Cultura – segunda parte.

E por falar em cultura, educação, desenvolvimento, quem não conhece as “pérolas do Enem?” Virou piada nacional, para alguns rirem (os outros são os que as escrevem). Na verdade, humor negro, porque se a coisa for daquele jeito mesmo, está preta! Fica até difícil de acreditar que tudo aquilo seja verdade, mas, é a bruza.

Por falar em bruza, ontem entrei em uma escola de ensino fundamental da rede pública. Em uma sala de aula, repleta de cartazes escritos à mão em folhas de papel madeira, encontrei um dirigido às crianças que falava de ética. Fiquei curioso e li os pontos “éticos” que os professores cheios de boa vontade (suponho) queriam passar aos seus alunos. Dentre outras coisas da lista bem mal organizada e mal escrita, encontrei essa pérola aí: ASSINUIDADE. Pois é, como eu sou exigente! Afinal, era apenas um cartaz escrito por professores para crianças. É a bruza.

Além das pérolas do Enem, agora surgiu as pérolas do twitter. É para se bolar de rir, ou chorar.

Você pode estar se perguntando: mas o que você tem a ver com isso? Porque não faço algo mais produtivo, não escrevo nesse blog sobre a evangelização ou a defesa da vida? Justamente porque isso, a bruza, tem ligação muito importante, ao meu ver, com o aborto e com a evangelização como um todo. A cultura da bruza é aquela dos que votarão no candidato que pagar, comprar seu voto. Seja por uma ruazinha asfaltada às vésperas da eleição, seja por causa de uma esmola do governo federal. Conheço uma pessoa que mora em uma casa de taipa que há 19 anos, desde que mora nessa casa que fica em uma viela, em todas as eleições vê os funcionários da prefeitura medindo o beco para que se faça o calçamento. Uma vez colocaram até mesmo as pedras uma semana antes do pleito, depois… tiraram as pedras! Sem falar na sua casa de taipa que a prefeitura pegou todos os documentos há mais de seis anos e que já deve ter sido construída várias vezes, como diz o poeta, numa folha de papel com cinco ou seis retas…

É a cultura do “seje bem vindo” às portas das seitas como a Universal do Reino de Deus e as suas 1001 versões diferenciadas que têm como único objetivo roubar o povo pobre e ignorante. O povo que deveria ter empregos com salários justos, hospitais com atendimento digno, moradia, segurança pública, transporte, lazer… só encontra a “fogueira santa dos 40 pastores” ou a “água do rio Jordão” que cura até calo seco e dá emprego a quem não tem em troca de todo o seu salário em forma de desafio para o altar de Deus.

Nosso povo humilhado… Nosso jovens mergulhados na mortal fumaça do crack…

Quem se importa com ficha limpa ou suja? Quem se importa com promessas não cumpridas ou um histórico prá lá de indigno dos candidatos? Outro dia passei ao lado do muro do “hospital da mulher” de Fortaleza – ao lado do muro, vale a pena frisar –  e lembrei de um debate acirrado na última campanha para prefeito onde a atual reeleita esbravejava na televisão que essa era uma grande conquista para a nossa cidade. Bom, o muro está lá.

Por falar em muro, alguém aqui já foi multado? Multa de velocidade por causa das incontáveis barreiras eletrônicas nas lindas ruas de nossa Fortaleza Bela Porcaria? Vale a pena pagar, não é?

Pois é, são esses governantes que estão tentando implantar a todo o custo o aborto legal no Brasil, são eles que estão tentando a todo custo legitimar e equiparar a união homossexual com a família.

Muitos dos meus leitores não lembram, mas quando eu era jovem, surgiu um candidato à presidência que me dava asco. Ao olhar para ele eu via um menino mimado querendo brincar de “Planalto Central”. Era o “caçador de marajás”, apoiado pela poderosa divulgadora do espiritismo no Brasil, a Rede Globo. Ele ganhou as eleições. Lembram agora quem era? Fernando Collor. Na época, havia um candidato do lado oposto, que era a antítese de tudo o que fosse o Collorido candidato; era o atual presidente da República. Para ódio mortal dos brasileiros, o primeiro ato de governo de Fernando Collor foi confiscar a poupança, sim, a economia de milhões de cidadãos. Confiscar! Bloquear! Com o objetivo de barrar a inflação, tirando o dinheiro do povo. A economia na época vivia um caos. Quem tem cerca de 30 anos de idade ou mais lembra o que era uma inflação que chegou ao escândalo de quase 100% ao mês. Inacreditável, não foi? Mas quem resolveu isso foi… bom, foi resolvido na época do Fernando… HENRIQUE CARDOSO, e não do Collorido, que acabou sendo o primeiro e único presidente destituído do cargo no Brasil. Final da história: hoje canta-se em Alagoas a seguinte música de campanha para governador: “É Lula apoiando Collor, é Collor apoiando Dilma, pelo bem dos mais carentes. É Lula apoiando Dilma, é Dilma apoiando Collor, e os três pelo bem da gente”. Pelo bem dos “descamisados”, como gostava de dizer Collor na sua campanha para presidente. Mas… não seria melhor dizer, os sem bruza?

