Próximo ano será o terceiro?

Pessoal, sei que estou super em falta com vocês. Faz tempo demais que não posto aqui um texto meu. Quero me redimir colocando em primeira mão um pequeno artigo de minha autoria que será publicado na revista Shalom (depois de muita insistência dos editores para eu escrever… só pego no tranco!)…

 

Ano novo, vida nova – é o que todos pensam. Um tempo para se jogar fora papeis velhos, dar aquela arrumada no quarto, pensar no que a gente pode fazer de bom nas férias e esperar que o ano que inicia seja ainda melhor do que o que acaba. Enfim, é um tempo muito bom, tempo de esperança e renovação.

Para alguns, o ano novo começa cheio de empolgação pelo que virá: um novo emprego, uma nova casa, um novo namoro, uma nova escola, ou, quem sabe, aquele presente que você sonhou o ano todo chegou enfim.

Mas existe uma turma que começa o ano, por incrível que pareça, pensando nos estudos. Pensando em tudo o que devem estudar, nos livros, nos professores, nos horários da escola… é famosa galera do TERCEIRO ANO. Um tempo muito especial, de decisão, de mais maturidade, de responsabilidade porque, afinal, você deve já decidir qual curso universitário deseja ingressar e daí decorrem todos os sonhos e planos para um futuro que não parece mais tão longínquo quanto era quando se estava no início da adolescência. Agora, é pra valer, é tudo ou nada. Tem a pressão da sociedade, muitas vezes a pressão da família, dos amigos e a própria pressão interior que gritam em uníssono: você tem que estudar muito esse ano!

Tudo bem, isso é verdade. Tirando a parte da pressão exagerada, é claro que isso deve acontecer mesmo: o terceiro ano deve ser um tempo especial para os estudos. E digo mais: é a vontade de Deus que você estude! Muitos jovens dividem erroneamente sua vida cristã assim: quando eu estou rezando, no grupo de oração, na missa, nos retiros, na devoção à Maria Santíssima eu estou próximo de Deus, estou com Deus, fazendo a vontade de Deus. Quando eu estou namorando, curtindo uma praia, tomando um sorvete com os amigos, jogando videogame etc., eu estou fazendo a minha vontade, o que eu gosto, como se Deus não se alegrasse quando estamos felizes ou como se “estar com Deus” fosse resumido somente nos momentos “espirituais”. Não! Não é assim. Estamos SEMPRE com Deus, 24h por dia. Ele deseja estar conosco sempre e participar de 100% da nossa vida porque ele nos ama e, tudo o que fazemos, repito, tudo, deve fazer parte da vontade de Deus para a nossa vida, inclusive ESTUDAR!

Aí é que mora o perigo, digo mais forte ainda, a tentação, e queria que você, meu querido jovem, prestasse bem atenção: o “terceiro ano” do ensino médio, o pré-vestibular, não é o tempo de abandonar a Deus para estudar! Muitíssimo pelo contrário: é o tempo de se estar mais próximo de Deus para fazer sua vontade que é, também, estudar.

Tenho a opinião que o jovem convertido, apaixonado por Jesus, tem uma grande vantagem com relação aos outros concorrentes: sua fé. Não que Deus vá lhe dar uma “mãozinha extra” na hora da prova, nada disso, mas raciocine comigo: o que um jovem do mundo faz aos 17 anos? Que preocupações e que coisas preenchem seu tempo e seu coração? Infelizmente, muitas vezes o que os preenche são farras, bebedeiras, ficas, decepções no amor, vícios e a lista poderia continuar longamente. Será que isso contribui para um bom desempenho nos estudos? Será que um coração agitado, um corpo com ressaca, uma mente ocupada com vícios e desejos desenfreados pelo prazer, está realmente predisposta a estudar e aprender?

Sim, meus queridos jovens, a sua fé e seu amor a Deus é uma forte ponto positivo na concorrência. Sua motivação para estudar é muito mais nobre: você estuda por amor a Deus! Você quer passar no vestibular e ser um bom profissional para dar testemunho do evangelho!

Agora vem um ponto prático, muito importante e delicado: como você pode estudar por amor a Deus se… você não faz a vontade de Deus nas outras áreas da sua vida? Como você pode dizer que ama a Deus e quer fazer a sua vontade se, no pré-vestibular, você simplesmente abandona a oração, o grupo de jovens, o seu engajamento, deixa de ir à missa, deixa de confessar os seus pecados?! O pior é que, muitos usam como argumento o fato que não têm mais tanto tempo, mas, essa é a verdade, nos horários que deveriam estar dedicados à oração estão empenhados não nos estudos, mas nas comunidades sociais da internet, nas baladas, nas brincadeiras, nos encontros nem sempre lícitos. Muitos jovens diminuem o tempo da oração, ou mesmo abandonam completamente seu engajamento na Igreja por causa do vestibular, mas não são capazes de renunciar ao tempo que passam na internet digitando e vendo bobagens, só para citar um exemplo.

