As dores de Maria

  • A profecia de Simeão – “E a ti, uma espada traspassará a tua alma…” (Lc 2,35)
  • A fuga para o Egito – “Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito” (Mt 2,13s)
  • A perda de Jesus no Templo – “Meu filho, porque agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu, aflitos, te procurávamos” (Lc 2,48)
  • O caminho de Jesus para o calvário – “Grande multidão do povo o seguia, como também mulheres que batiam no peito e se lamentavam por causa dele” (Lc 23, 27)
  • A crucifixão de Jesus – “Chegando ao lugar chamado Caveira, lá o crucificaram…”(Lc 23,33)

  • Jesus é deposto da cruz – “… Vieram, então, e retiraram o seu corpo ” (Jo 19,38)
  • A sepultura de Jesus – “Eles tomaram o corpo de Jesus e o envolveram em faixas de linho com os aromas, como os judeus costumam sepultar…” (Jo 19,40s)
Anúncios

A Rainha

ROMA, domingo, 22 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos, a seguir, a palavras pronunciadas por Bento XVI neste domingo, ao introduzir a oração do Ângelus, com os fiéis e peregrinos reunidos no pátio do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo.

* * *

Queridos irmãos e irmãs:

Oito dias depois da solenidade da Assunção ao Céu, a liturgia nos convida a venerar a Bem-Aventurada Virgem Maria com o título de “Rainha”. A Mãe de Cristo é contemplada coroada pelo seu Filho, o que está associado à sua realeza universal, como é representada por muitos mosaicos e pinturas. Como esta memória coincide neste ano com o domingo, adquire uma maior luz a partir da Palavra de Deus e da celebração da Páscoa semanal. Em particular, a imagem de Nossa Senhora como Rainha tem um eco especial no Evangelho de hoje, no qual Jesus afirma: “Há últimos que serão primeiros, e primeiros que serão últimos” (Lc 13, 30). Esta é uma típica expressão de Cristo, recordada repetidamente pelos evangelistas – com expressões semelhantes -, porque evidentemente reflete um tema importante dentro de sua pregação profética. Nossa Senhora é o exemplo perfeito dessa verdade evangélica: Deus humilha os soberbos e eleva os humildes (cf. Lc 1, 52).

A simples e pequena menina de Nazaré se tornou a Rainha do mundo! Esta é uma das maravilhas que revelam o coração de Deus. Naturalmente, a realeza de Maria está totalmente relacionada à de Cristo: Ele é o Senhor que, depois da humilhação da morte na cruz, foi exaltado pelo Pai acima de toda criatura, no céu, na terra e debaixo da terra (cf. Flp 2, 9-11). Por um desígnio da graça, A Mãe Imaculada está plenamente associada ao mistério do Filho: à sua Encarnação; à sua vida terrena, primeiramente oculta em Nazaré e depois manifestada no mistério messiânico; à sua Paixão e Morte; e, finalmente, à glória da Ressurreição e Ascensão ao céu. A Mãe compartilhou com o Filho não somente os aspectos humanos deste mistério, mas, pela obra do Espírito Santo nela, também a intenção profunda, a vontade divina, de maneira que toda a sua existência, pobre e humilde, foi elevada, transformada, glorificada, passando através da “porta estreita” que é o próprio Jesus (cf. Lc 13, 24). Sim, Maria é a primeira a atravessar o “caminho” aberto por Cristo para entrar no Reino de Deus, um caminho acessível aos humildes, aos que se fiam da Palavra de Deus e se empenham em colocá-la em prática.

Na história das cidades e dos povos evangelizados pela mensagem cristã, são inúmeros os testemunhos de veneração pública, em certos casos até institucionais à realeza da Virgem Maria. Mas hoje vamos sobretudo renovar, como filhos da Igreja, nossa devoção Àquela que Jesus nos deixou como Mãe e Rainha. Confiemos à sua intercessão a oração cotidiana pela paz, especialmente onde a lógica da violência está mais desenfreada, para que todas as pessoas se convençam de que, neste mundo, temos de nos ajudar, uns aos outros, como irmãos, a construir a civilização do amor. Maria, Rainha da paz, rogai por nós!

[O Papa saudou os peregrinos em diversas línguas. Em português, disse:]

Saúdo também o grupo brasileiro da paróquia de São Joaquim, diocese de Franca, e demais peregrinos de língua portuguesa, desejando que esta peregrinação vos ajude a fortalecer a confiança em Jesus Cristo e a encarnar na vida a sua mensagem de salvação. De coração vos agradeço e abençoo. Ide com Deus!

[Traduzido do italiano por Aline Banchieri.

© Copyright 2010 – Libreria Editrice Vaticana]

Confiar em Maria

ROMA, domingo, 15 de agosto de 2010 (ZENIT.org) – Ao meio-dia deste domingo, o Papa rezou o Angelus com os peregrinos reunidos no pátio da residência pontifícia de Castel Gandolfo. Estas foram suas palavras ao introduzir a oração mariana.

