Se você não usa…

If you don’t use it, do you lose it!

Outro dia esta lembrando esse ditado americano (não sei se também inglês). Não precisa ser muito bom para saber o que significa: se você não usa, você perde.

É um ditado muito interessante, pois vale pra tudo: aquela roupa que você tem pena de usar e que depois acaba ficando apertada “novinha” (isso vale mais para as mulheres…); aquele objeto que, de tão pouco ser utilizado, você acaba não sabendo mais onde colocou, ou seja, você perde.

Vale também para os músculos… essa é boa! Mas é verdade. Aliás, o que é a “atrofia” senão a perda por falta de uso?

O nosso organismo também elimina naturalmente aquilo que não ele não utiliza ou não serve mais para o nosso corpo (graças a Deus!).

Mas vale para coisas mais importantes ainda como uma amizade. Se você deixa de falar com aquela pessoa que você gosta, deixa de se encontrar com ela… Quantos relacionamentos acabados por falta de comunicação recíproca! Não é verdade?

O ditado também serve para o atleta, o artista, o técnico, o cientista… se você não exercita, usa a sua capacidade, aos poucos você pode perdê-la. Impossível ser bom, muito bom naquilo que se faz se não se exercita muito frequentemente, seja correr maratonas ou tocar violão.

Na verdade, gostaria de lembrar também uma coisa mais espiritual. Deus nos deu muitos dons. Lembra da parábola dos talentos? Aquele cara que teve medo do patrão e enterrou o seu talento? Pois bem, não nos esqueçamos disso. Deus nos deu o dom da oração, da amizade com ele. O Espírito Santo nos deu os seus carismas, desde os mais simples aos mais extraordinários. A caridade, a oração pessoal, a evangelização, a escuta de Deus, e tantos outros, são carismas que devemos “usar” constantemente sob o risco de perdê-los. É aquela velha história de “estou enferrujado”, não sei mais fazer isso que sabia tão bem antes.

Depois de um tempo afastado da oração, a pessoa sente natural dificuldade em retomar, a não ser que haja uma graça extraordinária. Mas não adianta ficar lamentando o leite derramado (estou cheio de ditados hoje…), mas sim RECOMEÇAR. Diz Santa Teresa: “para o mal de deixar a oração só existe um remédio: recomeçar”.

Se você não usa, você perde!

Vamos reconquistar, com força e coragem, aquilo que, por nossa fraqueza e negligência porventura tenhamos perdido ou estamos perdendo.

Deus abençoe a todos.

Anúncios

Médico, advogado, professor

Um médico, um advogado, um professor.

Três profissões maravilhosas. Pelo bem que fazem à sociedade, são às vezes equiparadas à uma vocação sobrenatural, um chamado divino.

Imagino um jovem que se decide pela medicina. Cheio de garra, de vontade de fazer o bem aos outros, de curar, de socorrer os mais fracos, de lutar pela justiça nos setores públicos… até sonha em achar a cura de uma doença como o câncer, a AIDS…

Um outro que acabou de fazer, com tantas lutas e sacrifícios, todas as etapas para ser aprovado na OAB, que sonha em defender grandes causas, colocar na cadeia criminoso e sanar grandes injustiças.

Talvez ainda mais lindo e menos reconhecido de todos é aquele que adentra pela área do magistério. O sonho de moldar uma criança e fazê-la cidadã do mundo, construir as mentalidades para uma nova sociedade, ser modelo para os jovens e para as novas gerações um referencial.

Acho que, em diversas áreas, quase todo jovem se identifica aqui nessas palavras acima citadas. Até um vocacionado ao sacerdócio, um jovem padre.

