Pedofilia na Igreja

ROMA, terça-feira, 25 de maio de 2010 (ZENIT.org). Quantos casos de pedofilia foram registrados na Igreja Católica? E quantos são verificados na sociedade? Para responder a estas e outras perguntas sobre um tema tão delicado e espinhoso, Francesco Agnoli, Massimo Introvigne, Giuliano Guzzo, Luca Volonté e Lorenzo Bertocchi acabam de publicar um ensaio sobre o assunto.

Para aprofundar no tema, ZENIT entrevistou um dos autores do ensaio italiano “Indagine sulla pedofilia nella Chiesa” (edições Fede & Cultura). É Lorenzo Bertocchi, estudioso da história do Cristianismo.

-Quantos são os casos de pedofilia na Igreja?

Bertocchi: Ainda que houvesse um único caso, é óbvio que já seria demasiado e dentro da Igreja quem manifestou idéias muito claras neste respeito é justamente Bento XVI. Dito isto, creio que é útil entender as dimensões do fenômeno e, na primeira parte do livro, Massimo Introvigne nos ajuda a moldar o problema. Nos Estados Unidos, por exemplo, segundo investigações acadêmicas autorizadas, de 1950 a 2002, os sacerdotes acusados de efetiva pedofilia foram 958 de mais de 109.000 sacerdotes, mas as condenações diminuem drasticamente até um número inferior a 100.

O padre Lombardi [porta-voz do Vaticano], em uma declaração de 10 de março passado, mencionava o caso da Áustria onde, no mesmo período, as acusações verificadas e atribuídas à Igreja somam 17, enquanto em outras ambientes elas passam de 510. Estes números podem dizer muito ou nada, todavia mostram sim uma tendência que permite esvaziar a hipótese que a respeito da Igreja quereria fazer-se “de toda la hierba un haz” [expressão italiana que significa “generalizar”].

-E na sociedade?

Bertocchi: Lendo os dados parece que a praga da pedofilia está verdadeiramente estendida e é impressionante. Em um relatório da Organização Mundial da Saúde – Estimativas Globais de Conseqüências de Saúde devido à Violência Contra Crianças (Genebra, OMS 2006) – é indicado, por exemplo, que em 2002, no mundo, estima-se que aproximadamente 150 milhões de meninas e 73 milhões de meninos forçados a diversas formas de abuso no âmbito sexual.

Um relatório da ONU, apresentado em 21 de julho de 2009 na Assembléia Geral, centraliza a atenção, por outro lado, na situação da internet: a escala mundial, o número de páginas de natureza pedo-pornográfico aumenta em ritmo vertiginoso; por exemplo, se em 2001 eram 261.653, em 2004 somavam-se 480.000, tendência que também se confirma consultando os relatórios anuais da Associação Meter, do padre Di Noto.

-Que cultura promove a pedofilia?

Bertocchi: No centro da problemática está a “cultura do sexo” que, especialmente a partir da chamada 68, promoveu uma verdadeira revolução destinada a “abolir os tabus”. A difusão da pornografia, que de alguma maneira representa a bandeira desta revolução, está à vista de todos. A mentalidade dominante hoje é aquela que justifica a prática de uniões sexuais de todo o tipo, fruto de um pensamento que encontra suas raízes em De Sade, Freud, Fromm, Reich, Marcuse etc, aqueles que poderíamos definir como profetas da exaltação do orgasmo.

-Como, quando e por que a cultura favorável à pedofilia penetrou nos seminários e na Igreja?

Bertocchi: A resposta pode vir da carta que Bento XVI escreveu aos católicos da Irlanda onde, além de confrontar o problema de casos de pedofilia no clero irlandês, o Santo Padre procura também as raízes do fenômeno. Em sua argumentação, faz referência para que “o programa de renovação proposto pelo Concílio Vaticano II foi Às vezes mal entendido”. Seguramente há uma alusão àquele período dos anos 60/70 do século passado no qual a chamada “abertura do mundo” conduziu a Igreja a uma debilidade da fé e a uma secularização progressiva.

