Justo e Misericordioso

Olá Pessoal,

Faz um tempinho que não escrevo aqui e essa semana resolvi retornar, o que vocês acham?

Queria brevemente fazer um comentário sobre esses atributos divinos. Hoje fiquei tocado pelas palavras de Jesus no Evangelho e me pus a refletir sobre a justiça e misericórdia do Senhor. A justiça e a misericórdia andam juntas, lado a lado, de modo perfeito, como tudo em Deus. Não podemos pender nem para um lado nem para um outro, apesar de sabermos que “a misericórdia triunfa sobre o juízo”, entretanto, ela não é injusta.

Isso acende em nós a virtude do Santo Temor de Deus. Apaga o fogo da presunção orgulhosa. Não são nossos títulos, cargos, engajamentos que vão nos salvar. Não é porque pregamos ao povo, porque “comemos com ele” (fazemos comunhão na Missa) que automaticamente, simplesmente por essas práticas, seremos salvos.

Devemos nos esforçar por entrar “pela porta estreita” dos mandamentos. Devemos por em prática aquilo que acreditamos, como diz Jesus no Evangelho de hoje, devemos “praticar a justiça”.

Mas, o que é a JUSTIÇA? Certamente não devemos confundi-la ou reduzi-la com a “justiça social” tão apregoada. A justiça é dar a cada um o que lhe compete segundo os seus méritos. Portanto, o que é justo para mim não o será para um outro que não tem as obrigações, deveres e graças que eu possuo.

Enfim, não vou me delongar, só queria deixar essa breve reflexão. Ninguém estará excluído do Reino dos Céus se se esforçar por “entrar pela porta estreita”. Ao mesmo tempo, ninguém terá a garantia de que o Senhor lhe abrirá a porta apenas por títulos, cargos, ou práticas externas que não têm reflexo na vida pessoal, no amor a Deus acima de todas as coisas e no amor ao próximo como a si mesmo. Continuar lendo

Anúncios

Aborto masculino

O aborto é um crime diante da consciência de todo o ser humano racional e que usa essa faculdade, mas diante de Deus é também um pecado pois, tudo aquilo que vai contra a nossa natureza, é um grave pecado. Porém, vale salientar que esse pecado que exclui quem o pratica conscientemente da comunhão com Deus e com a Igreja (excomunhão), não é só um pecado feminino. Muitos HOMENS cometem o mesmo crime infame. Aqueles homens pais que mandam a filha abortar; os namorados e maridos que convencem a garota frágil, medrosa e inconsequente ao aborto; os enfermeiros e médicos que, falhando com o seu juramento de defender e preservar a vida, praticam o ato cruel e desumano (não sei como eles conseguem!) e incorrem na mesma excomunhão.

Aqueles homens (e mulheres) que votam em políticos ou partidos que claramente defendem o aborto e colocam como projeto de governo.

Deus tenha misericórdia de nós todos!

Comungar de joelhos? (2a Parte)

Coloco aqui uma notícia transmitida a mim pelo meu amigo Átila Moreira.

Achei esta notícia na ACI Digital (que você já deve ter lido) e compartilho contigo – destaques meus.
Sua bênção e um abraço.

Cardeal Cañizares: É recomendável comungar na boca e de joelhos

REDAÇÃO CENTRAL, 27 Jul. 11 (ACI/EWTN Noticias) .- Em entrevista concedida à agência ACI Prensa, o Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos no Vaticano, Cardeal Antonio Cañizares Llovera, assinalou que é recomendável que os católicos comunguem na boca e de joelhos.

Assim indicou o Cardeal espanhol que serve na Santa Sé como máximo responsável, depois do Papa, pela liturgia e os sacramentos na Igreja Católica, ao responder se considerava recomendável que os fiéis comunguem ou não na mão.

A resposta do Cardeal foi breve e singela: “é recomendável que os fiéis comunguem na boca e de joelhos”.

Do mesmo modo, ao responder à pergunta da ACI Prensa sobre o costume promovido pelo Papa Bento XVI de fazer que os fiéis que recebam dele a Eucaristia o façam na boca e de joelhos, o Cardeal Cañizares disse que isso se deve “ao sentido que deve ter a comunhão, que é de adoração, de reconhecimento de Deus”.