Caros irmãos e irmãs,

hoje, Solenidade da Assunção da Mãe de Deus ao Céu, celebramos a passagem da condição terrena à bem-aventurança celeste daquela que gerou na carne e acolheu na fé o Senhor da Vida. A veneração à Virgem Maria acompanha desde o início o caminho da Igreja, e a partir do século IV aparecem festas marianas: em algumas vem exaltado o papel da Virgem na história da salvação, em outras são celebrados os momentos principais de sua existência terrena. O significado da festa de hoje está contido nas palavras conclusivas da definição dogmática, promulgada pelo Venerável Pio XII, a 1° de novembro de 1950, e de que este ano recordamos o 60° aniversário: “A Imaculada sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, concluída sua vida terrena, foi assunta ao céu na glória celeste em corpo e alma” (Cost. ap. Munificentissimus Deus, AAS 42 [1950], 770).

Artistas de todas as épocas pintaram e esculpiram a santidade da Mãe do Senhor, adornando igrejas e santuários. Poetas, escritores e músicos renderam honras à Virgem com hinos e cantos litúrgicos. Do Oriente ao Ocidente, a Santíssima é invocada como Mãe Celeste, que traz o Filho de Deus nos braços e a cuja proteção toda humanidade encontra refúgio com a antiga oração: À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mais livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita”.

No Evangelho da solenidade de hoje, São Lucas descreve a plenitude da salvação através da Virgem Maria. Ela, em cujo seio se fez pequeno o Onipotente, depois do anúncio do Anjo, sem demora, visita a sua prima Isabel para levá-la o Salvador do mundo.  E, de fato, “quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança pulou de alegria em seu ventre, e Isabel ficou repleta do Espírito Santo” (Lc 1, 41); reconhece a Mãe de Deus: “bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas” (Lc 1,45). As duas mulheres, que esperavam a realização das promessas divinas, saboreiam agora a alegria da vinda do Reino de Deus, a alegria da salvação.

Caros irmãos e irmãs, confiemo-nos a Maria, que – como afirmava o Servo de Deus Paulo VI – “assunta ao céu, não renunciou à sua missão de intercessão e salvação” (Es. ap.Marialis Cultus, 18, AAS 66 [1974], 130). A Ela, guia dos apóstolos, sustento dos mártires, luz dos Santos, dirigimos nossa oração, suplicando que nos acompanhe nesta vida terrena, nos auxilie a nos voltarmos para o Céu e nos acolha um dia junto de seu Filho Jesus.

[Traduzido por ZENIT. Após rezar o Angelus, o Papa saudou os peregrinos em diversos idiomas. Em português, disse:]

Uma calorosa saudação aos peregrinos de língua portuguesa! Nossa Senhora ao ser assunta ao Céu fica mais próxima de seus filhos aqui na terra, intercedendo por eles junto a Jesus, e torna-se um sinal luminoso da vida futura que esperamos. Que Deus vos abençoe! Obrigado pela vossa visita!

[© Copyright 2010 – Libreria Editrice Vaticana]

Assunção de Maria

Da Constituição Apostólica Munificentíssimus Deus, do papa Pio XII

(AAS 42[1950],760-762.767-769)

(Séc. XX)

Teu corpo é santo e cheio de glória

Nas homilias e orações para o povo na festa da Assunção da Mãe de Deus, santos padres e grandes doutores dela falaram como de uma festa já conhecida e aceita. Com a maior clareza a expuseram; apresentaram seu sentido e conteúdo com profundas razões, colocando especialmente em plena luz o que esta festa tem em vista: não apenas que o corpo morto da Santa Virgem Maria não sofrera corrupção, mas ainda o triunfo que ela alcançou sobre a morte e a sua celeste glorificação, a exemplo de seu Unigênito, Jesus Cristo.

São João Damasceno, entre todos o mais notável pregoeiro desta verdade da tradição, comparando a Assunção em corpo e alma da Mãe de Deus com seus outros dons e privilégios, declarou com vigorosa eloqüência: “Convinha que aquela que guardara ilesa a virgindade no parto, conservasse seu corpo, mesmo depois da morte, imune de toda corrupção. Convinha que aquela que trouxera no seio o Criador como criancinha fosse morar nos tabernáculos divinos. Convinha que a esposa, desposada pelo Pai, habitasse na câmara nupcial dos céus. Convinha que, tendo demorado o olhar em seu Filho na cruz e recebido no peito a espada da dor, ausente no parto, o contemplasse assentado junto do Pai. Convinha que a Mãe de Deus possuísse tudo o que pertence ao Filho e fosse venerada por toda criatura como mãe e serva de Deus”.

São Germano de Constantinopla julgava que o fato de o corpo da Virgem Mãe de Deus estar incorrupto e ser levado ao céu não apenas concordava com sua maternidade divina, mas ainda conforme a peculiar santidade deste corpo virginal: “Tu, está escrito, surges com beleza (cf. Sl 44,14); e teu corpo virginal é todo santo, todo casto, todo morada de Deus; de tal forma que ele está para sempre bem longe de desfazer-se em pó; imutado, sim, por ser humano, para a excelsa vida da incorruptibilidade. Está vivo e cheio de glória, incólume e participante da vida perfeita”.

