Alegria

Os discípulos ficaram cheios de alegria… (Jo 20,20)

Queridos irmãos, Cristo Ressuscitou, aleluia!

Alegria!

Sim, essa palavra é muito importante na Páscoa. Alegria porque Jesus ressuscitou! Nosso Senhor venceu a morte, venceu o pecado, deu-nos a salvação, a Vida. Deu-se a si mesmo pois ele é a Vida, ele é a Paz.

Shalom Alehem: Paz a vós! Esse é a alegre saudação de Jesus ressuscitado aos seus discípulos. PAZ! Paz que se traduz imediatamente em imensa alegria.

Essa alegria é uma característica nossa, dos cristãos. Diz um ditado: um santo triste é um triste santo. Na verdade, seria melhor dizer: não é santo! Não que a gente não possa ter momentos de tristeza, isso é mais do que normal, até Jesus teve momentos de grande tristeza e diz o Evangelho que Jesus chorou com a morte do seu amigo Lázaro. Mas eu falo de uma alegria mais profunda, uma alegria que nos deve caracterizar de modo fundamental: nós, cristãos, somos FUNDAMENTALMENTE alegres, felizes. Sim, se essa alegria e felicidade não estiver entranhada em nós, há algo de errado. Se essa alegria não permear toda a nossa vida, nossa convivência com as pessoas, nosso trabalho, nossa oração, enfim, nosso dia-a-dia, temos que questionar fortemente a nossa fé no Ressuscitado!

Às vezes somos tão fixados na luta contra o pecado, na retidão moral, naquilo que “não podemos fazer” porque somos cristãos, que esquecemos que a vida cristão não é algo negativo, um monte de normas do que a gente não pode e outro tanto do que a gente deve. Não é bem assim. A vida em Cristo, a nossa fé não é simplesmente uma moral, mas é alegria e paz, é salvação, é gozo, é vitória, é esperança, é AMOR acima de tudo!

Portanto, nesse tempo de páscoa, convido a cada um a cultivar esse dom inestimável da alegria cristã. Anunciar a alegria da ressurreição, anunciar a misericórdia de Deus através do seu filho Jesus, anunciar que não existe mais condenação para aqueles que amam de verdade o Senhor. Sua vitória foi por nós, é a nossa vitória. Ele derrota o medo dentro de nós, como destruiu o medo no coração dos discípulos trancados em casa. Não tenhamos medo, expulsemos do nosso coração essa erva daninha do inimigo de nossas almas. Não tenhamos medo de não sermos perdoados, de sermos rejeitados, excluídos. Não tenhamos medo de não sermos compreendidos, amados, acalentados. Cristo ressuscitou, por amor, ele venceu. Ele está no meio de nós a nosso favor e jamais contra nós. Ele nos defende e não nos acusa. Ele nos abraça e acolhe e fará de tudo para que sejamos felizes, já nessa vida, mas em função da felicidade infinita do Céu.

Alegria! Cristo Ressuscitou! Aleluia!

A ALEGRIA DO SENHOR

O ADVENTO É ALEGRIA

Uma coisa que acho muito importante de modo especial nesse tempo é frisar que o advento é um tempo de ALEGRE ESPECTATIVA. É uma preparação cheia de esperança e felicidade. Como diz um hino usado na liturgia das horas desse tempo, é como esperar o carteiro que traz a carta de uma pessoa querida, como esperar a chuva no nosso sertão árido, como uma mãe espera um filho ou um filho espera que o seu pai vá assistir sua partida de futebol.

Dento dessa perspectiva, me preocupo com pregações insistentemente pesadas e massacrantes, no sentido negativo, que mostram o tempo do Advento como um tempo de penitência e conversão. Bom, é óbvio que toda a nossa vida deve ser uma contínua busca de conversão, de santidade, mas não concordo que devemos sempre estar pensando nisso em modo negativo e pesado.

Quando nos preparamos para receber uma pessoa querida, para uma festa, é claro que trabalhamos com afinco, mas isso é um trabalho mais que feliz e animado. Alguém que prepara uma festa não está de cara triste ou cansada, embora dê trabalho.

Acredito que existem momentos especiais na nossa vida no qual temos que lutar com todas as nossas forças, nos penitenciar seriamente, jejuar, renunciar a coisas agradáveis para extirpar  a erva daninha do pecado. De modo especial a Igreja nos apresenta a quaresma como este tempo forte de conversão, renúncia e penitência.

Enfim, que o nosso coração nesse tempo tão lindo e especial da Igreja nos ajude a cultivar essa grande virtude tão facilmente esquecida pelo nosso afã de radicalidade: a alegria do Senhor – ela é a nossa força!