O ataque social, feito em princípio pela autoridade, com o famoso slogan “proibido proibir”, se insinuou na Igreja e, deste modo, nos seminários uma certa interpretação terminou por confundir a disciplina com o diálogo; o resultado foi uma manga mais larga na seleção de candidatos para o sacerdócio.

-Por que a pedofilia organizada e praticada com o turismo sexual não faz barulho e não é possível detê-la?

Bertocchi: A investigação da Universidade de Parma realiada por ECPAT estanelece o perfil do “turista” que não é certamente um mostro: em 90% dos casos, tem entre 20 e 40 anos, cultura de nível meio alto, bom padrão de renda, muito freqüentemente casado. Por outro lado, as vítimas têm idade entre 11 e 15 anos, no caso das meninas, e entre 13 e 18 para os rapazes.

Este tipo de “turismo” é considerado crime em muitos países, mas apesar disto é uma indústria florescente e justo pelo fato de ser “uma indústria” torna-s difícil deter o fenômeno. Mas também há uma razão mais radical investigada naquela “cultura do sexo” da qual falava a pouco; há expressões políticas que são estandartes de temas nascidos naquela “cultura” e que se movem como um verdadeiro lobbby.

-Qual é o limite entre realidade e falso moralismo?

Bertocchi: Por uma espécie de perversão da verdade, hoje nos deparamos com uma confusão ética de taps proporções que a realidade se perde no subjetivismo. Vemos, deste modo, que a condenação do comportamento imoral dos religiosos vem da mesma atmosfera cultural que está disposto a aceitar a toda arbitrariedade do indivíduo. As razões são de tipo ideológico, mas também de tipo econômico, como demonstram esses escritórios de advocacia americanos que têm ganho milhares de milhões de dólares, graças ao uso despreocupado da acusação de pedofilia.

-Como avaliar a linha de tolerância zero adotada pelo Papa Bento XVI?

Bertocchi: A determinação do Santo Padre querendo deixar claro me parece exemplar, mostra uma via de transparência que não só é válida para a Igreja, mas deveria ser para todos os setores da sociedade que tiveram ou tenham haver com este triste fenômeno.

Nas meditações da Via Crucis  2005, o então cardeal Ratzinger mostrou claramente a necessidade de se “fazer limpeza” dentro da Igreja, vontade não justiceira, mas desejo de verdadeira justiça para fazer brilhar cada vez mais a Esposa de Cristo “uma, santa, católica e apostólica”.

-De que modo a Igreja Católica poderá será capaz de superar a consternação e a desconfiança disseminada entre as pessoas?

Bertocchi: Eu concordo com as conclusões que Agnoli mostra no ensaio: oração, recuperação do senso de sobrenatural, serviço efetivo do governo da Igreja e, eu acrescento, uma profunda  recuperação do senso de pecado. “O verdadeiro inimigo para temer e combater é o pecado, o mal espiritual que, às vezes, lamentavelmente, contamina também aos membros da Igreja”, disse Bento XV após a Regina Caeli de 16 de maio.

Infelizmente, em muitas catequeses, está cada vez menos na moda o tópico “pecado”, deslocado por muita psicologia e muita sociologia. Reconhecer-se pecadores, porém, é a via para acolher a Misericórdia de Deus. Caridade na Verdade, não há outro modo para dar esperança aos homens de nosso tempo.

Besteira

Assaltante – um A que salta

Padrão – um padre muito alto

Pressupor – colocar preço em alguma coisa

Barracão – proíbe a entrada de caninos

Ministério – aparelho de som de dimensões muito reduzidas

Edifício – antônimo de “é fácil”

Armarinho – vento proveniente do mar

Conversão – papo prolongado

Barganhar – receber um botequim de herança

Halogênio – forma de cumprimentar pessoas muito inteligêntes

Contribuir – ir para algum lugar com vários índios

Determine – prender a namorada no Mickey

Missão – culto religioso com mais de três horas de duração (tipo Pe. Antônio)

Bom, essa foi uma amostra da minha política – escreva qualquer coisa, mas escreva!

