Dicas para vida tranquila de padre

Nunca critique ninguém, nunca fale a verdade abertamente, não denuncie as injustiças (especialmente do governo), não defenda a radicalidade evangélica nem se meta em polêmicas sobre a doutrina da Igreja.
Fique sempre do lado dos ricos, especialmente nunca negue um pedido particular, uma exceção para quem ajuda financeiramente a Igreja. Deixe as pessoas fazerem o que elas acharem mais bonitinho na liturgia, dê chance pra todos mostrarem os seus dons e talentos usando o microfone da Igreja pra isso.
Celebre a missa bem rapidinho, não reclame de nada do altar, nada mesmo! Não reclame da roupa curta das meninas ou das bermudas dos homens ou do modo de vestir seja lá de quem. Não exija que as pessoas sejam pontuais na missa, afinal, elas têm mais o que fazer! Deixe as pessoas comungarem da forma que acharem que devem.
Sorria sempre, como os políticos, nunca demonstre a verdade sobre os seus sentimentos. Não receba ninguém, absolutamente ninguém em casa, só em grupos e com todas as portas abertas e só durante a parte mais luminosa do dia.
Uma dica muito, muito importante: deixe os leigos fazerem o que quiserem com o dinheiro da Igreja, não exija prestação de contas.
Deixe que as festas dos padroeiros sejam um momento de arrecadação, custe o que custar. Não impeça venda de bebidas alcoólicas, shows mundanos, seja lá o que for.
Faça o catecismo bem rapidinho e deixe as crianças se fantasiarem de princesas e pajens para tirar fotos na primeira comunhão. Aliás, em todos os momentos litúrgicos de festa, deixe que os fotógrafos façam o que quiserem, subam no altar, se for necessário, subam literalmente na mesa do altar, contanto que a foto fique bonita no casamento, crisma, primeira eucaristia, batizado, etc.
Celebre nas casas para a comodidade do povo, especialmente dos ricos. Não faça curso de batismo e aceite qualquer um ser batizado, com qualquer padrinho. Diga para as pessoas juntas, amasiadas, que elas podem comungar, mas diga em segredo pra que ninguém saiba.
Não exija engajamento dos jovens. Crisme qualquer um que queira, afinal, é problema deles…
Enfim, seja um padre bem bonzinho, que se esforça ao máximo, ao extremo mesmo, para agradar a todo mundo. Pronto: você terá uma vida quase 100% tranquila e uma eternidade bem quentinha nas profundezas do inferno!

Direito de discordar do “casamento” homossexual

MÉXICO, D.F., quarta-feira, 18 de agosto de 2010 (ZENIT.org)

Os bispos do México saíram em defesa do direito à livre expressão. Isso após as acusações de intolerância lançadas contra os cardeais Norberto Rivera Carrera e Juan Sandoval Íñiguez, por terem criticado as uniões entre pessoas do mesmo sexo e a adoção de crianças pelas mesmas.

“Lamentamos que, ao manifestar estes conceitos na opinião pública, existam pessoas que recriminem e ameacem, acusando de intolerância, quando tolerância é a possibilidade de que todos expressemos nossa opinião e nossas posições”, destaca um comunicado publicado nesta terça-feira pela Conferência Episcopal Mexicana.

Além de alertar contra os ataques à liberdade de expressão, os bispos do México reiteraram sua oposição ao processo em curso no México para legalizar que pessoas do mesmo sexo possam se casar e adotar crianças.

Na opinião dos bispos, a Assembleia do Distrito Federal aprovou isso “de forma rápida, sem as consultas necessárias aos diferentes atores sociais e sem atender ao consenso da maioria, que estava em desacordo com tais uniões e especialmente com a adoção de crianças”.

“Acreditamos que a equiparar essas uniões ao ‘matrimônio’ é uma falta de respeito. A essência do matrimônio é entre uma mulher e um homem, como está expresso na Constituição do País em seu artigo 4°, como os costumes e a própria cultura que nos rege por séculos”, indica o comunicado.

O episcopado expressou sua solidariedade aos cardeais Rivera e Sandoval e afirmou que “o momento que o México vive requer um debate à altura”.

Por fim, convidou os fiéis “a orarem à Santa Maria de Guadalupe pelas decisões dos governantes e por todas as crianças que não têm voz, mas têm o direito de ter uma família que seja exemplo de virtudes”.

Os bispos pedem que se considerem os direitos das crianças, que “merecem a melhor oportunidade de se incorporar à sociedade”, levando em conta que “todas as correntes de psicologia no mundo reconhecem que um pai e uma mãe são o melhor ambiente para elas”.

“Os menores nasceram de uma união de um homem e uma mulher; jamais nasceram da união de duas pessoas do mesmo sexo”, indica o comunicado do episcopado.

Igreja Santa

Dona Maria lava roupa todos os dias. É sua profissão, sua mal remunerada atividade. Durante os esfregões e sacudidelas, ela canta os cânticos da Igreja, acompanhando pelo radinho ligado na freqüência católica.