Meu querido, minha querida jovem: Deus quer que você estude porque Deus quer que você seja santo. Um jovem santo é responsável, faz tudo por amor a Deus e cada coisa encontra o seu devido tempo na sua vida. Não podemos simplesmente abandonar a oração e engajamento no “terceiro ano” para estudar, pois isso não lhe fará mais santo, não lhe dará impulso nos estudos e não lhe fará feliz.

Que a paz que vem do Pai, encontrada no mergulho da oração, bebida na fonte divina do Sacramento da Eucaristia e da Confissão, seja o grande impulso que o leve a estudar por amor a Deus e assim fazer a sua Santíssima Vontade!

Deus te abençoe.

 

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Você conseguiu?

Para qual lado o ônibus abaixo está indo?

Para a esquerda ou para a direita?












Não consegue descobrir?

Olhe para a foto atentamente de novo. 


Ainda não sabe?

Essa pergunta foi feita a crianças
de pré-escolas
com essa mesma foto




 
90% delas deram esta respota:


"Ônibus está indo para a esquerda." 


Quando perguntadas

"Porque você acha que o ônibus está indo para a esquerda?" 

Elas responderam: 

“Porque você não pode ver a porta pra entrar no ônibus.”
Como você se sente agora???

Eu sei, eu também.

AGORA SEJA SINCERO, VOCÊ ACERTOU???

NÃO SE ENVERGONHE, RESPONDA!!!!
UM ÓTIMO FINAL DE SEMANA….

Cultura

Há alguns meses, talvez anos, observo reportagens e crônicas sobre um problema tão antigo quando o Brasil: o baixo nível da educação no nosso país.

É triste sermos comparados com outros países e encontrarmo-nos nos últimos lugares. Outro dia, vi uma coluna em uma importante revista em que o autor colocava um dado alarmante: somente cerca de 30% da população brasileira é verdadeiramente alfabetizada, simplesmente porque somente essa porcentagem tão baixa seria capaz de entender que o seu texto dizia isso. Bom, fico já conformado com os pouquíssimos leitores desse meu artigo.

Parece-me uma piada descabida quando nos jornais, na imprensa, inclusive internacional, aponta-se o Brasil como já entre as grandes nações. Qualquer brasileiro que teve a sorte de visitar o chamado “primeiro mundo”, mesmo com uma visão bem limitada como a minha, sabe o quão correta é a analogia hiperbólica da distância “anos-luz” que se pode aplicar aqui.

Não refiro-me a saber matemática aplicada, ou as inovações tecnológicas da mecatrônica (pra falar a verdade, nem eu mesmo sei o que é isso…). Refiro-me ao básico mesmo, ao simples compreender, como dizia o autor da coluna citada, esse texto.

Talvez você, como eu, algum tempo atrás pensasse que isso fosse um grande exagero, porque, afinal, todos os seus colegas, amigos, parentes, saberiam ler e interpretar um texto simples. Bom, em primeiro lugar: você tem certeza disso? Sua mãe, seu avô, seus tios, saberiam todos ler e interpretar esse texto tão simples? Talvez sim. Mas, e sua empregada? Ah, você tem empregada? Uma senhora ou uma jovem que ganha para lhe servir? Ganha quanto mesmo?

Ok. Entendi. Ela não… estudou para ganhar mais, não foi? Que bom! Senão, quem iria lavar sua roupa?

Mas voltemos ao assunto, porque estamos falando aqui de educação, e não da ausência dela. Seria a mesma coisa? Melhor dizendo, não ter educação igual para todos não seria simplesmente uma forma de dizer que a educação é péssima? Que perpetuamos a abissal divisão de classes, que continuamos a ter uma minoria favorecida (que sabe ler esse texto) e uma maioria desfavorecida (que não tem sequer acesso a um computador com internet para ler esse texto).

Mas o governo tem dado uma boa ajuda para acabar com essas divisões. É simples: vamos dar cotas de participação para as classes desfavorecidas: negros, índios, pobres… Pronto, eles têm agora vaga garantida nas universidades. Até mesmo se for membro do MST vale, o importante é ter a carteirinha. Então está resolvido o problema: ao lado dos riquinhos, filhinhos de papai que estudaram em escolas caríssimas, contribuindo forçosamente para a máfia da educação, para os bem pagos “passadores” da loteria do vestibular (mas vamos esquecer disso, entra em jogo agora o ENEM, que como dizem os jovens meus amigos, significa: Eu Nem Estudo Mais) – ao lado desses, estão os pobres desfavorecidos da sociedade brasileira, com igual condições de cursar porque entraram na “cota”. Meu Deus, só apelando mesmo! Que humilhação! Que igualdade é essa? Que justiça é essa? Esses brasileiros, tão dignos quanto quaisquer outros, deveriam sim, entrar nas melhores faculdades, mas porque sabem tanto quanto os estudantes das caras escolas particulares, porque tiveram oportunidade de estudar e serem bem formados desde a infância nas escolas públicas… olhem o verbo do início… o modo… deveriam!

