Comungar de joelhos? (2a Parte)

Coloco aqui uma notícia transmitida a mim pelo meu amigo Átila Moreira.

Achei esta notícia na ACI Digital (que você já deve ter lido) e compartilho contigo – destaques meus.
Sua bênção e um abraço.

Cardeal Cañizares: É recomendável comungar na boca e de joelhos

REDAÇÃO CENTRAL, 27 Jul. 11 (ACI/EWTN Noticias) .- Em entrevista concedida à agência ACI Prensa, o Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos no Vaticano, Cardeal Antonio Cañizares Llovera, assinalou que é recomendável que os católicos comunguem na boca e de joelhos.

Assim indicou o Cardeal espanhol que serve na Santa Sé como máximo responsável, depois do Papa, pela liturgia e os sacramentos na Igreja Católica, ao responder se considerava recomendável que os fiéis comunguem ou não na mão.

A resposta do Cardeal foi breve e singela: “é recomendável que os fiéis comunguem na boca e de joelhos”.

Do mesmo modo, ao responder à pergunta da ACI Prensa sobre o costume promovido pelo Papa Bento XVI de fazer que os fiéis que recebam dele a Eucaristia o façam na boca e de joelhos, o Cardeal Cañizares disse que isso se deve “ao sentido que deve ter a comunhão, que é de adoração, de reconhecimento de Deus”.

“Trata-se simplesmente de saber que estamos diante de Deus mesmo e que Ele veio a nós e que nós não o merecemos”, afirmou.

O Cardeal disse também que comungar desta forma “é o sinal de adoração que necessitamos recuperar. Eu acredito que seja necessário para toda a Igreja que a comunhão se faça de joelhos”.

“De fato ‘acrescentou’ se se comunga de pé, é preciso fazer genuflexão, ou fazer uma inclinação profunda, coisa que não se faz”.

O Prefeito vaticano disse ademais que “se trivializarmos a comunhão, trivializamos tudo, e não podemos perder um momento tão importante como é o de comungar, como é o de reconhecer a presença real de Cristo ali presente, do Deus que é amor dos amores como cantamos em uma canção espanhola”.

Ao ser consultado pela ACI Prensa sobre os abusos litúrgicos em que incorrem alguns atualmente, o Cardeal disse que é necessário “corrigi-los, sobre tudo mediante uma boa formação: formação dos seminaristas, formação dos sacerdotes, formação dos catequistas, formação de todos os fiéis cristãos”.

Esta formação, explicou, deve fazer que “celebre-se bem, para que se celebre conforme às exigências e dignidade da celebração, conforme às normas da Igreja, que é a única maneira que temos de celebrar autenticamente a Eucaristia”.

Finalmente o Cardeal Cañizares disse à agência ACI Prensa que nesta tarefa de formação para celebrar bem a liturgia e corrigir os abusos, “os bispos têm uma responsabilidade muito particular, e não podemos deixar de cumpri-la, porque tudo o que façamos para que a Eucaristia se celebre bem será fazer que na Eucaristia se participe bem”.

Comungar de joelhos?

Olá galera!

Em primeiro lugar peço desculpas pelos meses de silêncio aqui. A adaptação à realidade de pároco de uma paróquia grande está consumindo meu tempo, mais aos poucos estou retomando a vida normal.

Bom, escrevo um pouquinho sobre um tema atual e um pouco polêmico. Engraçado polemizar por uma coisa tão simples e tão corriqueira. Na verdade, eu sempre estou com a Igreja, custe o que custar, quero sempre obedecer e tenho absoluta certeza que os bispos e o papa têm, por graça do Espírito Santo, mais unção, autoridade, sabedoria e discernimento do que eu para julgar e determinar normas para a Igreja.

Estudei teologia sacramentária em Roma e, nas teorias da alta teologia de uma das faculdades católicas mais respeitadas do mundo, não se é muito favorável a essa prática. Porém, a teologia, como diria um professor meu de teologia sacramental oriental, às vezes é uma linda teoria mas a prática pastoral é outra coisa. Não que sejam contraditórias, mas a teologia leva em conta alguns pressupostos que não se encontram na prática. Por exemplo: a fé. A teologia supõe uma fé madura, consciente, firme. Na prática pastoral, nós sabemos que o povo de Deus ainda anda muito aquém do desejado, muito longe de ser formado, catequizado e evangelizado como deveria, mas não quero discutir as causas disso aqui. O fato é que, depois que passei a trabalhar em paróquia, em comunidades pobres, simples e também não tão simples, constatei a dura realidade da constante, gritante e escandalosa dessacralização na nossa Igreja. Claro que isso para mim não foi novidade, mas uma coisa é saber de longe, outra coisa é ver de perto, contemplar e trabalhar com essa situação.