“Trata-se simplesmente de saber que estamos diante de Deus mesmo e que Ele veio a nós e que nós não o merecemos”, afirmou.

O Cardeal disse também que comungar desta forma “é o sinal de adoração que necessitamos recuperar. Eu acredito que seja necessário para toda a Igreja que a comunhão se faça de joelhos”.

“De fato ‘acrescentou’ se se comunga de pé, é preciso fazer genuflexão, ou fazer uma inclinação profunda, coisa que não se faz”.

O Prefeito vaticano disse ademais que “se trivializarmos a comunhão, trivializamos tudo, e não podemos perder um momento tão importante como é o de comungar, como é o de reconhecer a presença real de Cristo ali presente, do Deus que é amor dos amores como cantamos em uma canção espanhola”.

Ao ser consultado pela ACI Prensa sobre os abusos litúrgicos em que incorrem alguns atualmente, o Cardeal disse que é necessário “corrigi-los, sobre tudo mediante uma boa formação: formação dos seminaristas, formação dos sacerdotes, formação dos catequistas, formação de todos os fiéis cristãos”.

Esta formação, explicou, deve fazer que “celebre-se bem, para que se celebre conforme às exigências e dignidade da celebração, conforme às normas da Igreja, que é a única maneira que temos de celebrar autenticamente a Eucaristia”.

Finalmente o Cardeal Cañizares disse à agência ACI Prensa que nesta tarefa de formação para celebrar bem a liturgia e corrigir os abusos, “os bispos têm uma responsabilidade muito particular, e não podemos deixar de cumpri-la, porque tudo o que façamos para que a Eucaristia se celebre bem será fazer que na Eucaristia se participe bem”.

Comungar de joelhos?

Olá galera!

Em primeiro lugar peço desculpas pelos meses de silêncio aqui. A adaptação à realidade de pároco de uma paróquia grande está consumindo meu tempo, mais aos poucos estou retomando a vida normal.

Bom, escrevo um pouquinho sobre um tema atual e um pouco polêmico. Engraçado polemizar por uma coisa tão simples e tão corriqueira. Na verdade, eu sempre estou com a Igreja, custe o que custar, quero sempre obedecer e tenho absoluta certeza que os bispos e o papa têm, por graça do Espírito Santo, mais unção, autoridade, sabedoria e discernimento do que eu para julgar e determinar normas para a Igreja.

Estudei teologia sacramentária em Roma e, nas teorias da alta teologia de uma das faculdades católicas mais respeitadas do mundo, não se é muito favorável a essa prática. Porém, a teologia, como diria um professor meu de teologia sacramental oriental, às vezes é uma linda teoria mas a prática pastoral é outra coisa. Não que sejam contraditórias, mas a teologia leva em conta alguns pressupostos que não se encontram na prática. Por exemplo: a fé. A teologia supõe uma fé madura, consciente, firme. Na prática pastoral, nós sabemos que o povo de Deus ainda anda muito aquém do desejado, muito longe de ser formado, catequizado e evangelizado como deveria, mas não quero discutir as causas disso aqui. O fato é que, depois que passei a trabalhar em paróquia, em comunidades pobres, simples e também não tão simples, constatei a dura realidade da constante, gritante e escandalosa dessacralização na nossa Igreja. Claro que isso para mim não foi novidade, mas uma coisa é saber de longe, outra coisa é ver de perto, contemplar e trabalhar com essa situação.

Partindo dessas considerações estou ficando cada dia mais adepto da comunhão de joelhos, sim. Não vou obrigar as pessoas a fazerem isso, mas acredito que os sinais são a maior fonte de catequese. O povo não entende e nem tem obrigação de entender as complicadas teorias teológicas e, mesmo o Catecismo torna-se uma realidade um pouco distante para muitos. O símbolo, o sinal é o fundamento do sacramento, da liturgia e mesmo da catequese por séculos na Igreja Católica. Ao celebrar nas capelas e comunidades de minha paróquia e em tantos outros lugares, é triste constatar a realidade que o povo não sabe o que é a Eucaristia!