Mas deixa de papo sério, não combina comigo. Vou falar de um SMS, muito mais jovem e mais legal. Outro dia recebi um SMS com um texto que não vou escrever aqui, mas digo que foi de alguém que já cursou todo o ensino médio e, TEORICAMENTE, estaria apto a prestar exame vestibular. Dentre outras aberrações, no pequeno texto vinha escrita a palavra “bruza”. Você sabe o que é isso? Fora de contexto fica difícil, não é? Mas, a bruza é a tradução da realidade da nossa educação, é o sinônimo da desigualdade, é a tristeza de um país que se propaga às portas do primeiro mundo, como Alice.

Enquanto isso, eu mergulho nos meus livros. Tantos… Sou mais viciado em comprá-los do que em lê-los, mas ao menos leio alguns e os funcionários das grandes livrarias de nossa cidade de Fortaleza de tanto me verem toda semana já devem ter decorado minha cara. Sim, entre os livros se encontra a cultura, que, afinal, é o nome de uma importante livraria de abrangência nacional que abriu recentemente uma filial na nossa capital cearense, na zona mais nobre, no bairro mais rico da cidade, claro. Quando fiz minha primeira gloriosa compra nessa livraria, acho que um livro sobre mitologia grega (que ainda não li) ouvi do funcionário que me atendeu, ao entregar-me a nota fiscal, a seguinte frase em alto e bom tom: “seje bem-vindo à Cultura!”

Pérolas do ENEM 2009

O tema da redação do Enem 2009 foi Aquecimento Global, e como acontece todo ano, não faltaram preciosidades. Lá vão:

1) “o problema da amazônia tem uma percussão mundial. Várias Ongs já se estalaram na floresta.” (percussão e estalos. Vai ficar animado o negócio)

2) “A amazônia é explorada de forma piedosa.” (boa)

3) “Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar planeta.” (tamo junto nessa, companheiro. Mais juntos, impossível)

4) “A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu.” (e na velocidade 5!)

5) “Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta.” (pra deixar bem claro o tamanho da destruição)

6) “O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação.” (pleonasmo é a lei)

7) “Espero que o desmatamento seja instinto.” (selvagem)

8 ) “A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo.” (o verdadeiro milagre da vida)

9) “A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta.” (também fiquei emocionado com essa)

10) “Tem empresas que contribui para a realização de árvores renováveis.” (todo mundo na vida tem que ter um filho, escrever um livro, e realizar uma árvore renovável)

11) “Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das queimadas.” (esqueceu que também ficam sem o home theater e os dvd’s da coleção do Chaves)

12) “Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna.” (amém)

13) “Os desmatadores cortam árvores naturais da natureza.” (e as renováveis?)

14) “A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica.” (deve ser culpa da morte ecológica)

15) “A amazônia tem valor ambiental ilastimável.” (ignorem, por favor)

16) “Explorar sem atingir árvores sedentárias.” (peguem só as que estiverem fazendo caminhadas e flexões)

17) “Os estrangeiros já demonstraram diversas fezes enteresse pela amazônia.” (o quê?)

18) “Paremos e reflitemos.” (beleza)

19) “A floresta amazônica não pode ser destruída por pessoas não autorizadas.” (onde está o Guarda Belo nessas horas?)

20) “Retirada claudestina de árvores.” (&%@$#)

21) “Temos que criar leis legais contra isso.” (bacana)

22) “A camada de ozonel.” (Chris O’Zonnell?)

23) “a amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso de humor.” (a solução é colocar lá o pessoal da Zorra Total pra cortar árvores)

24) “A cada hora, muitas árvores são derrubadas por mãos poluídas sem coração.” (para fabricar o papel que ele fica escrevend asneiras)

25) “A amazônia está sofrendo um grande, enorme e profundíssimo desmatamento devastador, intenso e imperdoável.” (campeão da categoria “maior enchedor de lingüiça”)

26) “Vamos gritar não à devastação e sim à reflorestação.” (NÃO!)

27) “Uma vez que se paga uma punição xis, se ganha depois vários xises.” (gênio da matemática)

28) “A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos governantes.” (red bull neles – dizem as árvores)

29) “O povo amazônico está sendo usado como bote expiatório” (ótima)

30) “O aumento da temperatura na terra está cada vez mais aumentando.” (subindo!)