Partindo dessas considerações estou ficando cada dia mais adepto da comunhão de joelhos, sim. Não vou obrigar as pessoas a fazerem isso, mas acredito que os sinais são a maior fonte de catequese. O povo não entende e nem tem obrigação de entender as complicadas teorias teológicas e, mesmo o Catecismo torna-se uma realidade um pouco distante para muitos. O símbolo, o sinal é o fundamento do sacramento, da liturgia e mesmo da catequese por séculos na Igreja Católica. Ao celebrar nas capelas e comunidades de minha paróquia e em tantos outros lugares, é triste constatar a realidade que o povo não sabe o que é a Eucaristia!

Acho que muitos leitores concordarão comigo: muita gente, muita gente mesmo, comunga sem saber o que está fazendo: comunga em pecado grave (e não sabe nem o que é pecado grave!); comunga convivendo maritalmente com outra pessoa sem ser casado na Igreja; comunga de forma automática sem parar minimamente para rezar nem antes nem depois da comunhão. Pior, a grande maioria das pessoas que assistem a missa nas capelas onde há apenas uma missa ou duas por mês, simplesmente não se ajoelha na hora da consagração. Em todas as missas eu tenho que parar na hora da consagração para pedir as pessoas que se ajoelhem pois ali está Jesus. As crianças têm o costume de fazer a primeira e última comunhão. Os próprios catequistas não vêm à Igreja todos os domingos porque… estão cansados, tem jogo, tem visita em casa… Até pessoas homossexuais que convivem maritalmente e publicamente vêm comungar como se nada fosse pecado.

Onde está, meu Deus, a santidade da Igreja? Onde está o respeito para com os sacerdotes, as religiosas, os sacramentos e, acima de tudo, para com a SANTÍSSIMA EUCARISTIA?

Acho que comungar de joelhos pode ser uma fortíssimo sinal para se resgatar a consciência da santidade da Santíssima Eucaristia. Pensemos nisso.

Il modo di scambiare il segno di pace nella S. Messa

Esse texto é belíssimo. Fez-me recordar os tempos de estudos em Roma. Vale a pena.

Rubrica di teologia liturgica a cura di don Mauro Gagliardi

di Juan José Silvestre*

ROMA, mercoledì, 4 maggio 2011 (ZENIT.org).- «Quando il lettore ha terminato, il preposto con un discorso ci ammonisce ed esorta ad imitare questi buoni esempi. Poi tutti insieme ci alziamo in piedi ed innalziamo preghiere sia per noi stessi… sia per gli altri… Finite le preghiere, ci salutiamo l’un l’altro con un bacio» (Giustino di Nablus, Apologia I, 65; 67, cit. in CCC, n. 1345). Queste parole di san Giustino, scritte attorno al 155, presentano per la prima volta il segno di pace durante la Santa Messa.

Un primo aspetto che richiama l’attenzione, nel leggere quest’antichissima testimonianza, è il momento in cui tale gesto ha luogo all’interno della celebrazione: a conclusione della Liturgia della Parola e prima della presentazione dei doni. Un secondo punto che possiamo evidenziare è il modo in cui esso è realizzato: «Ci salutiamo l’un l’altro con un bacio». Questa espressione ci collega subito con diversi brani del Nuovo Testamento, in cui si parla del salutarsi a vicenda con il bacio santo, il bacio d’amore (cf. tra gli altri: Rm 16,16; 1Cor 16,20; 2Ts 5,26; 1Pt 5,14). In effetti, per vari secoli il modo di scambiare la pace è stato l’oscolo, il bacio. Esso veniva scambiato tra fedeli dello stesso sesso, esclusi – secondo l’avvertenza dellaTradizione Apostolica – i catecumeni. In questo modo veniva dunque svolto lo scambio della pace tra i fedeli nella Chiesa antica. Più tardi, la pace partirà dal celebrante e si trasmetterà secondo l’ordine gerarchico (così pare attestato già nell’Ordo Romanus I). Nel secolo IX; il celebrante bacia l’altare, come segno della pace comunicata da Cristo, e la trasmette al diacono; da questi passa al suddiacono e di seguito se la scambiano anche alcuni membri del clero. In certe occasioni, alcuni fedeli baciavano il «portapace», di cui parleremo più avanti.

