Comungar de joelhos? (2a Parte)

Coloco aqui uma notícia transmitida a mim pelo meu amigo Átila Moreira.

Achei esta notícia na ACI Digital (que você já deve ter lido) e compartilho contigo – destaques meus.
Sua bênção e um abraço.

Cardeal Cañizares: É recomendável comungar na boca e de joelhos

REDAÇÃO CENTRAL, 27 Jul. 11 (ACI/EWTN Noticias) .- Em entrevista concedida à agência ACI Prensa, o Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos no Vaticano, Cardeal Antonio Cañizares Llovera, assinalou que é recomendável que os católicos comunguem na boca e de joelhos.

Assim indicou o Cardeal espanhol que serve na Santa Sé como máximo responsável, depois do Papa, pela liturgia e os sacramentos na Igreja Católica, ao responder se considerava recomendável que os fiéis comunguem ou não na mão.

A resposta do Cardeal foi breve e singela: “é recomendável que os fiéis comunguem na boca e de joelhos”.

Do mesmo modo, ao responder à pergunta da ACI Prensa sobre o costume promovido pelo Papa Bento XVI de fazer que os fiéis que recebam dele a Eucaristia o façam na boca e de joelhos, o Cardeal Cañizares disse que isso se deve “ao sentido que deve ter a comunhão, que é de adoração, de reconhecimento de Deus”.

“Trata-se simplesmente de saber que estamos diante de Deus mesmo e que Ele veio a nós e que nós não o merecemos”, afirmou.

O Cardeal disse também que comungar desta forma “é o sinal de adoração que necessitamos recuperar. Eu acredito que seja necessário para toda a Igreja que a comunhão se faça de joelhos”.

“De fato ‘acrescentou’ se se comunga de pé, é preciso fazer genuflexão, ou fazer uma inclinação profunda, coisa que não se faz”.

O Prefeito vaticano disse ademais que “se trivializarmos a comunhão, trivializamos tudo, e não podemos perder um momento tão importante como é o de comungar, como é o de reconhecer a presença real de Cristo ali presente, do Deus que é amor dos amores como cantamos em uma canção espanhola”.

Ao ser consultado pela ACI Prensa sobre os abusos litúrgicos em que incorrem alguns atualmente, o Cardeal disse que é necessário “corrigi-los, sobre tudo mediante uma boa formação: formação dos seminaristas, formação dos sacerdotes, formação dos catequistas, formação de todos os fiéis cristãos”.

Esta formação, explicou, deve fazer que “celebre-se bem, para que se celebre conforme às exigências e dignidade da celebração, conforme às normas da Igreja, que é a única maneira que temos de celebrar autenticamente a Eucaristia”.

Finalmente o Cardeal Cañizares disse à agência ACI Prensa que nesta tarefa de formação para celebrar bem a liturgia e corrigir os abusos, “os bispos têm uma responsabilidade muito particular, e não podemos deixar de cumpri-la, porque tudo o que façamos para que a Eucaristia se celebre bem será fazer que na Eucaristia se participe bem”.

Santo do dia

SÃO ROBERTO BELARMINO, BISPO
E DOUTOR DA IGREJA

Nasceu no ano de 1542 em Montepulciano, na Toscana (Itália). Entrou na Companhia de Jesus em Roma e foi ordenado sacerdote. Sustentou célebres disputas em defesa da fé católica e ensinou Teologia no Colégio Romano. Eleito cardeal e nomeado bispo de Cápua, contribuiu com a sua atividade junto das Congregações Romanas para a resolução de numerosos problemas. Morreu em Roma no ano 1621.

(…queria só dizer que eu conheço Montepulcino e já morei na Toscana… muito massa!!!)


Do Tratado sobre a elevação da mente a Deus, de São Roberto Belarmino (Séc. XVII)

Inclina o meu coração para os teus mandamentos

Ó Senhor, suave e manso e de grande misericórdia (Sl 85,5), quem não te servirá de todo o coração, se provar, por um pouco que seja, a doçura do teu domínio paterno? Que ordenas, Senhor, a teus servos? Tomai meu jugo sobre vós (Mt 11,29). E como é o teu jugo? Dizes: Meu jugo é suave, e o meu peso, leve (Mt 11,30). Quem não carregará contente o jugo que não oprime, mas suaviza, e o peso que não esmaga, mas refaz? Com razão acrescentaste: e encontrareis descanso para vossas almas (Mt 11,29). E qual é o teu jugo que não fatiga, mas descansa? Não é outro senão o mandamento, o primeiro e o maior: Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração (Mt 22,37). Que de mais fácil, suave, agradável do que amar a bondade, a beleza, o amor, que tudo isto és tu, ó Senhor, meu Deus?