Cultura

Há alguns meses, talvez anos, observo reportagens e crônicas sobre um problema tão antigo quando o Brasil: o baixo nível da educação no nosso país.

É triste sermos comparados com outros países e encontrarmo-nos nos últimos lugares. Outro dia, vi uma coluna em uma importante revista em que o autor colocava um dado alarmante: somente cerca de 30% da população brasileira é verdadeiramente alfabetizada, simplesmente porque somente essa porcentagem tão baixa seria capaz de entender que o seu texto dizia isso. Bom, fico já conformado com os pouquíssimos leitores desse meu artigo.

Parece-me uma piada descabida quando nos jornais, na imprensa, inclusive internacional, aponta-se o Brasil como já entre as grandes nações. Qualquer brasileiro que teve a sorte de visitar o chamado “primeiro mundo”, mesmo com uma visão bem limitada como a minha, sabe o quão correta é a analogia hiperbólica da distância “anos-luz” que se pode aplicar aqui.

Não refiro-me a saber matemática aplicada, ou as inovações tecnológicas da mecatrônica (pra falar a verdade, nem eu mesmo sei o que é isso…). Refiro-me ao básico mesmo, ao simples compreender, como dizia o autor da coluna citada, esse texto.

Talvez você, como eu, algum tempo atrás pensasse que isso fosse um grande exagero, porque, afinal, todos os seus colegas, amigos, parentes, saberiam ler e interpretar um texto simples. Bom, em primeiro lugar: você tem certeza disso? Sua mãe, seu avô, seus tios, saberiam todos ler e interpretar esse texto tão simples? Talvez sim. Mas, e sua empregada? Ah, você tem empregada? Uma senhora ou uma jovem que ganha para lhe servir? Ganha quanto mesmo?

Ok. Entendi. Ela não… estudou para ganhar mais, não foi? Que bom! Senão, quem iria lavar sua roupa?

Mas voltemos ao assunto, porque estamos falando aqui de educação, e não da ausência dela. Seria a mesma coisa? Melhor dizendo, não ter educação igual para todos não seria simplesmente uma forma de dizer que a educação é péssima? Que perpetuamos a abissal divisão de classes, que continuamos a ter uma minoria favorecida (que sabe ler esse texto) e uma maioria desfavorecida (que não tem sequer acesso a um computador com internet para ler esse texto).

Mas o governo tem dado uma boa ajuda para acabar com essas divisões. É simples: vamos dar cotas de participação para as classes desfavorecidas: negros, índios, pobres… Pronto, eles têm agora vaga garantida nas universidades. Até mesmo se for membro do MST vale, o importante é ter a carteirinha. Então está resolvido o problema: ao lado dos riquinhos, filhinhos de papai que estudaram em escolas caríssimas, contribuindo forçosamente para a máfia da educação, para os bem pagos “passadores” da loteria do vestibular (mas vamos esquecer disso, entra em jogo agora o ENEM, que como dizem os jovens meus amigos, significa: Eu Nem Estudo Mais) – ao lado desses, estão os pobres desfavorecidos da sociedade brasileira, com igual condições de cursar porque entraram na “cota”. Meu Deus, só apelando mesmo! Que humilhação! Que igualdade é essa? Que justiça é essa? Esses brasileiros, tão dignos quanto quaisquer outros, deveriam sim, entrar nas melhores faculdades, mas porque sabem tanto quanto os estudantes das caras escolas particulares, porque tiveram oportunidade de estudar e serem bem formados desde a infância nas escolas públicas… olhem o verbo do início… o modo… deveriam!

Mas deixa de papo sério, não combina comigo. Vou falar de um SMS, muito mais jovem e mais legal. Outro dia recebi um SMS com um texto que não vou escrever aqui, mas digo que foi de alguém que já cursou todo o ensino médio e, TEORICAMENTE, estaria apto a prestar exame vestibular. Dentre outras aberrações, no pequeno texto vinha escrita a palavra “bruza”. Você sabe o que é isso? Fora de contexto fica difícil, não é? Mas, a bruza é a tradução da realidade da nossa educação, é o sinônimo da desigualdade, é a tristeza de um país que se propaga às portas do primeiro mundo, como Alice.