Non è chiaro neppure per gli studiosi in che momento il bacio fu sostituito dall’abbraccio, ma sembra certo che in tutte le liturgie, occidentali e orientali, si nota un processo di stilizzazione del gesto in sé. Per quanto riguarda la liturgia latina, il bacio sulla bocca – attestato in innumerevoli documenti fino al Pontificale di Patrizio Piccolomini († 1496) e Giovanni Burcardo († 1506) – si alterna con il bacio sulla spalla, che si incontra a volte nel secolo X e nel Pontificale di Durando, di fine secolo XIII. Nell’ultimo decennio del secolo XV, si introduce anche il bacio sulla guancia. Un ultimo anello di questo processo di stilizzazione del gesto di pace si incontra nel secolo XIV, nel quale alcuni messali, per esempio quello di Bayeux, menzionano la prescrizione di dare la pace mediante uno strumento apposito, l’«osculatorio». Questo strumento di trasmissione della pace era a volte una patena, altre un evangeliario, ma più di frequente una «tabula pacis».

È nel Messale di san Pio V, e in particolare nel Ritus servandus in celebratione Missae (X, 3 [1962]), che si trova l’istituzionalizzazione dell’«osculatorio»: «… se sta per dare la pace, [il sacerdote] bacia l’altare nel mezzo e lo strumento della pace che gli ha dato il ministro che sta inginocchiato alla sua destra, ossia al lato dell’Epistola, e dice: “La pace sia con te”. Il ministro risponde: “E con il tuo spirito”. Se non ci fosse chi riceve con lo strumento in questo modo la pace dal celebrante, la pace non si dà …». Per quanto attiene alla Messa solenne, i ministri – dice il Messale del 1570 – accostano mutuamente la guancia sinistra, senza toccarsi, abbracciandosi a una certa distanza. Come precisava concretamente la Sacra Congregazione dei Riti, questo abbraccio consiste nel fatto che «il diacono pone le sue braccia sotto le braccia del celebrante» (SRC 2915, 7, Tuden., 23 Maggio 1846, t. 2, p. 337).

Nella editio typica tertia del Messale Romano (2008), viene lasciato libero il modo di scambiarsi la pace e si delega alle Conferenze Episcopali la facoltà di stabilire «il modo di compiere questo gesto di pace secondo l’indole e le usanze dei popoli» (IGMR n. 82, cf. n. 390). Però si ricorda che conviene «che ciascuno dia la pace soltanto a chi gli sta più vicino, in modo sobrio » (IGMR, n. 82). Il celebrante può dare la pace ai ministri, rimanendo in presbiterio. Lo stesso farà nel caso in cui voglia dare la pace ad alcuni dei fedeli (cf. Congregazione per il Culto Divino e la Disciplina dei Sacramenti, Redemptionis Sacramentum, n. 72).

Benedetto XVI ricorda come «non tolga nulla all’alto valore del gesto la sobrietà necessaria a mantenere un clima adatto alla celebrazione, per esempio facendo in modo di limitare lo scambio della pace a chi sta più vicino» (Sacramentum Caritatis, n. 49). Questa precisazione risulta molto opportuna, perché bisogna ricordare che la pace cristiana ha la sua fonte in Dio per mezzo di Gesù Cristo (cf. Gv 14,27; 16,33; Rm 1,7; Ef 2,14; Fil 4,7; Col 3,15, ecc.). Il termine pace va inteso come compendio di ogni bene, dono messianico per eccellenza e frutto dello Spirito Santo.

È certo che il gesto di pace possiede anche una chiara dimensione orizzontale, che notavamo già in san Giustino; però sin da tempi molto antichi si trova in esso una forte dimensione verticale. Non è una semplice pace umana già conquistata, o che può essere raggiunta mediante l’amicizia o la solidarietà. Si tratta invece della pace di Cristo risorto – di Lui che è la nostra pace – comunicata attraverso il suo Spirito, artefice della pace dei cuori di ognuno dei fedeli nella Chiesa. In realtà, non ci può essere pace che non abbia la sua origine nella Trinità. «L’assemblea liturgica riceve la propria unità dalla “comunione dello Spirito Santo” che riunisce i figli di Dio nell’unico Corpo di Cristo. Essa supera le affinità umane, razziali, culturali e sociali» (CCC, n. 1097).