José é um pai de família muito atarefado. Vive correndo de um lado para o outro com seus dois celulares sempre ao ouvido. De segunda a sábado. Mas domingo conhecemos outro homem, completamente diferente. Até suas roupas são diferentes, sou sorriso, sua postura. Tudo muda. Aquele dia é sagrado. Ele acorda cedo, como sempre, mas programa lazeres com a família, brinca de futebol com os filhos, leva as filhas para passear no shopping e a esposa para o cinema. Mas, de todas as suas atividades, a mais sagrada é a missa das 18h. Tudo gira em função disso e tudo é programado pelo que se pode fazer antes ou depois da Missa. Se há um programa diferente, uma viagem mais longa, então entra na programação onde e como participar da Santa Missa. Lá, a família reunida ouve a Palavra de Deus, comunga, reza. Há outros momentos importantes de oração durante a semana: antes de dormir, na hora da refeição… Antes de ir ao trabalho ele sempre encontra tempo para ler o evangelho da liturgia do dia pois daí tira o direcionamento de Deus para tudo o que irá acontecer depois. Mas a Eucaristia dominical é mais que séria. Compromisso inviolável pois uma semana sem Eucaristia é uma desgraça!

Padre Natanael vive em uma vila perdida no interior da região amazônica. A última vez que falou com a sua família foi há seis meses quando fez uma rápida viagem a Manaus de barco. Já pegou trinta e sete vezes malária nos catorze anos que vive em Marajurú. Não pode ir ao enterro da mãe. Acorda pontualmente às 4h da madrugada todos os dias e permanece em oração e leituras espirituais até as seis e meia, quando toma o seu café e parte para a atividade pastoral: visitar as sessenta e quatro aldeias que estão sobre sua responsabilidade. Já fez de tudo na vida: desde sugar veneno de cobra até parto de urgência. Nos seus sessenta e três anos de idade, considera-se o homem mais feliz e rico do mundo.

Essas pessoas que citei acima não existem. Tem certeza? Você acha mesmo que elas são uma mera ficção? Sim e não. Sim, porque realmente esses nomes, e lugares eu inventei. Não, porque existe uma multidão incontável de pessoas como essas, em situações das mais variadas possíveis, das mais esdrúxulas. Vidas felizes, com dificuldades sérias ou comuns, que são guiadas pela fé no Cristo Jesus. Católicos que amam a Igreja como sua família, que vivem com os irmãos e se doam a eles.

As histórias poderiam ser infinitas. Nos 2000 anos de existência, nos rios de sangue e lágrimas derramados por amor, nas situações mais escondidas e inexoravelmente perdidas pela história, até aquelas mais eclatantes, gritantes. Às vezes, Deus faz aparecer uma dessas histórias escondidas, virtudes silenciosas e totalmente obscuras aos olhares do mundo, como Santa Terezinha do Menino Jesus. Mas a maioria, a grandíssima maioria, fica no silêncio do amor.

Vou contar agora uma história verídica: uma vez estava eu confessando em um lugar e chega uma senhora ainda jovem. Eu, na boa vontade de “evangelizar” comecei a fazer perguntas sobre sua vida de oração, se ela rezava todos os dias, se ela lia a Bíblia, etc. Ela começou dizendo que não lia a Bíblia porque era analfabeta. Mas, todos os dias, ao acordar, ela pegava uma Bíblia e abria em uma página qualquer, então, colocava a mão sobre a página e fechava os olhos, esperava um pouco e virava a página fazendo o mesmo gesto, dando a entender que ela queria ler, mas como não podia, que Deus fizesse penetrar no seu coração o que estava escrito ali. Não me dando por satisfeito de tamanho testemunho, eu continuei perguntando se ela rezava o terço. Ela me respondeu que não, rezava o rosário. E que tinha ficado morta de vergonha pois não sabia que o Papa João Paulo II havia aumentado um terço ao rosário, mas que depois que ela soubera disso, passou a rezar todos os quatro terços diariamente. Ainda não me dando por convencido da santidade da mulher, eu ainda tive coragem de perguntar se ela pagava o dízimo. Aí ela me respondeu que teve uma grande alegria em relação a isso. Como ela era muito pobre, recebia do “bolsa família” o que dava para comer e pagar algumas poucas contas, pensava que não tinha condições de pagar o dízimo. Mas então, o pároco disse na Missa que não importava a quantidade mas sim a fidelidade e, mesmo que a pessoa só pudesse dar um ou dois reais por mês, podia se inscrever como dizimista. A mulher abrindo um grande sorriso de satisfação me contou então que, desde aquele dia, havia realizado o seu sonho de ser dizimista e era muito feliz por isso. Ela dava todos os meses quatro reais, dois por ela, e dois pelo marido que não queira devolver o dízimo.