Acho que muitos leitores concordarão comigo: muita gente, muita gente mesmo, comunga sem saber o que está fazendo: comunga em pecado grave (e não sabe nem o que é pecado grave!); comunga convivendo maritalmente com outra pessoa sem ser casado na Igreja; comunga de forma automática sem parar minimamente para rezar nem antes nem depois da comunhão. Pior, a grande maioria das pessoas que assistem a missa nas capelas onde há apenas uma missa ou duas por mês, simplesmente não se ajoelha na hora da consagração. Em todas as missas eu tenho que parar na hora da consagração para pedir as pessoas que se ajoelhem pois ali está Jesus. As crianças têm o costume de fazer a primeira e última comunhão. Os próprios catequistas não vêm à Igreja todos os domingos porque… estão cansados, tem jogo, tem visita em casa… Até pessoas homossexuais que convivem maritalmente e publicamente vêm comungar como se nada fosse pecado.

Onde está, meu Deus, a santidade da Igreja? Onde está o respeito para com os sacerdotes, as religiosas, os sacramentos e, acima de tudo, para com a SANTÍSSIMA EUCARISTIA?

Acho que comungar de joelhos pode ser uma fortíssimo sinal para se resgatar a consciência da santidade da Santíssima Eucaristia. Pensemos nisso.

Se fé da Igreja enfraquece, exorcismo perde eficácia

Começa um curso sobre exorcismo no “Regina Apostolorum” de Roma
ROMA, terça-feira, 29 de março de 2011 (ZENIT.org) – O Pe. François Dermin, presidente nacional do Grupo de Pesquisa e Informação Religiosa (GRIS, na sigla em italiano), prior do convento de São Domingos de Bolonha e professor de teologia moral, italiano com origens canadenses, é um dos professores do curso de exorcismo que será realizado esta semana no Ateneu Pontifício ‘Regina Apostolorum’, em Roma.ZENIT: Hoje se conhece mais sobre o demônio do que se conhecia, por exemplo, na Idade Média?

Pe. François Dermin: Do ponto de vista teológico, não se sabe mais do que se sabia na época. Grandes doutores da Igreja, como São Tomás, São Boaventura e Santo Agostinho, e tantos outros santos, falaram do demônio de maneira profunda, também especulativa, filosófica e teológica.

No entanto, podemos saber mais sobre algumas doenças que no passado eram consideradas manifestações da ação diabólica, mas que são apenas doenças. Por exemplo, no passado, a epilepsia era relacionada a uma forma de possessão diabólica, quando, na verdade, é uma doença a ser curada.

ZENIT: O que distingue um caso de possessão, infestação ou manifestação diabólica de uma doença?

Pe. François Dermin: Esta é, a meu ver, uma das principais dificuldades do exorcista, pois ele deve discernir e esta é a parte central do ministério exorcístico. Porque algumas pessoas acreditam estar à mercê de uma ação do demônio, não necessariamente possuídas, mas perseguidas, humilhadas, obcecadas ou coisas assim.

Portanto, temos de perceber se são pessoas que sofrem alucinações ou algo do tipo. Nestes casos, é preciso falar com elas e, quando necessário, deve-se recorrer a médicos e psiquiatras. Por exemplo, quando eu era exorcista em minha diocese, minha equipe incluía dois padres e dois psiquiatras, a quem acudíamos em caso de dúvidas.

O discernimento nem é sempre imediato. Conversando com as pessoas ou sobre elas, você percebe se há algumas reações – não necessariamente espetacular, como no caso de possessão -, mas reações particulares, como uma sucessão de calor e frio, desmaios ou se a pessoa começa a arrotar ou fazer algo assim. O discernimento é feito também com a oração. Devemos recordar que o exorcismo é uma obra sobrenatural e que o personagem principal é Deus.

ZENIT: Jesus realizou exorcismos.

Pe. François Dermin: João Paulo II dizia que um dos principais ministérios de Jesus era o exorcismo. Não foi por acaso que ele realizou tantos, embora na Bíblia e nos Evangelhos nem sempre seja clara a distinção entre cura e libertação.