Mas… sim, tem que haver um “porém”, as coisas não continuam exatamente assim como sonhamos na juventude. Muitas vezes as contradições, os desafios, as lutas para realizar os mais lindos sonhos parecem maiores do que nós. Vem, para a maioria dos casos nas três profissões acima, o casamento, a mulher/o marido, os filhos, as contas a pagar, a rotina… Os desejos de conforto, segurança, bem intencionados até. Os sonhos “financeiros”, as decepções com colegas, com as empresas, com o governo que nunca muda…

Então, aquele plantão no hospital com falta de remédios e com uma equipe enfadonha já não é o que se possa dizer “que legal!”; aqueles alunos barulhentos, mimados, com pais que fazem tudo o que eles querem, com diretores que olham mais para o carnê de mensalidades que para o boletim, não é exatamente a “construção de uma sociedade democrática”. Juízes corruptos, colegas gananciosos, leis que nunca se aplicam a quem não pode pagar bem vão torrando até o último grama de paciência e de desejo de dedicação.

Os anos vão passando, e os nossos três heróis já não têm 25 anos, mas sim 39, 45… cabelos brancos, calvície, barriguinha protuberante pela cervejinha do final de semana, filhos adolescentes exigindo as últimas invenções do Jobs ou do Gates ou de quem quer que esteja na moda… e nada mudou! Não, na verdade, mudou sim, mudou a disposição, o alento, a garra, o sonho esvaneceu.

Mas, o que pode substituir o sonho? Como colocar algo no lugar da realização de minha juventude? Fácil pensar, na verdade, não se pensa, as coisas acontecem naturalmente. De repente, lá está nosso ex-jovem defendendo um culpado no tribunal só porque ele lhe paga muito bem; passando informações na sala de aula só porque o colégio exige excelência, na verdade, exige que sejam repassados todas as dicas, os “bizus” para o vestibular, não importando minimamente se aquilo forma realmente um cidadão. Lá está nosso doutor preferindo as clínicas ricas, e fazendo todo tipo de jogo de cintura para escapar daquilo que custaria sacrifício para salvar vidas, afinal, sempre foi assim, quem se importa? Mais um, menos um não faz diferença…

Puxa vida, que pessimismo! Sim, caríssimos, graças a Deus que isso não é tão generalizado assim. Talvez você tenha até ficado revoltado em pensar em tantos bons professores, dedicados e doados aos alunos como se fossem filhos; tantos bons advogados que favorecem sempre os pobres e não permitem que as injustiças se perpetuem no nosso tão sofrido Brasil; tantos médicos que se consomem para que outros tenham um atendimento cheio de respeito, mesmo que sejam pobres, sujos, ignorantes… Seria uma injustiça generalizar, não é? Seria muito sério falar mal dessas três profissões por causa de alguns que se corrompem. Seria terrível dizer que os professores de educação física são pedófilos porque há vários casos nessa área, ou que os médicos são uns assassinos porque há alguns sem escrúpulos e por aí vai…

Já perceberam onde eu quero chegar? Obvio. Assim como nessas lindas e maravilhosas “vocações” há quem se perca no caminho, quem abandone seus sonhos, quem não consegue mais olhar para trás e ver de onde tudo isso partiu e que alento o levou a enfrentar tantos sacrifícios para se formar e obter o título tão honroso de médico, professor, advogado… etc., a mesma coisa pode acontecer, e acontece, infelizmente, com o padre.

Ele pode esquecer o seu primeiro chamado, os seus sonhos de seminarista. Pode aposentar o seu breviário (livro de orações) porque, afinal, há muitas reuniões a serem conduzidas. Ele pode deixar mofar os seus livros de espiritualidade, de teologia. Pode empolgar-se (por que não?) com coisas que não deveriam ofuscar a sua mente como o dinheiro, o conforto, as relações sociais favoráveis. Sim, ele, como todo ser humano pode se corromper, como qualquer um, na solidão da paróquia, no perder-se em coisas que realmente não fazem parte dos sonhos de sua juventude.

Quando, para qualquer um, se perde a esperança, se abandona os sonhos, só resta a amargura de entregar-se aos prazeres passageiros. Aí vem à tona aquilo que a graça de Deus, alimentada na oração e no amor, já havia há muito derrotado. Vem à tona os instintos mais baixos, porque afinal, o celibato, a fidelidade, não faz mais sentido. Nada muda, todos são iguais, etc.