Porventura também prometes aos que guardam os mandamentos um prêmio, coisas mais desejáveis que ouro em abundância e mais doces que o favo de mel? Sim, um prêmio e prêmio imenso prometes, nas palavras de teu apóstolo Tiago: O Senhor preparou a coroa da vida para os que o amam (Tg 1,12). E que é a coroa da vida? É o maior bem que nem podemos imaginar ou desejar. Com efeito, assim fala São Paulo, citando Isaías: Os olhos não viram, os ouvidos não ouviram nem subiu ao coração do homem o que Deus preparou para os que o amam (1Cor 2,9; cf. Is 64,1-3; 65,17).

Verdadeiramente, há grande recompensa em guardar teus mandamentos. E não apenas o primeiro e máximo mandamento é de proveito para quem obedece, e não para Deus que ordena; mas também todos os outros mandamentos de Deus aperfeiçoam, ornam, instruem, ilustram aquele que obedece, e por fim o tornam bom e feliz. Se és sensato entende que foste criado para a glória de Deus e tua salvação eterna. É este o teu fim, este o centro de tua alma, este o tesouro de teu coração. Se chegares a este fim, serás feliz; se nele falhares, serás infeliz.

Por conseguinte, tem por verdadeiro bem aquilo que te leva a teu fim; e por mal, o que te separa deste fim. Prosperidade e adversidade, riqueza e indigência, saúde e doença, honras e vexames, vida e morte, nem uma delas o sábio procura por si mesma nem delas foge. Mas se concorrem para a glória de Deus e tua eterna felicidade, são boas e desejáveis; se as impedem, são más; deve-se fugir delas.

A diferença de um “erre”

leitura-bibliaÀs vezes ser padre é muito divertido. Não me levem a mal, mas realmente é muito engraçado perceber certas coisas. E tem coisa que só o padre vê; injustiça, assim eu acabo achando graça sozinho. Nesse caso, vou fazer vocês se divertirem também, ou não, depende…

Tem muita comédia que acontece na hora da Missa. Como, quem me conhece sabe, eu sou muito “discreto”, é difícil alguém não perceber quando acontece uma marmota na minha frente. Acho que daria para escrever um livro de “piadas de sacristia”. Talvez seja uma boa ideia. Quem topa ajudar?

Bom, para começar, de leitura engraçada tem um monte. Acho melhor rir do que chorar, até porque, ler errado é um enorme desrespeito à Palavra de Deus! São incontáveis formas de dizer as palavras da Bíblia, eis algumas pérolas:

– “Leitura do livro do demônio” – bom, com essa aberração, a criatura que se dispôs a ler deveria ter dito livro do DEUTERONÔMIO!

– “Leitura da primeira carta de São Paulo aos Tessalosinesis, Tesalonisesis, Teza… bom, é isso aí”. A Carta de São Paulo aos TESSALONICENSES é campeã de versões originais.

– “Leitura do livro do êchodo”, ou então: “Leitura do livro do exôdo”… ÊXODO, minha filha, ÊXODO! Sei de uma menina que não tinha quem fizesse ela ler o xis com som de z (coisas complicadas da nossa língua, não é mesmo? A coitadinha não tem culpa…); essa pobre coitada ficou com trauma do padre corrigindo na hora da missa e nunca mais leu.

– “Leitura do ato dos apóstolos…” Qual, meu Deus! Qual ato???

Bom, existem as palavras campeãs: incircuncisos e circuncisão, por exemplo.

Mas a campeã de todas, que ficou memorável, foi uma que eu presenciei e que jamais irei esquecer: depois da comunhão, alguém dá os avisos da semana enquanto eu ouvia sentado um pouco distraído. No final, a pessoa diz: “sexta-feira, adoração do esse, esse, eme, ó”. Na mesma hora eu falei no microfone: “o que, minha filha?”, aí ela repetiu: “padre, é o que tá escrito aqui no papel: adoração do esse, esse, eme, ó na sexta feira”. Só então percebi que no papel dela estava escrito SSmo! Ou seja, na sexta-feira haveria adoração do SANTÍSSMO SACRAMENTO! Não precisa nem dizer que eu caí na gargalhada, né?

