Próximo ano será o terceiro?

Pessoal, sei que estou super em falta com vocês. Faz tempo demais que não posto aqui um texto meu. Quero me redimir colocando em primeira mão um pequeno artigo de minha autoria que será publicado na revista Shalom (depois de muita insistência dos editores para eu escrever… só pego no tranco!)…

 

Ano novo, vida nova – é o que todos pensam. Um tempo para se jogar fora papeis velhos, dar aquela arrumada no quarto, pensar no que a gente pode fazer de bom nas férias e esperar que o ano que inicia seja ainda melhor do que o que acaba. Enfim, é um tempo muito bom, tempo de esperança e renovação.

Para alguns, o ano novo começa cheio de empolgação pelo que virá: um novo emprego, uma nova casa, um novo namoro, uma nova escola, ou, quem sabe, aquele presente que você sonhou o ano todo chegou enfim.

Mas existe uma turma que começa o ano, por incrível que pareça, pensando nos estudos. Pensando em tudo o que devem estudar, nos livros, nos professores, nos horários da escola… é famosa galera do TERCEIRO ANO. Um tempo muito especial, de decisão, de mais maturidade, de responsabilidade porque, afinal, você deve já decidir qual curso universitário deseja ingressar e daí decorrem todos os sonhos e planos para um futuro que não parece mais tão longínquo quanto era quando se estava no início da adolescência. Agora, é pra valer, é tudo ou nada. Tem a pressão da sociedade, muitas vezes a pressão da família, dos amigos e a própria pressão interior que gritam em uníssono: você tem que estudar muito esse ano!

Tudo bem, isso é verdade. Tirando a parte da pressão exagerada, é claro que isso deve acontecer mesmo: o terceiro ano deve ser um tempo especial para os estudos. E digo mais: é a vontade de Deus que você estude! Muitos jovens dividem erroneamente sua vida cristã assim: quando eu estou rezando, no grupo de oração, na missa, nos retiros, na devoção à Maria Santíssima eu estou próximo de Deus, estou com Deus, fazendo a vontade de Deus. Quando eu estou namorando, curtindo uma praia, tomando um sorvete com os amigos, jogando videogame etc., eu estou fazendo a minha vontade, o que eu gosto, como se Deus não se alegrasse quando estamos felizes ou como se “estar com Deus” fosse resumido somente nos momentos “espirituais”. Não! Não é assim. Estamos SEMPRE com Deus, 24h por dia. Ele deseja estar conosco sempre e participar de 100% da nossa vida porque ele nos ama e, tudo o que fazemos, repito, tudo, deve fazer parte da vontade de Deus para a nossa vida, inclusive ESTUDAR!

Aí é que mora o perigo, digo mais forte ainda, a tentação, e queria que você, meu querido jovem, prestasse bem atenção: o “terceiro ano” do ensino médio, o pré-vestibular, não é o tempo de abandonar a Deus para estudar! Muitíssimo pelo contrário: é o tempo de se estar mais próximo de Deus para fazer sua vontade que é, também, estudar.

Tenho a opinião que o jovem convertido, apaixonado por Jesus, tem uma grande vantagem com relação aos outros concorrentes: sua fé. Não que Deus vá lhe dar uma “mãozinha extra” na hora da prova, nada disso, mas raciocine comigo: o que um jovem do mundo faz aos 17 anos? Que preocupações e que coisas preenchem seu tempo e seu coração? Infelizmente, muitas vezes o que os preenche são farras, bebedeiras, ficas, decepções no amor, vícios e a lista poderia continuar longamente. Será que isso contribui para um bom desempenho nos estudos? Será que um coração agitado, um corpo com ressaca, uma mente ocupada com vícios e desejos desenfreados pelo prazer, está realmente predisposta a estudar e aprender?