(Retirado da revista Seleções – ou seja, não foi da minha cabeça, prometo!)

Fico chapado de vez em quando…

Por Nátaly Dauer

Em declaração para o jornal britânico Lancashire Evening Post , o terapeuta e orientador inglês Steve Pope afirmou que passar duas horas jogando videogames produz o mesmo efeito no cérebro que usar uma dose aspirada de cocaína, a conhecida “carreira”.

O vício por games no país está crescendo e afetando mentalmente os jovens, além de causar problemas físicos como a obesidade, acusa Pope, que trabalha com crianças que fogem das aulas e roubam para jogar, e com algumas que passam 24 horas diretas na frente dos games. O terapeuta acredita que esse vício pode gerar violência, levando os jogadores a confundir fantasia e realidade.

O artigo traz exemplos de uma avó, viciada em pôquer online, e sua neta, viciada na rede Facebook, como argumento de que o comportamento pode passar de geração em geração, e comenta ainda sobre a proibição de atletas da Premier League do futebol inglês jogar games até 24 horas antes de uma partida, para evitar um desempenho ruim nos campos. O texto também conta o caso de uma mãe que comprou para seu filho o game Call of Duty, e sentiu que foi como se tivesse oferecido a ele sua primeira dose de whiskey, informa o site de jogos 1Up .

De acordo com o site TechRadar , Gayle Brewer, professor de psicologia da University of Central Lancashire, diz que é importante encontrar um equilíbrio, e que é mais fácil para os pais impor regras desde o início sobre o tempo gasto pelos filhos nos games.

Autoridade dos Sacerdotes

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 26 de maio de 2010 (ZENIT.org).- Apresentamos, a seguir, a catequese dirigida pelo Papa aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Praça de São Pedro para a audiência geral.

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Queridos irmãos e irmãs:

O Ano Sacerdotal chega a seu fim; por isso, na última catequese, comecei a falar sobre as tarefas essenciais do sacerdote, quer dizer: ensinar, santificar e governar. Eu já dei duas catequeses: uma sobre o ministério da santificação, principalmente os sacramentos, e outra sobre o ensino. Portanto, hoje me resta falar sobre a missão do sacerdote de governar, de guiar, com a autoridade de Cristo, não com a própria, a porção do povo que Deus lhe confiou.

Como compreender na cultura contemporânea uma dimensão assim, que implica no conceito de autoridade e tem sua origem no próprio convite do Senhor a apascentar o seu rebanho? O que é realmente, para nós cristãos, a autoridade? As experiências culturais, políticas e históricas do passado recente, sobretudo as ditaduras na Europa Oriental e Ocidental no século XX, fizeram o homem contemporâneo suspeitar deste conceito. Uma suspeita que, com frequência, traduz-se em considerar necessário o abandono de toda a autoridade, que não venha exclusivamente dos homens e esteja perante eles, controlada por eles. Mas, precisamente, olhar para os regimes que, no século passado, semearam terror e morte, recorda com força que a autoridade, em todo o âmbito, quando exercida sem uma referência para o Transcendente, ignora a Autoridade suprema, que é Deus, termina inevitavelmente voltando-se contra o homem. É, então, importante reconhecer que a autoridade humana nunca é um fim, mas sempre e somente um meio e que, necessariamente e por todo o tempo, o fim é sempre a pessoa, criada por Deus com sua própria dignidade intangível e chamada a relacionar-se com seu Criador, na estrada terrena da existência e na vida eterna; é uma autoridade exercida na responsabilidade perante Deus, o Criador. Uma autoridade entendida deste modo, que tem como único objetivo servir ao verdadeiro bem da pessoa e ser transparência do único Bem Supremo que é Deus, não só não é estranha aos homens, mas, pelo contrário, é uma preciosa ajuda na estrada para a plena realização em Cristo, para a salvação.

