A teimosa perseverança

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Sabe aquele cara que é teimoso de nascimento? Que dava chute na barriga da mãe pra sair logo? Que diz que quer uma coisa e não abre mão nem por 100 e uma cocada (é o novo!!!)?

Pois é, se você sempre foi criticado por isso, seus professores, seus pais, seus colegas sempre te encheram a paciência e te pediram para ser um pouco menos intransigente, eu tenho uma boa notícia para você: você tem um lugar ao sol nesse planeta, na verdade, nesse não, no outro mundo, mas não se preocupe, não precisa fazer transplante de antenas.

Vamos ao que interessa. Eu descobri a roda. Descobri que você pode aproveitar a sua intransigência de nascença para ser santo. Isso mesmo! Para ser santo. Aliás, quanto mais intransigente, quanto mais teimoso, melhor. Como se dá isso? Simples: todo mundo já passou por aquela situação de desânimo, que não aguenta mais, que quer projetar com força a protuberância do seu membro inferior direito (no caso de ser um destro) na haste de sustentação da tenda de abrigo em locais abertos[1] com a intenção de… bom, deixa pra lá. Foi ou não foi? O que? Vai bem dizer que não? Claro que sim. É aquele momento que você pensa: vou deixar o grupo de oração, não adianta mais, vou sair da minha comunidade, vou deixar de ir pra Missa, vou parar de rezar… e por aí vai. Isso é tão comum, tão freqüente que dá dó. Penso que mais que dó, uma verdadeira dor de amor acontece no coração de Deus quando nós somos atacados por tamanha tentação e sucumbimos a ela.

Pois é, eu tenho uma dica muito simples: é a TEIMOSA PERSEVERANÇA. O que seria isso? Santa Teresa criou a “determinada determinação”, mas a minha “teimosa perseverança” é diferente da dela (que é uma santa!). A teimosa perseverança é a virtude dos pecadores como eu, como você, aquele povinho assim bem fraco, sabe como é? É assim: o cara peca (qualquer pecado) e aí, se ele quer ser santo, quer amar a Deus, o normal é que ele se arrependa. Até aí tudo bem, mas o problema é que existe um bom arrependimento, que nos leva para Deus, que nos leva a reconhecer a misericórdia e o amor infinito do Pai, que nos levanta apesar da dor de ter pecado mais uma vez contra a bondade de Deus; mas existe também o arrependimento mau, ou seja, aquele que destroi a pessoa, que o arrasa, que não purifica mas que, ao contrário, o faz pecar mais! Isso mesmo, por incrível que pareça, quando somos acometidos por esse tipo de tentação depois do pecado, em vez de nos erguermos, caímos ainda mais profundamente. Sabe por que? Porque não é um arrependimento motivado pelo amor mas, infelizmente, grandemente influenciado pelo orgulho. Queremos ser “perfeitos” e não santos. Queremos fazer tudo “certinho” tirar nota 10 na prova, como se o Céu fosse um vestibular. Fomos muitas vezes educados assim, absorvemos a cultura mundana capitalista e competitiva que nos ensina a lidarmos com o mundo, com as coisas, com as pessoas e, consequentemente, com Deus, dentro da lei do “dar em troca de”.

A teimosa perseverança é aquela que você decide, jamais, nunca, por nada nesse mundo, nada mesmo, desanimar! Diante do pecado, do pecado recorrente, daquele que você pensa: não, eu não aguento mais, não suporto mais confessar a mesma coisa para o padre. Pois bem, é um trato que você faz com você mesmo: “vou confessar um bilhão de vezes se, infelizmente, for preciso, mas nunca vou desistir de tentar. Nem que eu fique bem velhinho e não saiba mais nem falar direito, mesmo assim eu não vou desistir”.

Meu filho, minha filha, se você decidir por isso eu tenho uma boa notícia: o céu é para você. Pois, ao chegar no céu, certamente Deus não vai lhe perguntar: você conseguiu? Bom, pode até ser que ele pergunte isso, mas mesmo que você responda que não, ele vai reformular a pergunta e dizer: você tentou de todo o seu coração?