É triste. Pode acontecer. Acontece. Mas não é a maioria. E não podemos desistir de lutar, não podemos querem acabar com as maravilhosas carreiras, profissões e funções que tanto bem fazem à sociedade, mesmo que existam advogados, professores, médicos e… padres, que nos envergonhem, podemos e devemos renovar as nossas forças e fincar com mais coragem e empenho a bandeira da justiça, da verdade e do amor ao próximo que defendemos.

Para concluir, vou contar um testemunho pessoal. Quando eu era adolescente, as coisa não eram diferentes. No mundo haviam santos e pecadores, honestos e injustos, trigo e joio, e, como todo jovem, eu começava a perceber isso. Eu tinha um grande amigo de escola que era protestante, ele queria ser pastor e eu queria ser padre, mas éramos muito amigos. Um dia eu disse a ele que, quando mais eu descobria ou via coisas erradas, coisas com as quais eu não concordava, padres que para mim não eram modelo, mais eu queria ser padre. Os maus exemplos alimentaram minha vocação! Sim, eu queria ainda mais ser padre para poder ser diferente daquilo que eu não gostava.

Hoje eu digo para os meus filhos espirituais (são muitíssimos!): quero ser para vocês aquilo que eu gostaria de ter tido quando eu era o que vocês são.

Pensem nisso.

Deus os abençoe.

Homo sapiens sapiens (segunda parte)

A motivação para estudar

“A motivação é o empurrão que anima e sustenta uma ação ou um comportamento, para satisfazer as próprias necessidades. Uma forte motivação estimula um comportamento decisivo e direto ao objetivo, enquanto uma motivação fraca produz um comportamento incerto e confuso. Uma forte motivação coloca no estudo um forte interesse, uma intensa vontade de aprender, uma sólida tenacidade diante das dificuldades. Enfim, uma forte motivação torna mais provável o sucesso e a gratificação no estudo.

A motivação determina aquilo que se deve lembrar e aquilo que se pode esquecer. Lembra-se mais facilmente aquilo que se interessa, ou seja, que se gosta, aquilo que é útil. Se esquece mais facilmente aquilo que é chato, que não se gosta, que é inútil. Em outros termos, esquece-se facilmente quanto não se é motivado a lembrar, porque, em tal caso, as informações aprendidas perdem importância e relevo e vão acabar no fundo da nossa memória”[1]

Bom, como se pode ver, a motivação é algo FUNDAMENTAL. Desde o início do texto que eu falo sobre ela. Ela é o motor que vai fazer funcionar o carro. Uma forte motivação leva com velocidade a atingir o objetivo e o contrário é também verdadeiro, sem motivação adequada, muito fraca ou inexistente, não se sai do canto.

As motivações podem ser intrínsecas ou extrínsecas, ou seja, internas ou externas. As motivações internas são as mais fortes e mais eficazes, mas podemos nos aproveitar tanto de umas como das outras.

Exemplos de motivações internas:

Prazer de aprender

Curiosidade de descobrir

Auto-realização

Exemplos de motivações externas:

Reconhecimento

Incentivos

Gratificações

Evitar reprovação

Evitar punição

Agradar outros

“Uma forte motivação é indispensável, sobretudo quando se encontram obstáculos, dificuldades e frustrações. As dificuldades no estudo são inevitáveis, porque o estudo implica fadiga, empenho e esforço. Para afrontar tais dificuldades se pode agir em duas direções: melhorar o próprio método de estudo e acender a motivação ou a vontade de estudar.”[2]