Outro antiqüíssimo escritor assevera: “Portanto, como gloriosa mãe de Cristo, nosso Deus salvador, doador da vida e da imortalidade, foi por ele vivificada para sempre em seu corpo na incorruptibilidade; ele a ergueu do sepulcro e tomou para si, como só ele sabe”.

Todos estes argumentos e reflexões dos santos padres apóiam-se como em seu maior fundamento nas Sagradas Escrituras. Estas como que põem diante dos olhos a santa Mãe de Deus profundamente unida a seu divino Filho, participando constantemente de seu destino.

De modo especial é de lembrar que, desde o segundo século, os santos padres apresentam a Virgem Maria qual nova Eva para o novo Adão: intimamente unida a ele – embora com submissão – na mesma luta contra o inimigo infernal (como tinha sido previamente anunciado no proto-evangelho [cf. Gn 3,15]), luta que iria terminar com a completa vitória sobre o pecado e a morte, coisas que sempre estão juntas nos escritos do Apóstolo das gentes (cf. Rm 5 e 6; 1Cor 15,21-26.54-57). Por este motivo, assim como a gloriosa ressurreição de Cristo era parte essencial e o último sinal desta vitória, assim também devia ser incluída a luta da santa Virgem, a mesma que a de seu Filho, pela glorificação do corpo virginal. O mesmo Apóstolo dissera: Quando o que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá o que foi escrito: A morte foi tragada pela vitória (1Cor 15,54; cf. Os 13,14).

Por conseguinte, desde toda a eternidade unida misteriosamente a Jesus Cristo, pelo mesmo desígnio de predestinação, a augusta Mãe de Deus, imaculada na concepção, virgem inteiramente intacta na divina maternidade, generosa companheira do divino Redentor, que obteve pleno triunfo sobre o pecado e suas conseqüências, ela alcançou ser guardada imune da corrupção do sepulcro, como suprema coroa dos seus privilégios. Semelhantemente a seu Filho, uma vez vencida a morte, foi levada em corpo e alma à glória celeste, onde, rainha, refulge à direita do seu Filho, o imortal rei dos séculos.

Porta do Céu

HISTÓRIA DA PORTAÏTISSA

Tradições sobre um ícone milenar que deseja ser posto à porta


A verdadeira Portaïtissa, que data cerca de mil anos, ainda existe: é conservada em um mosteiro do Monte Athos.

Para dizer a verdade, aqueles que a puderam ver, dizem que não se pode mais ver claramente como ela deveria ser originalmente.

As siluetas da Mãe e do Filho, as inscrições, estão recobertas por placas de prata incrustradas de pedras! Aparecem ainda somente os dois rostos de Maria e de Jesus, mas escurecidos pela fumaça das velas e envelhecimento do verniz…

No entanto, este ícone é a origem da vneração à portaïtissa, tão difundido hoje em dia no Oriente e no Ocidente.

O que continua perceptível é uma como que cicatriz sobre a face direita da Virgem, traço de um golpe de sabre que a atingiu e que teria provocado, no local do “ferimento”, um sangramente…

Esta cicatriz vem dos períodos de afrontamento violento dos movimentos “iconoclastas”, que envolviam os que aceitavam os ícones como apoio de suas orações e os que os recusavam como idolatria. O golpe de sabre teria acontecido no período dos imperadores Leão III, o Isauriano e, depois, de Leão V, o armênio.

O ícone, então, existia nesta época longínqua, marcado por esta dolorosa querela que o concílio de Nicéia veio apaziguar ao legitimar oficialmente o culto dos ícones.

A “tradição” ensina que uma viúva piedosa, em Nicéia, temendo outras profanações a seu ícone já “ferido”, teria preferido joga-lo ao mar, pois a fúria das correntes seria menos temível que o furor dos sectários. No mar, teria sido conservado sem afundar até o dia em que dois monges o reencontraram, trazida para a maré, sobre a curva de um rio perto de onde se encontrava seu monastério, em Iviron, no Monte Athos.

Tendo-o recolhido com emoção, colocaram-no na igreja de seu monastério. No dia seguinte, para seu espanto, constataram que havia desaparecido e, ao procura-lo, encontraram-no… perto da porta de entrada da igreja.

Novamente o instalaram dentro da igreja e ele, mais uma vez, deslocou-se para fora. Isso aconteceu durante vários dias. A comunidade monástica, então, decidiu deixa-o “à porta”, já que este parecia ser seu desejo.

Logo edificaram um pequeno santuário no local para abrigar a Portaïtissa, o ícone daquela que queria ser a “porteira”, a “guardiã da porta”.

Ao longo dos séculos o ícone foi conservado com grande veneração neste monastério que festejava solenemente sua festa na quarta-feira da oitava da Páscoa, aniversário de sua descoberta pelos monges.

Por volta de 1920 um monge com dotes incontestáveis, fez, inspirando-se no ícone, uma cópia muito livre, mas particularmente bela, que tornou-se segundo narraremos adiante, o “ícone de Montreal”.

François-Xavier Guibert

Em L´Icône de Toulouse, Maria, Porte du Ciel, p.21

Ed. independente
por Maria Emmir Nogueira, Co-fundadora da Comunidade Shalom