Sim, porque a luta é amor. A gente pensa que o amor é a vitória. Não, o amor é a luta. Quem não é tentado tem poucas chances de amar, de demonstrar o amor. Quem você acha que demonstra mais amor: quem nunca é tentado e por isso vive muito bem, com tudo “certinho” em sua vida espiritual, ou aquele(a) que, como se diz, rala muito porque é muito fraco? Vou ser mais claro. O que é mais fácil: rezar quando tudo está bem, se tem tempo de sobra e se sente consolado na oração, ou rezar em um ambiente barulhento, com gente dentro de casa perturbando a toda hora, com um milhão de coisas pra fazer? O que é mais fácil: ser casto quando se vem de uma família equilibrada, quando se é educado em valores de fé e nunca se meteu em nenhum tipo de perversão ou ser casto depois de uma juventude desregrada, depois de muitas experiências sexuais que deixaram feridas na memória e da alma difíceis de sarar? Bom, com isso não estou querendo dizer que a gente tem “desculpa” pra pecar, nada disso. Só estou dizendo que muitas vezes a pessoa pode se condenar por não se sentir tão perfeito, tão santo quanto gostaria de ser; ficar perturbado porque gostaria de ser mais fiel a Deus mas não consegue. E, no entanto, não percebe que Deus conhece o mais profundo do seu coração e sabe as lutas que você passa muito mais profundamente que você mesmo.

Pois bem, quero convocar você à TEIMOSA PERSEVERANÇA. Vamos vencer o cão pelo cansaço. Aliás, vamos mostrar para nós mesmos que nada, absolutamente NADA vai nos demover da decisão de seguir a Deus e isso inclui nossa fraqueza e pecado. O pecado, as quedas, as imperfeições não podem nos impedir de amar! O pecado é uma falta de amor, mas é uma falta muito maior ainda não confiar no amor puro e verdadeiro de Deus por nós.

Essa história do ser bem velhinho confessando o mesmo pecado me lembra uma historiazinha que se contava no meu tempo de seminário diocesano: um padre jovem chega muito arrasado para conversar com um velho e sábio sacerdote. Ele diz: “padre, eu não agüento mais, acho que não consigo viver o celibato. Eu, quando vejo uma mulher bonita, me sinto tentado… sei lá… não sei” e o jovem padre começa a chorar. O sacerdote ancião, de oitenta anos, cheio de sabedoria responde: “meu filho, não se preocupe, isso é coisa da juventude. Quando você tiver 80 anos como eu vai ver que isso passa…”. Enquanto eles conversavam, a campainha toca e aparece um mulheraço, esculpida da cabeça aos pés e decotada até não poder mais. Ela queria só uma informação e se retira. O padre ancião que tinha ido atender a porta continua a conversa: “pois é meu filho, como eu estava lhe dizendo, quando a gente completar 81 anos talvez passe…”.



[1] Chutar o pau da barraca (essa é uma homenagem ao meu amigo Ricardinho)

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Santo Agostinho

Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo (Séc. V)

Ó eterna verdade e verdadeira caridade
e cara eternidade!

Instigado a voltar a mim mesmo, entrei em meu íntimo, sob tua guia e o consegui, porque tu te fizeste meu auxílio (cf. Sl 29,11). Entrei e com certo olhar da alma, acima do olhar comum da alma, acima de minha mente, vi a luz imutável. Não era como a luz terrena e evidente para todo ser humano. Diria muito pouco se afirmasse que era apenas uma luz muito, muito mais brilhante do que a comum, ou tão intensa que penetrava todas as coisas. Não era assim, mas outra coisa, inteiramente diferente de tudo isto. Também não estava acima de minha mente como óleo sobre a água nem como o céu sobre a terra, mas mais alta, porque ela me fez, e eu, mais baixo, porque feito por ela. Quem conhece a verdade, conhece esta luz.

Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. Desde que te conheci, tu me elevaste para ver que quem eu via, era, e eu, que via, ainda não era. E reverberaste sobre a mesquinhez de minha pessoa, irradiando sobre mim com toda a força. E eu tremia de amor e de horror. Vi-me longe de ti, no país da dessemelhança, como que ouvindo tua voz lá do alto: “Eu sou o alimento dos grandes. Cresce e me comerás. Não me mudarás em ti como o alimento de teu corpo, mas tu te mudarás em mim”.