Enquanto isso, eu mergulho nos meus livros. Tantos… Sou mais viciado em comprá-los do que em lê-los, mas ao menos leio alguns e os funcionários das grandes livrarias de nossa cidade de Fortaleza de tanto me verem toda semana já devem ter decorado minha cara. Sim, entre os livros se encontra a cultura, que, afinal, é o nome de uma importante livraria de abrangência nacional que abriu recentemente uma filial na nossa capital cearense, na zona mais nobre, no bairro mais rico da cidade, claro. Quando fiz minha primeira gloriosa compra nessa livraria, acho que um livro sobre mitologia grega (que ainda não li) ouvi do funcionário que me atendeu, ao entregar-me a nota fiscal, a seguinte frase em alto e bom tom: “seje bem-vindo à Cultura!”

Mãe mata filhos – depois de nascer

RIO – A francesa Dominique Cottrez admitiu nesta quinta-feira ter sufocado os oito bebês, todos seus filhos, que foram encontrados mortos nos últimos dias no vilarejo de Villers-au-Tertre, no norte da França. Segundo o procurador da comuna de Douai, Éric Vaillant, a mulher, de 46 anos, foi indiciada pelos crimes e pode ser condenada à prisão perpétua.

– Ela afirmou que não queria mais ter filhos e disse que não queria consultar um médico para utilizar meios contraceptivos. Ela estava perfeitamente consciente de estar grávida em cada um dos casos – assinalou o procurador em entrevista coletiva. Ao prestar depoimento, Dominique contou que o marido não soube que ela estava grávida de nenhum dos oito filhos.

O excesso de peso da mãe, que segundo a imprensa francesa tem cerca de 130 quilos e trabalha como auxiliar de enfermagem, teria contribuído para esconder a gravidez. Ela tem ainda outras duas filhas, de cerca de 20 anos, que também moram no vilarejo e foram interrogadas.

A imprensa francesa trata o caso como um dos maiores de infanticídio da história do país. Apesar de o procurador ter explicado que apenas autópsias poderão confirmar a data do nascimento das crianças, acredita-se que elas tenham morrido entre 1989 e 2006.

O pai das crianças, Pierre-Marie Cottrez, tem 47 anos e é vereador da câmara municipal do vilarejo, de apenas 700 habitantes. Ele teve sua libertação ordenada, mas poderá ainda ser indiciado por não ter denunciado os crimes e por posse de cadáveres, de acordo com o procurador.

O casal foi detido na quarta-feira, depois que, enquanto faziam obras no jardim, os novos donos de uma casa em Villers-au-Tertre encontraram, no último sábado, dois esqueletos em sacos plásticos enterrados. A casa já havia pertencido à família da mãe dos bebês.

Interrogada pela polícia, Dominque admitiu que havia outros seis corpos, também em sacos plásticos, escondidos na garagem de sua atual casa.

O casal é descrito pelos moradores como pessoas “comuns, solícitas e educadas”, que não indicavam nenhum comportamento anormal. Dominique Cottrez passará por um exame psiquiátrico

O grande problema foi que ela não os assassinou ANTES de eles terem nascido. Tadinha…

Mensagem subliminar: pelo amor  de Deus não votem na DILMA!

Marta e Maria

Pessoal, vale a pena conferir o que o nosso querido Papa comenta a respeito do Evangelho desse domingo.

CASTEL GANDOLFO, domingo, 18 de julho de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos as palavras que Bento XVI dirigiu neste domingo, ao meio-dia, ao rezar a oração mariana do Ângelus com os peregrinos reunidos no pátio da residência pontifícia de Castel Gandolfo.

* * *

Queridos irmãos e irmãs:

Encontramo-nos já no coração do verão, ao menos no hemisfério boreal. Neste tempo, em que estão fechadas as escolas, concentra-se o maior período das férias. Também se reduzem as atividades pastorais das paróquias, e eu mesmo suspendi durante um tempo as audiências. É, portanto, um momento favorável para dar o primeiro lugar ao que efetivamente é mais importante na vida, quer dizer, a escuta da Palavra do Senhor. É o que nos recorda também o Evangelho deste domingo, com o célebre episódio da visita de Jesus à casa de Marta e Maria, narrado por São Lucas (10, 38-42).