Sarebbe auspicabile che si tornasse di nuovo alle intuizioni di alcuni protagonisti del movimento liturgico: recuperare il gesto di pace tra i fedeli, il quale non procede però se non da Dio stesso, come simboleggiano il bacio dell’altare e l’ordine gerarchico nella sua trasmissione. Così Pius Parsch ricordava: «Il bacio di pace è soprattutto un sublime simbolo della comunione dei fedeli tra di loro e con Cristo. Giacché il bacio di pace proviene dall’altare, che rappresenta Cristo, è Cristo pertanto che bacia coloro che partecipano al Santo Sacrificio; e questo bacio si trasmette da uno all’altro facendo di tutti i fedeli un’unità intima che incorpora Cristo» (Sigamos la Santa Misa, L. Gili, Barcelona 1954, p. 128). E Romano Guardini insisteva sulla necessità della trasmissione «per ordinem» del rito della pace, come si prescriveva nel Messale del 1570, poiché ciò permette di sottolineare che nella liturgia la verticalità si sovrappone all’orizzontalità: ciò che ci mantiene uniti agli altri è la presenza di Dio» (Cf. R. Guardini, El espíritu de la liturgia, Cuadernos Phase 100, Barcelona 1999, p. 34).

As dores de Maria

  • A profecia de Simeão – “E a ti, uma espada traspassará a tua alma…” (Lc 2,35)
  • A fuga para o Egito – “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito” (Mt 2,13s)
  • A perda de Jesus no Templo – “Meu filho, porque agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos” (Lc 2,48)
  • O caminho de Jesus para o calvário – “Grande multidão do povo o seguia, como também mulheres que batiam no peito e se lamentavam por causa dele” (Lc 23, 27)
  • A crucifixão de Jesus – “Chegando ao lugar chamado Caveira, lá o crucificaram…”(Lc 23,33)

  • Jesus é deposto da cruz – “… Vieram, então, e retiraram o seu corpo ” (Jo 19,38)
  • A sepultura de Jesus – “Eles tomaram o corpo de Jesus e o envolveram em faixas de linho com os aromas, como os judeus costumam sepultar…” (Jo 19,40s)

Exaltação da Santa Cruz

Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo (Séc. VIII)

A glória e a exaltação de Cristo é a cruz

Celebramos a festa da cruz; por ela as trevas são repelidas e volta a luz. Celebramos a festa da cruz e junto com o Crucificado somos levados para o alto para que, abandonando a terra com o pecado, obtenhamos os céus. A posse da cruz é tão grande e de tão imenso valor que seu possuidor possui um tesouro. Chamo com razão tesouro aquilo que há de mais belo entre todos os bens pelo conteúdo e pela fama. Nele, por ele e para ele reside toda a nossa salvação, e é restituída ao seu estado original.

Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido rasgado o documento do pecado, não teríamos sido declarados livres, não teríamos provado da árvore da vida, não se teria aberto o paraíso. Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno.

É, portanto, grande e preciosa a cruz. Grande sim, porque por ela grandes bens se tornaram realidade; e tanto maiores quanto, pelos milagres e sofrimentos de Cristo, mais excelentes quinhões serão distribuídos. Preciosa também porque a cruz é paixão e vitória de Deus: paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão; e vitória porque o diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim, arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou a comum salvação de todo o mundo.

É chamada ainda de glória de Cristo, e dita a exaltação de Cristo. Vemo-la como o cálice desejável e o termo dos sofrimentos que Cristo suportou por nós. Que a cruz seja a glória de Cristo, escuta-o a dizer: Agora, o Filho do homem é glorificado e nele Deus é glorificado e logo o glorificará (Jo 13,31-32). E de novo: Glorifica-me tu, Pai, com a glória que tinha junto de ti antes que o mundo existisse (Jo 17,5). E repete: Pai, glorifica teu nome. Desceu então do céu uma voz: Glorifiquei-o e tornarei a glorificar (Jo 12,28), indicando aquela glória que então alcançou na cruz.