Quando você escuta falar a Palavra Igreja, o que lhe vem à mente? O Vaticano? Os padres? O Santo Padre? Lhe vêm à mente a imagem de grandes catedrais ou de reuniões de bispos? Você já parou para pensar que a Igreja somos nós? Eu, você, cada cristão batizado desde o Pentecostes até hoje nas paróquias mais ricas ou pobres do mundo. Cada um de nós formamos a Igreja, o Corpo Místico de Cristo. Sim, assim como o Corpo de Jesus é Santo, glorioso, mas ao mesmo tempo trás as marcas dos pregos e da lança, nós somos repletos da Santidade de Jesus, mas trazemos as marcas do nosso pecado, do pecado de cada um, leigo, religioso, monge, padre… Porém, jamais nos esqueçamos que a Santidade da Igreja é a Santidade de Cristo que resplandece nos seus filhos, nas suas ovelhas que somos nós. Essa santidade supera, e muito, as feridas das nossas fraquezas.

Bendito seja Deus!

E daí se sou Católico?

Sou Católico, amo o Papa, qualquer um que seja, atualmente, amo o Papa Bento XVI. Amo a Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa.

Sou Católico, acredito, aceito e abraço os dogmas de fé. Creio na Eucaristia, o Corpo e o Sangue de Cristo dado a nós em comunhão. Creio nos Sacramentos, no perdão dos pecados dados pelo sacerdote através da absolvição, na indissolubilidade do matrimônio cristão realizado validamente; creio na salvação dada no batismo e no céu, na vida eterna dada para quem viveu na fé em Jesus, nosso Deus. Sim, Deus, porque Jesus Cristo, o Filho único de Maria, é Deus, o mesmo Deus onipotente que com o Pai e o Espírito Santo criou o Universo! Sim, teria mil e um motivos para justificar a minha fé, baseado em palavras das Escrituras, na Tradição, em conceitos teológicos difundidos e aprofundados nos 2000 anos de existência da Igreja que Jesus deixou sobre a rocha, PEDRO, prometendo que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela, o que acontece até hoje. Sim, teria muitos argumentos, mas não vou justificar nada aqui. Não preciso, não quero.

Sou Católico, tenho imagens em casa e nas igrejas em que trabalho e freqüento. Poderia simplesmente dizer que não adoro imagens, que isso é ridículo e que a proibição que fala a Bíblia é contra a adoração de imagens de deuses, o que nem de longe é o nosso caso. Poderia fazer aqui páginas de defesa contra os iconoclastas… mas, não vou fazer. Rezo a Ave Maria, muitas vezes, e sei muitas orações decoradas. Uso um livro sagrado que se chama Bíblia e que foi definido sagrado por nossos pastores, os Bispos dos primeiros séculos, que foi dividida em capítulos e versículos por um dos nossos monges na Idade Média… e por aí vai.

Por falar nisso, bispos de verdade, só nós temos, porque só eles são os legítimos sucessores dos Apóstolos, como o Papa é o legítimo sucessor de Pedro. Aliás, infalível quando propõe uma matéria de fé ou moral para ser crida e vivida como verdade por todos os fiéis. Essa infalibilidade é um dogma, e eu acredito piamente. A nossa hierarquia é composta por Bispos, padres e diáconos e somente os homens podem fazer parte dela, como foi desde a escolha de Cristo no início da Igreja e será a até o fim do mundo.

Como sacerdote Católico, vivo com alegria o celibato por amor ao Reino de Deus, doação total de vida, antecipação na Terra do estado definitivo de todos os remidos no Céu. Acredito e defendo a CASTIDADE como valor fundamental para todos, crianças, jovens, adultos, casados ou não. A castidade nos faz verdadeiramente felizes!

Ah, uma outra coisa muito importante: sou Católico, Apostólico, Romano, pois a sede da Igreja está em Roma onde morreu mártir o nosso primeiro Papa, São Pedro. E, como Católico, fiel ao Evangelho, sou contra o aborto, eutanásia e casamento homossexual! Para mim, são três aberrações escandalosas, fruto terrível do pecado que grassa no coração dos homens e da sociedade. Sou contra a manipulação da vida: bebê de proveta, inseminação artificial, modificação genética, manipulação de embriões humanos, congelamento de óvulos e coisas macabramente semelhantes. Como Católico, acredito nos 10 mandamentos da Lei de Deus, imutável, e que devemos fazer o bem e evitar o mal, como manda a nossa consciência retamente orientada.

Como Católico, acredito também nos santos, nossos irmãos que nos precederam no Céu e que intercedem por nós aqui na terra. Acredito em milagres e nas aparições da Virgem Maria mandada por Deus para nos alertar do perigo do nosso pecado e nos dar mensagens de esperança.

Acredito que a Virgem Mãe de Deus, Maria Santíssima, foi assunta ao Céu em corpo e alma, por privilégio especial, antecipando a gloriosa ressurreição dos mortos que acontecerá nos último dia, quando Jesus voltar para julgar os vivos e os mortos! Que dia glorioso será! Mas ninguém sabe quando, só Deus.