Sim, meus queridos jovens, a sua fé e seu amor a Deus é uma forte ponto positivo na concorrência. Sua motivação para estudar é muito mais nobre: você estuda por amor a Deus! Você quer passar no vestibular e ser um bom profissional para dar testemunho do evangelho!

Agora vem um ponto prático, muito importante e delicado: como você pode estudar por amor a Deus se… você não faz a vontade de Deus nas outras áreas da sua vida? Como você pode dizer que ama a Deus e quer fazer a sua vontade se, no pré-vestibular, você simplesmente abandona a oração, o grupo de jovens, o seu engajamento, deixa de ir à missa, deixa de confessar os seus pecados?! O pior é que, muitos usam como argumento o fato que não têm mais tanto tempo, mas, essa é a verdade, nos horários que deveriam estar dedicados à oração estão empenhados não nos estudos, mas nas comunidades sociais da internet, nas baladas, nas brincadeiras, nos encontros nem sempre lícitos. Muitos jovens diminuem o tempo da oração, ou mesmo abandonam completamente seu engajamento na Igreja por causa do vestibular, mas não são capazes de renunciar ao tempo que passam na internet digitando e vendo bobagens, só para citar um exemplo.

Meu querido, minha querida jovem: Deus quer que você estude porque Deus quer que você seja santo. Um jovem santo é responsável, faz tudo por amor a Deus e cada coisa encontra o seu devido tempo na sua vida. Não podemos simplesmente abandonar a oração e engajamento no “terceiro ano” para estudar, pois isso não lhe fará mais santo, não lhe dará impulso nos estudos e não lhe fará feliz.

Que a paz que vem do Pai, encontrada no mergulho da oração, bebida na fonte divina do Sacramento da Eucaristia e da Confissão, seja o grande impulso que o leve a estudar por amor a Deus e assim fazer a sua Santíssima Vontade!

Deus te abençoe.

 

A “camisinha”

Você sabia que existe um projeto do governo federal para se colocar máquinas de preservativos (camisinhas) nas escolas públicas? Distribuição gratuita de camisinhas nas escolas públicas para os adolescentes!

Quem quiser saber mais, acesso o link:

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/maquina+de+camisinhas+chega+as+escolas+publicas+em+2011/n1237797640645.html

Acho importante colocar uma pequena palavra de aprofundamento sobre esse assunto pois existem muitos mal entendidos. Alguns usam esse argumento da “camisinha” para atacar a Igreja, até mesmo a pessoa do Papa, dizendo que nós não fazemos nada pela luta contra a AIDS, por exemplo. São os mesmos ataques que recebemos quando somos contra a manipulação de embriões humanos.

A Santa Igreja é contra o uso do preservativo artificial não por uma questão de saúde, mas por uma questão de CASTIDADE. Não é que um jovem não pode usar a camisinha porque… porque… é proibido! Não! Ele não deve usar a camisinha porque ele não deve ter relações sexuais fora do casamento, do sacramento do matrimônio. Aí é que está a verdade. A luta mais eficaz contra a AIDS está na castidade, na abstinência, na pureza. Promover a camisinha, distribuir nas escolas (como tem feito recentemente o nosso governo), é um crime de incentivo à promiscuidade sexual. A coisa é escandalosa e gritante e não podemos nos calar diante dos contra-valores do mundo.

Diante da desinformação ou da consciência altamente deturpada, eu ouvi uma vez a história de uma jovem que mantinha frequentemente relações sexuais com seu namorado mas exigia que ele não usasse a camisinha porque era “pecado”!!! Pode uma coisa dessa?

Papa aos jovens

LONDRES, sábado, 18 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – Para se descobrir o verdadeiro eu e encontrar Deus são necessários o silêncio e a oração, afirmou neste sábado o Papa Bento XVI aos jovens que o esperavam nos arredores da catedral de Westminster.

Milhares de jovens ingleses seguiram, através de telões, a Missa celebrada pelo Papa na catedral de Westminster. Ao término da celebração, Bento XVI saiu ao átrio para dali saudá-los e dirigir-lhes em breve discurso.