Em outras palavras – isso é muito importante – não são as dificuldades que impedem de atingir o objetivo, seja ele qual for, mas é a baixa estima de nós mesmos. Uma pessoa com uma adequada auto-estima usa das dificuldades para se projetar ainda mais, é um desafio que o impulsiona. Um atleta por exemplo, sempre quer ir mais longe e quanto mais difícil mais ele se sente atraído. Eu tenho uma teoria pessoal (nada de original) que nós somos capazes de qualquer coisa possível e até aquelas aparentemente impossíveis, basta que a queiramos com proporcionada paixão e ajamos com a intensidade que amamos e queremos aquilo. Por exemplo, os grandes homens, os grandes cientistas, os descobridores, e sobretudo os santos, mostram para nós – que somos homens iguais a eles – que não existe o impossível quando se ama muito e se quer muito uma coisa. Se eu quisesse conhecer Galápagos, desvendar todos os segredos das tartarugas marinhas e ser um grande biólogo, poderia sê-lo se meu esforço apaixonado fosse proporcional à minha vontade. A maior força motivadora do ser humano é justamente aquilo que o faz humano: o amor. Veja o caso de Joseph Cliver! uahiauhaiuahiauhaiuhaiauhiauha

Algumas indicações para automotivar-se para o estudo

Cuidar da auto-estima. Deixar de lado aquelas frases que podemos dizer a nós mesmos: “eu não sou capaz”, “ não vou conseguir”, “sou um incompetente”. Se olharmos bem, isso é até pecado.

Visualizar-se positivamente: imaginar a satisfação que terei quando conseguir um bom resultado, uma boa nota, ou dominar o assunto.

Valorizar o estudo. Repito aqui o que já foi dito: o saber tem um valor em si mesmo, o conhecimento é uma riqueza imensa, um grande privilégio que infelizmente poucos ainda no mundo podem usufruir. Você é um privilegiado, pense que a maioria dos brasileiros não têm acesso à informação e à cultura que você tem.

Planejar as atividades de estudo. Muito importante aqui analisar as prioridades, fixar objetivos realísticos e elaborar estratégias para cumpri-los. Por exemplo, dentre tudo o que eu tenho para estudar, qual é a matéria em que tenho maior dificuldade ou qual é aquela que tem maior conteúdo? Qual a matéria que tenho menos tempo para preparar-me para as provas? Se eu tenho 50 páginas para estudar (que leva mais tempo que simplesmente ler!) e tenho 5 dias para fazer isso, quantas páginas eu devo estudar por dia? 10? Errado! 12, porque no último dia eu tenho que revisar tudo!

Auto monitorar-se. Quando você se auto-avalia, pode ter a agradável sensação de estar aprendendo, de verificar os seus progressos. Quanto mais você percebe que está progredindo, mais motivado você fica para continuar a estudar. Se na auto-avaliação você verifica que não está aprendendo bem, é lucro porque você tem tempo para mudar o método, procurar reforço, dedicar mais tempo àquela matéria entre outras coisas.

Auto reforçar-se. Parece estranho mas é como uma auto premiação. Um “que massa, eu já sei isso!” ou então “agora que eu consegui estudar e entender isso, posso me premiar com tal coisa que eu gosto”. Essa premiação deve ser feita passo por passo, a cada matéria estudada um pequeno prêmio que você estabeleceu em contrato com você mesmo. No final de tudo, no final da sessão de provas, por exemplo, você pode dar-se o luxo de uma auto premiação maior. Mas cuidado para que essa premiação não seja desproporcional ao sucesso, porque senão vai ser um desastre. Se a cada duas folhas que você estudar você se premiar com duas horas de internet, onde você imagina que vai parar? Um “auto prêmio” pode ser somente a satisfação de estar conseguindo entender uma coisa que você achava muito difícil. Isso já é bastante satisfatório.

Com relação a isso é muito importante colocar em primeiro lugar o esforço depois o prêmio. Não existe vitória por antecipação. Primeiro se faz o que é mais sacrifício, depois aquilo que é mais prazeroso. Primeiro eu estudo, depois eu me divirto, nunca coloque o carro adiante dos bois, porque você vai se divertir pensando que tem que terminar de estudar e acaba não dando tempo, é um caos! Ao contrario, se você sai pra se divertir tendo a agradável sensação de já ter estudado tudo, é um alívio.

