Exaltação da Santa Cruz

Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo (Séc. VIII)

A glória e a exaltação de Cristo é a cruz

Celebramos a festa da cruz; por ela as trevas são repelidas e volta a luz. Celebramos a festa da cruz e junto com o Crucificado somos levados para o alto para que, abandonando a terra com o pecado, obtenhamos os céus. A posse da cruz é tão grande e de tão imenso valor que seu possuidor possui um tesouro. Chamo com razão tesouro aquilo que há de mais belo entre todos os bens pelo conteúdo e pela fama. Nele, por ele e para ele reside toda a nossa salvação, e é restituída ao seu estado original.

Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido rasgado o documento do pecado, não teríamos sido declarados livres, não teríamos provado da árvore da vida, não se teria aberto o paraíso. Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno.

É, portanto, grande e preciosa a cruz. Grande sim, porque por ela grandes bens se tornaram realidade; e tanto maiores quanto, pelos milagres e sofrimentos de Cristo, mais excelentes quinhões serão distribuídos. Preciosa também porque a cruz é paixão e vitória de Deus: paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão; e vitória porque o diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim, arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou a comum salvação de todo o mundo.

É chamada ainda de glória de Cristo, e dita a exaltação de Cristo. Vemo-la como o cálice desejável e o termo dos sofrimentos que Cristo suportou por nós. Que a cruz seja a glória de Cristo, escuta-o a dizer: Agora, o Filho do homem é glorificado e nele Deus é glorificado e logo o glorificará (Jo 13,31-32). E de novo: Glorifica-me tu, Pai, com a glória que tinha junto de ti antes que o mundo existisse (Jo 17,5). E repete: Pai, glorifica teu nome. Desceu então do céu uma voz: Glorifiquei-o e tornarei a glorificar (Jo 12,28), indicando aquela glória que então alcançou na cruz.

Que ainda a cruz seja a exaltação de Cristo, escuta o que ele próprio diz: Quando eu for exaltado, atrairei então todos a mim (cf. Jo 12,32). Bem vês que a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.

ESTADO LAICO?

Esse comentário de um amigo meu (Átila Martins) ao post sobre a retirada dos crucifixos dos locais públicos está tão bom, que vale a pena colocar como post.

Confira:


Bem, supondo que eu seja ateu e concorde com a retirada de símbolos religiosos dos prédios públicos. Algumas coisas teriam que ser revistas:

1. Retirar a estátua da deusa Thêmis (da mitologia grega) da frente do STF. Afinal de contas é um símbolo religioso não é? Alguns podem dizer: Aaah não! Nesse caso, é um símbolo da justiça, que é cega e tem uma balança para medir bem as coisas. A cruz, o crucifixo, de um ponto de vista ateu até, também são símbolos de sacrifício, de justiça, de entrega. Não creio que a presença de um crucifixo induza ninguém ao catolicismo somente pelo fato de estar ali. Não violenta ninguém.

2. Qual calendário utilizar meu Deus? (Ah, meu Deus, não, esqueci que estou supondo que sou ateu). Estamos em 2009 depois de Cristo. O calendário judaico é religioso, não pode. Será que o calendário Juliano é apropriado? Não, ele informava as festas religiosas do Império Romano. O calendário persa surgiu a partir do calendário zoroastriano (religioso!). Não sei.

3. Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Ainda que se permita a continuação da estátua lá, não deveria mais se chamar Redentor. Tem que mudar o nome porque pode ofender outros segmentos religiosos. Tem os que não acreditam na necessidade de redenção e tem os que acreditam em outros caminhos de redenção.

4. Deve-se proibir festas de Halloween nas escolas públicas. O Halloween é um misto de festa celta pagã (muito celebrado entre os praticantes da Wicca – Samhain) e festa católica (Vigília de Todos os Santos – All Hallowed Eve).

5, Alguns municípios têm nomes de santos católicos ou nomes que exaltam a cultura religiosa. Que ofensa ao dito Estado Laico! Aqui no Ceará: São Benedito, São Gonçalo do Amarante, Cruz, Bela Cruz, Milagres, Missão Velha, Pentecoste, Santa Quitéria, Santana do Acaraú, Santana do Cariri, São João do Jaguaribe, São Luis do Curu e… Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Sugiro trocar o nome da capital para Lúcifer (calma: o nome significa “portador de luz”, aqui não é a terra da luz?).

6. Retirar os santos e santas que ficam na entrada das cidades. Aproveitar e retirar também os símbolos maçônicos, as estátuas de esquerdistas (o comunismo também é uma religião) e de direitistas (o capitalismo também). Eu digo como São João Bosco: “em matéria de política não sou de ninguém”. Ah, desculpem-me, sou ateu hehehe.

7. Reformular a Economia. Afinal de contas ela nasceu entre os professores (leigos e sacerdotes) da Universidade de Salamanca (católica), na Espanha. Reformular a Astronomia (o Vaticano é um dos maiores financiadores de estudos astronômicos do mundo).

8. Acabar com Missas na Televisão. Todos os canais televisivos são concessão pública (no rádio também). Podia aproveitar e acabar os programas protestantes. Nas novelas nada de insinuações da igreja universal (Record), nem do espiritismo (Globo), nem de qualquer coisa que tenha raiz religiosa. Aliás, a população deve esquecer que existe Religião, afinal ela pertence ao âmbito privado, não é verdade?

Ufa! Concluindo… estado laico não é estado ateu. O ateísmo é também uma religião porque se posiciona sobre a existência ou não de Deus e sobre a conduta moral do ser humano em relação a essa existência ou não-existência. A imposição do ateísmo é inconstitucional porque privilegia uma corrente religiosa (ateísmo) em detrimento das demais. Além disso, pra existir respeito, tem que existir convivência. É a convivência entre as mais variadas religiões e os que não professam nenhuma fé, que o respeito à identidade de cada um pode existir. Também não é uniformizar os credos, mas este é outro assunto.