E daí? Essa é minha fé, a nossa fé Católica. Ninguém é obrigado a segui-la, a acreditar. Mas ninguém tem o direito de nos impedir de crer. Nenhuma sociedade, governo ou instituição tem o direito de nos obrigar a aceitar os seus valores se forem contrários à nossa fé Católica. Ninguém também tem o direito de pretender ser Católico e não crer, não viver tudo isso que falei acima e as outras coisas que não falei, mas que fazem parte da nossa fé. Ou se é Católico ou não se é, não existe meio termo.

Somos Católicos e nos orgulhamos disso. Não temos que nos esconder, nos desculpar para a sociedade, ter medo das críticas ou das pedradas. Nos 2000 anos de nossa história, críticas foi o de menos… já fomos queimados vivos, decapitados, crucificados até de cabeça pra baixo. Nossos irmãos já foram enforcados, esquartejados, flechados, cuspidos, torturados com requintes de crueldade. Já tiveram seus membros arrancados, já foram escalpelados vivos (arrancado a pele, pra quem não sabe…). Igrejas destruídas, sacramentos profanados… e a lista poderia ser quase interminável. No passado e no presente. A única perseguição, ameaça que realmente nos faz tremer, é quando a fumaça de satanás entra na própria Igreja através do pecado, da frieza da fé, da indiferença, do relativismo, da imoralidade. Isso acontece também porque somos pecadores. Mas nada disso, absolutamente nada, em todos esses séculos nos fez ou nos fará retroceder ou ceder, jamais. Muito pelo contrário, a nossa fé se fortalece com as perseguições, e é justamente nesses momentos de crise que abundam o testemunho dos santos e santa de todas as classes, raças, idades… Graças a Deus!

Bom, uma última coisinha: é muito bom ser Católico, é muito bom pertencer à Igreja fundada por Jesus Cristo, com todos os seus dogmas e tradições; com sua liturgia, com sua riqueza incomparável. Se você, como eu, é Católico, se orgulhe disso! Se você não é e quiser nos conhecer, será sempre bem-vindo, mas não será obrigado a sê-lo, como nós não deixaremos de professar a nossa fé por nada nesse mundo, pois ela é a nossa felicidade e salvação eterna.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, e sua Mãe Maria Santíssima!

Aniversário de casamento

A esposa sempre lembra.

O esposo… tem que lembrar! Depende de quantos anos faz, depende do casal, mas, dizem os casados, que a mulher é sempre mais interessada nesse assunto.

Existem datas muito importantes na nossa vida. A mais importante de todas, a gente goste ou não (mas normalmente todo mundo gosta) é o dia da vida! O dia em que vimos a luz desse mundo (ou a fluorescente do hospital, tanto faz) pela primeira vez.

Esse dia é muito bom. Revela que estamos ficando mais velhos, mas isso não importa. O que importa é que, como dizem os baianos, é o dia da nossa estréia!

Mas, voltemos para outras datas. Para nós cristãos, existe um dia que nunca, jamais deveríamos esquecer, mas a nossa cultura não preservou como de suma importância: o nosso batismo! Sim, nesse dia, nascemos para Deus! Outro dia de imensa importância para qualquer cristão é o dia da sua crisma e da sua primeira comunhão. Sinto dizer que, infelizmente, eu entro nessa lista dos que não sabem as datas desses gloriosos dias em minha vida. Mas minto, eu sei o dia de minha crisma. Eu tinha 15 anos e foi no dia de Santa Teresa d’Ávila, portanto, deu pra lembrar e saber até mesmo quantos anos faz.

Contudo, fica sempre marcada na vida do cristão (ou não) uma data muito importante, porque ele esperou anos a fio por essa data, porque ela é embebida com amor humano, porque a partir dela a sua vida não é mais a mesma: o casamento! Infelizmente, nem todos casamentos vão bem, e isso é muito triste. Mas não é disso que estou falando. Estou falando da comemoração que nada mais é que reviver de algum modo aquele dia “mais feliz da sua vida” e que você faz questão de partilhar com quem interessa, no caso dos esposos, um com o outro e talvez com os amigos e filhos.

Não quero ser melancólico, não. Estou já acostumado. Mas de ontem pra hoje me veio o desejo de escrever esse texto. Talvez para preencher o meu blog que há muito não vê um texto de minha autoria, talvez para me lamentar mesmo, para… sei lá. Não me julguem mal, por favor.

Eu sou casado. Com a Santa Igreja. Esse ano foi especial. Ano sacerdotal onde nós pudemos aprofundar o imenso e imerecido dom do sacerdócio à sua Igreja. Bom, você já se tocou a essa altura do que eu estou falando. Dia 29 de junho eu fiz “aniversário de casamento”. Antes de ontem completei 8 anos de padre. Para mim, oito anos de grande felicidade. Se eu não fosse padre… bom, esse “se” não existe! Não é concebível. Como padre, sinto-me esposo da Igreja e, no Amor, gero filhos para Deus. Esses filhos me chamam de padre (= pai) e eu os chamo pelo nome, mas, quem me conhece sabe que a maioria dos que eu considero de fato, mesmo, chamo de filho ou filha e muitos deles me chamam de pai.

