Próximo passo será a legalização da pedofilia

“O próximo passo será a adoção de crianças por casais homossexuais e a legalização da pedofilia”, disse ontem o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) ao comentar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que reconheceu a união estável entre homossexuais. Para ele, o STF fez um “julgamento político”. “O Supremo extrapolou. Quem tem de decidir isso é o Legislativo, com a sanção do Executivo. Agiu por pressão da comunidade homossexual e do governo. Unidade familiar é homem e mulher.”

Bolsonaro afirmou que proíbe o seu filho de 3 anos de brincar com crianças criadas por gays. “Eu não quero que o meu filho menor vá brincar com o filho adotivo de dois homossexuais. Não deixo. Não quero que ele aprenda com o filho do vizinho que a mamãe usa barba, que isso é normal. Não vou deixá-lo nessas companhias porque o futuro do meu filho também será homossexual”, disse o deputado. “Vão dizer que estou discriminando e estou, sim.”

Indagado sobre o teor de suas declarações, Bolsonaro atacou o Projeto de Lei 122, que prevê a criminalização da homofobia, e sugeriu que, caso ele seja aprovado, será “mais fácil se livrar de um homicídio do que de uma discriminação homofóbica”. “Se ser homofóbico é defender as crianças nas escolas, defender a família e a palavra de Deus, pode continuar me chamando de homofóbico com muito prazer, pode me dar o diploma de homofóbico”, declarou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Pedofilia

Li agora a pouco uma notícia que me deixou estarrecido! Vejam vocês mesmos:

RIO – Um e-book apresentado como um guia para pedofilia provocou críticas de usuários e ameaças de boicote à Amazon, maior site de varejo do mundo. O livro eletrônico intitulado “The Pedophile’s Guide to Love and Pleasure: A Child-Lover’s Code of Conduct” (“O Guia do Pedófilo para o Amor e o Prazer: um Código de Conduta para os Amantes das Crianças”, em tradução livre) terminou sendo retirado das páginas do site na noite de quarta-feira, segundo a rede CNN.

Antes da exclusão do livro, mais de dois mil usuários comentaram o título. De acordo com a CNN, duas páginas do Facebook também promoveram o boicote à Amazon por causa do e-book. O autor, que editou o guia e o colocou à venda no site, disse que publicou o livro para tratar do que ele considera um retrato injusto dos pedófilos na mídia.

– Verdadeiros pedófilos amam crianças e nunca vão machucá-las – disse Phillip R. Greaves II em entrevista por telefone à CNN, segundo o site da rede, acrescentando que é contra a consumação de uma relação sexual. – Mas beijar e acariciar, isso eu não acho que seja um grande problema.

Morador do estado Americano de Colorado, o homem disse à CNN que não teve relação sexual com crianças depois de adulto, mas o fez quando era adolescente. Na descrição do livro que constava no site da Amazon, Greaves dizia que o e-book era “minha tentativa de fazer as ações pedófilas mais seguras para aqueles juvenis que se vêem envolvidos nelas, por meio do estabelecimento de certas regras para os adultos seguirem”.

Site não comenta o caso

O autor também diz que tem esperança de que, seguindo o guia, os pedófilos possam ser sentenciados a penas menores se forem descobertos. De acordo com a CNN, a Amazon não respondeu a pedidos de declarações sobre o caso. Um usuário do site publicou nos comentários o que ele disse ser uma resposta do site a um email enviado por ele:

“Permita-me assegurar que a Amazon.com não apóia ou promove atos criminosos; nós apoiamos direito de cada indivíduo de fazer suas próprias decisões de compra”.

De acordo com a política do site, os próprios autores devem avaliar se os títulos que colocam à venda em sua página estão de acordo com as leis. Pornografia e títulos ligados a atividades ilegais estão entre os proibidos pela política da Amazon, que lhe garante a possibilidade de retirar produtos postos à venda, segundo a CNN. A empresa ganha uma participação dos produtos vendidos em sua página.

Fonte: globo.com

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Diante da completa pandemia moral em que vive o homem de hoje, do relativismo propagado até às últimas consequências, não me espanta essa publicação. O que hoje escandaliza alguns amanhã facilmente pode transformar-se em um direito!

