Se você não usa…

If you don’t use it, do you lose it!

Outro dia esta lembrando esse ditado americano (não sei se também inglês). Não precisa ser muito bom para saber o que significa: se você não usa, você perde.

É um ditado muito interessante, pois vale pra tudo: aquela roupa que você tem pena de usar e que depois acaba ficando apertada “novinha” (isso vale mais para as mulheres…); aquele objeto que, de tão pouco ser utilizado, você acaba não sabendo mais onde colocou, ou seja, você perde.

Vale também para os músculos… essa é boa! Mas é verdade. Aliás, o que é a “atrofia” senão a perda por falta de uso?

O nosso organismo também elimina naturalmente aquilo que não ele não utiliza ou não serve mais para o nosso corpo (graças a Deus!).

Mas vale para coisas mais importantes ainda como uma amizade. Se você deixa de falar com aquela pessoa que você gosta, deixa de se encontrar com ela… Quantos relacionamentos acabados por falta de comunicação recíproca! Não é verdade?

O ditado também serve para o atleta, o artista, o técnico, o cientista… se você não exercita, usa a sua capacidade, aos poucos você pode perdê-la. Impossível ser bom, muito bom naquilo que se faz se não se exercita muito frequentemente, seja correr maratonas ou tocar violão.

Na verdade, gostaria de lembrar também uma coisa mais espiritual. Deus nos deu muitos dons. Lembra da parábola dos talentos? Aquele cara que teve medo do patrão e enterrou o seu talento? Pois bem, não nos esqueçamos disso. Deus nos deu o dom da oração, da amizade com ele. O Espírito Santo nos deu os seus carismas, desde os mais simples aos mais extraordinários. A caridade, a oração pessoal, a evangelização, a escuta de Deus, e tantos outros, são carismas que devemos “usar” constantemente sob o risco de perdê-los. É aquela velha história de “estou enferrujado”, não sei mais fazer isso que sabia tão bem antes.

Depois de um tempo afastado da oração, a pessoa sente natural dificuldade em retomar, a não ser que haja uma graça extraordinária. Mas não adianta ficar lamentando o leite derramado (estou cheio de ditados hoje…), mas sim RECOMEÇAR. Diz Santa Teresa: “para o mal de deixar a oração só existe um remédio: recomeçar”.

Se você não usa, você perde!

Vamos reconquistar, com força e coragem, aquilo que, por nossa fraqueza e negligência porventura tenhamos perdido ou estamos perdendo.

Deus abençoe a todos.

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O Dom do Pai em Cristo


O Senhor mandou batizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, quer dizer, professando a fé no Criador, no Filho e no que é chamado Dom de Deus.

Um só é o Criador de todas as coisas. Pois um só é Deus Pai, de quem tudo procede; um só é o Filho Unigênito, nosso Senhor Jesus Cristo, por quem tudo foi feito; e um só é o Espírito, que foi dado a todos nós.

Todas as coisas são ordenadas segundo suas capacidades e méritos: um só é o Poder, do qual tudo procede; um só é o Filho, por quem tudo começa; e um só é o Dom, que é penhor da esperança perfeita. Nada falta a tão grande perfeição. Tudo é perfeitíssimo na Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo: a infinidade no Eterno, o esplendor na Imagem, a atividade no Dom.

Escutemos o que diz a palavra do Senhor sobre a ação do Espírito em nós: Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de compreendê-las agora (Jo 16,12). É bom para vós que eu parta: se eu me for, vos mandarei o Defensor (cf. Jo 16,7).

Em outro lugar: Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade (Jo 14,16-17). Ele vos conduzirá à plena verdade. Pois ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. Ele me glorificará porque receberá do que é meu (Jo 16,13-14).

Estas palavras, entre muitas outras, foram ditas para nos dar a conhecer a vontade daquele que confere o Dom e a natureza e a perfeição do mesmo Dom. Por conseguinte, já que a nossa fraqueza não nos permite compreender nem o Pai nem o Filho, o Dom que é o Espírito Santo estabelece um certo contato entre nós e Deus, para iluminar a nossa fé nas dificuldades relativas à encarnação de Deus.

Assim, o Espírito Santo é recebido para nos tornar capazes de compreender. Como o corpo natural do homem permaneceria inativo se lhe faltassem os estímulos necessários para as suas funções – os olhos, se não há luz ou não é dia, nada podem fazer; os ouvidos, caso não haja vozes ou sons, não cumprem seu ofício; o olfato, se não sente nenhum odor, para nada serve; não porque percam a sua capacidade natural por falta de estímulo para agir – assim é a alma humana: se não recebe pela fé o Dom que é o Espírito, tem certamente uma natureza capaz de conhecer a Deus, mas falta-lhe a luz para chegar a esse conhecimento.

Este Dom de Cristo está inteiramente à disposição de todos e encontra-se em toda parte; mas é dado na medida do desejo e dos méritos de cada um. Ele está conosco até o fim do mundo; ele é o consolador no tempo da nossa espera; ele, pela atividade dos seus dons, é o penhor da nossa esperança futura; ele é a luz do nosso espírito; ele é o esplendor das nossas almas.

Do Tratado Sobre a Trindade, de Santo Hilário, bispo

(Lib. 2,1.33.35: PL 10,50-51.73-75)

(Séc. IV)