Pois é galera, sabe quem lembrou de mim no último dia 29? Minha mãe. Tinha que ser a mãe mesmo! Mas deixa eu esclarecer uma coisa: minha mãe é fissurada em datas. Ela é capaz de lembrar o aniversário da empregada da casa da minha avó há 40 anos atrás e do carteiro que entregava correspondência quando ela era criança, ou da vizinha da cunhada do dono da padaria. Mas, como se não bastasse, a providência fez com que eu fosse ordenado padre quatro anos antes do dia em que nascia, nada mais nada menos, que meu primeiro sobrinho, ou seja, o primeiro neto de minha mãe. Será que ela iria lembrar?

Nem meu bispo, nenhum paroquiano, nenhum dos jovens ou dos amigos que estiveram comigo no dia de minha ordenação e continuam ao meu lado até hoje, lembraram (esclarecendo, meu bispo estava doente, o secretário esqueceu ou o correio não mandou o cartão a tempo). Na verdade, o pessoal da minha célula “lembrou” porque estava no quadrante! Também um colega de infância que mora em outro estado mandou um recado no Orkut e uma de minhas irmãs mandou um sms. Estão vendo como estou reclamando de barriga cheia?

Mas deixa eu também me acusar, confessar o meu pecado. Junto comigo foi ordenado um amigo. Ele é mais jovem do que eu alguns anos. Eu, óbvio, lembrei dele, mas não me dignei mandar sequer um e-mail, só no outro dia. Ele também não me deu os parabéns, nem respondeu meu e-mail, mas isso não quer dizer nada, não é?

Estava falando com um amigo, um jovem, no MSN ontem e fiz o seguinte comentário: “cara, tu sabia que hoje fazem oito anos que o Brasil é penta-campeão?” Ele me respondeu: “é mesmo?” A pergunta que eu queria mas ao mesmo tempo temia mas que ele não fez: “como é que você sabe?” Porque a resposta seria: “porque no dia em que eu celebrava a primeira missa e erguia pela primeira vez o cálice da salvação, o capitão do time erguia a taça, em 2002”. Eu tive muito medo que o comentário seguinte, terminando o diálogo, fosse: “É mesmo?”…

Queridos amigos, me desculpem de coração. Sei que não estou sendo humilde, sei que isso parece muita arrogância de minha parte, mas estou escrevendo isso porque acho que, no fundo, não é a mim que vocês tinham que dar os parabéns, não é só por mim, embora eu gostaria muitíssimo de ter dividido essa imensa alegria com muitas pessoas, com aquelas para as quais eu fui ordenado padre, mas acredito também que isso deve ser uma questão de conversão de nossa parte. Como eu falei no início, deveríamos também fazer festa, e grande, para o aniversário de Batismo, por exemplo.

Sei que estou correndo o risco de que, daqui a um ano, eu tenha provocado uma festa muito espontânea ou muitos sinceras lembranças de parabéns… Pois tá bom, não vou mais me justificar, se você é meu amigo ou irmão de comunidade e foi às lágrimas com esse texto melodramático, pelo menos reze por mim, aceito orações post-festa!

Abração!!!

Deus abençoe a todos.

Carta de um sacerdote

Segue carta do padre salesiano uruguaio Martín Lasarte, que trabalha em Angola, de 06 de abril e endereçada ao jornal norte-americano The New York Times. Nela expressa seus sentimentos diante da onda midiática despertada pelos abusos sexuais de alguns sacerdotes enquanto surpreende o desinteresse que o trabalho de milhares religiosos suscita nos meios de comunicação.
VALE A PENA CONFERIR!

Eis a carta.

Querido irmão e irmã jornalista: sou um simples sacerdote católico. Sinto-me orgulhoso e feliz com a minha vocação. Há vinte anos vivo em Angola como missionário. Sinto grande dor pelo profundo mal que pessoas, que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de inocentes. Não há palavras que justifiquem estes atos. Não há dúvida de que a Igreja só pode estar do lado dos mais frágeis, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a proteção e prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.
Vejo em muitos meios de informação, sobretudo em vosso jornal, a ampliação do tema de forma excitante, investigando detalhadamente a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim aparece um de uma cidade dos Estados Unidos, da década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim por diante, outros casos mais recentes…

Certamente, tudo condenável! Algumas matérias jornalísticas são ponderadas e equilibradas, outras exageradas, cheias de preconceitos e até ódio.

É curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que consomem a sua vida no serviço de milhões de crianças, de adolescentes e dos mais desfavorecidos pelos quatro cantos do mundo!

Penso que ao vosso meio de informação não interessa que eu precisei transportar, por caminhos minados, em 2002, muitas crianças desnutridas de Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a isso e as ONGs não estavam autorizadas; que tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre os deslocados de guerra e os que retornaram; que tenhamos salvo a vida de milhares de pessoas no Moxico com apenas um único posto médico em 90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas para mais de 110.000 crianças…

Não é do interesse que, com outros sacerdotes, tivemos que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha, depois de sua rendição, porque os alimentos do Governo e da ONU não estavam chegando ao seu destino.

Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, percorra, à noite, a cidade de Luanda curando os meninos de rua, levando-os a uma casa de acolhida, para que se desintoxiquem da gasolina, que alfabetize centenas de presos; que outros sacerdotes, como opadre Stefano, tenham casas de passagem para os menores que sofrem maus tratos e até violências e que procuram um refúgio.

Tampouco que Frei Maiato com seus 80 anos, passe casa por casa confortando os doentes e desesperados.
Não é notícia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado sua terra natal e sua família para servir os seus irmãos em um leprosário, em hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de feiticeiros ou órfãos de pais que morreram de Aids, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atenção a soropositivos… ou, sobretudo, em paróquias e missões dando motivações às pessoas para viver e amar.

Não é notícia que meu amigo, o padre Marcos Aurelio, por salvar jovens durante a guerra de Angola, os tenha transportado de Kalulo a Dondo, e ao voltar à sua missão tenha sido metralhado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras catequistas, tenham morrido em um acidente na estrada quando iam prestar ajuda nas áreas rurais mais recônditas; que dezenas de missionários em Angola tenham morrido de uma simples malária por falta de atendimento médico; que outros tenham saltado pelos ares por causa de uma mina, ao visitarem o seu pessoal. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram à região… Nenhum passa dos 40 anos.

Não é notícia acompanhar a vida de um Sacerdote “normal” em seu dia a dia, em suas dificuldades e alegrias consumindo sem barulho a sua vida a favor da comunidade que serve. A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa-Notícia, essa notícia que sem estardalhaço começou na noite da Páscoa. Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce.

Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não é nem um herói nem um neurótico. É um homem simples, que com sua humanidade busca seguir Jesus e servir os seus irmãos. Há misérias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e bondade como em cada criatura…
Insistir de forma obsessiva e perseguidora em um tema perdendo a visão de conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico na qual me sinto ofendido.

Só lhe peço, amigo jornalista, que busque a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso o fará nobre em sua profissão.

Em Cristo,

Pe. Martín Lasarte, SDB.

Santo Sudário – Verdadeiro?

Por Carmen Elena Villa

TURIM, segunda-feira, 7 de junho de 2010 (ZENIT.org).- Ao concluir no dia 23 de maio a ostensão do Santo Sudário – que desde 10 de abril recebeu milhões de peregrinos em Turim –, ZENIT responde algumas das perguntas mais frequentes que surgem sobre esse “ícone” impresso com sangue, como disse Bento XVI, ao venerar o manto sagrado a 2 de maio na catedral de Turim.

Os evangelhos mencionam o Santo Sudário?

–Sim, os quatro evangelhos consideram o detalhe do manto que envolveu Jesus em sua morte:

“José, tomando o corpo, envolveu-o num lençol limpo e o colocou num túmulo novo, que mandara escavar na rocha. Em seguida, rolou uma grande pedra na entrada do túmulo e retirou-se.” (Mateus 27, 59).

“José comprou um lençol de linho, desceu Jesus da cruz, envolveu-o no lençol e colocou-o num túmulo escavado na rocha; depois, rolou uma pedra na entrada do túmulo” (Marcos 15, 46).

“Desceu o corpo da cruz, enrolou-o num lençol e colocou-o num túmulo escavado na rocha, onde ninguém ainda tinha sido sepultado.” (Lucas 23, 53).

“Os dois corriam juntos, e o outro discípulo correu mais depressa, chegando primeiro ao túmulo. Inclinando-se, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Simão Pedro, que vinha seguindo, chegou também e entrou no túmulo. Ele observou as faixas de linho no chão, e o pano que tinha coberto a cabeça de Jesus: este pano não estava com as faixas, mas enrolado num lugar à parte.” (João 20, 4 – 7).

–Quais características tem o lençol?

–É um sudário de linho manchado com 4,41 metros de comprimento e 1,13 de largura, tecido com um desenho de espinha de peixe de alta qualidade e pouco comum para a época. Apresenta diversas cicatrizes que foram deixadas pelo tempo como manchas, queimaduras e remendos.

–Por que apresenta sinais geométricos?

–Pela ocorrência de um incêndio na capela de Chambéry, em 1532. Uma gota de prata caiu em um dos cantos, causando graves danos. Logo foi reparado. Algumas religiosas clarissas o remendaram. Também apresenta manchas de água na parte central, ao que parece causadas pela água com que se apagou o incêndio.

–Esse Sudário apresenta a imagem impressa de um homem. Quais são sua características?

–É um homem com barba, que jaz morto. Pode ser visto graças a uma impressão e manchas de sangue por meio das feridas sobre o rosto, cabeça, mãos e corpo. Também se vê a parte dorsal do corpo coberta de feridas muito peculiares que atravessam as costas, pernas e descem até a planta do pé. A imagem que aparece é dupla: frontal e dorsal.

Ainda que apresente a imagem deste cadáver, não se registra nenhum resto de decomposição. Portanto, se comprova que foi envolto de um corpo humano durante um breve período, ainda que suficiente para que se imprimisse uma imagem.

