Palavra de Deus

O amor seja sincero. Detestai o mal, apegai-vos ao bem. Que o amor fraterno vos una uns aos outros com terna afeição, prevenindo-vos com atenções recíprocas. Sede zelosos e diligentes, fervorosos de espírito, servindo sempre ao Senhor, alegres por causa da esperança, fortes nas tribulações e perseverantes na oração.

(Rm 12,9-12)

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COMUM OU NORMAL?

FLANELINHAEsses dois conceitos são muito confusos hoje em dia. Eles podem ser parecidos mas são absolutamente diversos e, confundi-los, pode trazer graves consequências. Vejamos: o que é uma coisa comum? É algo que se repete com frequência ou que vemos em abundância. Isso ocorre talvez milhares de vezes no dia a dia, para coisas agradáveis ou desagradáveis. É comum que em dezembro faça calor, que em abril chova. É comum que o trânsito esteja congestionado às seis da tarde e que hajam flanelinhas nos locais de estacionamento. É comum que você pegue o mesmo ônibus para ir à escola ou ao trabalho e é comum que você encontre sempre as mesmas pessoas no ambiente em que frequenta.

Pode-se dizer também que é tão comum ver crianças pobres pela rua de nossas grandes cidades brasileiras, como é comum que as pessoas tomem café de manhã. Mas o que é normal? Normal nos dá a idéia de correto, enquanto o comum é apenas o frequente. Aí é que mora o perigo: confundir o frequente com o certo. A freqüência não justifica as coisas! Houveram (e existem) na história coisas terríveis tidas como “normais” simplesmente porque eram “comuns”.

Um cientista brasileiro, estudioso do pensamento humano, o Dr. Augusto Cury, descreve esse fenômeno como a psicoadaptação que seria “a incapacidade da emoção humana de reagir frente à exposição repetida do mesmo estímulo”.[1] Ele continua: “o homo sapiens pode se psicoadaptar inconscientemente a todas as mazelas sociais, como as guerras, o terrorismo, a violência, a discriminação, e ter um conformismo doentio. O anormal pode se tornar normal.”[2]

Caros amigos, não é isso que vemos no mundo moderno? Não é exatamente isso que caracteriza a nossa sociedade neo-pagã? É “normal” casar e separar, é “normal” o famoso “ficar”, como para nós parece “normal” ver a miséria, a ignorância do nosso povo semi-analfabeto. É “normal” que haja uma parada gay fazendo apologia do homossexualismo, como um programa do SBT que transmite antes das 10h da noite um programa de baixaria e permissividade sexual sem que ninguém diga nada contra. Nós poderíamos citar aqui inumeráveis exemplos da nossa sociedade onde vai-se tornando cada vez mais “normal” o absurdo!

O comum, o frequentemente presente, não pode anestesiar a nossa consciência a ponto de considerarmos normal “porque todo mundo faz”, porque “a maioria das pessoas pensa assim”.

Vou mais longe, já que a maioria dos meus leitores acredito serem jovens: a relação pré-matrimonial, a masturbação, a pornografia, a prostituição, o sensualismo doentio, etc., é COMUM ou NORMAL?

Você se conforma com a injustiça e a imoralidade só porque a maioria pensa assim e não tem jeito de mudar as coisas? Você acha que nós católicos devemos nos calar ante a pressão do mundo que cada vez mais rejeita explicitamente os valores cristãos? Eles exigem respeito, nos acusam de preconceituosos, radicais, etc., mas, eu pergunto: quem são os radicais, preconceituosos e fanáticos do sexo, do dinheiro, do poder e do prazer a todo custo?

Caríssimos, ante a loucura desse mundo, preservemos a nossa sanidade. Ante a insensatez desse mundo sem Deus, afirmemos cada vez mais a nossa vida em Cristo Jesus e nos valores imutáveis do Evangelho. Deus nos fez normais mas o pecado nos corrompe. Quanto mais caminharmos para a santidade, mais seremos aquilo que fomos criados. Portanto, afirmemos com toda convicção e coragem: EU QUERO SER NORMAL, EU QUERO SER SANTO.



[1] CURY, Augusto. Nunca desista dos seus sonhos, p. 107, sextante, 2004.

[2] Idem.

A teimosa perseverança

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Sabe aquele cara que é teimoso de nascimento? Que dava chute na barriga da mãe pra sair logo? Que diz que quer uma coisa e não abre mão nem por 100 e uma cocada (é o novo!!!)?