31) “Na floresta amazônica tem muitos animais: passarinhos, leões, ursos, etc.” (deve ser a globalização)

32) “Convivemos com a merchendagem e a politicagem.” (gzus)

33) “Na cama dos deputados foram votadas muitas leis.” (imaginem as que foram votadas no banheiro deles)

34) “Os dismatamentos é a fonte de inlegalidade e distruição da froresta amazonia.” (oh god)

35) “O que vamos deixar para nossos antecedentes?” (dicionários)

Homo sapiens sapiens (primeira parte)

Muitas vezes nos perguntamos o porquê do estudo. Para muitos é a coisa mais chata que existe, no entanto, desde que se entendem por gente estão nessa “coisa chata”. Imaginam o dia da formatura como o dia da libertação da escravatura.

Ou então, pensam nas férias como a grande oportunidade de serem felizes durante o ano porque, afinal de contas, quase todo o ano é feito de penosa fadiga. Mas se diminuirmos ainda mais o ângulo da visão, vemos pessoas que anseiam desde segunda-feira que se chegue a sexta e, o pior, sofrem desde sexta porque vai chegar a segunda. Ou então, olhando bem de pertinho, o dia é dividido entre a parte legal, no caso a tarde e a noite pra quem estuda pela manhã, e a parte chata, a manhã ou vice-versa pra quem estuda à tarde.

Mas ainda se pode haver uma subdivisão muito interessante: ir à escola é muito legal, eu vejo os meus amigos, as pessoas que eu gosto, paquero, namoro, jogo conversa fora, jogo bola, faço um monte de coisa legal. Só não é melhor porque tem aquela parte chata: a aula!

Bom, com certeza muitos jovens se encontram em quase tudo o que eu escrevi acima. Talvez não todos ou não tão exagerado assim, mas o drama é quase geral.

Logo de cara gostaria de dizer que a pergunta à qual me referi no inicio é muito justa, alias, justíssima.

Sem uma motivação suficiente o homem não é capaz de agir.

Isso mesmo, somos movidos por motivações. Desde as ações mais primitivas às mais sublimes. Nesse sentido perguntar pra que estudar é uma busca de motivação. Não tem coisa mais chata que fazer uma coisa sem querer e sem para quê. Muitas vezes a motivação não é nem física nem psicológica, por exemplo (considerando que eu estou escrevendo para um jovem do Shalom): você acha sempre super legal rezar? Se sim, me diz o segredo pelo amor de Deus!!! Mas se não (parabéns, você é normal!) por que devo rezar sempre? Porque a motivação não se encontra no meu organismo físico nem nos meus movimentos psicológicos, mas sim em outra coisa que vai além, mais forte do que isso: a incrível força impulsionadora do amor, mas isso é um outro assunto…

Voltando à motivação, o que pode-se dizer é que ela é mais que fundamental, é essencial para se estudar bem.

A principal motivação, a que considero mais importante de todas é: aprender. Isso mesmo, se estuda para aprender. Essa talvez seja a redundância mais pleonástica (sic![1]) que se possa dizer a respeito do estudo, mas precisa ser dita. Eu estudo porque tenho curiosidade de saber, de aprender. O conhecimento por si mesmo é já um valor imenso. Nos dignifica, nos faz crescer. É como descobrir o mundo, explorar a natureza, desvendar os mistérios da criação de Deus. Se vemos por esse lado, biologia, química, física, matemática, geografia etc., não é outra coisa que mergulhar na maravilhosa criação de Deus. Literatura, arte, poesia, psicologia etc., é mergulhar na incrível capacidade que Deus colocou no homem de abstrair, de criar, de apaixonar-se pela beleza e pela bondade das coisas, de descobrir a si mesmo, coisa que um gato não pode fazer, coloque-o diante de um espelho e veja o que ele faz. Mas o homem não, ele se reconhece e conhece o mundo exterior como diferente de si mesmo. [2] Quanta maravilha podemos encontrar. Aprender para nós poderia se tornar em um bom vício, que em outras palavras é virtude.

Muitos poderiam me responder assim: lindo, muito legal, eu gosto muito de aprender, mas meu problema é que eu não gosto de estudar!

Bom, aqui existe outro problema: não sabemos estudar, estudamos sem método. Estudar com método significa descobrir o prazer de estudar.[3] O método é a estrada para se atingir a meta. Se a estrada é boa, limpa, eu chego logo e bem, se não, eu não chego bem, chego tarde ou até nem chego. Não serve estudar uma “montanha” se não estudo com método. Você pode chegar de Fortaleza a São Paulo (muito distante!) passando por Manaus a pé ou pegando um avião sem escalas. Você quem sabe. A distancia é a mesma (entre Fortaleza e São Paulo).