Uma outra inesquecível foi em um domingo de ramos. Como vocês lembram, normalmente, a leitura da Paixão de Cristo é dividida entre alguns leitores, ficando com o sacerdote as partes da fala de Jesus. Pois bem, chega um momento, quando o narrador proclama a morte do Senhor, onde todos devem se ajoelhar e fazer um momento de silêncio, por respeito e adoração. Certa vez, a pessoa que estava lendo disse em alto e bom tom ao microfone: “E Jesus deu um grande grito e espirrou”. Que diferença faz um erre, um simples errezinho, não acham? Bom, na verdade, não só um “r” pois o verbo expirar, portanto, Jesus expirou, se escreve com x, mas a pronúncia é a mesma. [1] Ainda bem que a gente tinha que se ajoelhar, assim as pessoas não viram eu rindo logo na hora menos indicada…

Mas o objetivo de toda essa lista de comédias é chamar atenção para alguns erros evitáveis, mas que a gente comete por falta de informação adequada.

À parte o fato que devemos ter um grande respeito pela Palavra de Deus e tudo o que se refere à sagrada liturgia, e, por isso, os nossos leitores devem ser o mais bem preparados possíveis; existem algumas coisas que, na missa, não dizemos e respondemos de modo correto, por incrível que pareça, por não entendermos direito a gramática das frases. Isso mesmo, por erro de português!

Vamos lá:

“Orai, irmãos…” – o padre faz um pedido à assembleia, na segunda pessoa do plural do modo imperativo. Não somos habituados no nosso dia-a-dia com a 2ª pessoa do plural, ou seja, com o “vós”. Provavelmente, a liturgia católica seja o único lugar onde escutamos normalmente essa forma. No Brasil, substituímos o “vós” por “vocês”. Mas isso não é um problema, a não ser que nós não consigamos mais entender direito o pronome “vós”. Mas, na verdade, não é esse o motivo do erro aqui (que eu  nem falei onde é que tem erro!). Voltemos à frase: “orai irmãos…”. É um convite (em tom de ordem) que o presidente da celebração faz à assembleia e esta, por sua vez, deveria responder AO PADRE. Isso mesmo, a resposta não é a Deus, mas ao padre! Aí é que está o erro que muita gente comete. Vamos ver agora a resposta do povo?

– “Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para a glória do seu nome, para o nosso bem e de toda a santa Igreja”.

Em outras palavras: Padre, nós desejamos que o Senhor Deus receba por tuas mãos sacerdotais este sacrifício do pão e do vinho mudados no Corpo e Sangue de Jesus, para a glória do seu nome (o nome de Deus), para o nosso bem e de toda a Santa Igreja.

A confusão que nós fazemos entre o “tu” e o “você” é que atrapalha nessa frase, entenderam?

Muita gente pensa que a frase é dirigida a Deus, é uma oração, e dizem a frase assim:

– Receba, ó Senhor, por tuas mãos (as mãos de Deus)… Isso está totalmente errado e essa frase não seria sequer possível na Missa, pois, na liturgia, não se pode tratar Deus por “tu”, mas somente por “vós”. O verbo “receba” estaria errado e o pronome “tu”, pior ainda.

Por hoje é só, até a próxima.



[1] Imaginem, como o padre faz as vezes de Jesus na leitura da Paixão, quando ela disse que Jesus espirrou eu deveria responder: aaaaatchim!!!

 

Santo Agostinho

Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo (Séc. V)

Ó eterna verdade e verdadeira caridade
e cara eternidade!

Instigado a voltar a mim mesmo, entrei em meu íntimo, sob tua guia e o consegui, porque tu te fizeste meu auxílio (cf. Sl 29,11). Entrei e com certo olhar da alma, acima do olhar comum da alma, acima de minha mente, vi a luz imutável. Não era como a luz terrena e evidente para todo ser humano. Diria muito pouco se afirmasse que era apenas uma luz muito, muito mais brilhante do que a comum, ou tão intensa que penetrava todas as coisas. Não era assim, mas outra coisa, inteiramente diferente de tudo isto. Também não estava acima de minha mente como óleo sobre a água nem como o céu sobre a terra, mas mais alta, porque ela me fez, e eu, mais baixo, porque feito por ela. Quem conhece a verdade, conhece esta luz.