Pois é, se você sempre foi criticado por isso, seus professores, seus pais, seus colegas sempre te encheram a paciência e te pediram para ser um pouco menos intransigente, eu tenho uma boa notícia para você: você tem um lugar ao sol nesse planeta, na verdade, nesse não, no outro mundo, mas não se preocupe, não precisa fazer transplante de antenas.

Vamos ao que interessa. Eu descobri a roda. Descobri que você pode aproveitar a sua intransigência de nascença para ser santo. Isso mesmo! Para ser santo. Aliás, quanto mais intransigente, quanto mais teimoso, melhor. Como se dá isso? Simples: todo mundo já passou por aquela situação de desânimo, que não aguenta mais, que quer projetar com força a protuberância do seu membro inferior direito (no caso de ser um destro) na haste de sustentação da tenda de abrigo em locais abertos[1] com a intenção de… bom, deixa pra lá. Foi ou não foi? O que? Vai bem dizer que não? Claro que sim. É aquele momento que você pensa: vou deixar o grupo de oração, não adianta mais, vou sair da minha comunidade, vou deixar de ir pra Missa, vou parar de rezar… e por aí vai. Isso é tão comum, tão freqüente que dá dó. Penso que mais que dó, uma verdadeira dor de amor acontece no coração de Deus quando nós somos atacados por tamanha tentação e sucumbimos a ela.

Pois é, eu tenho uma dica muito simples: é a TEIMOSA PERSEVERANÇA. O que seria isso? Santa Teresa criou a “determinada determinação”, mas a minha “teimosa perseverança” é diferente da dela (que é uma santa!). A teimosa perseverança é a virtude dos pecadores como eu, como você, aquele povinho assim bem fraco, sabe como é? É assim: o cara peca (qualquer pecado) e aí, se ele quer ser santo, quer amar a Deus, o normal é que ele se arrependa. Até aí tudo bem, mas o problema é que existe um bom arrependimento, que nos leva para Deus, que nos leva a reconhecer a misericórdia e o amor infinito do Pai, que nos levanta apesar da dor de ter pecado mais uma vez contra a bondade de Deus; mas existe também o arrependimento mau, ou seja, aquele que destroi a pessoa, que o arrasa, que não purifica mas que, ao contrário, o faz pecar mais! Isso mesmo, por incrível que pareça, quando somos acometidos por esse tipo de tentação depois do pecado, em vez de nos erguermos, caímos ainda mais profundamente. Sabe por que? Porque não é um arrependimento motivado pelo amor mas, infelizmente, grandemente influenciado pelo orgulho. Queremos ser “perfeitos” e não santos. Queremos fazer tudo “certinho” tirar nota 10 na prova, como se o Céu fosse um vestibular. Fomos muitas vezes educados assim, absorvemos a cultura mundana capitalista e competitiva que nos ensina a lidarmos com o mundo, com as coisas, com as pessoas e, consequentemente, com Deus, dentro da lei do “dar em troca de”.

A teimosa perseverança é aquela que você decide, jamais, nunca, por nada nesse mundo, nada mesmo, desanimar! Diante do pecado, do pecado recorrente, daquele que você pensa: não, eu não aguento mais, não suporto mais confessar a mesma coisa para o padre. Pois bem, é um trato que você faz com você mesmo: “vou confessar um bilhão de vezes se, infelizmente, for preciso, mas nunca vou desistir de tentar. Nem que eu fique bem velhinho e não saiba mais nem falar direito, mesmo assim eu não vou desistir”.

Meu filho, minha filha, se você decidir por isso eu tenho uma boa notícia: o céu é para você. Pois, ao chegar no céu, certamente Deus não vai lhe perguntar: você conseguiu? Bom, pode até ser que ele pergunte isso, mas mesmo que você responda que não, ele vai reformular a pergunta e dizer: você tentou de todo o seu coração?