A Igreja está convocada e compromete-se a exercitar este tipo de autoridade que é serviço, e a exercita não a título próprio, mas em nome de Jesus Cristo, que recebeu do Pai todo o poder no Céu e na terra (cf. Mt 28,18). Por intermédio dos Pastores da Igreja, na realidade, Cristo apascenta ao seu rebanho: é Ele quem o guia, o protege, o corrige, porque o ama profundamente. Mas o Senhor Jesus, Pastor supremo de nossas almas, quis que a Escola Apostólica, hoje os Bispos, em comunhão com o Sucessor de Pedro, e os sacerdotes, seus mais preciosos colaboradores, participem nesta missão sua de cuidar do Povo de Deus, de serem educadores na fé, orientando, encorajando e sustentando a comunidade cristã, ou, como disse o Concílio, “cuidando, principalmente, para que cada um dos fiéis seja conduzido no Espírito Santo a viver segundo o Evangelho sua própria vocação, a praticar uma caridade sincera e de obras e a exercitar essa liberdade com a qual Cristo nos liberou (Presbyterorum Ordinis, 6). Portanto, todo Pastor é o meio através do qual o próprio Cristo ama os homens: mediante seu ministério – queridos sacerdotes -, através de nós, o Senhor reúne as almas, as instrui, as vigia, as guia. Santo Agostinho, em seu Comentário ao Evangelho de São João, diz: “Seja, portanto, compromisso de amor apascentar o rebanho do Senhor”(123,5); esta é a norma suprema de comportamento dos ministros de Deus, um amor incondicional, como o do Bom Pastor, repleto de alegria, aberto a todos, atento aos próximos e aos necessitados (cf S. Agostinho, Discurso 340, 1; Discurso 46, 15), delicado com o mais fraco, os pequenos, os simples, os pecadores, para manifestar a infinita misericórdia de Deus com as palavras tranquilizadoras da esperança (cf Id., Carta 95,1).

Embora esta tarefa pastoral esteja baseada na Eucaristia, sua efetividade não é independente da existência pessoal do presbítero. Para ser um Pastor segundo o coração de Deus (cf Jr 3,15) é necessário um profundo afinco na amizade viva com Cristo, não só da inteligência, mas também da liberdade e da vontade, uma clara consciência da identidade recebida na Ordenação Sacerdotal, uma disponibilidade incondicional para conduzir o rebanho confiante para onde o Senhor desejar e não na direção que, aparentemente, seja mais conveniente ou mais fácil. Isto requer, em primeiro lugar, a contínua e progressiva disponibilidade para deixar que o próprio Cristo governe a existência sacerdotal dos presbíteros. Com efeito, ninguém é capaz de apascentar o rebanho de Cristo, se não vive uma profunda e real obediência ao Cristo e à Igreja, e a mesma docilidade do Povo com seus sacerdotes depende da docilidade dos sacerdotes com Cristo; por isso, na base do ministério pastoral está sempre o encontro pessoal e constante com o Senhor, o conhecimento profundo Dele, submetendo a própria vontade à vontade de Cristo.