E eu procurava o meio de obter forças, para tornar-me idôneo a te degustar e não o encontrava até que abracei o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus (1Tm 2,5), que é Deus acima de tudo, bendito pelos séculos (Rm 9,5). Ele me chamava e dizia: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). E o alimento que eu não era capaz de tomar se uniu à minha carne, pois o Verbo se fez carne (Jo 1,14), para dar à nossa infância o leite de tua sabedoria, pela qual tudo criaste.

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.

SANTO AGOSTINHO

Nasceu em Tagaste (África) no ano 354. Depois de uma juventude perturbada, quer intelectualmente quer moralmente, converteu-se à fé e foi batizado em Milão por Santo Ambrósio no ano 387. Voltou à sua terra e aí levou uma vida de grande ascetismo. Eleito bispo de Hipona, durante trinta e quatro anos foi perfeito modelo do seu rebanho e deu-lhe uma sólida formação cristã por meio de numerosos sermões e escritos, com os quais combateu fortemente os erros do seu tempo e ilustrou sabiamente a fé católica. Morreu no ano 430.

SANTA MÔNICA

Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo (Séc. V)

Procuremos alcançar a sabedoria eterna

Estando bem perto o dia em que ela deixaria esta vida – dia que conhecias e que ignorávamos – aconteceu por oculta disposição tua, como penso, que eu e ela estivéssemos sentados sozinhos perto da janela que dava para o jardim da casa onde nos tínhamos hospedado, lá junto de Óstia Tiberina. Ali, longe do povo, antes de embarcarmos, nos refazíamos da longa viagem. Falávamos a sós, com muita doçura e, esquecendo-nos do passado, com os olhos no futuro, indagávamos entre nós sobre a verdade presente, quem és tu, como seria a futura vida eterna dos santos, que olhos não viram, nem ouvidos ouviram nem subiu ao coração do homem (cf. 1Cor 2,9). Mas ansiávamos com os lábios do coração pelas águas celestes de tua fonte, fonte da vida que está junto de ti.

Eu dizia estas coisas, não deste modo nem com estas palavras. No entanto, Senhor, tu sabes que naquele dia, enquanto falávamos, este mundo foi perdendo o valor, junto com todos os seus deleites. Então disse ela: “Filho, quanto a mim, nada mais me agrada nesta vida. Que faço ainda e por que ainda aqui estou, não sei. Toda a esperança terrena já desapareceu. Uma só coisa fazia-me desejar permanecer por algum tempo nesta vida: ver-te cristão católico, antes de morrer. Deus me atendeu com a maior generosidade, porque te vejo até como seu servo, desprezando a felicidade terrena. Que faço aqui?”

O que lhe respondi, não me lembro bem. Cinco dias depois, talvez, ou não muito mais, caiu com febre. Doente, um dia desmaiou, sem conhecer os presentes. Corremos para junto dela, mas recobrando logo os sentidos, viu-me a mim e a meu irmão e disse-nos, como que procurando algo semelhante: “Onde estava eu?”

Em seguida, olhando-nos, opressos pela tristeza, disse: “Sepultai vossa mãe”. Eu me calava e retinha as lágrimas. Mas meu irmão falou qualquer coisa assim que seria melhor não morrer em terra estranha, mas na pátria. Ouvindo isto, ansiosa, censurando-o com o olhar por pensar assim, voltou-se para mim: “Vê o que diz”. Depois falou a ambos: “Ponde este corpo em qualquer lugar. Não vos preocupeis com ele. Só vos peço que vos lembreis de mim no altar de Deus, onde quer que estiverdes”. Terminando como pôde de falar, calou-se e continuou a sofrer com o agravamento da doença. Finalmente, no nono dia da sua doença, aos cinqüenta e seis anos de idade e no trigésimo terceiro da minha vida, aquela alma piedosa e santa libertou-se do corpo.