Sim, porque a luta é amor. A gente pensa que o amor é a vitória. Não, o amor é a luta. Quem não é tentado tem poucas chances de amar, de demonstrar o amor. Quem você acha que demonstra mais amor: quem nunca é tentado e por isso vive muito bem, com tudo “certinho” em sua vida espiritual, ou aquele(a) que, como se diz, rala muito porque é muito fraco? Vou ser mais claro. O que é mais fácil: rezar quando tudo está bem, se tem tempo de sobra e se sente consolado na oração, ou rezar em um ambiente barulhento, com gente dentro de casa perturbando a toda hora, com um milhão de coisas pra fazer? O que é mais fácil: ser casto quando se vem de uma família equilibrada, quando se é educado em valores de fé e nunca se meteu em nenhum tipo de perversão ou ser casto depois de uma juventude desregrada, depois de muitas experiências sexuais que deixaram feridas na memória e da alma difíceis de sarar? Bom, com isso não estou querendo dizer que a gente tem “desculpa” pra pecar, nada disso. Só estou dizendo que muitas vezes a pessoa pode se condenar por não se sentir tão perfeito, tão santo quanto gostaria de ser; ficar perturbado porque gostaria de ser mais fiel a Deus mas não consegue. E, no entanto, não percebe que Deus conhece o mais profundo do seu coração e sabe as lutas que você passa muito mais profundamente que você mesmo.

Pois bem, quero convocar você à TEIMOSA PERSEVERANÇA. Vamos vencer o cão pelo cansaço. Aliás, vamos mostrar para nós mesmos que nada, absolutamente NADA vai nos demover da decisão de seguir a Deus e isso inclui nossa fraqueza e pecado. O pecado, as quedas, as imperfeições não podem nos impedir de amar! O pecado é uma falta de amor, mas é uma falta muito maior ainda não confiar no amor puro e verdadeiro de Deus por nós.

Essa história do ser bem velhinho confessando o mesmo pecado me lembra uma historiazinha que se contava no meu tempo de seminário diocesano: um padre jovem chega muito arrasado para conversar com um velho e sábio sacerdote. Ele diz: “padre, eu não agüento mais, acho que não consigo viver o celibato. Eu, quando vejo uma mulher bonita, me sinto tentado… sei lá… não sei” e o jovem padre começa a chorar. O sacerdote ancião, de oitenta anos, cheio de sabedoria responde: “meu filho, não se preocupe, isso é coisa da juventude. Quando você tiver 80 anos como eu vai ver que isso passa…”. Enquanto eles conversavam, a campainha toca e aparece um mulheraço, esculpida da cabeça aos pés e decotada até não poder mais. Ela queria só uma informação e se retira. O padre ancião que tinha ido atender a porta continua a conversa: “pois é meu filho, como eu estava lhe dizendo, quando a gente completar 81 anos talvez passe…”.



[1] Chutar o pau da barraca (essa é uma homenagem ao meu amigo Ricardinho)

PINICO DE PASSARINHO

mau pensamento

Quem já não se viu em luta contra os maus pensamentos? É algo realmente complicado. Muitos são os que se angustiam com essa situação. Mas o que seriam mesmo os maus pensamentos? Seriam pensamentos maus. Ohhhh!!!! Nãoooo diga!!! ¬¬

Bom, digamos que o pensamento é algo complexo. Um grande cientista da psicologia brasileiro, o Dr. Augusto Cury, tem estudado o fenômeno do pensamento há várias décadas e tirou algumas conclusões – que eu não vou comentar agora – mas que apontam para o fato de que o pensamento humano, a capacidade do homem de pensar é algo extremamente maravilhoso.

Mas o que às vezes nos atormenta mesmo são os pensamentos que julgamos “pecaminosos”. Bom, logo de cara, pensamos que aqui se trata de sexo. É, também. Mas não só. Na verdade, os pensamentos que julgamos maus, são aqueles indesejados ou aqueles que vão contra àquilo que, no fundo, não gostaríamos. Isso inclui uma sexualidade fora dos planos de Deus, mas inclui também a cobiça, a avareza, o ódio. Jesus fala disso no Evangelho:

“O que sai do homem, é isso que o torna impuro. Com efeito, é de dentro, do coração dos homens que saem as intenções malignas: prostituições, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, malícia, devassidão, inveja, difamação, arrogância, insensatez. Todas essas coisas más saem de dentro do homem e o tornam impuro” (Mc 6, 20-23).

menino pensando

A palavra do Senhor é clara. Temos a tendência a dizer que é impuro só o que se refere à sexualidade fora dos planos de Deus, mas não é verdade. Vemos dentro de nós, muitas vezes, essa lista negra citada por Nosso Senhor. O que fazer? Claro que o processo deve ir dentro, purificar a partir de dentro. Se a boca fala (e a cabeça imagina) do que o coração está cheio, então, o processo é feito em duas vias: primeiro tirar as coisas ruins de dentro do coração, purificar o coração; e, em segundo lugar, encher o coração com coisas boas. Vamos ser claros? Se você passa horas e horas assistindo televisão, olhando sites (às vezes não recomendáveis para um cristão) ou enchendo sua cabeça de todo tipo de coisas inúteis, o que você acha que vai sair depois? O que você acha que vai pensar, imaginar?