Marta e Maria são duas irmãs; têm também um irmão, Lázaro, que, no entanto, neste caso, não aparece. Jesus passa por seu povoado e, segundo o texto, Maria o recebeu em sua casa (Cf. 10, 38). Este detalhe dá a entender que, entre as duas, Marta é a mais velha, a que governa a casa. De fato, depois que Jesus tinha se instalado, Maria senta-se aos seus pés e o escuta, enquanto Marta está totalmente ocupada com os muitos serviços, devidos certamente ao hóspede de exceção. Parece que estamos vendo a cena: uma irmã move-se fatigada, e a outra fica como que maravilhada pela presença do Mestre e suas palavras. Depois de um momento, Marta, evidentemente ressentida, não aguenta mais e protesta, sentindo que, além disso, tem o direito de criticar Jesus: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda pois que ela venha me ajudar!” Marta queria inclusive dar lições ao Mestre! No entanto, Jesus, com grande calma, responde: “Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas. No entanto, uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada” (10, 41-42). A palavra de Cristo é claríssima: não deprecia a vida ativa, e muito menos a generosa hospitalidade; mas recorda o fato de que a única coisa verdadeiramente necessária é outra: escutar a Palavra do Senhor; e o Senhor nesse momento está ali, presente na Pessoa de Jesus! Todo o demais passará e nos será tirado, mas a Palavra de Deus é eterna e dá sentido a nossa ação cotidiana.

Queridos amigos: como dizia, esta página do Evangelho é particularmente adequada para o tempo de férias, pois recorda o fato de que a pessoa humana certamente tem de trabalhar, empenhar-se nas ocupações domésticas e profissionais, mas tem necessidade antes de tudo de Deus, que é luz interior de Amor e de Verdade. Sem amor, inclusive as atividades mais importantes perdem seu valor, e não dão alegria. Sem um significado profundo, todo nosso atuar reduz-se a ativismo estéril e desordenado. Quem nos dá o Amor e a Verdade, a não seu Jesus Cristo? Aprendamos, portanto, irmãos e irmãs, a nos ajudar uns aos outros, a colaborar, mas antes inclusive a escolher juntos a melhor parte, que é e será sempre nosso bem maior.

[Traduzido por ZENIT

©Libreria Editrice Vaticana]

Acampamento…

Só um pensamento baseado no Evangelho de Hoje

Cada jovem que vai pela primeira vez ao Acampamento de Jovens Shalom é como esse homem, ferido na estrada, ferido de morte.

O inimigo o encontrou, o assaltou, roubou seus tesouros, seus valores; rasgou sua roupa, tirou sua dignidade, feri-o com a ferida mortal da falta de amor. Falta de amor dois pais, dos amigos, da sociedade. Veneno de morte, ferida mortal por não ter aquilo que ele mais precisaria para viver. Enganado, ludibriado, sem rumo, perdido, sem esperança, muitas vezes, realmente às portas da morte, pois é esse o objetivo do assaltante: nos roubar e nos matar!

Resta-nos irmos ao encontro desse jovem, ter muita compaixão, paciência, bondade, carinho, zêlo. Colocar óleo de unção, tratar de suas feridas, pagar com nosso próprio bolso, com nosso suor, com nossas lágrimas, com nossa intercessão, com nosso cuidado, com as noites mal dormidas, enfim, dar de nós mesmos para que ele recobre a VIDA.

Porque, afinal de contas ELE É NOSSO IRMÃO, irmão mais novo, amado, muito amado pelo nosso PAI.

Aniversário de casamento

A esposa sempre lembra.

O esposo… tem que lembrar! Depende de quantos anos faz, depende do casal, mas, dizem os casados, que a mulher é sempre mais interessada nesse assunto.

Existem datas muito importantes na nossa vida. A mais importante de todas, a gente goste ou não (mas normalmente todo mundo gosta) é o dia da vida! O dia em que vimos a luz desse mundo (ou a fluorescente do hospital, tanto faz) pela primeira vez.

Esse dia é muito bom. Revela que estamos ficando mais velhos, mas isso não importa. O que importa é que, como dizem os baianos, é o dia da nossa estréia!

Mas, voltemos para outras datas. Para nós cristãos, existe um dia que nunca, jamais deveríamos esquecer, mas a nossa cultura não preservou como de suma importância: o nosso batismo! Sim, nesse dia, nascemos para Deus! Outro dia de imensa importância para qualquer cristão é o dia da sua crisma e da sua primeira comunhão. Sinto dizer que, infelizmente, eu entro nessa lista dos que não sabem as datas desses gloriosos dias em minha vida. Mas minto, eu sei o dia de minha crisma. Eu tinha 15 anos e foi no dia de Santa Teresa d’Ávila, portanto, deu pra lembrar e saber até mesmo quantos anos faz.