Nas últimas décadas, utilizou-se frequentemente o adjetivo “pastoral” quase em oposição ao conceito de “hierárquico”, assim como, na mesma contraposição, foi interpretada também a ideia de “comunhão”. E talvez neste aspecto possa ser útil uma breve observação sobre a  palavra “hierarquia”, que é a designação tradicional da estrutura de autoridade sacramental na Igreja, ordenada de acordo com os três níveis de sacramento da Ordem, bispado, sacerdócio, diaconado. Na opinião pública prevalece, nesta realidade “hierárquica” o elemento de subordinação e o elemento jurídico: por isso para muitos a idéia de hierarquia parece-lhes contrastante com a flexibilidade e a vitalidade do sentido pastoral e, também, contrária à humildade do Evangelho. Mas este é um sentido mal entendido da hierarquia, historicamente também causado por abusos de autoridade e de fazer carreira, que são exatamente abusos e não derivam do próprio ser da realidade “hierárquica”. A opinião comum é de que “hierarquia” refere-se sempre a algo ligado ao domínio e, assim, não correspondente ao verdadeiro sentido da Igreja, da unidade no amor de Cristo. Mas, como disse, esta é uma interpretação errônea, que tem sua origem em abusos da história, mas não responde ao verdadeiro significado do que é a hierarquia. Iniciemos com a palavra. Geralmente, é dito que o significado da palavra hierarquia seria “sagrado domínio”, mas o verdadeiro significado não é isto, é “sagrada origem”, quer dizer: esta autoridade não vem do próprio homem, mas que tem sua origem no sagrado, no sacramento; sujeita, portanto, a pessoa à vocação, ao mistério de Cristo; faz do indivíduo um servidor de Cristo e somente enquanto servo de Cristo este pode governar, guiar por Cristo e com Cristo. Por isso, quem entra na sagrada Ordem do Sacramento, a “hierarquia”, não é um autocrata, sendo que entra em um novo laço de obediência a Cristo: está ligado a Ele em comunhão com os demais membros da Ordem sagrada, do Sacerdócio. E nem o Papa – ponto de referência de todos os outros Pastores e da comunhão da Igreja – pode fazer o que desejar; pelo contrário, o Papa é o guarda da obediência a Cristo, a sua palavra resumida na regula fidei, na Crença da Igreja, e deve preceder na obediência a Cristo e à sua Igreja. Hierarquia implica, portanto, num nó triplo: primeiro de tudo, é que lhe une com Cristo e com a ordem dada pelo Senhor para sua Igreja; depois, o enlace com os demais Pastores na única comunhão da Igreja; e, finalmente, o laço com os fiéis confiados ao indivíduo, na ordem da Igreja.

Portanto, entende-se que comunhão e hierarquia não são contrárias uma da outra, mas condicionadas entre si. São unidas numa só coisa (comunhão hierárquica). Então, o Pastor só é, como tal, guiando e vigiando ao rebanho, e às vezes impedindo que se dispersem. Sem uma visão clara e explicitamente sobrenatural, não é compreensível a tarefa de governar, característica dos sacerdotes. Por outro lado, está sustentada no verdadeiro amor pela salvação de cada um dos fiéis, é particularmente preciosa e necessária também em nosso tempo. Se o fim é levar o anúncio de Cristo e conduzir os homens ao encontro salvífico com Ele para que tenham vida, a tarefa de guiar configura como um serviço vivido em uma doação total para a edificação do rebanho na verdade e na santidade, frequentemente indo contra a correnteza e lembrando que o maior deve fazer-se como o menor, e o que governa, como o que serve (cf. Lumen gentium, 27).

Onde pode encontrar hoje um sacerdote a força para tal exercício do próprio ministério, na plena fidelidade a Cristo e à Igreja, com uma dedicação total ao rebanho? A resposta é única: em Cristo Senhor. A maneira de governar de Jesus não é a do domínio, mas é o serviço humilde e amoroso do lavatório dos pés, e a realeza de Cristo sobre o universo não é um triunfo terreno, mas que encontra seu ápice no tronco da Cruz, que transforma-se em juízo para o mundo e ponto de referência para o exercício de uma autoridade que seja verdadeira expressão da caridade pastoral. Os santos, e entre eles São João Maria Vianney, exercitaram com amor e dedicação a tarefa de cuidar da porção do Povo de Deus a eles confiada, mostrando também serem homens fortes e determinados, com o único objetivo de promover o verdadeiro bem das almas, capazes de pagar pessoalmente, até o martírio, para permanecerem fiéis à verdade e à justiça do Evangelho.