Estudar com método significa que eu me dou as regras do jogo. Não são as circunstâncias que determinam a minha capacidade mas sou eu que domino a parada, se liga?

Previsão

A primeira coisa é a previsão do tempo, se vai chover ou não (brincadeirinha… J), previsão do tempo que eu tenho a disposição em relação ao objetivo que eu devo atingir. Devo também prever o material que disponho (livros, material de pesquisa), e avaliar os custos e os benefícios. Se eu tenho tudo isso na cabeça já tenho um excelente ponto de partida porque eu sei muito bem que não posso deixar pra estudar 10 capítulos de um livro de literatura a partir das 10h da noite do domingo que antecede a primeira aula da segunda-feira (prova de literatura!). Ah, já ia me esquecendo de dizer que o dito cujo que se programou com esse largo tempo de antecedência, esqueceu que tinha emprestado o livro a um amigo duas semanas atrás e ele não lhe devolveu. Como esse amigo já tinha estudado tudo, foi para a Serra de Guaramiranga com a família, o celular dele não pega lá, na casa onde ele está não tem telefone e ele vai chegar direto de Guaramiranga para a prova às 8h da manhã (ele, como é muito prevenido, levou a farda). Os outros colegas da turma, os seus melhores amigos, claro, estão estudando porque se programaram da mesma forma, não, errei, eles estão ainda assistindo o Fantástico, só vão começar a estudar depois do programa que vem depois do Fantástico (como é mesmo o nome?…).

Projetação

Voltando ao assunto, depois que eu analiso, faço a previsão, passo à segunda etapa que é a projetação: estabelecer as prioridades, planejar o tempo, o material, o procedimento.[4] Depois falaremos detalhadamente sobre algumas dessas coisas.

Digamos que a prevenção é observar os recursos, o material que tenho para construir a casa e a projetação é o desenho arquitetônico.

O “auto-monitorar-se”

Em outras palavras significa auto-examinar-se e auto-controlar-se. Em prática, é far-se constantemente a pergunta: como? Como é mesmo? O que? Tipo assim, feito doido… calma! Eu explico. É assim: você tem que saber se o que está estudando tá entrando na sua caraminchola[5] ou tá saindo do outro lado do separador de orelhas, se ligou agora? Isso ajuda a manter a atenção e a não se distrair. É normal que você comece a estudar as propriedades do complexo de golgi e acabe pensando se aquela camisa super 10, irada, que você viu no shopping vai dar certo pra você comprar em suaves 12 prestações de R$ 49,99 sem juros… (que Deus te livre de cair em tal tentação!).

Na “auto monitoração” eu posso me questionar não só se estou entendendo o que eu estou lendo, mas também posso fazer uma série de outras perguntas a mim mesmo como:

  • Como vai minha motivação?
  • Este ambiente é favorável?
  • Quanto falta para eu acabar de estudar essa matéria?
  • Eu conheço bem ou mal essa disciplina?
  • Eu gosto dessa matéria?
  • Preciso melhorar?
  • Eu conheço bem a terminologia?

E tantas outras perguntas que você mesmo pode aplicar à sua realidade. Claro que em Fortaleza você não vai perguntar-se se o quarto precisa de mais aquecimento…

É obvio que você não vai ficar falando sozinho feito maluco a cada 5 min essas frases! Mas deve ser como um fundo motivacional, de autocontrole.

Um excelente teste que você pode fazer é tentar explicar a matéria para alguém, de preferência uma pessoa real, um familiar, um colega (mas se não achar pode ser também uma situação imaginária).

Revisão

O passo seguinte é a revisão. Imediatamente após estudar uma matéria eu devo verificar e avaliar o resultado atingido.[6] Essa avaliação consiste em julgar o próprio trabalho, os resultados, o ritmo, o empenho, as próprias habilidades, os próprios limites, os próprios materiais (resumos, mapas, esquemas etc.)

Quando se consegue haver uma boa avaliação, significa que você cresceu no aprendizado, e a sua auto-estima cresce. Você se sente mais capaz, perde o complexo do “eu sou burro mesmo, não consigo nada” e começa a acreditar nas capacidades que Deus lhe deu. Motivado assim, você consegue ter resultados melhores e sua auto-estima se mantém boa. É um ciclo virtuoso, mas cuidado pra não cair no orgulho sabichão![7] Afinal, como cristãos sabemos que tudo é dom e devemos agradecer a Deus que nos deu as capacidades naturais. Desenvolver as capacidades naturais é um modo de louvar o Criador que no-las deu.