O conflito entre motivações opostas[3]

Você já viu aqueles desenhos animados que tem um anjinho aconselhando o cara a fazer o bem e um demoniozinho tentando o cara pra fazer o mal? É mais ou menos isso. Pode existir dentro de nós um conflito entre motivações opostas, prevalecerá a mais forte. Tem uma outra história que diz mais ou menos a mesma coisa de modo mais espiritual: dentro de nós existe um cão violento, pronto a destruir tudo ao redor. Nós não podemos dominá-lo totalmente, mas podemos simplesmente NÃO ALIMENTÁ-LO. Ou usando uma outra parábola com sabor de padremarqueanês: a nossa alma é um campo, as ervas daninhas crescem sem que ninguém ágüe[4], as plantas frutíferas precisam ser adubadas e irrigadas. Em suma, vai crescer quem você der de comer.

Use a “discussão democrática interior”

O que eu quero? O que eu quero de verdade? O que eu quero mais? O que vale a pena agora? É um modo de trazer você mesmo para a sã razão e não deixar-se levar pelos instintos. Conversando calmamente com você mesmo, se convença que o mais lógico, o melhor no momento é cumprir com os seus compromissos e depois fazer aquela coisa que lhe dá prazer, como jogar bola com os amigos, como um prêmio.

Eu detesto essa matéria!

Quem já ouviu essa frase um “zilhão” de vezes levante a mão. Todo mundo! As causas porquê uma matéria é simpática ou antipática dependem muito. Tantas vezes fui eu que cismei com a cara do professor, às vezes a cisma foi tão grande que eu “invoquei” com a bendita matéria pro resto da vida (é já um trauma!). Outras vezes é uma antipatia por falta de motivação. Um insucesso no início pode causar a sensação de que eu nunca vou conseguir, que não sou chegado para aquele tipo de coisa, que não tenho jeito para aquela área de estudos, por exemplo. Repito, aquelas frases contaminadas que a gente ouve ou repete para nós mesmos: “eu sou burro, sou tapado, não tenho jeito pra isso” e por aí vai…[5]

Bom, a cura para esse tipo de bloqueio é andar no sentido inverso. Claro que a coisa não é sempre simples. Às vezes precisa-se de um grande esforço para curar a antipatia a uma matéria. Usar todos os métodos para estudá-la bem e, principalmente, esquecer que ela é “difícil” e que “você não é capaz” ajuda muito. Em alguns casos mais enraizados, talvez a ajuda de um outro professor, ou até mesmo um psicólogo seria muito bom.

Para acabar, gostaria de dizer que se você chegou até esse ponto do texto, você comprovou que estudar não é difícil, é um prazer. Na verdade esse não é um texto espiritual, ou uma historinha em quadrinhos e se você seguiu com interesse até aqui é porque você estava motivado. Isso pode acontecer com qualquer matéria.

Motivar-se significa dar um valor àquilo que se faz. Se não se está motivado, é melhor não estudar. É necessário elaborar uma boa motivação antes de estudar.[6]

Gostaria de concluir com uma motivação importantíssima para um jovem que teve uma experiência com Deus: estudar para a glória de Deus. Estudar por amor a Deus, estudar para dar testemunho, para evangelizar melhor e com maior eficácia. Estudar para vencer os desafios que a sociedade anticristã coloca a cada dia diante de nós. Estudar para ser um bom profissional no futuro, para ser como cristão luz no mundo do trabalho e na sociedade. Estudar para, quem sabe, ser um bom missionário como sacerdote ou como leigo consagrado. Um maravilhoso testemunho para os outros jovens é mostrar que, mesmo colocando Deus no centro da nossa vida, isso não nos impede de sermos bons alunos, pelo contrário, qual é a conseqüência na minha vida estudantil depois de uma noite de vigília e de uma noite de farra? Com certeza, o jovem que “perde” uma noite em uma vigília tem um ideal, um objetivo, uma razão de vida que o faz vencedor. Um jovem que teve uma experiência de Deus sabe o valor de palavras como sacrifício, renúncia, coisas absolutamente indispensáveis para ser um bom estudante.