O exorcismo é frequentemente associado, quase exclusivamente, à possessão, mas muitas vezes o exorcista tem de lidar com pessoas que são vítimas de outras formas de perseguição diabólica: infestações de casas onde se ouvem barulhos, móveis que se mexem ou se quebram etc.

Há também casos de possessão em que as pessoas ouvem vozes dentro de si. Isso geralmente acontece quando se pratica o espiritismo. É claro que você tem que verificar se não são casos de esquizofrenia.

A libertação também ocorre através de uma jornada espiritual. A pessoa tem que mudar a sua vida, frequentar os sacramentos etc.

ZENIT: Um exorcismo é suficiente ou é um processo?

Pe. François Dermin: Aqui, estamos tocando um tema muito delicado. Tenho ouvido testemunhos de exorcistas de quarenta ou cinquenta anos atrás, que mostram que um só exorcismo era suficiente para libertar uma pessoa. Hoje pode durar meses e, às vezes, anos. E nós temos que refletir sobre por que isso acontece.

Alguns podem pensar que isso se deve a uma sociedade que se afastou de Deus, de certa forma, que apostatou.

Aqui, no entanto, dou uma opinião absolutamente pessoal: o exorcista não faz uma oração pessoal, mas ora em nome da Igreja. E se a fé se enfraquece no interior da Igreja, não excluo a possibilidade de que isso contribua para a redução da eficácia do exorcismo.

ZENIT: Qual é a relação entre as fórmulas do exorcismo e a fé?

Pe. François Dermin: As fórmulas sem a fé não valem nada. Mas não é somente a fé do exorcista, e sim a fé da Igreja. Aqui, quando eu digo “Igreja”, quero dizer a Igreja institucional que sempre acreditou e ensinou a realidade sobre o demônio e a possibilidade concreta de perseguição por parte dele. Falo, no entanto, dos homens de Igreja. Nem todos os padres – e até bispos – acreditam nessas coisas. Eu entendo que esta é uma questão muito delicada.

ZENIT: Não a Igreja gloriosa, mas a militante?

Pe. François Dermin: A Igreja aqui na terra pode ser tentada também com o secularismo. É o racionalismo. Existe o risco de enfraquecer a fé sobre a existência do demônio.

ZENIT: O sacerdote que exerce o ministério do exorcismo tem de adquirir experiência?

Pe. François Dermin: Nunca se termina de aprender e a experiência enriquece sempre, é fundamental. O problema hoje é que os exorcistas se tornam exorcistas sem um professor para ensiná-los. Pela minha parte, eu tive pouca experiência prática e, em certo sentido, tive de lidar com isso, cometendo inclusive alguns erros. A experiência é adquirida gradualmente. O ideal seria ter professores neste campo.

Nem sempre encontramos uma explicação para tudo; no entanto, devemos acreditar que Deus está presente, que age, que estamos do lado do vencedor e que o demônio quer incomodar o homem, afastá-lo de Deus ou até mesmo destruí-lo. E que Deus dá à Igreja os meios para combater vitoriosamente o demônio.

Bento XVI: eclipse do pecado, eclipse de Deus

Intervenção por ocasião do Ângelus
CIDADE DO VATICANO, domingo, 13 de março de 2011 (ZENIT.org) – Apresentamos as palavras que Bento XVI pronunciou hoje, antes de rezar o Ângelus com milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano.* * *

Queridos irmãos e irmãs:

Hoje é o primeiro domingo da Quaresma, tempo litúrgico de quarenta dias que constitui, na Igreja, uma jornada espiritual de preparação para a Páscoa. Trata-se, em suma, de seguir Jesus, que se dirige decididamente até a cruz, ponto culminante de sua missão de salvação. Se nos perguntarmos: por que a Quaresma? Por que a cruz?, a resposta, em termos radicais, é esta: porque existe o mal, e mais ainda, o pecado, que, de acordo com as Escrituras, é a raiz de todo mal. Mas esta afirmação não é algo que pode ser dado por certo, e a própria palavra “pecado” não é aceita por muitos, porque pressupõe uma visão religiosa do mundo e do homem. De fato, é verdade: quando se elimina Deus do horizonte do mundo, não se pode falar de pecado. Da mesma maneira que, quando o sol se esconde, desaparecem as sombras – a sombra só aparece quando há sol -, assim, o eclipse de Deus comporta necessariamente o eclipse do pecado. Por esta razão, o sentido do pecado – que é algo diferente do “sentimento de culpa”, como é entendido pela psicologia – é adquirido redescobrindo o sentido de Deus. Isso se expressa no salmo Miserere, atribuído ao rei Davi por ocasião do seu duplo pecado de adultério e assassinato: “Contra vós – diz Davi, dirigindo-se a Deus -, só contra vós pequei” (Salmo 51,6).

