Justo e Misericordioso

Olá Pessoal,

Faz um tempinho que não escrevo aqui e essa semana resolvi retornar, o que vocês acham?

Queria brevemente fazer um comentário sobre esses atributos divinos. Hoje fiquei tocado pelas palavras de Jesus no Evangelho e me pus a refletir sobre a justiça e misericórdia do Senhor. A justiça e a misericórdia andam juntas, lado a lado, de modo perfeito, como tudo em Deus. Não podemos pender nem para um lado nem para um outro, apesar de sabermos que “a misericórdia triunfa sobre o juízo”, entretanto, ela não é injusta.

Isso acende em nós a virtude do Santo Temor de Deus. Apaga o fogo da presunção orgulhosa. Não são nossos títulos, cargos, engajamentos que vão nos salvar. Não é porque pregamos ao povo, porque “comemos com ele” (fazemos comunhão na Missa) que automaticamente, simplesmente por essas práticas, seremos salvos.

Devemos nos esforçar por entrar “pela porta estreita” dos mandamentos. Devemos por em prática aquilo que acreditamos, como diz Jesus no Evangelho de hoje, devemos “praticar a justiça”.

Mas, o que é a JUSTIÇA? Certamente não devemos confundi-la ou reduzi-la com a “justiça social” tão apregoada. A justiça é dar a cada um o que lhe compete segundo os seus méritos. Portanto, o que é justo para mim não o será para um outro que não tem as obrigações, deveres e graças que eu possuo.

Enfim, não vou me delongar, só queria deixar essa breve reflexão. Ninguém estará excluído do Reino dos Céus se se esforçar por “entrar pela porta estreita”. Ao mesmo tempo, ninguém terá a garantia de que o Senhor lhe abrirá a porta apenas por títulos, cargos, ou práticas externas que não têm reflexo na vida pessoal, no amor a Deus acima de todas as coisas e no amor ao próximo como a si mesmo. Continuar lendo

E daí se sou Católico?

Sou Católico, amo o Papa, qualquer um que seja, atualmente, amo o Papa Bento XVI. Amo a Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa.

Sou Católico, acredito, aceito e abraço os dogmas de fé. Creio na Eucaristia, o Corpo e o Sangue de Cristo dado a nós em comunhão. Creio nos Sacramentos, no perdão dos pecados dados pelo sacerdote através da absolvição, na indissolubilidade do matrimônio cristão realizado validamente; creio na salvação dada no batismo e no céu, na vida eterna dada para quem viveu na fé em Jesus, nosso Deus. Sim, Deus, porque Jesus Cristo, o Filho único de Maria, é Deus, o mesmo Deus onipotente que com o Pai e o Espírito Santo criou o Universo! Sim, teria mil e um motivos para justificar a minha fé, baseado em palavras das Escrituras, na Tradição, em conceitos teológicos difundidos e aprofundados nos 2000 anos de existência da Igreja que Jesus deixou sobre a rocha, PEDRO, prometendo que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela, o que acontece até hoje. Sim, teria muitos argumentos, mas não vou justificar nada aqui. Não preciso, não quero.

Sou Católico, tenho imagens em casa e nas igrejas em que trabalho e freqüento. Poderia simplesmente dizer que não adoro imagens, que isso é ridículo e que a proibição que fala a Bíblia é contra a adoração de imagens de deuses, o que nem de longe é o nosso caso. Poderia fazer aqui páginas de defesa contra os iconoclastas… mas, não vou fazer. Rezo a Ave Maria, muitas vezes, e sei muitas orações decoradas. Uso um livro sagrado que se chama Bíblia e que foi definido sagrado por nossos pastores, os Bispos dos primeiros séculos, que foi dividida em capítulos e versículos por um dos nossos monges na Idade Média… e por aí vai.

Por falar nisso, bispos de verdade, só nós temos, porque só eles são os legítimos sucessores dos Apóstolos, como o Papa é o legítimo sucessor de Pedro. Aliás, infalível quando propõe uma matéria de fé ou moral para ser crida e vivida como verdade por todos os fiéis. Essa infalibilidade é um dogma, e eu acredito piamente. A nossa hierarquia é composta por Bispos, padres e diáconos e somente os homens podem fazer parte dela, como foi desde a escolha de Cristo no início da Igreja e será a até o fim do mundo.