Um conselho que deixo como sugestão (pessoalmente eu não faço) é ter um caderno de auto-avaliação. Nesse caderno você pode escrever as suas observações a respeito do seu método de estudo a cada dia, avaliando o que precisa melhorar e o que deve evitar.[8]

Na próxima carta falarei mais sobre as motivações e algumas dicas para auto motivar-se.

Um grande abraço e Deus vos abençoe.


[1] Para os queridos ignorantes do assunto, “sic!” se diz quando uma coisa parece absurda no texto mas você quer deixar como está, normalmente quando se cita um outro autor e encontra-se uma coisa absurda.

[2] Teve um amigo meu que disse que não concorda porque quando está diante do espelho ele se reconhece! Vocês conhecem mas eu não vou dizer quem é a criatura energúmena escalafobética que se acha o gato(se alguém tiver a curiosidade de procurar “energúmeno” no dicionário, saiba que a minha intenção foi de dizer o significado 2).

[3] POLITO, Mario. Guida allo studio, il metodo. Ed Riuniti, Roma, 2002, p. 3. (tradução própria). Diga-se logo de início que muito do que vou colocar aqui será pesquisado em algum livro desse autor, principalmente o citado acima. Farei a referência somente à página daqui por diante, a não ser que mude o livro ou o autor.

[4] Op. Cit., p. 18

[5] Nem procure saber se caraminchola é com CH ou com X porque não tem no dicionário, ao menos no meu Houaiss, não.

[6] Op. Cit., p. 22

[7] Essa sim, tem no dicionário, e é com CH mesmo!

[8] Op. Cit., p. 25

Homo sapiens sapiens (segunda parte)

A motivação para estudar

“A motivação é o empurrão que anima e sustenta uma ação ou um comportamento, para satisfazer as próprias necessidades. Uma forte motivação estimula um comportamento decisivo e direto ao objetivo, enquanto uma motivação fraca produz um comportamento incerto e confuso. Uma forte motivação coloca no estudo um forte interesse, uma intensa vontade de aprender, uma sólida tenacidade diante das dificuldades. Enfim, uma forte motivação torna mais provável o sucesso e a gratificação no estudo.

A motivação determina aquilo que se deve lembrar e aquilo que se pode esquecer. Lembra-se mais facilmente aquilo que se interessa, ou seja, que se gosta, aquilo que é útil. Se esquece mais facilmente aquilo que é chato, que não se gosta, que é inútil. Em outros termos, esquece-se facilmente quanto não se é motivado a lembrar, porque, em tal caso, as informações aprendidas perdem importância e relevo e vão acabar no fundo da nossa memória”[1]

Bom, como se pode ver, a motivação é algo FUNDAMENTAL. Desde o início do texto que eu falo sobre ela. Ela é o motor que vai fazer funcionar o carro. Uma forte motivação leva com velocidade a atingir o objetivo e o contrário é também verdadeiro, sem motivação adequada, muito fraca ou inexistente, não se sai do canto.

As motivações podem ser intrínsecas ou extrínsecas, ou seja, internas ou externas. As motivações internas são as mais fortes e mais eficazes, mas podemos nos aproveitar tanto de umas como das outras.

Exemplos de motivações internas:

Prazer de aprender

Curiosidade de descobrir

Auto-realização

Exemplos de motivações externas:

Reconhecimento

Incentivos

Gratificações

Evitar reprovação

Evitar punição

Agradar outros

“Uma forte motivação é indispensável, sobretudo quando se encontram obstáculos, dificuldades e frustrações. As dificuldades no estudo são inevitáveis, porque o estudo implica fadiga, empenho e esforço. Para afrontar tais dificuldades se pode agir em duas direções: melhorar o próprio método de estudo e acender a motivação ou a vontade de estudar.”[2]

Em outras palavras – isso é muito importante – não são as dificuldades que impedem de atingir o objetivo, seja ele qual for, mas é a baixa estima de nós mesmos. Uma pessoa com uma adequada auto-estima usa das dificuldades para se projetar ainda mais, é um desafio que o impulsiona. Um atleta por exemplo, sempre quer ir mais longe e quanto mais difícil mais ele se sente atraído. Eu tenho uma teoria pessoal (nada de original) que nós somos capazes de qualquer coisa possível e até aquelas aparentemente impossíveis, basta que a queiramos com proporcionada paixão e ajamos com a intensidade que amamos e queremos aquilo. Por exemplo, os grandes homens, os grandes cientistas, os descobridores, e sobretudo os santos, mostram para nós – que somos homens iguais a eles – que não existe o impossível quando se ama muito e se quer muito uma coisa. Se eu quisesse conhecer Galápagos, desvendar todos os segredos das tartarugas marinhas e ser um grande biólogo, poderia sê-lo se meu esforço apaixonado fosse proporcional à minha vontade. A maior força motivadora do ser humano é justamente aquilo que o faz humano: o amor. Veja o caso de Joseph Cliver! uahiauhaiuahiauhaiuhaiauhiauha

Algumas indicações para automotivar-se para o estudo

Cuidar da auto-estima. Deixar de lado aquelas frases que podemos dizer a nós mesmos: “eu não sou capaz”, “ não vou conseguir”, “sou um incompetente”. Se olharmos bem, isso é até pecado.