Diante do mal moral, a atitude de Deus é opor-se ao pecado e salvar o pecador. Deus não tolera o mal, pois é Amor, Justiça, Fidelidade; e precisamente por esta razão, não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva. Para salvar a humanidade, Deus intervém: nós o vemos na história do povo judeu, a partir da libertação do Egito. Deus está determinado a libertar seus filhos da escravidão para conduzi-los à liberdade. E a escravidão mais severa e profunda é precisamente a do pecado. Por este motivo, Deus enviou seu Filho ao mundo: para libertar os homens do domínio de Satanás, “origem e causa de todo pecado”. Enviou-o à nossa carne mortal para se tornar vítima de expiação, morrendo por nós na cruz. Contra este plano de salvação definitiva e universal, o Diabo se opôs com toda sua força, como evidenciado em particular pelo Evangelho das tentações de Jesus no deserto, proclamado anualmente no primeiro domingo da Quaresma. De fato, entrar neste período litúrgico significa colocar-se cada vez mais do lado de Cristo contra o pecado, para enfrentar – seja como indivíduos, seja como Igreja – a batalha espiritual contra o espírito do mal (Quarta-Feira de Cinzas, oração coleta).

Por esta razão, invocamos a ajuda materna de Maria Santíssima para o itinerário quaresmal, que acaba de começar, para que esteja repleto de frutos de conversão. Peço uma especial lembrança na oração por mim e meus colaboradores na Cúria Romana, que nesta noite começaremos a semana de Exercícios Espirituais.

 

Discurso de Posse

“Pastores dabo vobis iuxta cor meum” (Jr. 3,15)

Esta palavra do Senhor, dirigida ao seu povo através do profeta Jeremias ecoa no meu coração e sinto-a dirigida a nós hoje: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração”.

Por um lado é uma promessa. Promessa dirigida a todos nós que somos ovelhas do rebanho do Senhor e que, não raro, encontramo-nos cansados e abatidos, fatigados e desanimados. Nós precisamos do Bom Pastor que retira dos nossos ombros o fardo e substitui pelo seu suave e leve jugo. O fardo, como sabemos, é a prisão à nossa vontade própria, tantas vezes egoísta e orgulhosa; e o jugo do Senhor, como nos ensinou o Santo Padre Bento XVI é a Santíssima Vontade de Deus que, não raro, se nos apresenta como difícil e exigente, mas é libertadora e cheia de amor e misericórdia.

Contudo, para mim hoje, essa promessa do Senhor se configura como mandato, missão. Posso ouvir o Senhor que dirige também a mim a pergunta que fundamenta minha vocação sacerdotal: “Tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas”. O Senhor me escolheu, me ungiu e me enviou como resposta ao seu chamado. Isso não é, de forma alguma, um privilégio humano, uma honra mundana, mas sim um serviço, uma missão que comporta uma graça sobrenatural.

Sim, ser pastor segundo o coração do Pai, atendendo ao chamado de Jesus, só é possível como graça sobrenatural, na força e na unção do Espírito Santo. Eu me aposso dessa graça que, como toda graça divina, é imerecida e se fundamenta na insondável misericórdia de Deus e no seu misterioso beneplácito, não advém por meus méritos e virtudes.