Como sacerdote Católico, vivo com alegria o celibato por amor ao Reino de Deus, doação total de vida, antecipação na Terra do estado definitivo de todos os remidos no Céu. Acredito e defendo a CASTIDADE como valor fundamental para todos, crianças, jovens, adultos, casados ou não. A castidade nos faz verdadeiramente felizes!

Ah, uma outra coisa muito importante: sou Católico, Apostólico, Romano, pois a sede da Igreja está em Roma onde morreu mártir o nosso primeiro Papa, São Pedro. E, como Católico, fiel ao Evangelho, sou contra o aborto, eutanásia e casamento homossexual! Para mim, são três aberrações escandalosas, fruto terrível do pecado que grassa no coração dos homens e da sociedade. Sou contra a manipulação da vida: bebê de proveta, inseminação artificial, modificação genética, manipulação de embriões humanos, congelamento de óvulos e coisas macabramente semelhantes. Como Católico, acredito nos 10 mandamentos da Lei de Deus, imutável, e que devemos fazer o bem e evitar o mal, como manda a nossa consciência retamente orientada.

Como Católico, acredito também nos santos, nossos irmãos que nos precederam no Céu e que intercedem por nós aqui na terra. Acredito em milagres e nas aparições da Virgem Maria mandada por Deus para nos alertar do perigo do nosso pecado e nos dar mensagens de esperança.

Acredito que a Virgem Mãe de Deus, Maria Santíssima, foi assunta ao Céu em corpo e alma, por privilégio especial, antecipando a gloriosa ressurreição dos mortos que acontecerá nos último dia, quando Jesus voltar para julgar os vivos e os mortos! Que dia glorioso será! Mas ninguém sabe quando, só Deus.

E daí? Essa é minha fé, a nossa fé Católica. Ninguém é obrigado a segui-la, a acreditar. Mas ninguém tem o direito de nos impedir de crer. Nenhuma sociedade, governo ou instituição tem o direito de nos obrigar a aceitar os seus valores se forem contrários à nossa fé Católica. Ninguém também tem o direito de pretender ser Católico e não crer, não viver tudo isso que falei acima e as outras coisas que não falei, mas que fazem parte da nossa fé. Ou se é Católico ou não se é, não existe meio termo.

Somos Católicos e nos orgulhamos disso. Não temos que nos esconder, nos desculpar para a sociedade, ter medo das críticas ou das pedradas. Nos 2000 anos de nossa história, críticas foi o de menos… já fomos queimados vivos, decapitados, crucificados até de cabeça pra baixo. Nossos irmãos já foram enforcados, esquartejados, flechados, cuspidos, torturados com requintes de crueldade. Já tiveram seus membros arrancados, já foram escalpelados vivos (arrancado a pele, pra quem não sabe…). Igrejas destruídas, sacramentos profanados… e a lista poderia ser quase interminável. No passado e no presente. A única perseguição, ameaça que realmente nos faz tremer, é quando a fumaça de satanás entra na própria Igreja através do pecado, da frieza da fé, da indiferença, do relativismo, da imoralidade. Isso acontece também porque somos pecadores. Mas nada disso, absolutamente nada, em todos esses séculos nos fez ou nos fará retroceder ou ceder, jamais. Muito pelo contrário, a nossa fé se fortalece com as perseguições, e é justamente nesses momentos de crise que abundam o testemunho dos santos e santa de todas as classes, raças, idades… Graças a Deus!

Bom, uma última coisinha: é muito bom ser Católico, é muito bom pertencer à Igreja fundada por Jesus Cristo, com todos os seus dogmas e tradições; com sua liturgia, com sua riqueza incomparável. Se você, como eu, é Católico, se orgulhe disso! Se você não é e quiser nos conhecer, será sempre bem-vindo, mas não será obrigado a sê-lo, como nós não deixaremos de professar a nossa fé por nada nesse mundo, pois ela é a nossa felicidade e salvação eterna.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, e sua Mãe Maria Santíssima!