Contudo, fica sempre marcada na vida do cristão (ou não) uma data muito importante, porque ele esperou anos a fio por essa data, porque ela é embebida com amor humano, porque a partir dela a sua vida não é mais a mesma: o casamento! Infelizmente, nem todos casamentos vão bem, e isso é muito triste. Mas não é disso que estou falando. Estou falando da comemoração que nada mais é que reviver de algum modo aquele dia “mais feliz da sua vida” e que você faz questão de partilhar com quem interessa, no caso dos esposos, um com o outro e talvez com os amigos e filhos.

Não quero ser melancólico, não. Estou já acostumado. Mas de ontem pra hoje me veio o desejo de escrever esse texto. Talvez para preencher o meu blog que há muito não vê um texto de minha autoria, talvez para me lamentar mesmo, para… sei lá. Não me julguem mal, por favor.

Eu sou casado. Com a Santa Igreja. Esse ano foi especial. Ano sacerdotal onde nós pudemos aprofundar o imenso e imerecido dom do sacerdócio à sua Igreja. Bom, você já se tocou a essa altura do que eu estou falando. Dia 29 de junho eu fiz “aniversário de casamento”. Antes de ontem completei 8 anos de padre. Para mim, oito anos de grande felicidade. Se eu não fosse padre… bom, esse “se” não existe! Não é concebível. Como padre, sinto-me esposo da Igreja e, no Amor, gero filhos para Deus. Esses filhos me chamam de padre (= pai) e eu os chamo pelo nome, mas, quem me conhece sabe que a maioria dos que eu considero de fato, mesmo, chamo de filho ou filha e muitos deles me chamam de pai.

Pois é galera, sabe quem lembrou de mim no último dia 29? Minha mãe. Tinha que ser a mãe mesmo! Mas deixa eu esclarecer uma coisa: minha mãe é fissurada em datas. Ela é capaz de lembrar o aniversário da empregada da casa da minha avó há 40 anos atrás e do carteiro que entregava correspondência quando ela era criança, ou da vizinha da cunhada do dono da padaria. Mas, como se não bastasse, a providência fez com que eu fosse ordenado padre quatro anos antes do dia em que nascia, nada mais nada menos, que meu primeiro sobrinho, ou seja, o primeiro neto de minha mãe. Será que ela iria lembrar?

Nem meu bispo, nenhum paroquiano, nenhum dos jovens ou dos amigos que estiveram comigo no dia de minha ordenação e continuam ao meu lado até hoje, lembraram (esclarecendo, meu bispo estava doente, o secretário esqueceu ou o correio não mandou o cartão a tempo). Na verdade, o pessoal da minha célula “lembrou” porque estava no quadrante! Também um colega de infância que mora em outro estado mandou um recado no Orkut e uma de minhas irmãs mandou um sms. Estão vendo como estou reclamando de barriga cheia?

Mas deixa eu também me acusar, confessar o meu pecado. Junto comigo foi ordenado um amigo. Ele é mais jovem do que eu alguns anos. Eu, óbvio, lembrei dele, mas não me dignei mandar sequer um e-mail, só no outro dia. Ele também não me deu os parabéns, nem respondeu meu e-mail, mas isso não quer dizer nada, não é?

Estava falando com um amigo, um jovem, no MSN ontem e fiz o seguinte comentário: “cara, tu sabia que hoje fazem oito anos que o Brasil é penta-campeão?” Ele me respondeu: “é mesmo?” A pergunta que eu queria mas ao mesmo tempo temia mas que ele não fez: “como é que você sabe?” Porque a resposta seria: “porque no dia em que eu celebrava a primeira missa e erguia pela primeira vez o cálice da salvação, o capitão do time erguia a taça, em 2002”. Eu tive muito medo que o comentário seguinte, terminando o diálogo, fosse: “É mesmo?”…

Queridos amigos, me desculpem de coração. Sei que não estou sendo humilde, sei que isso parece muita arrogância de minha parte, mas estou escrevendo isso porque acho que, no fundo, não é a mim que vocês tinham que dar os parabéns, não é só por mim, embora eu gostaria muitíssimo de ter dividido essa imensa alegria com muitas pessoas, com aquelas para as quais eu fui ordenado padre, mas acredito também que isso deve ser uma questão de conversão de nossa parte. Como eu falei no início, deveríamos também fazer festa, e grande, para o aniversário de Batismo, por exemplo.

Sei que estou correndo o risco de que, daqui a um ano, eu tenha provocado uma festa muito espontânea ou muitos sinceras lembranças de parabéns… Pois tá bom, não vou mais me justificar, se você é meu amigo ou irmão de comunidade e foi às lágrimas com esse texto melodramático, pelo menos reze por mim, aceito orações post-festa!

Abração!!!

Deus abençoe a todos.