Vocês não imaginam o quanto as pessoas aqui na Europa me questionam sobre geografia, política, sociologia, história, enfim todo tipo de argumento, principalmente sobre o Brasil. Isso é muitas vezes motivo para que eu possa entrar em diálogo e evangelizar. As pessoas que me perguntam esse tipo de coisas são as pessoas normais, simples.

No Brasil a gente está muito acostumado com os privilégios. Existem no nosso país dois mundos: o mundo dos que têm dinheiro e têm acesso à cultura e o mundo dos que estão trancados nos calabouços da ignorância. Aqui nos países mais civilizados não é assim. Outro dia eu passei uma tarde discutindo política internacional, problemas de emigração e conflitos religiosos-culturais com um pedreiro. Parece brincadeira mas é a pura verdade. Os jovens aqui entendem de arte, sabem quem é por exemplo Rodan, Picasso, Caravaggio e conhecem uma gama de coisas (como filosofia, latim, grego, astronomia) que nós ficamos distante anos-luz, porque o que nos interessa é saber os macetes e decorar fórmulas para passar no vestibular.

Mas eu não vou cansar muito vocês. Na próxima carta eu vou dar algumas dicas práticas preciosas. Por enquanto vai essa: leiam, leiam e peçam a Deus o vício de ler. Leiam até bula de remédio. E ensinem, conversem com os outros sobre as coisas que vocês aprenderam. Vai dar certo.

Deus os abençoe.


[1] Op. Cit., p. 27. Quiz traduzir quase toda a página porque achei muito importante esses conceitos. Eles devem ser levados em muita consideração.

[2] Op. Cit., p. 31

[3] Op. cit. pp. 38-40.

[4] Bom, confesso que, como certamente você também, eu não sabia que esse verbo se escrevia dessa forma.

[5] Eu coloquei várias vezes nesses textos palavras como “prá” e “pro” (= para o); eu sei que isso não existe, mas digamos que essa é uma carta entre amigos e não um texto de escola, ok?

[6] Op. cit. p. 45.

Homo sapiens sapiens (terceira parte)

casa paroquial 018Oi.

🙂

Vc tá aí?

Naumm, é a sua avó…

Vovóooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!

A senhora ta usando o msn agora?

To meu filhinho, sabia não, sou uma véia hi lander!

Massa kra.

Ei voh, a sinhora curte jack jonhson?

Claro abestado, tu achava que eu tava por fora das paradas é?

Se liga!

Me ligo…

¬¬

Ei voh, peraí soh um pokinho q tem um abestado aki kerendo q eu leia um texto de estudo, moh paia…

Blz

Bom, claro que se eu escrevesse 150 páginas dessa besteira aí em cima você ia continuar lendo sem parar, mas pensando bem… sabe que eu acho que tive uma boa idéia… ¬ ¬

Mas voltando ao que interessa (agora). Nos textos passados eu falei muito sobre motivação e coloquei algumas etapas ou pontos para se organizar no estudo, o que significa estudar com método para se estudar bem.

Quem estuda bem estuda com prazer e acaba estudando menos porque vai precisar de menos tempo para aprender a mesma coisa que outra pessoa desorganizada levaria para aprender, concorda?

Curiosidade: o termo “estudo” vem do latim studere e significa “aplicar-se com empenho ou ativamente a alguma coisa”. O estudo implica portanto, o conceito do esforço que, porém, pode ser aliviado pelo método e pela motivação.[1]

Sêneca foi um filosofo ocidental que viveu de 4 a.C. a 65 d.C[2], ele escreveu um belíssimo texto sobre o estudo que vou resumir pra vocês: no estudo nós fazemos como as abelhas que recolhem o néctar de diversas flores que servem para fazer o mel, depois elas colocam nos favos de modo ordenado e selecionado. Quando nós estudamos, colhemos conhecimentos de diversas fontes, mas depois devemos distingui-los para que esse conhecimento não se perca mas se conserve. O mel é diferente do néctar porque é reelaborado pela abelha, assim, o nosso conhecimento não é uma simples repetição do que tiramos dos livros porque é reelaborado pela nossa mente.