Que ainda a cruz seja a exaltação de Cristo, escuta o que ele próprio diz: Quando eu for exaltado, atrairei então todos a mim (cf. Jo 12,32). Bem vês que a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.

A diferença de um “erre”

leitura-bibliaÀs vezes ser padre é muito divertido. Não me levem a mal, mas realmente é muito engraçado perceber certas coisas. E tem coisa que só o padre vê; injustiça, assim eu acabo achando graça sozinho. Nesse caso, vou fazer vocês se divertirem também, ou não, depende…

Tem muita comédia que acontece na hora da Missa. Como, quem me conhece sabe, eu sou muito “discreto”, é difícil alguém não perceber quando acontece uma marmota na minha frente. Acho que daria para escrever um livro de “piadas de sacristia”. Talvez seja uma boa ideia. Quem topa ajudar?

Bom, para começar, de leitura engraçada tem um monte. Acho melhor rir do que chorar, até porque, ler errado é um enorme desrespeito à Palavra de Deus! São incontáveis formas de dizer as palavras da Bíblia, eis algumas pérolas:

– “Leitura do livro do demônio” – bom, com essa aberração, a criatura que se dispôs a ler deveria ter dito livro do DEUTERONÔMIO!

– “Leitura da primeira carta de São Paulo aos Tessalosinesis, Tesalonisesis, Teza… bom, é isso aí”. A Carta de São Paulo aos TESSALONICENSES é campeã de versões originais.

– “Leitura do livro do êchodo”, ou então: “Leitura do livro do exôdo”… ÊXODO, minha filha, ÊXODO! Sei de uma menina que não tinha quem fizesse ela ler o xis com som de z (coisas complicadas da nossa língua, não é mesmo? A coitadinha não tem culpa…); essa pobre coitada ficou com trauma do padre corrigindo na hora da missa e nunca mais leu.

– “Leitura do ato dos apóstolos…” Qual, meu Deus! Qual ato???

Bom, existem as palavras campeãs: incircuncisos e circuncisão, por exemplo.

Mas a campeã de todas, que ficou memorável, foi uma que eu presenciei e que jamais irei esquecer: depois da comunhão, alguém dá os avisos da semana enquanto eu ouvia sentado um pouco distraído. No final, a pessoa diz: “sexta-feira, adoração do esse, esse, eme, ó”. Na mesma hora eu falei no microfone: “o que, minha filha?”, aí ela repetiu: “padre, é o que tá escrito aqui no papel: adoração do esse, esse, eme, ó na sexta feira”. Só então percebi que no papel dela estava escrito SSmo! Ou seja, na sexta-feira haveria adoração do SANTÍSSMO SACRAMENTO! Não precisa nem dizer que eu caí na gargalhada, né?

Uma outra inesquecível foi em um domingo de ramos. Como vocês lembram, normalmente, a leitura da Paixão de Cristo é dividida entre alguns leitores, ficando com o sacerdote as partes da fala de Jesus. Pois bem, chega um momento, quando o narrador proclama a morte do Senhor, onde todos devem se ajoelhar e fazer um momento de silêncio, por respeito e adoração. Certa vez, a pessoa que estava lendo disse em alto e bom tom ao microfone: “E Jesus deu um grande grito e espirrou”. Que diferença faz um erre, um simples errezinho, não acham? Bom, na verdade, não só um “r” pois o verbo expirar, portanto, Jesus expirou, se escreve com x, mas a pronúncia é a mesma. [1] Ainda bem que a gente tinha que se ajoelhar, assim as pessoas não viram eu rindo logo na hora menos indicada…

Mas o objetivo de toda essa lista de comédias é chamar atenção para alguns erros evitáveis, mas que a gente comete por falta de informação adequada.

À parte o fato que devemos ter um grande respeito pela Palavra de Deus e tudo o que se refere à sagrada liturgia, e, por isso, os nossos leitores devem ser o mais bem preparados possíveis; existem algumas coisas que, na missa, não dizemos e respondemos de modo correto, por incrível que pareça, por não entendermos direito a gramática das frases. Isso mesmo, por erro de português!