Recordando o lema desta viagem – “O coração fala ao coração” –, o Papa pediu que jovens “olhem no interior de seu próprio coração”, que pensem “em todo amor que seu coração é capaz de receber, e em todo amor que é capaz de oferecer”.

“Fomos criados para receber o amor, e assim tem sido”, afirmou o Papa. Ele convidou os jovens a “agradecer a Deus pelo amor que já conhecemos, o amor que nos fez quem somos, o amor que nos mostra o que é verdadeiramente importante na vida”.

“Precisamos dar graças ao Senhor pelo amor que recebemos de nossas famílias, nossos amigos, nossos professores e todas as pessoas que em nossas vidas nos ajudaram a nos dar conta do quão valiosos somos a seus olhos e aos olhos de Deus”.

O homem também foi criado para amar – prosseguiu o Papa. “Às vezes, isso parece o mais natural, especialmente quando sentimos a alegria do amor, quando nossos corações transbordam de generosidade, idealismo, desejo de ajudar os demais e construir um mundo melhor”.

“Mas outras vezes constatamos que é difícil amar; nosso coração pode-se endurecer facilmente pelo egoísmo, a inveja e o orgulho”.

O amor – prosseguiu – “é o fruto de uma decisão diária. Cada dia temos de optar por amar, e isso requer ajuda”. Por isso, convidou os jovens a dedicarem tempo a Jesus na oração.

“A verdadeira oração requer disciplina; requer buscar momentos de silêncio todo dia. Muitas vezes significa esperar que o Senhor fale”.

“Inclusive em meio ao cansaço e às pressões de nossa vida cotidiana, precisamos de espaços de silêncio, porque no silêncio encontramos Deus, e no silêncio descobrimos nosso verdadeiro ser”, acrescentou o Papa.

Quando isso sucede – concluiu –, “ao descobrir nosso verdadeiro eu, descobrimos a vocação particular à qual Deus nos chama para a edificação de sua Igreja e a redenção de nosso mundo”.

Papa fala aos jovens

CASTEL GANDOLFO, domingo, 5 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos as palavras de Bento XVI ao rezar o Angelus neste domingo com os peregrinos, em Castel Gandolfo, depois de sua visita apostólica a Carpineto Romano.

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Queridos irmãos e irmãs!

Em primeiro lugar, peço perdão pelo atraso! Volto neste momento de Carpineto Romano, onde, há 200 anos, nasceu o Papa Leão XIII, Vincenzo Gioacchino Pecci. Agradeço ao Senhor por ter podido, neste importante aniversário, celebrar a Eucaristia entre os cidadãos. Agora desejo, por outro lado, apresentar brevemente minha Mensagem – publicada nos dias passados – dirigida aos jovens do mundo para a XXVI Jornada Mundial da Juventude, que acontecerá em Madri dentro de pouco menos de um ano.

O tema que escolhi para esta Mensagem retoma uma expressão da Carta aos Colossenses do apóstolo Paulo: “enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé” (2, 7). É decididamente uma proposta contra a corrente! O que mais se exalta é a incerteza, a inconstância, a volatilidade… aspectos todos que refletem uma cultura indecisa no que se refere aos valores fundamentais, aos princípios em base aos quais orientar e regular a própria vida. Na realidade, eu mesmo, por minha experiência e pelos contatos que tenho com os jovens, sei bem que toda geração, mais ainda, toda pessoa individual está chamada a realizar novamente o percurso da descoberta do sentido da vida. E é precisamente por isso que quis voltar a propor uma mensagem que, segundo o estilo bíblico, evoca as imagens da árvore e da casa. O jovem, de fato, é como uma árvore em crescimento: para se desenvolver bem, precisa de raízes profundas, que, no caso de tempestades de vento, tenham-no bem plantado no solo. Assim também a imagem do edifício em construção recorda a exigência de fundamentos válidos, para que a casa seja sólida e segura.