Por graça e misericórdia, hoje o Senhor me constitui pastor do povo dessa paróquia e, como pastor, sou imagem pálida e imperfeita, mas ao mesmo tempo sacramento, do único Bom Pastor que é Jesus. Esse pastoreio, essa missão de serviço ao povo de Deus, não provém de mim, não é uma escolha pessoal. Ele só tem sentido dentro da comunhão eclesial, desejada e estabelecida pelo Fundador, Jesus Cristo. Dito em outras palavras: somente serei pastor, imagem do Bom Pastor Jesus em comunhão plena com o pastor dessa arquidiocese de Fortaleza, nosso arcebispo Dom José Antônio. Ele é para nós o sinal da unidade da Igreja e sobre o todo o povo a ele confiado nessa arquidiocese. Essa unidade também é visível na comunhão presbiteral com os senhores bispos auxiliares, vigários episcopais, e todos os irmãos no sacerdócio e no diaconato que muito me honram com suas presenças aqui hoje, bem como todos os irmãos em Cristo consagrados no sacerdócio comum dos fiéis pelo batismo. Sem essa comunhão que se fundamenta na fé e no amor, todo o esforço pastoral, por mais nobre que seja, corre o risco de tornar-se mero esforço humano, fruto do orgulho e da vaidade e, portanto, infrutífero para o Reino de Deus.

Nesse espírito, peço, em nome de Jesus, que cada comunidade, cada capela dessa paróquia, viva esta unidade fundamental sem a qual os de fora não poderão reconhecer que somos discípulos de Cristo. Somos uma comunidade de comunidades que caminha unida. Essa unidade é uma exigência evangélica e não um capricho nosso. Cada capela e comunidade que faz parte dessa paróquia sinta-se, no amor de Cristo, um só coração e uma só alma. Que ninguém caia na tentação de caminhar sozinha, mas saibam também que vocês não estarão sós. Quero me fazer presente, na medida do possível, em todas as comunidades. Contem comigo.

Meus irmãos, retomando a palavra inicial – “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração” – dirijo-me a vocês como amigos e, porque não dizer, como filhos. Essa palavra me estremece as entranhas. Terei eu o coração segundo o coração de Deus? Certamente não. Mas anseio por ter o meu coração unido ao coração de Jesus e faço minha essa jaculatória tão tradicional na Igreja: “Jesus manso e humilde de coração, fazei o meu coração semelhante ao vosso”. Fazei, Senhor, que o meu coração, unido ao vosso, possa compadecer-se das ovelhas; possa ir em busca daquela que se extraviou e se perdeu e que, perambulando por caminhos distantes do Evangelho, feriu-se gravemente.

Peço ao Senhor que me faça ir ao encontro do seu povo onde ele se encontra: nas comunidades eclesiais, nos bairros, nas ruas e praças, nas casas, nas escolas, nos ambientes de trabalho. Enfim, onde estiver o povo de Deus, ali estará a minha missão.

Diante disso, impõe-se uma pergunta: como se fará isso? Sem a graça de Deus, como foi dito antes, é impossível. Porém, aqui entra um fator importante que gostaria de chamar especial atenção: como padre, participo do ministério sacerdotal de Cristo: “in persona Christi caput” – na pessoa de Cristo cabeça – porém, como diz o Concílio Vaticano II, essa missão, embora de modo qualitativamente diverso, é confiada também aos fiéis leigos, consagrados a Cristo pelo batismo. Dessa forma, não me sinto só. Quero contar com o apoio comprometido, afetivo e efetivo, de todos os discípulos e missionários de Cristo, como nos denomina o Documento de Aparecida.

Faço agora uma convocação: vamos juntos trabalhar pelo Reino de Deus! Que cada comunidade, capela; cada irmão consagrado pelo batismo se sinta co-responsável nessa missão de anunciar o evangelho. Conclamo hoje cada um de vocês a uma invasão: vamos invadir com a luz de Cristo as trevas dos corações que se afastaram dos caminhos do Senhor por motivos que só Deus pode julgar, não raro por nossa culpa. Vamos penetrar, com doçura e suavidade, mas com firmeza e determinação, cada recôndito dessa paróquia para que ninguém seja privado do anúncio do Evangelho. Como o sol que brilha inexoravelmente sem que ninguém possa impedir o amanhecer, que a luz do Evangelho penetre, por nosso testemunho e por nossa palavra, em todos os lugares onde ainda prevaleçam as trevas da ausência de Deus. Não hajam portas fechadas para Cristo, não hajam “condomínios fechados” ao Evangelho. Pobres e ricos, todos são merecedores de receberem o anúncio do Evangelho, todos têm o direito de receberem o anúncio da Boa Nova.

