COMUM OU NORMAL?

FLANELINHAEsses dois conceitos são muito confusos hoje em dia. Eles podem ser parecidos mas são absolutamente diversos e, confundi-los, pode trazer graves consequências. Vejamos: o que é uma coisa comum? É algo que se repete com frequência ou que vemos em abundância. Isso ocorre talvez milhares de vezes no dia a dia, para coisas agradáveis ou desagradáveis. É comum que em dezembro faça calor, que em abril chova. É comum que o trânsito esteja congestionado às seis da tarde e que hajam flanelinhas nos locais de estacionamento. É comum que você pegue o mesmo ônibus para ir à escola ou ao trabalho e é comum que você encontre sempre as mesmas pessoas no ambiente em que frequenta.

Pode-se dizer também que é tão comum ver crianças pobres pela rua de nossas grandes cidades brasileiras, como é comum que as pessoas tomem café de manhã. Mas o que é normal? Normal nos dá a idéia de correto, enquanto o comum é apenas o frequente. Aí é que mora o perigo: confundir o frequente com o certo. A freqüência não justifica as coisas! Houveram (e existem) na história coisas terríveis tidas como “normais” simplesmente porque eram “comuns”.

Um cientista brasileiro, estudioso do pensamento humano, o Dr. Augusto Cury, descreve esse fenômeno como a psicoadaptação que seria “a incapacidade da emoção humana de reagir frente à exposição repetida do mesmo estímulo”.[1] Ele continua: “o homo sapiens pode se psicoadaptar inconscientemente a todas as mazelas sociais, como as guerras, o terrorismo, a violência, a discriminação, e ter um conformismo doentio. O anormal pode se tornar normal.”[2]

Caros amigos, não é isso que vemos no mundo moderno? Não é exatamente isso que caracteriza a nossa sociedade neo-pagã? É “normal” casar e separar, é “normal” o famoso “ficar”, como para nós parece “normal” ver a miséria, a ignorância do nosso povo semi-analfabeto. É “normal” que haja uma parada gay fazendo apologia do homossexualismo, como um programa do SBT que transmite antes das 10h da noite um programa de baixaria e permissividade sexual sem que ninguém diga nada contra. Nós poderíamos citar aqui inumeráveis exemplos da nossa sociedade onde vai-se tornando cada vez mais “normal” o absurdo!

O comum, o frequentemente presente, não pode anestesiar a nossa consciência a ponto de considerarmos normal “porque todo mundo faz”, porque “a maioria das pessoas pensa assim”.

Vou mais longe, já que a maioria dos meus leitores acredito serem jovens: a relação pré-matrimonial, a masturbação, a pornografia, a prostituição, o sensualismo doentio, etc., é COMUM ou NORMAL?

Você se conforma com a injustiça e a imoralidade só porque a maioria pensa assim e não tem jeito de mudar as coisas? Você acha que nós católicos devemos nos calar ante a pressão do mundo que cada vez mais rejeita explicitamente os valores cristãos? Eles exigem respeito, nos acusam de preconceituosos, radicais, etc., mas, eu pergunto: quem são os radicais, preconceituosos e fanáticos do sexo, do dinheiro, do poder e do prazer a todo custo?

Caríssimos, ante a loucura desse mundo, preservemos a nossa sanidade. Ante a insensatez desse mundo sem Deus, afirmemos cada vez mais a nossa vida em Cristo Jesus e nos valores imutáveis do Evangelho. Deus nos fez normais mas o pecado nos corrompe. Quanto mais caminharmos para a santidade, mais seremos aquilo que fomos criados. Portanto, afirmemos com toda convicção e coragem: EU QUERO SER NORMAL, EU QUERO SER SANTO.



[1] CURY, Augusto. Nunca desista dos seus sonhos, p. 107, sextante, 2004.

[2] Idem.

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10 pensamentos sobre “COMUM OU NORMAL?

  1. Interessante o texto acima. Fui católica até meus 18 anos, e hoje não sou mais, embora eu respeite todo aquele que se considera Cristão. Peço desculpas, caso minha opinião pareça um pouco abusiva ou mesmo ofensiva, mas a dificuldade maior que percebo dentre o religiosos e não religiosos é a crítica negativa de um para com o outro. Comum é a rivalidade que vai gerando enquanto o Normal seria que cada um conseguisse conviver em Paz com sua crença ou mesmo Filosofia sem que o outro fosse ameaçado. Enquanto continuar o ataque e a defesa, o respeito não pondera.

  2. O que não deve ser comum é o seu preconceito.
    Pensamento totalmente reacionário! Dentro das religiões contemporâneas existe tudo isto que você disse (e mais um pouco rs)
    Pare de pensar como um santo e aja como um ser humano!

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