Outro exemplo muito interessante que usa Sêneca é o do alimento; nós nos alimentamos de diversos tipos de comida e o nosso organismo elabora o que ingerimos para que seja aproveitado para o nosso sustento, o que não serve, bom disso Sêneca não falou, eu não sei porque… Voltando a Sêneca, ele diz que o alimento enquanto não é digerido, é como um peso, mas depois disso é fonte de energia. A mesma coisa devemos fazer com o alimento da nossa inteligência, até que não seja digerido, permanece sempre como um corpo estranho no nosso organismo, devemos digeri-lo pois do contrário não se transformará em energia intelectual mas em um peso para a memória.

“Tomemos esse alimento como se convém e o assimilemos de forma que, de elementos dispersos, se formem em uma só coisa… Façamos também nós assim: que a contribuição de outros autores desapareça, assimilado no produto do nosso engenho[3]. E mesmo que na tua obra transpareça o autor que admires e que está impresso profundamente na tua alma, gostaria que a semelhança fosse aquela de um filho, não aquela de um retrato: um retrato é uma coisa morta.”

Muito bonito, não é? Eu gostei.

As características fundamentais do estudo[4]

  1. 1. a consciência do valor do estudo

Disso já falamos bastante das vezes passadas.

  1. 2. o interesse

Uma frase de Leonardo da Vinci, só pra ficar ainda mais bonito citando filósofos e gênios, posso até ouvir uma turminha dizendo assim: “marróia, só se amostrando!” Nem ligo… Lá vai a frase do gênio de nome mais lindo que já existiu:

“Se como comer sem vontade faz dano à saúde, o estudo, sem desejo estraga a memória e não tem mais nada que ela consiga pegar”.

Um provérbio, esse não sei de quem é, diz: “aquilo que eu escuto, esqueço, aquilo que eu vejo, lembro, aquilo que eu faço, entendo”

Somente fazendo, somente imergindo-se ativamente no estudo, somente amando aquilo que se estuda, é possível aprender facilmente, compreender claramente e lembrar fielmente.

Como foi dito antes, é importantíssimo motivar-se antes de estudar, é inútil começar a estudar uma matéria que você acha um saco. Porém, calma eu imagino o que você está pensando, “eu tenho que estudar a matéria chata”. Então, só tem uma solução, fazer as pazes com a matéria chata através da auto motivação. Um bom método é desafiar você mesmo: aposto como eu consigo superar esse problema bem difícil, aposto como sou capaz de entender essa matéria!

  1. 3. a constância

Aqui se esconde a alma do negócio. Sei o quanto é difícil ser constante, mas a gente deve tentar constantemente ser constante. É uma constatação constatável que a inconstância é uma constante, principalmente entre os jovens, mas se você constantemente enfrentar a sua inconstância verá que conseguirá vencê-la. Entendeu?

Meu chapa, minha chapa, o negócio é o seguinte: água mole em pedra dura, tanto bate até que fura! Você acredita que esse provérbio tem aqui no livro que eu estou pesquisando em latim?! Claro que eu não traduzi do latim, tenho mais o que fazer.[5]

Tem gente que vive de sonho: “eu preciso estudar… um dia eu vou ler aquele romance de Raquel de Queiroz, como é mesmo o nome? O Sexto, o sétimo, sei lá…” A criatura fica pensando nisso comendo pipoca e assistindo malhação! Assim não dá né zé mané!

Talvez a inconstância venha do fato que a gente pensa sempre dar o passo mais largo que as pernas. Aí não consegue fazer nada. Proponha-se a fazer grandes coisas, mas uma coisa de cada vez. Proponha-se a ler muitos livros, mas um de cada vez.

