bem fazem à sociedade, mesmo que existam advogados, professores, médicos e… padres, que nos envergonhem, podemos e devemos renovar as nossas forças e fincar com mais coragem e empenho a bandeira da justiça, da verdade e do amor ao próximo que defendemos.

Para concluir, vou contar um testemunho pessoal. Quando eu era adolescente, as coisa não eram diferentes. No mundo haviam santos e pecadores, honestos e injustos, trigo e joio, e, como todo jovem, eu começava a perceber isso. Eu tinha um grande amigo de escola que era protestante, ele queria ser pastor e eu queria ser padre, mas éramos muito amigos. Um dia eu disse a ele que, quando mais eu descobria ou via coisas erradas, coisas com as quais eu não concordava, padres que para mim não eram modelo, mais eu queria ser padre. Os maus exemplos alimentaram minha vocação! Sim, eu queria ainda mais ser padre para poder ser diferente daquilo que eu não gostava.

Hoje eu digo para os meus filhos espirituais (são muitíssimos!): quero ser para vocês aquilo que eu gostaria de ter tido quando eu era o que vocês são.

Pensem nisso.

Deus os abençoe.

3 pensamentos sobre “Médico, advogado, professor

  1. Prezado Leonardo Wagner,

    Obrigado por me aceitar na pg do orkut.

    A sua mensagem é muito boa. Obrigado por ter escrito.

    São muitos os Homens e Mulheres que estão atentos.

    Olhos e ouvidos para a Igreija Católica são apenas dois canais de contato com o Religar ao Deus, aos Deuses, O Divino, A Natureza, O Altíssimo, O Clemente, ou à todos denotativos dados no Al-Karim . Não sou conhecedor da Bíblia e nem do Alcorão. Sou conhecedor de poucos livros de Física e observo neles que há um grande esforço para que as Leis da Natureza sejam unificadas. Assim, observamos o que ocorreu com o Magnetismo e a Eletricidade. O Homem copia a Natureza em modelos e os modelos são modificados. Os sonhos, esperanças nesta busca contínua do HUMANO deve ser fortificada seja na Rosa ou em seus espinhos. Este modelo deveser aperfeiçoado com os sentidos HUMANOS. Somos seres analógicos. Somos Humanos.

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