–Apresenta sinais de coroa de espinhos?

–Não de uma coroa, mas de um capacete de espinhos. As fotos do Santo Sudário permitem realizar uma “autópsia” teórica, que demonstra que as gotas de sangue dispersas na cabeça derivam claramente de feridas de pontas cravadas em vários pontos. Também são vistas diversas gotas de sangue venoso e arterial que correspondem à complexa rede de veias e artérias da cabeça.

A parte cervical aparece fortemente castigada, como se a coroa de espinhos fosse continuamente apertada contra a cabeça. Se o homem do Santo Sudário for Jesus Cristo, pode-se ver que usou a coroa durante o caminho do Calvário e também na cruz, adicionando maior suplício. É importante explicar que nenhuma documentação histórica fala que os homens crucificados foram coroados com espinhos.

–Apresenta sinais de flagelação?

–Sim. O flagelo usado contra o homem do Santo Sudário era dilacerante e contundante, entrava na pele; Mel Gibson se baseou em estudos do Santo Sudário para a cena da flagelação de Cristo no filme “A Paixão”. Os estudos demonstram que, como mostra o filme, cada golpe desgarrava a pele, provocando sangramento. Os chicotes apresentam três pontas terminadas em duas bolas metálicas. Este tipo de flagelo foi encontrado em escavações arqueológicas, sobretudo nas catacumbas romanas.

O número de golpes recebidos, segundo os estudos do Santo Sudário, foram cerca de 120, sem contar os que não foram possíveis de ser estudados por conta do incêndio de 1532. Cada golpe gera um impacto de 8 centímetros quadrados e o volume contundido de 12 centímetros cúbicos.

–Por que se considera que o homem do Santo Sudário esteve crucificado?

–Porque há sinais de pregos nas munhecas, não nas mãos, como diz a tradição, que Jesus foi crucificado, com pregos nos tornozelos, não nos pés.

Antigamente os crucificados eram atados à cruz por meio de cordas e com pregos. Também há sinais de uma lança que atravessou sua costela, a que se refere o evangelho de João.

O homem do Santo Sudário carregou uma madeira horizontal da cruz atada nos braços, como também mostra o filme “A Paixão de Cristo”. Com o toque da corda em seu corpo se abriram novamente as feridas da flagelação. No homem do Santo Sudário estas feridas podem ser vistas na escápula, antebraço e ombro direito.

–Por que são tão famosos os negativos dessa imagem?

–O fotógrafo Secondo Pia foi o primeiro a fotografá-lo em 1898. Ao revelar o negativo se deu conta que a imagem mostrava o rosto e o corpo do homem do Santo Sudário no positivo, o que indica que o rosto do homem foi gravado naquele Sudário em imagem negativa. Posteriormente foram feitas mais fotos e a impressão da imagem saiu com melhor qualidade e o negativo oferecia um contraste natural e uma nitidez impressionante. Poder-se-ia dizer que a impressão do Santo Sudário é como um negativo que se converte em positivo.

–É certo que o Santo Sudário tem características tridimensionais?

–Sim. Em 1976 os físicos John Jackson e Eric Jumper, com Kenneth Stevenson, Giles Charter e Peter Schmacher, estudaram a fotografia do Sudário com um programa especial chamado “Interpretation Systems VP-8 Image Analyzer”, nos laboratórios de Sandia Scientific Laboratories, em Albuquerque, Novo México. O resultado mostrava que a fotografia tinha uma dimensão “codificada”, com profundidade, diferente de qualquer outro desenho ou pintura que pudesse ser submetido ao analisador de imagens.

Por isso, medindo a intensidade deste colorido, pode-se perfeitamente calcular e reproduzir, como numa estátua, o relevo do corpo envolto por esta “tela”.

Este resultado do VP8 não foi obtido nunca com nenhuma outra imagem artística.

–Como o Sudário chegou a Turim?

–Segundo fontes mais tardias, um sudário com o retrato de Jesus foi levado para Jerusalém e Edesa (atual Urfa, ao leste da Turquia), onde foi utilizado segundo uma tradição para apresentá-lo a Abgaro V, rei de Edesa (reinou de 13-50), convertendo-se ao cristianismo. Mas depois que seu filho voltou ao paganismo foram perdidas as pistas deste lençol.

No ano de 525 Edesa sofreu uma inundação. Durante sua reconstrução apareceu um sudário com a imagem de Jesus. Imediatamente foi reconhecido como o Sudário que cinco séculos antes foi trazido de Jerusalém ao rei Abgaro. A imagem de Jesus é descrita como “não feita por mãos humanas”.

No ano de 943, o Sudário foi levado a Constantinopla, onde foi recebido festivamente pelos fiéis. Durante o saque de Constantinopla, em 1294, segundo o testemunho de Robert de Clary, o Sudário desaparece: “Nem grego nem francês sabe para onde foi o Sudário quando a cidade foi tomada”, diz.