Se você vive alimentando sentimentos negativos contra uma pessoa, alimentando através da fofoca, da crítica, etc., o que você acha que vai pensar quando a vir?

Vai “sair” o que você colocar para dentro!

Mas você pode argumentar que existem os pensamentos inevitáveis. É verdade. Eles existem. São as lembranças dolorosas do passado, feridas, ou coisas que nós deixamos entrar na nossa memória e que nos arrependemos. O que fazer? Em primeiro lugar é bom deixar bem claro que só pode ser pecado aquilo que é voluntário. Uma coisa que você não deseja, rejeita, não pode ser pecado. Então, o pecado existe apenas na medida do nosso consentimento. Por exemplo: se eu tenho um sonho ruim, um sonho onde eu mato pessoas ou onde eu cometo algum ato pecaminoso, mesmo que seja grave, esse sonho não pode ser pecado pois ninguém pode controlar os sonhos (embora eles sejam a revelação do que você pode estar colocando “para dentro” do seu coração enquanto está acordado).

Por isso, vale o ditado: VOCÊ NÃO PODE IMPEDIR QUE O PASSARINHO SOBREVOE A SUA CABEÇA, MAS PODE EVITAR QUE ELE POUSE E FAÇA NINHO.

penico de passarinho

Pai mais que Senhor

Esse texto é belíssimo, vale a pena conferir!

Dos Sermões de São Pedro Crisólogo, bispo

(Sermo 108: PL 52,499-500)

(Séc. V)

Sê tu sacrifício e sacerdote de Deus

Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos (Rm 12,1). Paulo exorta, ou melhor, é Deus que por intermédio de Paulo nos exorta, pois deseja ser mais amado que temido. Deus exorta-nos, porque quer ser mais Pai do que Senhor. Deus exorta-nos, pela sua misericórdia, para não ter de nos castigar com o seu rigor.

Ouve como o Senhor exorta: Vede, vede em mim o vosso corpo, os vossos membros, o vosso coração, os vossos ossos, o vosso sangue. E se temeis o que é de Deus, por que não amais o que também é vosso? Se fugis do Senhor, por que não recorreis ao Pai?

Talvez vos perturbe a enormidade de meus sofrimentos causados por vós. Não tenhais medo. Esta cruz não me feriu a mim, mas feriu a morte. Estes cravos não me provocam dor, mas cravam mais profundamente em mim o amor por vós. Estas chagas não me fazem soltar gemidos, mas vos introduzem ainda mais intimamente em meu coração. O meu corpo, ao ser estirado na cruz, não aumenta o meu sofrimento, mas dilata os espaços do coração para vos acolher. Meu sangue não é uma perda para mim, mas é o preço do vosso resgate.

Vinde, pois, convertei-vos e pelo menos assim experimentareis a bondade do Pai, que paga os males com o bem, as injúrias com amor, tão grandes chagas com tamanha caridade.

Ouçamos, porém, a insistência do Apóstolo: Eu vos exorto a vos oferecerdes em sacrifício vivo (Rm 12,1). Pedindo deste modo, o Apóstolo ergueu todos os seres humanos à dignidade sacerdotal: a vos oferecerdes em sacrifício vivo.

Ó inaudito mistério do sacerdócio cristão, em que o ser humano é para si mesmo vítima e sacerdote! O ser humano não precisa ir buscar fora de si a vítima que deve oferecer a Deus; traz consigo e em si o que irá sacrificar a Deus. Permanecem intactos tanto a vítima como o sacerdote; a vítima é imolada mas continua viva, e o sacerdote que oferece o sacrifício não pode matar a vítima.