E aqui está o coração da Mensagem: nas expressões “em Cristo” e “na fé”. A plena maturidade da pessoa e sua estabilidade interior baseiam-se na relação com Deus, relação que passa através do encontro com Jesus Cristo. Uma relação de profunda confiança, de autêntica amizade com Jesus pode dar a um jovem o que ele necessita para enfrentar bem a vida: serenidade e luz interior, capacidade para pensar de maneira positiva, grande ânimo para os demais, disponibilidade para pagar pessoalmente pelo bem, a justiça e a verdade. Um último aspecto, muito importante: para se converter em crente, o jovem nutre-se da fé da Igreja: se nenhum homem é uma ilha, tanto menos o é o cristão, que descobre na Igreja a beleza da fé partilhada e testemunhada junto aos demais na fraternidade e no serviço da caridade.

Esta minha Mensagem aos jovens leva a data de 6 de agosto, Festa da Transfiguração do Senhor. Que a luz do Rosto de Cristo possa resplandecer no coração de todo jovem! E que a Virgem Maria acompanhe com sua proteção o caminho das comunidades e dos grupos juvenis para o grande Encontro de Madri 2011.

[Traduzido por ZENIT
©Libreria Editrice Vaticana]

A juventude do Papa

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 3 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – A guerra e as dificuldades, as próprias dúvidas e o encontro com Jesus são algumas das vivências pessoais que o Papa Bento XVI revive na Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude (Madri, 2011), divulgada hoje pela Santa Sé.

Nela, o Papa percorre os anos da sua vocação e propõe sua própria experiência aos jovens, pois as aspirações de um jovem “são as mesmas em todas as épocas” e podem ser resumidas no “desejo de uma vida maior”, que não acabe em “mediocridade”.

Os jovens, “como em toda época, também em nossos dias”, sentem o “profundo desejo de que as relações interpessoais sejam vividas na verdade e na solidariedade”.

“Muitos manifestam a aspiração de construir relações autênticas de amizade, de conhecer o verdadeiro amor, de fundar uma família unida, de adquirir uma estabilidade pessoal e uma segurança real, que possam garantir um futuro sereno e feliz.”

No entanto – afirma o Papa, recordando sua própria juventude -, “vejo que, na verdade, a estabilidade e a segurança não são as questões que mais ocupam a mente dos jovens”.

“Sim, a questão do lugar de trabalho – e, com isso, a de ter o porvir garantido – é um problema grande e urgente, mas ao mesmo tempo a juventude continua sendo a idade na qual se busca uma vida maior.”

O Papa recorda sua juventude, que transcorreu entre a 2ª Guerra Mundial e o imediato período pós-guerra.

“Ao pensar nos meus anos de então, simplesmente, não queríamos perder-nos na mediocridade da vida aburguesada. Queríamos o que era grande, novo. Queríamos encontrar a vida em si, em sua imensidade e beleza.”

Certamente, reconhece, “isso dependia também da nossa situação. Durante a ditadura nacional-socialista e a guerra, estivemos, por assim dizer, ‘presos’ pelo poder dominante. Por isso, queríamos sair, para entrar na abundância das possibilidades de ser homem”.

Contudo, afirma, “este impulso de ir além do habitual está em cada geração. Desejar algo mais que a cotidianidade regular de um emprego seguro e sentir o desejo do que é realmente grande faz parte do ser jovem”.

“Será que se trata somente de um sonho vazio, que se desvanece quando a pessoa se torna adulta? – pergunta-se. Não. O homem, na verdade, foi criado para o que é grande, para o infinito. Qualquer outra coisa é insuficiente.”

Citando um dos seus pensadores favoritos, afirma: “Santo Agostinho tinha razão: nosso coração está inquieto enquanto não descansa em Deus. O desejo da vida maior é um sinal de que Ele nos criou, de que carregamos o seu selo”.