A documentação histórica voltou a falar do Santo Sudário em 1355, sob a propriedade do cavaleiro Godofredo I de Charny. Ao morrer, o Santo Sudário foi herdado por sua irmã Margarita, que não teve descendência. Em 1418, foi levado a Lirey, um pequeno povoado ao norte da França, para protegê-lo das guerras com a Inglaterra.

Margarita, em 1453, entrega o Santo Sudário aos Duques de Savóia. Em 1502, é inagurada a Sainte Chapelle, em Chambéry, para custodiar o Santo Sudário. Em 1532 houve um incêndio nessa capela. Em 1535, o Santo Sudário viajou por Turim, Milão, Vercelli e Niza, devido à invasão das tropas francesas em Chambery. Em 1578, chegou a Turim para ficar. Mas só em 1706 foi transportado por um tempo a Genova. Também entre 1938 e 1953 foi transportada à abadia Beneditina de Montevergine, para protegê-lo dos possíveis ataques durante a Segunda Guerra Mundial. Logo regressou à catedral São João Batista de Turim, onde está atualmente.

–De quem é o Santo Sudário?

–Desde 1983 é propriedade da Igreja Católica, pois após a morte do rei Humberto II de Savóia foi entregue ao Papa João Paulo II.

–De quanto em quanto tempo são realizadas exposições do Santo Sudário?

–Não existe uma periodicidade. O manto se expõe em tempos especiais por vontade do Papa. Desde que chegou a Turim, foi exposto em 1737 com motivo do casamento do duque Carlos Manuel III de Savóia. Logo foi exposto novamente em 1868, e em 1898 para celebrar os cinquenta anos da família Savóia como reis da Itália. Em 1931, foi exposto novamente com o casamento do príncipe Humberto de Savóia (logo rei Humberto II). Em 1978 e em 1998, para comemorar o primeiro centenário das fotografias do Santo Sudário. Foi exposto mais uma vez no ano 2000, com motivo do grande Jubileu e agora em 2010 por vontade do Papa Bento XVI.

-Um estudo em 1988 disse que se tratava de um falso medieval…

–É certo. Em 1988 foi extraído um fragmento do Santo Sudário para determinar cientificamente sua origem. Três laboratórios de Carbono 14 da Grã-Bretanha, Suíça e Estados Unidos calcularam que não podia ter mais de oito séculos. Imediatamente os meios de comunicação disseram que se tratava de um falso medieval. O então arcebispo de Turim, cardeal Anastasio Alberto Ballestero, reconheceu diante dos meios de comunicação que a peça não era autêntica.

Contudo, muitos cientistas e arqueólogos começaram a suspeitar sobre como alguém, sem que existisse a fotografia, pudesse falsificar no tempo medieval uma imagem com tantos detalhes e que é possível ver tão claramente somente nos negativos das fotos, com tal exatidão anatômica patológica e cultural. Por isso as investigações continuam.

O fragmento do Santo Sudário que foi utilizado para este estudo é muito pequeno. Foi recortado do canto superior que foi remendado e tocado por milhares de pessoas quando as exposições eram feitas sem nenhum tipo de proteção entre os séculos XIV e XIX. Por isso alguns pensam que os resultados desses estudos foram dados porque estavam muito contaminados.

–Outros dizem que se trata de uma obra de arte.

–Impossível. Em 1978, foi realizado um rigoroso exame do corpo, os braços e o tórax onde se comprova que não foi usado nenhum tipo de pigmento para pintar o Santo Sudário. Ao contrário, as fibras simplesmente parecem descoloradas, como ocorre com um jornal quando se expõe à luz do sol. As aparentes manchas de sangue não apresentam nenhum pigmento diferente. Durante a análise se chegou à conclusão de que se trata de sangue real.

–O que demonstra que este sudário estava em Jerusalém?

–Nos estudos realizados, foram encontradas partículas de poeira que incluem grãos de pólen de dois mil anos de idade de uma planta local de Jerusalém. Restos de pólen deste tipo também aparecem em alguns fósseis que foram encontrados no Mar Morto. Graças a outros tipos de grãos de pólen foi demonstrado o percurso que o Santo Sudário fez chegar até Turim.

–Se sempre foi tão importante o Santo Sudário, existem documentos históricos que se referem a ele?

–Sim, muitos. Foquemos em um: há um manuscrito que se chamaCodex Prey. Está datado entre 1192-1195. Tem cinco ilustrações, que representam a crucificação, o declínio da cruz, a unção do corpo de Cristo na sepultura e Cristo ressuscitado.

As ilustrações mostram um lençol em escala real, e com proporções idênticas ao Santo Sudário. O corpo de Jesus aparece completamente desnudo, como no Santo Sudário, algo insólito em um desenho do século XII e na mesma posição em que aparece o Santo Sudário.

Algo muito curioso é que o tecido do manto que envolveu Jesus se apresenta no formato de espinha de peixe, muito pouco frequente nessa época. Apesar de que o desenho seja rudimentar, não deixa escapar esse detalhe. O desenho apresenta também os mesmos buracos que se formaram neste Sudário antes do incêndio de 1532.