Santa Mônica nasceu em Tagaste (África) no ano 331, de uma família cristã. Ainda muito jovem foi dada em matrimônio a um homem chamado Patrício. Teve vários filhos, entre os quais Agostinho, por cuja conversão derramou muitas lágrimas e orou insistentemente a Deus. Exemplo de mãe verdadeiramente santa, alimentou a sua fé com uma vida de intensa oração e enriqueceu-a com suas virtudes. Morreu em Óstia no ano 387

PINICO DE PASSARINHO

mau pensamento

Quem já não se viu em luta contra os maus pensamentos? É algo realmente complicado. Muitos são os que se angustiam com essa situação. Mas o que seriam mesmo os maus pensamentos? Seriam pensamentos maus. Ohhhh!!!! Nãoooo diga!!! ¬¬

Bom, digamos que o pensamento é algo complexo. Um grande cientista da psicologia brasileiro, o Dr. Augusto Cury, tem estudado o fenômeno do pensamento há várias décadas e tirou algumas conclusões – que eu não vou comentar agora – mas que apontam para o fato de que o pensamento humano, a capacidade do homem de pensar é algo extremamente maravilhoso.

Mas o que às vezes nos atormenta mesmo são os pensamentos que julgamos “pecaminosos”. Bom, logo de cara, pensamos que aqui se trata de sexo. É, também. Mas não só. Na verdade, os pensamentos que julgamos maus, são aqueles indesejados ou aqueles que vão contra àquilo que, no fundo, não gostaríamos. Isso inclui uma sexualidade fora dos planos de Deus, mas inclui também a cobiça, a avareza, o ódio. Jesus fala disso no Evangelho:

“O que sai do homem, é isso que o torna impuro. Com efeito, é de dentro, do coração dos homens que saem as intenções malignas: prostituições, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, malícia, devassidão, inveja, difamação, arrogância, insensatez. Todas essas coisas más saem de dentro do homem e o tornam impuro” (Mc 6, 20-23).

menino pensando

A palavra do Senhor é clara. Temos a tendência a dizer que é impuro só o que se refere à sexualidade fora dos planos de Deus, mas não é verdade. Vemos dentro de nós, muitas vezes, essa lista negra citada por Nosso Senhor. O que fazer? Claro que o processo deve ir dentro, purificar a partir de dentro. Se a boca fala (e a cabeça imagina) do que o coração está cheio, então, o processo é feito em duas vias: primeiro tirar as coisas ruins de dentro do coração, purificar o coração; e, em segundo lugar, encher o coração com coisas boas. Vamos ser claros? Se você passa horas e horas assistindo televisão, olhando sites (às vezes não recomendáveis para um cristão) ou enchendo sua cabeça de todo tipo de coisas inúteis, o que você acha que vai sair depois? O que você acha que vai pensar, imaginar?

Se você vive alimentando sentimentos negativos contra uma pessoa, alimentando através da fofoca, da crítica, etc., o que você acha que vai pensar quando a vir?

Vai “sair” o que você colocar para dentro!

Mas você pode argumentar que existem os pensamentos inevitáveis. É verdade. Eles existem. São as lembranças dolorosas do passado, feridas, ou coisas que nós deixamos entrar na nossa memória e que nos arrependemos. O que fazer? Em primeiro lugar é bom deixar bem claro que só pode ser pecado aquilo que é voluntário. Uma coisa que você não deseja, rejeita, não pode ser pecado. Então, o pecado existe apenas na medida do nosso consentimento. Por exemplo: se eu tenho um sonho ruim, um sonho onde eu mato pessoas ou onde eu cometo algum ato pecaminoso, mesmo que seja grave, esse sonho não pode ser pecado pois ninguém pode controlar os sonhos (embora eles sejam a revelação do que você pode estar colocando “para dentro” do seu coração enquanto está acordado).

Por isso, vale o ditado: VOCÊ NÃO PODE IMPEDIR QUE O PASSARINHO SOBREVOE A SUA CABEÇA, MAS PODE EVITAR QUE ELE POUSE E FAÇA NINHO.

penico de passarinho

Carta de um pai ao seu filho



Do Testamento Espiritual de São Luís a seu filho

(Acta Sanctorum Augusti 5[1868],546)

(Séc. XIII)

O rei justo faz prosperar o país

Filho dileto, começo por querer ensinar-te a amar ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com todas as forças; pois sem isto não há salvação.