Ó eterna verdade e verdadeira caridade e cara eternidade! Tu és o meu Deus, por ti suspiro dia e noite. Desde que te conheci, tu me elevaste para ver que quem eu via, era, e eu, que via, ainda não era. E reverberaste sobre a mesquinhez de minha pessoa, irradiando sobre mim com toda a força. E eu tremia de amor e de horror. Vi-me longe de ti, no país da dessemelhança, como que ouvindo tua voz lá do alto: “Eu sou o alimento dos grandes. Cresce e me comerás. Não me mudarás em ti como o alimento de teu corpo, mas tu te mudarás em mim”.

E eu procurava o meio de obter forças, para tornar-me idôneo a te degustar e não o encontrava até que abracei o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus (1Tm 2,5), que é Deus acima de tudo, bendito pelos séculos (Rm 9,5). Ele me chamava e dizia: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6). E o alimento que eu não era capaz de tomar se uniu à minha carne, pois o Verbo se fez carne (Jo 1,14), para dar à nossa infância o leite de tua sabedoria, pela qual tudo criaste.

Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova, tarde te amei! Eis que estavas dentro e eu, fora. E aí te procurava e lançava-me nada belo ante a beleza que tu criaste. Estavas comigo e eu não contigo. Seguravam-me longe de ti as coisas que não existiriam, se não existissem em ti. Chamaste, clamaste e rompeste minha surdez, brilhaste, resplandeceste e afugentaste minha cegueira. Exalaste perfume e respirei. Agora anelo por ti. Provei-te, e tenho fome e sede. Tocaste-me e ardi por tua paz.

SANTO AGOSTINHO

Nasceu em Tagaste (África) no ano 354. Depois de uma juventude perturbada, quer intelectualmente quer moralmente, converteu-se à fé e foi batizado em Milão por Santo Ambrósio no ano 387. Voltou à sua terra e aí levou uma vida de grande ascetismo. Eleito bispo de Hipona, durante trinta e quatro anos foi perfeito modelo do seu rebanho e deu-lhe uma sólida formação cristã por meio de numerosos sermões e escritos, com os quais combateu fortemente os erros do seu tempo e ilustrou sabiamente a fé católica. Morreu no ano 430.

Assunção de Maria

Da Constituição Apostólica Munificentíssimus Deus, do papa Pio XII

(AAS 42[1950],760-762.767-769)

(Séc. XX)

Teu corpo é santo e cheio de glória

Nas homilias e orações para o povo na festa da Assunção da Mãe de Deus, santos padres e grandes doutores dela falaram como de uma festa já conhecida e aceita. Com a maior clareza a expuseram; apresentaram seu sentido e conteúdo com profundas razões, colocando especialmente em plena luz o que esta festa tem em vista: não apenas que o corpo morto da Santa Virgem Maria não sofrera corrupção, mas ainda o triunfo que ela alcançou sobre a morte e a sua celeste glorificação, a exemplo de seu Unigênito, Jesus Cristo.

São João Damasceno, entre todos o mais notável pregoeiro desta verdade da tradição, comparando a Assunção em corpo e alma da Mãe de Deus com seus outros dons e privilégios, declarou com vigorosa eloqüência: “Convinha que aquela que guardara ilesa a virgindade no parto, conservasse seu corpo, mesmo depois da morte, imune de toda corrupção. Convinha que aquela que trouxera no seio o Criador como criancinha fosse morar nos tabernáculos divinos. Convinha que a esposa, desposada pelo Pai, habitasse na câmara nupcial dos céus. Convinha que, tendo demorado o olhar em seu Filho na cruz e recebido no peito a espada da dor, ausente no parto, o contemplasse assentado junto do Pai. Convinha que a Mãe de Deus possuísse tudo o que pertence ao Filho e fosse venerada por toda criatura como mãe e serva de Deus”.

São Germano de Constantinopla julgava que o fato de o corpo da Virgem Mãe de Deus estar incorrupto e ser levado ao céu não apenas concordava com sua maternidade divina, mas ainda conforme a peculiar santidade deste corpo virginal: “Tu, está escrito, surges com beleza (cf. Sl 44,14); e teu corpo virginal é todo santo, todo casto, todo morada de Deus; de tal forma que ele está para sempre bem longe de desfazer-se em pó; imutado, sim, por ser humano, para a excelsa vida da incorruptibilidade. Está vivo e cheio de glória, incólume e participante da vida perfeita”.