Dúvidas

A juventude, reconhece o Papa em sua mensagem, é também “uma fase fundamental que pode turbar o ânimo, às vezes durante muito tempo. Pensamos em qual será nosso emprego, como serão as relações sociais, que afetos é preciso desenvolver…”.

Bento XVI volta novamente aos seus anos juvenis e compartilha com os jovens suas próprias vacilações e dúvidas.

“De certa forma, em pouco tempo tomei consciência de que o Senhor me queria como sacerdote. Mas depois da guerra, quando eu me dirigia a esta meta no seminário e na universidade, tive de reconquistar esta certeza”, explica.

“Eu tive de me fazer esta pergunta: realmente é este o meu caminho? É verdadeiramente a vontade do Senhor para mim? Serei capaz de permanecer fiel e estar totalmente à disposição d’Ele, ao seu serviço?”

A decisão do sacerdócio não foi fácil: “Uma decisão assim também causa sofrimento. Não pode ser de outra forma. Mas depois tive a certeza: assim está bem! Sim, o Senhor me quer, e por isso me dará também a força. Escutando-O, estando com Ele, chego a ser eu mesmo. Não importa a realização dos meus próprios desejos, mas a sua vontade. Assim, a vida se torna autêntica”.

Encontro com Jesus

Outro dos “tesouros” da sua juventude que o Papa quis compartilhar foi o dom do encontro pessoal com Jesus, uma “pérola preciosa” que, de alguma forma, ele quis transmitir com seus livros sobre Jesus de Nazaré – cujo segundo volume será publicado na próxima Semana Santa.

“Para muitos, é difícil o acesso a Jesus. Muitas das imagens que circulam de Jesus – e que se fazem passar por científicas – diminuem sua grandeza e a singularidade da sua pessoa”, afirma o Papa.

Por isso, “ao longo dos meus anos de estudo e meditação, fui amadurecendo a ideia de transmitir em um livro algo do meu encontro pessoal com Jesus, para ajudar de alguma forma a ver, ouvir e tocar o Senhor, em quem Deus veio ao nosso encontro para dar-se a conhecer”, acrescenta.

“O encontro com o Filho de Deus proporciona um dinamismo novo a toda a existência. Quando começamos a ter uma relação pessoal com Ele, Cristo nos revela nossa identidade e, com sua amizade, a vida cresce e se realiza em plenitude”, afirma o Papa aos jovens.

“Queridos jovens, aprendei a ‘ver’, a ‘encontrar’ Jesus na Eucaristia, na qual Ele está presente e perto até entregar-se como alimento para o nosso caminho; no sacramento da Penitência, no qual o Senhor manifesta sua misericórdia, oferecendo-nos sempre seu perdão. Reconhecei e servi Jesus também nos pobres e doentes, nos irmãos que estão em dificuldade e precisam de ajuda”, conclui.

Ainda jovem?

Um dia desses conversando com um amigo de cerca de 20 anos escutei o seguinte comentário: “eu não sou mais jovem, sou um adulto”. Claro que eu comecei a rir dele. Afinal, quando a gente vai passando muito dos 30 a gente vai entendendo que a vida é mais longa do que o que pensávamos antes dos 30.

Lembrei-me de um episódio parecido que aconteceu comigo logo quando cheguei à Itália. Eu estava perto de completar 30 anos e, conversando com uns amigos italianos, disse que não era mais jovem. Eles começaram todos a rir de mim, achando muito engraçado a minha observação, porque, para eles, eu era sim um jovem. Eu quase não acreditava naquilo, até que, lendo um jornal um dia no trem me deparei com a seguinte notícia: “assassinado um jovem de 30 anos”. Engraçado essas coisas de diferença cultural. Se pensarmos na idade média, ou mesmo há pouco mais de 100 anos atrás, uma pessoa com 30 anos estava próximo ao fim da vida. Com 40 anos você já era bastante velho pois a expectativa de vida na idade média não passava dos 40.