Filho, deves evitar tudo quanto sabes desagradar a Deus, quer dizer, todo pecado mortal, de tal forma que prefiras ser atormentado por toda sorte de martírios a cometer um pecado mortal.

Ademais, se o Senhor permitir que te advenha alguma tribulação, deves suportá-la com serenidade e ação de graças. Considera suceder tal coisa em teu proveito e que talvez a tenhas merecido. Além disto, se o Senhor te conceder a prosperidade, tens de agradecer-lhe humildemente, tomando cuidado para que nesta circunstância não te tornes pior, por vanglória ou outro modo qualquer, porque não deves ir contra Deus ou ofendê-lo valendo-te de seus dons.

Ouve com boa disposição e piedade o ofício da Igreja e enquanto estiveres no templo, cuida de não vagueares os olhos ao redor, de não falar sem necessidade; mas roga ao Senhor devotamente quer pelos lábios quer pela meditação do coração.

Guarda o coração compassivo para com os pobres, infelizes e aflitos, e quanto puderes, auxilia-os e consola-os. Por todos os benefícios que te foram dados por Deus, rende-lhe graças para te tornares digno de receber maiores. Em relação a teus súditos, sê justo até ao extremo da justiça, sem te desviares nem para a direita nem para a esquerda; e põe-te sempre de preferência da parte do pobre mais do que do rico, até estares bem certo da verdade. Procura com empenho que todos os teus súditos sejam protegidos pela justiça e pela paz, principalmente as pessoas eclesiásticas e religiosas.

Sê dedicado e obediente a nossa mãe, a Igreja Romana, ao Sumo Pontífice, como pai espiritual. Esforça-te por remover de teu país todo pecado, sobretudo o de blasfêmia e a heresia.

Ó filho muito amado, dou-te enfim toda bênção que um pai pode dar ao filho; e toda a Trindade e todos os santos te guardem do mal. Que o Senhor te conceda a graça de fazer sua vontade de forma a ser servido e honrado por ti. E assim, depois desta vida, iremos juntos vê-lo, amá-lo e louvá-lo sem fim. Amém.

SÃO LUÍS DE FRANÇA

Nasceu em 1214 e subiu ao trono de França aos vinte e dois anos de idade. Contraiu matrimônio e teve onze filhos a quem ele próprio deu uma excelente educação. Distinguiu-se pelo seu espírito de penitência e oração e pelo seu amor aos pobres. Na administração do reino foi notável o seu zelo pela paz entre os povos, e mostrou-se tão diligente na promoção material dos seus súditos como na sua promoção espiritual. Empreendeu duas cruzadas para libertar o sepulcro de Cristo e morreu perto de Cartago no ano 1270.

A Rainha

ROMA, domingo, 22 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos, a seguir, a palavras pronunciadas por Bento XVI neste domingo, ao introduzir a oração do Ângelus, com os fiéis e peregrinos reunidos no pátio do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo.

* * *

Queridos irmãos e irmãs:

Oito dias depois da solenidade da Assunção ao Céu, a liturgia nos convida a venerar a Bem-Aventurada Virgem Maria com o título de “Rainha”. A Mãe de Cristo é contemplada coroada pelo seu Filho, o que está associado à sua realeza universal, como é representada por muitos mosaicos e pinturas. Como esta memória coincide neste ano com o domingo, adquire uma maior luz a partir da Palavra de Deus e da celebração da Páscoa semanal. Em particular, a imagem de Nossa Senhora como Rainha tem um eco especial no Evangelho de hoje, no qual Jesus afirma: “Há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos” (Lc 13, 30). Esta é uma típica expressão de Cristo, recordada repetidamente pelos evangelistas – com expressões semelhantes -, porque evidentemente reflete um tema importante dentro de sua pregação profética. Nossa Senhora é o exemplo perfeito dessa verdade evangélica: Deus humilha os soberbos e eleva os humildes (cf. Lc 1, 52).