O verdadeiro Pai

Este dia é especial para muitos, talvez triste para alguns, indiferente para outros… cada um tem sua experiência com a paternidade. Às vezes maravilhosa, às vezes nem tanto.

Mas de onde vem esse dom, esse nome tão sublime de PAI? Vem daquele que é PAI por excelência, de quem, quer saibamos ou não, quer creiamos ou não, emana toda paternidade: Deus.

Se quiséssemos elencar as características de um pai, diríamos que o pai é o que cuida, o que protege, o que ajuda, apóia; é aquele que dá segurança, que tira o medo. Que nos sua força nos faz firmes, que nos educa para a vida. É aquele que dá a vida continuamente, até o fim. É aquele em quem podemos confiar e, quando parecer que o mundo inteiro nos rejeita, ele nos acolherá, quanto tudo parecer desabar, jamais estaremos desamparados. É o carinho, o afeto, o amor que nunca, jamais falhará, mesmo diante das mais graves de nossas imperfeições, defeitos, pois ele nos conhece e não se espanta conosco.

Sim, só Deus merece toda a dignidade desse título. Só Deus é PAI em toda a plenitude. Aos homens, imagem e semelhança divina, Ele concede essa honra de ser chamados também de pai.

Pai é todo aquele que participa do ato criador de Deus de gerar, dar a vida. Nesse sentido, não poderíamos de forma alguma separar o pai da mãe, pois Deus é imagem dos dois, e ambos são co-responsáveis na geração da vida. Mas queremos hoje lembrar o dom particular da PATERNIDADE. Esse dom que pertence aos homens.

Os pais são sacramento da paternidade divina. Sinais que devem transparecer e participar dessa glória que pertence ao próprio Deus. Porém, quanta imperfeição… quantas vezes essa imagem de Deus é negada, distorcida, vilipendiada, justamente naqueles que deveriam transmiti-la com toda força. Quantas crianças não reconhecem a paternidade amorosa de Deus justamente por nunca terem contemplado, nem que fosse um mero vislumbre, uma faísca na escuridão, do brilho dessa paternidade no rosto dos seus pais.

Mas não estamos aqui para acusar os pais no seu próprio dia. Não estou aqui para fazer o papel do Kafka. Gostaria somente de lembrar, por mais ferido que alguém tenha sido, por mais que lhe tenha sido negada a verdadeira imagem da paternidade na pessoa do seu pai natural, que se pode e se deve, sim, experimentar esse AMOR olhando para o PAI.

Nele, encontramos todo afeto, amor, carinho, compreensão. Nele a segurança, o apoio, a força. Ele não nos abandona, não nos rejeita, mas nos assume como filhos. Ele nos educa e nos leva a crescer com a força e a doçura do seu braço. Ele nos tira o medo, e nos faz compreender que não estamos sozinhos, que ninguém vai nos atacar, nos roubar, nos destruir por completo, pois ele está ao nosso lado à nosso favor.

Nele, nós encontramos o verdadeiro rosto do PAI. Nele aprendemos a ser pai. Nós como filhos, devemos olhar para os nossos pais e ver esse maravilhoso dom escondido. Não podemos exigir deles mais do que eles podem ou puderam nos dar. Eles são imperfeitos, como nós o somos. Nós temos sede do perfeito, temos ânsia por aquilo que sacia plenamente as nossas expectativas e só em Deus encontramos aquilo que buscamos.

Aos pais que geraram pelo sangue ou que geraram e geram pelo espírito – os pais espirituais, dentre eles, nós padres – apelo para que contemplemos a nossa fonte, o nosso modelo, aquele Único que merece essa dignidade infinita de ouvir alguém nesse mundo pronunciar dirigida a nós essa palavra divina: PAI.

Filhos, perdoem-nos a nossa fraqueza… ajudem-nos a sermos menos indignos desse nome.

Pais, parabéns! Vocês não são perfeitos… mas nós te amamos.