Queridos sacerdotes, “apascentais ao rebanho de Deus que vos é confiado, vigiando, não forçados, mas voluntariamente (…), sendo modelos do rebanho” (1 P 5,2). Portanto, não tenhais medo de guiar a Cristo cada um dos irmãos que Ele vos confiou, seguros de que cada palavra e cada atitude descendem da obediência à vontade de Deus e trarão frutos; sabei viver apreciando os méritos e reconhecendo os limites da cultura na qual estamos inseridos, com a firme certeza de que o anúncio do Evangelho é o maior serviço que pode ser feito pelo homem. Na realidade, não há bem maior, nesta vida terrena, que conduzir os homens a Deus, vivificar a fé, erguer o homem da inércia e do desespero, dar a esperança de que Deus é íntimo e guia a história pessoal e do mundo: isto é, em definitivo, o sentido profundo e último da tarefa de governar que o Senhor nos confiou. Trata-se de formar o Cristo nos crentes, através deste processo de santificação que é conversão dos critérios, da ponderação de valores, das atitudes, para deixar que Cristo viva em cada fiel. São Paulo resume assim sua ação pastoral: “Filhos meus, por quem eu sofro de novo dores de parto até ver Cristo formado em vós” (Gl, 4 19).

Queridos irmãos e irmãs, eu gostaria de convidar-vos a rezar por mim, Sucessor de Pedro, que tenho uma tarefa específica no governo da Igreja de Cristo, como também por todos vossos Bispos e sacerdotes. Rezai para que saibamos cuidar de todas as ovelhas, também das perdidas, do rebanho confiado a nós. A vós, queridos sacerdotes, dirijo um convite cordial às Celebrações conclusivas do Ano Sacerdotal,nos próximos 9, 10 e 11 de junho, aqui em Roma: meditaremos sobre a conversão e sobre a missão, sobre o dom do Espírito Santo e sobre a relação com Maria Santíssima, e renovaremos nossas promessas sacerdotais, apoiados por todo o Povo de Deus. Obrigado!

[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]

Queridos irmãos e irmãs:

Os sacerdotes têm a tríplice missão de ensinar, santificar e guiar a porção do povo que Deus lhes confiou, a exemplo do Santo Cura d’Ars, que se demonstrou pastor forte e determinado na defesa do bem das almas. Para conduzir o rebanho para onde o Senhor quer, e não na direcção que nos parece mais conveniente ou mais fácil, é necessária uma disponibilidade incondicional, deixando que o próprio Cristo governe a vida do sacerdote. Por isso, na base do ministério pastoral, está o encontro pessoal e constante com o Senhor, para conformar a própria vontade com a d’Ele. Convido os sacerdotes para as celebrações conclusivas do Ano Sacerdotal nos próximos dias 9, 10 e 11 de Junho: meditaremos sobre a conversão e a missão, o dom do Espírito e a relação com a Virgem Maria e renovaremos as nossas promessas sacerdotais, sustentados por todo o povo de Deus.

* * *

Amados peregrinos de língua portuguesa, com destaque para a Associação «Família da Esperança» pela numerosa presença dos seus membros: a minha saudação amiga para vós e para os fiéis de Niterói e de Curitiba. De coração a todos abençoo, pedindo que rezeis por mim, Sucessor de Pedro, cuja tarefa específica é governar a Igreja de Cristo, bem como pelos vossos Bispos e sacerdotes para que saibamos cuidar de todas as ovelhas do rebanho que Deus nos confiou. Obrigado!

[Tradução: Cláudio Luís Campos Mendes

©Libreria Editrice Vaticana]

O Dom do Pai em Cristo


O Senhor mandou batizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, quer dizer, professando a fé no Criador, no Filho e no que é chamado Dom de Deus.

Um só é o Criador de todas as coisas. Pois um só é Deus Pai, de quem tudo procede; um só é o Filho Unigênito, nosso Senhor Jesus Cristo, por quem tudo foi feito; e um só é o Espírito, que foi dado a todos nós.

Todas as coisas são ordenadas segundo suas capacidades e méritos: um só é o Poder, do qual tudo procede; um só é o Filho, por quem tudo começa; e um só é o Dom, que é penhor da esperança perfeita. Nada falta a tão grande perfeição. Tudo é perfeitíssimo na Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo: a infinidade no Eterno, o esplendor na Imagem, a atividade no Dom.

Escutemos o que diz a palavra do Senhor sobre a ação do Espírito em nós: Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de compreendê-las agora (Jo 16,12). É bom para vós que eu parta: se eu me for, vos mandarei o Defensor (cf. Jo 16,7).