Na Europa, na velha Europa, onde a quantidade de jovens é muito pequena comparada ao Brasil e a expectativa de vida é bem maior, o conceito de juventude muda em comparação a nós. Mas voltemos ao meu amigo de 20 anos. Quero deixar bem claro que eu tenho 36 anos e não me considero jovem, já não me considerava aos 30! Mas afinal, até que idade vai a juventude? Isso é relativo? De certa forma, sim. Como eu disse, o que é jovem na Europa, na velha Itália, não o é mais aqui no jovem Brasil. Mas acredito que aqui temos um problema: identificar a juventude com a adolescência. Que absurdo isso! Claro que um jovem de 20 anos é um jovem. Os psicólogos defendem a teoria que a adolescência hoje em dia se estende até mesmo aos 24 anos, quando o jovem termina o curso superior. Na verdade, nós brasileiros (graças a Deus) amadurecemos mais rápido que os italianos, especialmente os homens. Entramos e saímos da faculdade mais rápido, começamos a trabalhar com menos idade e, normalmente, nos casamos bem mais cedo. Temos mais filhos pois as mulheres começam a gerar bem mais cedo. Claro que isso está mudando, na medida que vamos ficando menos pobres, vamos ficando mais parecidos com o patamar dos países desenvolvidos, no melhor e no pior.

Mas esse post não é para falar de desenvolvimento econômico e cultural, e sim, para falar de um problema que ao meu ver está na raiz do comentário desse meu amigo. O mundo consumista, hedonista e todos os “istas” que você quiser supervaloriza, isso mesmo, supervaloriza a figura do adolescente. Ser adolescente é o ideal de beleza, de consumo. Sabe porque? Porque isso dá lucro. Tudo o que o mundo incentiva e apóia é o que dá dinheiro. Dá dinheiro porque o adolescente é muito consumista. Ele quer estar na moda para não ser diferente, quer vestir roupa de marca para se afirmar, quer ter o celular de última geração (mesmo sem necessidade), o tênis mais caro, etc. Dá lucro, muito lucro, inclusive para o governo, incentivar a promiscuidade sexual e a cultura gay. Basta olhar para o “fortal”. Imaginem que com tantas ruas nos buracos de nossa cidade (Fortaleza) o governo constrói uma super avenida que liga a Cidade 2000 à praia do Futuro só por causa do fortal!!!

Claro que o consumismo não é uma característica só do adolescente, mas isso está muito presente e é, de certa forma, normal. Por essa supervalorização da adolescência, pelo fato de termos que amadurecer rapidamente para assumirmos responsabilidades no mundo do trabalho por causa da nossa fragilidade econômica, por causa de preconceitos culturais, não queremos mais considerar a faixa que vai dos 20 aos 30 como juventude. É até motivo de piada quando uma pessoa de mais de 25 se diz jovem.

Caríssimos, por fim, gostaria de deixar essa mensagem: não confundamos adolescência com juventude. A juventude engloba duas fases: a adolescência e a juventude na maioridade. Isso é importante para não queimarmos etapas e para não deixarmos de viver aquilo que é maravilhoso e se chama HOJE. Há adultos casados, pais de filhos que, por não terem vivido a juventude, regressam. Conheci um homem casado que deixou a esposa e vários filhos adolescentes para curtir a vida em farras e no surf! Tem cabimento? A resposta que ele deu para a família foi: “vou viver a vida que eu não vivi”. Triste resultado.

Vivermos cada momento com sabedoria na alegria e na simplicidade nos faz mais felizes.

Acho esse tema bastante interessante e vasto. Gostaria da opinião de vocês de modo pessoal. Convido a colocarem aqui comentários sobre essa assunto para que nós possamos aprofundá-lo. Um grande abraço.