Visualizar-se positivamente: imaginar a satisfação que terei quando conseguir um bom resultado, uma boa nota, ou dominar o assunto.

Valorizar o estudo. Repito aqui o que já foi dito: o saber tem um valor em si mesmo, o conhecimento é uma riqueza imensa, um grande privilégio que infelizmente poucos ainda no mundo podem usufruir. Você é um privilegiado, pense que a maioria dos brasileiros não têm acesso à informação e à cultura que você tem.

Planejar as atividades de estudo. Muito importante aqui analisar as prioridades, fixar objetivos realísticos e elaborar estratégias para cumpri-los. Por exemplo, dentre tudo o que eu tenho para estudar, qual é a matéria em que tenho maior dificuldade ou qual é aquela que tem maior conteúdo? Qual a matéria que tenho menos tempo para preparar-me para as provas? Se eu tenho 50 páginas para estudar (que leva mais tempo que simplesmente ler!) e tenho 5 dias para fazer isso, quantas páginas eu devo estudar por dia? 10? Errado! 12, porque no último dia eu tenho que revisar tudo!

Auto monitorar-se. Quando você se auto-avalia, pode ter a agradável sensação de estar aprendendo, de verificar os seus progressos. Quanto mais você percebe que está progredindo, mais motivado você fica para continuar a estudar. Se na auto-avaliação você verifica que não está aprendendo bem, é lucro porque você tem tempo para mudar o método, procurar reforço, dedicar mais tempo àquela matéria entre outras coisas.

Auto reforçar-se. Parece estranho mas é como uma auto premiação. Um “que massa, eu já sei isso!” ou então “agora que eu consegui estudar e entender isso, posso me premiar com tal coisa que eu gosto”. Essa premiação deve ser feita passo por passo, a cada matéria estudada um pequeno prêmio que você estabeleceu em contrato com você mesmo. No final de tudo, no final da sessão de provas, por exemplo, você pode dar-se o luxo de uma auto premiação maior. Mas cuidado para que essa premiação não seja desproporcional ao sucesso, porque senão vai ser um desastre. Se a cada duas folhas que você estudar você se premiar com duas horas de internet, onde você imagina que vai parar? Um “auto prêmio” pode ser somente a satisfação de estar conseguindo entender uma coisa que você achava muito difícil. Isso já é bastante satisfatório.

Com relação a isso é muito importante colocar em primeiro lugar o esforço depois o prêmio. Não existe vitória por antecipação. Primeiro se faz o que é mais sacrifício, depois aquilo que é mais prazeroso. Primeiro eu estudo, depois eu me divirto, nunca coloque o carro adiante dos bois, porque você vai se divertir pensando que tem que terminar de estudar e acaba não dando tempo, é um caos! Ao contrario, se você sai pra se divertir tendo a agradável sensação de já ter estudado tudo, é um alívio.

O conflito entre motivações opostas[3]

Você já viu aqueles desenhos animados que tem um anjinho aconselhando o cara a fazer o bem e um demoniozinho tentando o cara pra fazer o mal? É mais ou menos isso. Pode existir dentro de nós um conflito entre motivações opostas, prevalecerá a mais forte. Tem uma outra história que diz mais ou menos a mesma coisa de modo mais espiritual: dentro de nós existe um cão violento, pronto a destruir tudo ao redor. Nós não podemos dominá-lo totalmente, mas podemos simplesmente NÃO ALIMENTÁ-LO. Ou usando uma outra parábola com sabor de padremarqueanês: a nossa alma é um campo, as ervas daninhas crescem sem que ninguém ágüe[4], as plantas frutíferas precisam ser adubadas e irrigadas. Em suma, vai crescer quem você der de comer.

Use a “discussão democrática interior”

O que eu quero? O que eu quero de verdade? O que eu quero mais? O que vale a pena agora? É um modo de trazer você mesmo para a sã razão e não deixar-se levar pelos instintos. Conversando calmamente com você mesmo, se convença que o mais lógico, o melhor no momento é cumprir com os seus compromissos e depois fazer aquela coisa que lhe dá prazer, como jogar bola com os amigos, como um prêmio.

Eu detesto essa matéria!