Vamos lá:

“Orai, irmãos…” – o padre faz um pedido à assembleia, na segunda pessoa do plural do modo imperativo. Não somos habituados no nosso dia-a-dia com a 2ª pessoa do plural, ou seja, com o “vós”. Provavelmente, a liturgia católica seja o único lugar onde escutamos normalmente essa forma. No Brasil, substituímos o “vós” por “vocês”. Mas isso não é um problema, a não ser que nós não consigamos mais entender direito o pronome “vós”. Mas, na verdade, não é esse o motivo do erro aqui (que eu  nem falei onde é que tem erro!). Voltemos à frase: “orai irmãos…”. É um convite (em tom de ordem) que o presidente da celebração faz à assembleia e esta, por sua vez, deveria responder AO PADRE. Isso mesmo, a resposta não é a Deus, mas ao padre! Aí é que está o erro que muita gente comete. Vamos ver agora a resposta do povo?

– “Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para a glória do seu nome, para o nosso bem e de toda a santa Igreja”.

Em outras palavras: Padre, nós desejamos que o Senhor Deus receba por tuas mãos sacerdotais este sacrifício do pão e do vinho mudados no Corpo e Sangue de Jesus, para a glória do seu nome (o nome de Deus), para o nosso bem e de toda a Santa Igreja.

A confusão que nós fazemos entre o “tu” e o “você” é que atrapalha nessa frase, entenderam?

Muita gente pensa que a frase é dirigida a Deus, é uma oração, e dizem a frase assim:

– Receba, ó Senhor, por tuas mãos (as mãos de Deus)… Isso está totalmente errado e essa frase não seria sequer possível na Missa, pois, na liturgia, não se pode tratar Deus por “tu”, mas somente por “vós”. O verbo “receba” estaria errado e o pronome “tu”, pior ainda.

Por hoje é só, até a próxima.



[1] Imaginem, como o padre faz as vezes de Jesus na leitura da Paixão, quando ela disse que Jesus espirrou eu deveria responder: aaaaatchim!!!

 

Santo Agostinho

Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo (Séc. V)

Ó eterna verdade e verdadeira caridade
e cara eternidade!

Instigado a voltar a mim mesmo, entrei em meu íntimo, sob tua guia e o consegui, porque tu te fizeste meu auxílio (cf. Sl 29,11). Entrei e com certo olhar da alma, acima do olhar comum da alma, acima de minha mente, vi a luz imutável. Não era como a luz terrena e evidente para todo ser humano. Diria muito pouco se afirmasse que era apenas uma luz muito, muito mais brilhante do que a comum, ou tão intensa que penetrava todas as coisas. Não era assim, mas outra coisa, inteiramente diferente de tudo isto. Também não estava acima de minha mente como óleo sobre a água nem como o céu sobre a terra, mas mais alta, porque ela me fez, e eu, mais baixo, porque feito por ela. Quem conhece a verdade, conhece esta luz.

Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. Desde que te conheci, tu me elevaste para ver que quem eu via, era, e eu, que via, ainda não era. E reverberaste sobre a mesquinhez de minha pessoa, irradiando sobre mim com toda a força. E eu tremia de amor e de horror. Vi-me longe de ti, no país da dessemelhança, como que ouvindo tua voz lá do alto: “Eu sou o alimento dos grandes. Cresce e me comerás. Não me mudarás em ti como o alimento de teu corpo, mas tu te mudarás em mim”.

E eu procurava o meio de obter forças, para tornar-me idôneo a te degustar e não o encontrava até que abracei o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus (1Tm 2,5), que é Deus acima de tudo, bendito pelos séculos (Rm 9,5). Ele me chamava e dizia: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). E o alimento que eu não era capaz de tomar se uniu à minha carne, pois o Verbo se fez carne (Jo 1,14), para dar à nossa infância o leite de tua sabedoria, pela qual tudo criaste.

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.

SANTO AGOSTINHO

Nasceu em Tagaste (África) no ano 354. Depois de uma juventude perturbada, quer intelectualmente quer moralmente, converteu-se à fé e foi batizado em Milão por Santo Ambrósio no ano 387. Voltou à sua terra e aí levou uma vida de grande ascetismo. Eleito bispo de Hipona, durante trinta e quatro anos foi perfeito modelo do seu rebanho e deu-lhe uma sólida formação cristã por meio de numerosos sermões e escritos, com os quais combateu fortemente os erros do seu tempo e ilustrou sabiamente a fé católica. Morreu no ano 430.