Em outro lugar: Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade (Jo 14,16-17). Ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. Ele me glorificará porque receberá do que é meu (Jo 16,13-14).

Estas palavras, entre muitas outras, foram ditas para nos dar a conhecer a vontade daquele que confere o Dom e a natureza e a perfeição do mesmo Dom. Por conseguinte, já que a nossa fraqueza não nos permite compreender nem o Pai nem o Filho, o Dom que é o Espírito Santo estabelece um certo contato entre nós e Deus, para iluminar a nossa fé nas dificuldades relativas à encarnação de Deus.

Assim, o Espírito Santo é recebido para nos tornar capazes de compreender. Como o corpo natural do homem permaneceria inativo se lhe faltassem os estímulos necessários para as suas funções – os olhos, se não há luz ou não é dia, nada podem fazer; os ouvidos, caso não haja vozes ou sons, não cumprem seu ofício; o olfato, se não sente nenhum odor, para nada serve; não porque percam a sua capacidade natural por falta de estímulo para agir – assim é a alma humana: se não recebe pela fé o Dom que é o Espírito, tem certamente uma natureza capaz de conhecer a Deus, mas falta-lhe a luz para chegar a esse conhecimento.

Este Dom de Cristo está inteiramente à disposição de todos e encontra-se em toda parte; mas é dado na medida do desejo e dos méritos de cada um. Ele está conosco até o fim do mundo; ele é o consolador no tempo da nossa espera; ele, pela atividade dos seus dons, é o penhor da nossa esperança futura; ele é a luz do nosso espírito; ele é o esplendor das nossas almas.

Do Tratado Sobre a Trindade, de Santo Hilário, bispo

(Lib. 2,1.33.35: PL 10,50-51.73-75)

(Séc. IV)

Vida artificial

ROMA, Itália (AFP) – Autoridades católicas italianas expressaram perplexidade e preocupação com o anúncio da criação da primeira célula viva dotada de um genoma sintético, e destacaram um potencial “devastador salto ao desconhecido”.

“Nas mãos erradas, a novidade de hoje pode representar amanhã um devastador salto ao desconhecido”, afirmou o bispo Domenico Mogavero, presidente da Comissão para Assuntos Jurídicos da Conferência Episcopal italiana, em entrevista ao jornal La Stampa.

“O homem vem de Deus, mas não é Deus: é humano e tem a possibilidade de dar a vida procriando e não construindo-a artificialmente”, acrescentou.

A criação da primeira célula viva dotada de um genoma sintético foi anunciada na quinta-feira. A experiência abre caminho para a produção de organismos artificiais, segundo os coordenadores da pesquisa realizada nos Estados Unidos.

“É a natureza humana que dá sua dignidade ao genoma humano, não o contrário. O pesadelo contra o qual tempos que lutar é a manipulação da vida, a eugenia”, disse Mogavero.

Para o teólogo Bruno Forte, arcebispo de Chieti-Vasto, região central da Itália, “a preocupação pode ser resumida em uma pergunta: o cientificamente possível também é justo do ponto de vista ético?”.

“A resposta está em um parâmetro que une todos nós, não apenas os cristãos: a dignidade da pessoa humana”, declarou Forte ao jornal Corriere della Sera.

O arcebispo destacou, no entanto, a “admiração pelas capacidades da inteligência humana que se manifestam de forma regular e elevada”.

O padre Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, se mostrou prudente ao afirmar na quinta-feira à noite que era preciso esperar para ter mais informações sobre o novo feito.

A descoberta dos pesquisadores americanos é um avanço com múltiplas aplicações potenciais e que deve permitir compreender melhor os mecanismos da vida.

“Trata-se da criação da primeira célula viva sintética”, explicou Craig Venter, criador do Instituto de mesmo nome e coautor da primeira sequenciação do genoma humano, revelada em 2000.

“Nós chamamos de sintético porque a célula se deriva totalmente de um cromossoma sintético, criado com quatro frascos químicos em um sintetizador químico, começando com a informação em um computador”, explicou, classificando o êxito como uma “etapa importante científica e filosoficamente falando”.