Quem já ouviu essa frase um “zilhão” de vezes levante a mão. Todo mundo! As causas porquê uma matéria é simpática ou antipática dependem muito. Tantas vezes fui eu que cismei com a cara do professor, às vezes a cisma foi tão grande que eu “invoquei” com a bendita matéria pro resto da vida (é já um trauma!). Outras vezes é uma antipatia por falta de motivação. Um insucesso no início pode causar a sensação de que eu nunca vou conseguir, que não sou chegado para aquele tipo de coisa, que não tenho jeito para aquela área de estudos, por exemplo. Repito, aquelas frases contaminadas que a gente ouve ou repete para nós mesmos: “eu sou burro, sou tapado, não tenho jeito pra isso” e por aí vai…[5]

Bom, a cura para esse tipo de bloqueio é andar no sentido inverso. Claro que a coisa não é sempre simples. Às vezes precisa-se de um grande esforço para curar a antipatia a uma matéria. Usar todos os métodos para estudá-la bem e, principalmente, esquecer que ela é “difícil” e que “você não é capaz” ajuda muito. Em alguns casos mais enraizados, talvez a ajuda de um outro professor, ou até mesmo um psicólogo seria muito bom.

Para acabar, gostaria de dizer que se você chegou até esse ponto do texto, você comprovou que estudar não é difícil, é um prazer. Na verdade esse não é um texto espiritual, ou uma historinha em quadrinhos e se você seguiu com interesse até aqui é porque você estava motivado. Isso pode acontecer com qualquer matéria.

Motivar-se significa dar um valor àquilo que se faz. Se não se está motivado, é melhor não estudar. É necessário elaborar uma boa motivação antes de estudar.[6]

Gostaria de concluir com uma motivação importantíssima para um jovem que teve uma experiência com Deus: estudar para a glória de Deus. Estudar por amor a Deus, estudar para dar testemunho, para evangelizar melhor e com maior eficácia. Estudar para vencer os desafios que a sociedade anticristã coloca a cada dia diante de nós. Estudar para ser um bom profissional no futuro, para ser como cristão luz no mundo do trabalho e na sociedade. Estudar para, quem sabe, ser um bom missionário como sacerdote ou como leigo consagrado. Um maravilhoso testemunho para os outros jovens é mostrar que, mesmo colocando Deus no centro da nossa vida, isso não nos impede de sermos bons alunos, pelo contrário, qual é a conseqüência na minha vida estudantil depois de uma noite de vigília e de uma noite de farra? Com certeza, o jovem que “perde” uma noite em uma vigília tem um ideal, um objetivo, uma razão de vida que o faz vencedor. Um jovem que teve uma experiência de Deus sabe o valor de palavras como sacrifício, renúncia, coisas absolutamente indispensáveis para ser um bom estudante.

Vocês não imaginam o quanto as pessoas aqui na Europa me questionam sobre geografia, política, sociologia, história, enfim todo tipo de argumento, principalmente sobre o Brasil. Isso é muitas vezes motivo para que eu possa entrar em diálogo e evangelizar. As pessoas que me perguntam esse tipo de coisas são as pessoas normais, simples.

No Brasil a gente está muito acostumado com os privilégios. Existem no nosso país dois mundos: o mundo dos que têm dinheiro e têm acesso à cultura e o mundo dos que estão trancados nos calabouços da ignorância. Aqui nos países mais civilizados não é assim. Outro dia eu passei uma tarde discutindo política internacional, problemas de emigração e conflitos religiosos-culturais com um pedreiro. Parece brincadeira mas é a pura verdade. Os jovens aqui entendem de arte, sabem quem é por exemplo Rodan, Picasso, Caravaggio e conhecem uma gama de coisas (como filosofia, latim, grego, astronomia) que nós ficamos distante anos-luz, porque o que nos interessa é saber os macetes e decorar fórmulas para passar no vestibular.

Mas eu não vou cansar muito vocês. Na próxima carta eu vou dar algumas dicas práticas preciosas. Por enquanto vai essa: leiam, leiam e peçam a Deus o vício de ler. Leiam até bula de remédio. E ensinem, conversem com os outros sobre as coisas que vocês aprenderam. Vai dar certo.

Deus os abençoe.


[1] Op. Cit., p. 27. Quiz traduzir quase toda a página porque achei muito importante esses conceitos. Eles devem ser levados em muita consideração.

[2] Op. Cit., p. 31

[3] Op. cit. pp. 38-40.

[4] Bom, confesso que, como certamente você também, eu não sabia que esse verbo se escrevia dessa forma.

[5] Eu coloquei várias vezes nesses textos palavras como “prá” e “pro” (= para o); eu sei que isso não existe, mas digamos que essa é uma carta entre amigos e não um texto de escola, ok?

[6] Op. cit. p. 45.