Outro antiqüíssimo escritor assevera: “Portanto, como gloriosa mãe de Cristo, nosso Deus salvador, doador da vida e da imortalidade, foi por ele vivificada para sempre em seu corpo na incorruptibilidade; ele a ergueu do sepulcro e tomou para si, como só ele sabe”.

Todos estes argumentos e reflexões dos santos padres apóiam-se como em seu maior fundamento nas Sagradas Escrituras. Estas como que põem diante dos olhos a santa Mãe de Deus profundamente unida a seu divino Filho, participando constantemente de seu destino.

De modo especial é de lembrar que, desde o segundo século, os santos padres apresentam a Virgem Maria qual nova Eva para o novo Adão: intimamente unida a ele – embora com submissão – na mesma luta contra o inimigo infernal (como tinha sido previamente anunciado no proto-evangelho [cf. Gn 3,15]), luta que iria terminar com a completa vitória sobre o pecado e a morte, coisas que sempre estão juntas nos escritos do Apóstolo das gentes (cf. Rm 5 e 6; 1Cor 15,21-26.54-57). Por este motivo, assim como a gloriosa ressurreição de Cristo era parte essencial e o último sinal desta vitória, assim também devia ser incluída a luta da santa Virgem, a mesma que a de seu Filho, pela glorificação do corpo virginal. O mesmo Apóstolo dissera: Quando o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá o que foi escrito: A morte foi tragada pela vitória (1Cor 15,54; cf. Os 13,14).

Por conseguinte, desde toda a eternidade unida misteriosamente a Jesus Cristo, pelo mesmo desígnio de predestinação, a augusta Mãe de Deus, imaculada na concepção, virgem inteiramente intacta na divina maternidade, generosa companheira do divino Redentor, que obteve pleno triunfo sobre o pecado e suas conseqüências, ela alcançou ser guardada imune da corrupção do sepulcro, como suprema coroa dos seus privilégios. Semelhantemente a seu Filho, uma vez vencida a morte, foi levada em corpo e alma à glória celeste, onde, rainha, refulge à direita do seu Filho, o imortal rei dos séculos.

Não endurecer o coração

Jesus, nesse primeiro domingo do Advento, nos faz uma grave advertência:

“Tomai cuidado para que os vossos corações não fiquem insensíveis” (Lc 21,34). Insensível é aquele ou aquilo que não sente. Gostamos muito de usar expressões como “Deus tocou no meu coração” ou “eu sinto no coração”. Isso é uma maneira de falar o modo como nós ouvimos a Deus. Mas, como adverte Nosso Senhor, o nosso coração pode ficar insensível, nesse caso, surdo à voz de Deus, ou sem sensibilidade para perceber a sua presença. Distraído com certas coisas que ofuscam os nossos olhos, que obstruem os nossos ouvidos para as coisas de Deus.

A linguagem de Deus é o amor! Essa foi a primeira profecia que uma pessoa que eu conheço ouviu na vida, quando ainda era jovem. Quando nos afastamos do amor, nos afastamos de Deus e, consequentemente, podemos ficar insensíveis à sua presença amorosa.

Ouvi dizer que os neurocirurgiões são proibidos de fazer trabalhos pesados com as mãos para não perderem a sensibilidade, tão necessária para o trabalho delicado que fazem. Para os que lidam com as coisas do espírito, principalmente para os que se dedicam no serviço do Senhor, a falta de castidade, por exemplo, pode torná-los insensíveis à voz de Deus.

O nosso  coração pode se endurecer pela repetição contínua de pecados sem o devido arrependimento e sem a luta para mudar. Uma vez, quando eu falava da misericórdia infinita de Deus para uma pessoa que confessava, ela me questionou: “mas padre, eu posso ficar sem-vergonha desse jeito”. É, isso é verdade, você pode perder a sensibilidade se você “peca para confessar depois porque Deus perdoa sempre”. O risco está em chegar a endurecer o coração ao ponto de não querer mais confessar!

O nosso coração pode endurecer também pela falta de oração. Quanto menos se reza, menos se tem vontade. Quem busca orar com fidelidade sabe o quanto é difícil retomar a oração após alguns dias de “pausa”. Depois de uma semana sem rezar você parece que simplesmente não consegue mais, “desaprendeu”. Imagine após um mês ou até anos! Santa Teresa d’Ávila diz que “contra o mal de deixar a oração só existe um remédio: recomeçar tudo de novo”.