A simples e pequena menina de Nazaré se tornou a Rainha do mundo! Esta é uma das maravilhas que revelam o coração de Deus. Naturalmente, a realeza de Maria está totalmente relacionada à de Cristo: Ele é o Senhor que, depois da humilhação da morte na cruz, foi exaltado pelo Pai acima de toda criatura, no céu, na terra e debaixo da terra (cf. Flp 2, 9-11). Por um desígnio da graça, A Mãe Imaculada está plenamente associada ao mistério do Filho: à sua Encarnação; à sua vida terrena, primeiramente oculta em Nazaré e depois manifestada no mistério messiânico; à sua Paixão e Morte; e, finalmente, à glória da Ressurreição e Ascensão ao céu. A Mãe compartilhou com o Filho não somente os aspectos humanos deste mistério, mas, pela obra do Espírito Santo nela, também a intenção profunda, a vontade divina, de maneira que toda a sua existência, pobre e humilde, foi elevada, transformada, glorificada, passando através da “porta estreita” que é o próprio Jesus (cf. Lc 13, 24). Sim, Maria é a primeira a atravessar o “caminho” aberto por Cristo para entrar no Reino de Deus, um caminho acessível aos humildes, aos que se fiam da Palavra de Deus e se empenham em colocá-la em prática.

Na história das cidades e dos povos evangelizados pela mensagem cristã, são inúmeros os testemunhos de veneração pública, em certos casos até institucionais à realeza da Virgem Maria. Mas hoje vamos sobretudo renovar, como filhos da Igreja, nossa devoção Àquela que Jesus nos deixou como Mãe e Rainha. Confiemos à sua intercessão a oração cotidiana pela paz, especialmente onde a lógica da violência está mais desenfreada, para que todas as pessoas se convençam de que, neste mundo, temos de nos ajudar, uns aos outros, como irmãos, a construir a civilização do amor. Maria, Rainha da paz, rogai por nós!

[O Papa saudou os peregrinos em diversas línguas. Em português, disse:]

Saúdo também o grupo brasileiro da paróquia de São Joaquim, diocese de Franca, e demais peregrinos de língua portuguesa, desejando que esta peregrinação vos ajude a fortalecer a confiança em Jesus Cristo e a encarnar na vida a sua mensagem de salvação. De coração vos agradeço e abençoo. Ide com Deus!

[Traduzido do italiano por Aline Banchieri.

© Copyright 2010 – Libreria Editrice Vaticana]

Ficha limpa

BRASÍLIA, sexta-feira, 20 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) lamentou nessa quinta-feira que quatro dos 27 TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) não tenham aplicado plenamente a Lei da Ficha Limpa.

É o que afirma o organismo em nota divulgada após reunião do Conselho Episcopal de Pastoral (CONSEP), entre os dias 17 e 19 de agosto, em Brasília.

“A conquista da Lei da Ficha Limpa mobilizou o povo brasileiro na esperança de ver banidas as práticas da corrupção no cenário político do País. Nesta perspectiva, a sociedade almeja a sua plena aplicação nas eleições de 2010”, afirma o texto da presidência da CNBB.

Segundo o organismo, é “histórico o fato de que 25% dos pedidos de impugnação tenham sido acatados pelos Tribunais Regionais Eleitorais”.

Até o momento, foram 169 negações de registros de candidaturas que alcançaram candidatos aos cargos de Governador, Senador, Deputado Federal, Estadual e Distrital.

Ao lamentar que quatro TREs não tenham aplicado plenamente a Lei da Ficha Limpa, os bispos afirmam estar “seguros de que seus eventuais equívocos serão reparados pela posição segura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”.

A CNBB diz esperar “das instâncias do Poder Judiciário que têm a missão institucional de arbitrar as controvérsias em torno da aplicação da lei, marcadamente do Tribunal Superior Eleitoral e Supremo Tribunal Federal, o mesmo empenho efetivo que houve no Congresso Nacional na aprovação da iniciativa popular”.

Código Florestal

A CNBB também discutiu em sua reunião desta semana a possível alteração do Código Florestal Brasileiro, cuja proposta foi apresentada em junho à apreciação da Comissão Especial da Câmara dos Deputados.

Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira, o presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha, afirmou que “o atual Código Florestal Brasileiro responde melhor do que as emendas que estão sendo propostas pelo Congresso Nacional”.

A defesa da CNBB à manutenção do atual Código Florestal consta na nota divulgada pelo organismo, disponível em: http://www.zenit.org.