Admirável sacrifício em que o corpo é oferecido sem imolação e o sangue sem derramamento! Pela misericórdia de Deus eu vos exorto a vos oferecerdes em sacrifício vivo.
Irmãos, este sacrifício é imagem do sacrifício de Cristo que, para dar a vida ao mundo, imolou o seu corpo, permanecendo vivo; na verdade, ele fez de seu corpo um sacrifício vivo, porque tendo morrido, continua vivo. Num sacrifício como este, a morte teve a sua parte, mas a vítima permanece; a vítima vive, enquanto a morte é castigada. Por isso, os mártires nascem com a morte, no fim da vida é que começam a vivê-la; com a sua imolação revivem e brilham agora nos céus os que na terra eram tidos como mortos.


Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo. É o que também cantava o Profeta: Tu não quiseste nem vítima nem oferenda, mas formaste-me um corpo (cf. Sl 39,7; Hb 10,5).

Ó homem, sê tu sacrifício e sacerdote de Deus; não percas aquilo que te foi dado pelo poder do Senhor. Reveste-te com a túnica da santidade, cinge-te com o cíngulo da castidade; seja Cristo o véu de proteção da tua cabeça; que a cruz permaneça em tua fronte como defesa. Grava em teu peito o sinal da divina ciência; eleva continuamente a tua oração como perfume de incenso; empunha a espada do Espírito; faze de teu coração um altar. E assim, com toda confiança, oferece teu corpo como vítima a Deus.

Deus não quer a morte, mas a fé; ele não tem sede do teu sangue, mas do teu sacrifício; não se aplaca com a morte violenta, mas com a vontade generosa.

Alegria

Os discípulos ficaram cheios de alegria… (Jo 20,20)

Queridos irmãos, Cristo Ressuscitou, aleluia!

Alegria!

Sim, essa palavra é muito importante na Páscoa. Alegria porque Jesus ressuscitou! Nosso Senhor venceu a morte, venceu o pecado, deu-nos a salvação, a Vida. Deu-se a si mesmo pois ele é a Vida, ele é a Paz.

Shalom Alehem: Paz a vós! Esse é a alegre saudação de Jesus ressuscitado aos seus discípulos. PAZ! Paz que se traduz imediatamente em imensa alegria.

Essa alegria é uma característica nossa, dos cristãos. Diz um ditado: um santo triste é um triste santo. Na verdade, seria melhor dizer: não é santo! Não que a gente não possa ter momentos de tristeza, isso é mais do que normal, até Jesus teve momentos de grande tristeza e diz o Evangelho que Jesus chorou com a morte do seu amigo Lázaro. Mas eu falo de uma alegria mais profunda, uma alegria que nos deve caracterizar de modo fundamental: nós, cristãos, somos FUNDAMENTALMENTE alegres, felizes. Sim, se essa alegria e felicidade não estiver entranhada em nós, há algo de errado. Se essa alegria não permear toda a nossa vida, nossa convivência com as pessoas, nosso trabalho, nossa oração, enfim, nosso dia-a-dia, temos que questionar fortemente a nossa fé no Ressuscitado!

Às vezes somos tão fixados na luta contra o pecado, na retidão moral, naquilo que “não podemos fazer” porque somos cristãos, que esquecemos que a vida cristão não é algo negativo, um monte de normas do que a gente não pode e outro tanto do que a gente deve. Não é bem assim. A vida em Cristo, a nossa fé não é simplesmente uma moral, mas é alegria e paz, é salvação, é gozo, é vitória, é esperança, é AMOR acima de tudo!

Portanto, nesse tempo de páscoa, convido a cada um a cultivar esse dom inestimável da alegria cristã. Anunciar a alegria da ressurreição, anunciar a misericórdia de Deus através do seu filho Jesus, anunciar que não existe mais condenação para aqueles que amam de verdade o Senhor. Sua vitória foi por nós, é a nossa vitória. Ele derrota o medo dentro de nós, como destruiu o medo no coração dos discípulos trancados em casa. Não tenhamos medo, expulsemos do nosso coração essa erva daninha do inimigo de nossas almas. Não tenhamos medo de não sermos perdoados, de sermos rejeitados, excluídos. Não tenhamos medo de não sermos compreendidos, amados, acalentados. Cristo ressuscitou, por amor, ele venceu. Ele está no meio de nós a nosso favor e jamais contra nós. Ele nos defende e não nos acusa. Ele nos abraça e acolhe e fará de tudo para que sejamos felizes, já nessa vida, mas em função da felicidade infinita do Céu.

Alegria! Cristo Ressuscitou! Aleluia!