Mas a dureza do nosso coração, a insensibilidade, pode se manifestar também na falta de amor, caridade, para com o nosso irmão. O egoísmo é um veneno que tem a capacidade de cegar absolutamente a alma. Pensar só em si mesmo a ponto de ignorar que o outro está sofrendo, precisando de ajuda, de amor. O egoísta e orgulhoso é uma pessoa extremamente triste pois, por buscar sempre ser amado, não consegue amar os outros a não ser como tentativa de ser amado, de ser o centro. Mas quem só busca ser amado e não ama, nunca é feliz pois nunca é amado, nunca acha suficiente o amor que lhe prestam e, por não semear o amor em torno a si, nunca colhe o amor do coração dos irmãos.

A gula, a embriaguez e as preocupações da vida, de que fala Jesus no evangelho, não estão presentes nisso tudo? Gula como desejo de satisfazer-se a qualquer custo e sempre, embriaguez como busca desenfreada do prazer e preocupações da vida como atenção àquilo que passa em detrimento dos valores eternos. Quantas vezes não deixamos a oração por coisas que realmente não têm importância!

Meus irmãos, o mundo vive uma terrível insensibilidade! O mundo parece anestesiado com relação a Deus. Que nesse Advento, onde nos preparamos em primeiro lugar para a segunda vinda de Jesus, o nosso sacrifício seja buscar despertar nos homens a consciência da presença amorosa de Deus e cuidarmos para que o nosso próprio coração não fique insensível.

Feliz Advento!

Celebrar o Natal

Pessoal, resolvi escrever um pequeno texto polêmico.

Normalmente eu não gosto de polêmicas, digo, de fazer polêmicas, apesar de ser cristão convicto. Mas a minha “polêmica” aqui é por uma coisa muito simples (não vou falar da ditadura gay, nem da roupa rosa choque de uma certa universitária). Gostaria de comentar sobre as nossas “celebrações de natal”.

É chegado o fim do ano. Aquela loucura de sempre: 13° salário, consumismo desenfreado, papai-noel, etc. Nós cristãos gostamos sempre de rebater no mesmos temas que antecedem o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Porém, se dermos uma olhadinha mais aprofundada, veremos que nós mesmos estamos metidos neles até o pescoço. Somos filhos dessa época e dessa cultura e, muitas vezes, não conseguimos ir contra a corrente. Mas não é sobre isso exatamente que eu vou falar, embora esteja relacionado indiretamente. O que eu gostaria de chamar atenção (e criticar) é a nossa grande dissonância com a LITURGIA.

A nossa vida cristã católica, deveria andar em plena afinação com a Sagrada Liturgia. Ela não é somente o culto oficial da Igreja (o que já seria grande coisa!) mas ela é também a atualização do mistério de Cristo para a nossa salvação. Isso significa que, na liturgia, não apenas “comemoramos” uma evento salvífico, uma data, mas ATUALIZAMOS, revivemos, e participamos por graça daquele evento.

A Palavra de Deus proferida na liturgia, por exemplo, é Palavra de Deus proferida para nós hoje! Nesse sentido vai também a celebração dos tempos litúrgicos. Eles são tempos fortes de celebração de um grande acontecimento da nossa salvação, no caso estamos falando do ADVENTO.

Pois bem, qual é a nossa grande incoerência, dissonância, para não dizer falta de unidade e de fé? É que, em pleno Advento, comemoramos o NATAL. Isso mesmo! A coisa entrou tanto em nossa cultura, acirrado pelo consumismo desenfreado, mentalidade pagã de primeira linha, que passamos a considerar mais do que normal e aceitável comemorar o natal em peno Advento. Isso passa-nos desapercebido de tal forma que colocamos até nos calendários de nossas comunidades cristãs!

Acho que vão querer me crucificar por esse post, mas pensem bem se eu não estou falando a verdade.

Enquanto a liturgia e, portanto, a Igreja, celebra uma coisa, o meu grupo, minha comunidade, meu trabalho, meu-sei-lá-o-quê celebra outra!

O Advento é tempo de preparação. Devemos levar todo o nosso coração para, em unidade com a Santa Igreja, PREPARAR o Natal de Nosso Deus e Salvador Jesus.

Espero que eu não tenha ofendido a ninguém, pois sei que todos os que “celebram o natal dos grupos x ou y” o fazem com boa vontade e com espírito de fé, mas estão errados! Se querem celebrar o NATAL é de JESUS e isso só acontece a partir do dia 25 de Dezembro.