Evoco aqui uma imagem muito bonita: naquela noite de Páscoa, mãe de todas as vigílias, festa da nossa redenção, a luz do círio pascal acendendo nossas velas é sinal da luz de Jesus Ressuscitado que ilumina nossa vida. Que essa luz faça de nós essa chama viva do amor para esse mundo sedento de amor, sedento da verdadeira paz que o mundo não pode nos dar. Para isso, ninguém está dispensado. Cada um de vocês pertencente a essa paróquia de Sant’Ana e S. Joaquim, sinta-se participante dessa grande missão que emana do próprio batismo. Eu conto com vocês! Mais que isso, Jesus conta com cada um de vocês.

Eu conto com as crianças com sua alegria, pureza e entusiasmo para darem testemunho do amor a Jesus, especialmente na Eucaristia. Conto com os adultos, com as famílias, para que sejam sinal desse amor de Cristo por sua Igreja e abram as portas do seus lares para acolher a Palavra de Deus, como Igreja Doméstica que vocês são chamados a ser, testemunhas do amor de Cristo por sua Igreja. Conto com os anciãos para, mesmo com as limitações pessoais, serem sinais da caridade, na paciência, na oblação. Que a idade avançada seja sinal para nós mais jovens da sabedoria e da perenidade na vida dos valores imutáveis do Evangelho. Que os avós de Jesus, padroeiros dessa paróquia, sejam esse sinal para cada um de vocês.

De modo particular, especial, conto com vocês jovens! Convoco vocês a serem protagonistas dessa missão. Conto fortemente com cada um de vocês, pois, repetindo um grande pastor querido a todos nós, o venerável Papa João Paulo II, vocês são minha alegria e minha coroa. Junto com S. Dom Bosco, um grande modelo para mim, eu digo: não basta que vocês sejam amados, vocês precisam saber e sentir isso! A amizade de vocês é mais valiosa para mim do que qualquer honra ou reverencia dos poderosos desse mundo.

Jovens, eu conto com o entusiasmo de vocês. Conto com a força e o fervor de vocês. Conto com a disposição de vocês por abraçar o Evangelho de modo radical. Conto com a fidelidade incondicional de vocês a Jesus e à sua Santa Igreja Católica. O Santo Padre na Conferência de Aparecida nos diz: “Os jovens não temem o sacrifício, mas, sim, uma vida sem sentido”. Portanto, meus queridos, junto com o Papa eu digo a vocês: não tenham medo de abrirem, escancararem completamente as portas dos corações de vocês Àquele que é o sentido absoluto de nossas vidas! Incendiados pelo fogo do seu amor que arde em nossos corações ao ouvir a Sua Palavra, como os discípulos de Emaús, corramos no meio da noite avançada desse mundo para anunciar aos nossos irmãos que se encontram no cárcere do medo, que Cristo está vido, nos o ouvimos, o tocamos pela fé e, com ele, ressuscitamos para uma vida nova, vida plena!

Enfim, essa paróquia deve ser para nós terra de missão. Quero que ela esteja aberta a todos que desejarem colaborar em unidade, para que o Evangelho seja anunciado e o Senhor Jesus seja mais amado. Aqueles que quiserem se juntar a nós, com o intuito de somar e multiplicar, jamais de dividir ou subtrair, sejam muito bem vindos.

Muito obrigado a todos os que me alegram com sua presença aqui e a todos os que colaboraram de uma forma ou de outra para essa celebração tão bela. Que Deus recompense a cada um na riqueza de sua graça.

Jesus Bom Pastor, manso e humilde de coração, que tornais leve o fardo e suave o jugo dos que vos seguem, dai-me um coração compassivo como o vosso para que juntos, ovelhas e pastor, possamos caminhar com alegria e entusiasmo para o Pai, rumo ao Reino definitivo.

Consagro a Maria Santíssima, nossa Mãe, a missão que ora se inicia. Que Ela cuide de mim e de cada um de nós com seu olhar de amor e sua intercessão.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.