“A constância no estudo se pode obter através de uma contínua auto motivação”.

Um excelente exemplo é o esporte. Para se ser bom em qualquer esporte em primeiro lugar eu tenho que gostar dele, ou aprender a gostar, no caso, só vai experimentando. Depois eu tenho que treinar, treinar, treinar e treinar. Se você gosta do esporte, treinar, por mais cansativo que seja, é um divertimento, é massa. No treino, você vai se aperfeiçoando, vai observando em que precisa melhorar, o treinador vai mostrando pra você os seus vícios e você vai tentando mudar, se superando. A cada vitória você se torna mais confiante e motivado a prosseguir até se tornar com a sua equipe um campeão, ou até desistir e passar para outro esporte como o levantamento de garfo.

Foi assim que aconteceu comigo quando eu comecei a aprender a esquiar… a gente vai perdendo o medo da altura, o medo de cair, vai seguindo as instruções do professor, vai corrigindo os defeitos, vai vendo onde está errado e tentando melhorar, mas é claro que eu tinha que dizer isso!!! Tem uma galera aí que vai tirar o meu coro pro resto da vida!

Bom, no estudo, para se vencer é preciso seguir mais ou menos as mesmas regras. Assim como no esporte é importantíssimo que você não se sinta um fracassado logo de cara, ou porque perdeu uma partida, no estudo você não pode partir achando-se um falido. No esporte as dificuldades são motivadores e não inibidores. Eu poderia usar até mesmo o exemplo do videogame, quem não se desafiou até passar para a segunda fase, a terceira fase e assim sucessivamente até fechar o jogo? Mas você só conseguiu com PERSEVERANÇA!

  1. 4. o método

A primeira coisa que todos têm que fazer é uma agenda semanal. Realística, ou seja, sem exageros, sem querer abarcar o mundo com as pernas, mas também sem ser frouxa demais.

Aprender a sublinhar e fazer esquemas. Quando você sublinha você está destacando o mais importante, você está tomando posse do texto. Eu poderia escrever muito sobre isso, mas vou me limitar a dizer que quem sublinha demais não destaca nada. A maior “tentação” é sempre querer sublinhar tudo. Outro erro é sublinhar o bonito. Não se destaca o bonito, mas o importante, os conceito essenciais, as palavras-chave.

Quanto você faz esquemas você está digerindo o texto, porque você está colocando com suas próprias palavras, através de sinais ou desenhos estilizados, aquilo que é seu. Você está transformando o néctar em mel!

Reelaborar[6] – significa ligar, relacionar o que você está lendo com a sua vida prática ou com outras matérias. Estabelecendo conexões e associações é quase impossível esquecer o que você aprendeu. Ao contrário, se esquece facilmente quando não se reelabora continuamente aquilo que se lê.

Em outras palavras, ler por ler não vale a pena, você pode até memorizar por um tempo, mas vai esquecer rapidamente. Pode fazer um teste, as coisas que você decorou só pra fazer a prova, você esquece no outro dia, as coisas que você aprendeu, reelaborou dentro de você, se tornaram parte do seu patrimônio intelectual, você não esquece nunca. Isso vale seja para uma regra gramatical, seja para uma formula matemática ou para as camadas da membrana celular. Claro que você com o passar dos anos não vai lembrar de TUDO mas o essencial daquilo que você reelaborou dentro de você vai ficar.

Bom, por hoje é só. Espero que você reelabore isso que aprendeu e coloque em prática. Lembre-se da regra de ouro: a melhor maneira de aprender é ensinar.

Um grade abraço.


[1] Op. cit. p. 47.

[2] A.C. = antes de Cristo e d.C. = dona Corina, não acha?

[3] Preste atenção que aqui não se refere a uma fazenda de cana.

[4] Op. cit. pp. 53-57.

[5] Gutta cavat lapidem, non vi, sed semper cadendo.

[6] Essa palavra não existe em português. Pelo menos eu não a encontrei no dicionário. Alguém sugere uma outra com o mesmo sentido?