“Essa obtenção muda certamente minha visão da definição da vida e de seu funcionamento”, acrescentou o pesquisador, cujos trabalhos são difundidos na revista Science.

“Isso se converte num instrumento muito poderoso para tentar desenhar o que esperamos da biologia e pensamos em uma gama muito ampla de aplicações”, precisou.

Craig Venter havia anunciado em 2008 que conseguiu, com sua equipe, fabricar um genoma bacteriano 100% sintético pegando sequências de DNA sintetizadas para reconstituir o genoma completo da bactéria Mycoplasma genitalium.

O verdadeiro inimigo é o pecado

CIDADE DO VATICANO, domingo, 16 de maio de 2010 (ZENIT.org). – Cerca de 200 mil pessoas compareceram à Praça de São Pedro ao meio-dia deste domingo para manifestar seu apoio e solidariedade a Bento XVI e aos sacerdotes, neste difícil momento para Igreja, após os escândalos de abusos sexuais cometidos por alguns membros do clero.

O Papa, que ao longo das últimas semanas tem sido o alvo principal dos duros ataques perpetrados pela mídia, não se expressou em tom de vítima: “O verdadeiro inimigo a temer e combater é o pecado, o mal espiritual, que por vezes contagia também os membros da Igreja”.

Já nas primeiras horas da manhã começavam a chegar ao Vaticano numerosos peregrinos oriundos de toda a Itália para este encontro convocado pelo Fórum Nacional das Associações Leigas.

Os braços da colunata de Bernini mal podiam conter o enorme fluxo multicolorido de pessoas – quase o triplo do número de pessoas reunidas no Domingo de Páscoa – que se estendia por toda a Via della Conciliazione até inundar todas as ruas vizinhas.

Uma grande faixa se destacava em meio à multidão com os dizeres: “Juntos com o Papa”.

“Caros amigos – disse o Papa da janela de seus aposentos no Palácio apostólico, é belo ver hoje esta multidão na Praça São Pedro, assim como foi emocionante para mim ver em Fátima tamanha multidão.”

“Vós hoje mostrastes o grande afeto e a profunda proximidade da Igreja e do povo italiano para com o Papa e os vossos sacerdotes que diariamente se ocupam de vós, para que, no empenho por renovação espiritual e moral, possamos servir sempre melhor à Igreja, ao Povo de Deus e a todos os que vêm a nós com confiança.”

Entre os peregrinos, estavam presentes também parlamentares e políticos de toda a Itália.

Sem fazer menção a temas polêmicos, o Papa lembrou que neste momento é preciso “temer o pecado e, para tal, estar fortemente enraizados em Deus, solidários no bem, no amor e no serviço”.

“É o que a Igreja, seus ministros, unidos aos fiéis, têm feito e continuam fazendo com fervoroso empenho, pelo bem espiritual e material das pessoas de todas as partes do mundo.”

“É o que cada um de vós busca fazer habitualmente nas paróquias, associações e movimentos: servir a Deus e ao homem em nome de Cristo.”

O Santo Padre encorajou então todos a “prosseguirem juntos com confiança por este caminho”.

“Como filhos com seu pai”

Uma hora antes do encontro com o Papa, o cardeal Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana, presidiu um momento de oração, explicando que “desejamos nos agrupar em torno do Papa Bento XVI como filhos com seu pai”.

“Queremos orar com ele e por ele, desejosos de apoiá-lo em seu ministério, expressando nosso afeto e nossa gratidão por sua paixão por Cristo e por toda a humanidade”, acrescentou o arcebispo de Gênova.

“Nossas orações constituem uma maneira privilegiada de tornar eficaz e visível a solidariedade de toda a Igreja para com o Santo Padre”, disse ainda o purpurado.

“Na oração – concluiu o cardeal Bagnasco -, desejamos também expressar estima e confiança aos sacerdotes, por seu insubstituível ministério, e invocar para eles o contínuo sustento do Espírito Consolador.”

Jesús Colina