Comungar de joelhos?

Olá galera!

Em primeiro lugar peço desculpas pelos meses de silêncio aqui. A adaptação à realidade de pároco de uma paróquia grande está consumindo meu tempo, mais aos poucos estou retomando a vida normal.

Bom, escrevo um pouquinho sobre um tema atual e um pouco polêmico. Engraçado polemizar por uma coisa tão simples e tão corriqueira. Na verdade, eu sempre estou com a Igreja, custe o que custar, quero sempre obedecer e tenho absoluta certeza que os bispos e o papa têm, por graça do Espírito Santo, mais unção, autoridade, sabedoria e discernimento do que eu para julgar e determinar normas para a Igreja.

Estudei teologia sacramentária em Roma e, nas teorias da alta teologia de uma das faculdades católicas mais respeitadas do mundo, não se é muito favorável a essa prática. Porém, a teologia, como diria um professor meu de teologia sacramental oriental, às vezes é uma linda teoria mas a prática pastoral é outra coisa. Não que sejam contraditórias, mas a teologia leva em conta alguns pressupostos que não se encontram na prática. Por exemplo: a fé. A teologia supõe uma fé madura, consciente, firme. Na prática pastoral, nós sabemos que o povo de Deus ainda anda muito aquém do desejado, muito longe de ser formado, catequizado e evangelizado como deveria, mas não quero discutir as causas disso aqui. O fato é que, depois que passei a trabalhar em paróquia, em comunidades pobres, simples e também não tão simples, constatei a dura realidade da constante, gritante e escandalosa dessacralização na nossa Igreja. Claro que isso para mim não foi novidade, mas uma coisa é saber de longe, outra coisa é ver de perto, contemplar e trabalhar com essa situação.

Partindo dessas considerações estou ficando cada dia mais adepto da comunhão de joelhos, sim. Não vou obrigar as pessoas a fazerem isso, mas acredito que os sinais são a maior fonte de catequese. O povo não entende e nem tem obrigação de entender as complicadas teorias teológicas e, mesmo o Catecismo torna-se uma realidade um pouco distante para muitos. O símbolo, o sinal é o fundamento do sacramento, da liturgia e mesmo da catequese por séculos na Igreja Católica. Ao celebrar nas capelas e comunidades de minha paróquia e em tantos outros lugares, é triste constatar a realidade que o povo não sabe o que é a Eucaristia!

Acho que muitos leitores concordarão comigo: muita gente, muita gente mesmo, comunga sem saber o que está fazendo: comunga em pecado grave (e não sabe nem o que é pecado grave!); comunga convivendo maritalmente com outra pessoa sem ser casado na Igreja; comunga de forma automática sem parar minimamente para rezar nem antes nem depois da comunhão. Pior, a grande maioria das pessoas que assistem a missa nas capelas onde há apenas uma missa ou duas por mês, simplesmente não se ajoelha na hora da consagração. Em todas as missas eu tenho que parar na hora da consagração para pedir as pessoas que se ajoelhem pois ali está Jesus. As crianças têm o costume de fazer a primeira e última comunhão. Os próprios catequistas não vêm à Igreja todos os domingos porque… estão cansados, tem jogo, tem visita em casa… Até pessoas homossexuais que convivem maritalmente e publicamente vêm comungar como se nada fosse pecado.

Onde está, meu Deus, a santidade da Igreja? Onde está o respeito para com os sacerdotes, as religiosas, os sacramentos e, acima de tudo, para com a SANTÍSSIMA EUCARISTIA?

Acho que comungar de joelhos pode ser uma fortíssimo sinal para se resgatar a consciência da santidade da Santíssima Eucaristia. Pensemos nisso.

9 pensamentos sobre “Comungar de joelhos?

  1. Penso que a nossa igreja está precisando um pouco mais de ordem. Conheço a realidade de algumas pastorais e sei o quão difícil é conseguir pessoas disponíveis ao serviço do Senhor, no entanto, percebo a necessidade dos poucos servos que ainda batalham estarem mais preparados para o serviço, tanto espiritualmente quanto intelectualmente. Vejo muita falta de preparação em alguns formadores, principalmente entre os catequistas. Nós ( A Igreja) devemos refletir se realmente queremos apenas números ou realmente queremos levar pessoas a um encontro pessoal com Jesus Cristo.

  2. Como se não bastasse, ainda temos o contra testemunho! um agravante! Tanto por parte dos leigos como, infelizmente, por parte de alguns sacerdotes! Mas Deus é mais!!!

  3. É triste mesmo VIVER e ser pastor de uma realidade distante do verdadeiro cristão.
    Ajudá-los a perceber a imensidão da eucaristia e de todos os sacramentos da igreja deve ser uma baita duma missão.
    Mas Jesus avisou e como dizia um santo :
    “Façamos a vontade de Deus e com alegria”

  4. Querido Padre, concordo com você quando menciona que o povo não sabe o que esta fazendo. Cada um aprende com o que lhe é colocado em seu contexto de vida.
    O Senhor assumiu uma paróquia onde cada um faz o melhor de si e por si só, graças ao nosso Bom Deus. Não quero com isso criticar a gestão de um ou de outros Padres que já estiveram em nossa paróquia, pois, acredito eu, que esses tbm não tiveram o apoio que lhes eram necessários, enfim, voltando a questão do saber ou do deixar de saber , essa é uma função da igreja e de quem está à sua frente .

    Maria Ximenes – 28/07/2011

  5. Padre, muitos jovens sacerdotes estão colocando genuflexórios nas igrejas para que os fieis possam comungar de joelho. O senhor como pároco tem autoridade para tb faze-lo. Acho que não devemos obrigar os fieis claro, mas dar a opção de comungar de joelhos; assim os nosso bispos verão na pratica que para os tempos de hoje essa é a melhor coisa a ser feita.

    Tenho visto tb – lentamente é verdade, uma retomada dos confessionários antigos, em que as pessoas se ajoelhavam com o padre do outro lado.

    Os confessionários usados na JMJ de Madri eram tão simples e ao mesmo tempo tão lindos. A nível de catequese muito mais digno e exemplar do que simplesmente duas cadeiras uma na frente da outra.

    Abraço.

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