Não é a primeira vez que há uma “apologia” à pedofilia. Na Holanda, se não me engano, já foi criado até mesmo um partido político para defender a pedofilia, depois extinto. Vocês pensam que existe um limite para o pecado? Existe um limite para a falta de ética e moral? Existe mesmo? Vocês acham que o mundo que rejeitou a noção de Deus, de fé, do sagrado; que rejeitou a vivência da sexualidade de modo humano, centralizada no amor e não somente no prazer, vai parar em algum limite? Como dizia um padre amigo meu (taxado de exagerado), não vai demorar para que se queira legitimar não só a pedofilia mas até mesmo o bestialismo. Quem já não viu na internet ou na televisão um vídeo de um cara na Europa casando com a sua gata de estimação?

Mas, para abafar a gritante voz da consciência, que mesmo nas profundezas da alma, ainda dá os últimos suspiros de vida, sabe o que eles fazem? Acusam a Igreja, os cristãos. Nós, na opinião deles, somos os fanáticos, os monstros, os “pedófilos”. O celibato e a santidade da Igreja agride os que vivem nas trevas. É melhor acusar que se converter.

Bom, teria muito a dizer, mas deixo para cada um a reflexão sobre isso.

Carta de um sacerdote

Segue carta do padre salesiano uruguaio Martín Lasarte, que trabalha em Angola, de 06 de abril e endereçada ao jornal norte-americano The New York Times. Nela expressa seus sentimentos diante da onda midiática despertada pelos abusos sexuais de alguns sacerdotes enquanto surpreende o desinteresse que o trabalho de milhares religiosos suscita nos meios de comunicação.
VALE A PENA CONFERIR!

Eis a carta.

Querido irmão e irmã jornalista: sou um simples sacerdote católico. Sinto-me orgulhoso e feliz com a minha vocação. Há vinte anos vivo em Angola como missionário. Sinto grande dor pelo profundo mal que pessoas, que deveriam ser sinais do amor de Deus, sejam um punhal na vida de inocentes. Não há palavras que justifiquem estes atos. Não há dúvida de que a Igreja só pode estar do lado dos mais frágeis, dos mais indefesos. Portanto, todas as medidas que sejam tomadas para a proteção e prevenção da dignidade das crianças será sempre uma prioridade absoluta.
Vejo em muitos meios de informação, sobretudo em vosso jornal, a ampliação do tema de forma excitante, investigando detalhadamente a vida de algum sacerdote pedófilo. Assim aparece um de uma cidade dos Estados Unidos, da década de 70, outro na Austrália dos anos 80 e assim por diante, outros casos mais recentes…

Certamente, tudo condenável! Algumas matérias jornalísticas são ponderadas e equilibradas, outras exageradas, cheias de preconceitos e até ódio.

É curiosa a pouca notícia e desinteresse por milhares de sacerdotes que consomem a sua vida no serviço de milhões de crianças, de adolescentes e dos mais desfavorecidos pelos quatro cantos do mundo!

Penso que ao vosso meio de informação não interessa que eu precisei transportar, por caminhos minados, em 2002, muitas crianças desnutridas de Cangumbe a Lwena (Angola), pois nem o governo se dispunha a isso e as ONGs não estavam autorizadas; que tive que enterrar dezenas de pequenos mortos entre os deslocados de guerra e os que retornaram; que tenhamos salvo a vida de milhares de pessoas no Moxico com apenas um único posto médico em 90.000 km2, assim como com a distribuição de alimentos e sementes; que tenhamos dado a oportunidade de educação nestes 10 anos e escolas para mais de 110.000 crianças…

Não é do interesse que, com outros sacerdotes, tivemos que socorrer a crise humanitária de cerca de 15.000 pessoas nos aquartelamentos da guerrilha, depois de sua rendição, porque os alimentos do Governo e da ONU não estavam chegando ao seu destino.

Não é notícia que um sacerdote de 75 anos, o padre Roberto, percorra, à noite, a cidade de Luanda curando os meninos de rua, levando-os a uma casa de acolhida, para que se desintoxiquem da gasolina, que alfabetize centenas de presos; que outros sacerdotes, como opadre Stefano, tenham casas de passagem para os menores que sofrem maus tratos e até violências e que procuram um refúgio.

Tampouco que Frei Maiato com seus 80 anos, passe casa por casa confortando os doentes e desesperados.
Não é notícia que mais de 60.000 dos 400.000 sacerdotes e religiosos tenham deixado sua terra natal e sua família para servir os seus irmãos em um leprosário, em hospitais, campos de refugiados, orfanatos para crianças acusadas de feiticeiros ou órfãos de pais que morreram de Aids, em escolas para os mais pobres, em centros de formação profissional, em centros de atenção a soropositivos… ou, sobretudo, em paróquias e missões dando motivações às pessoas para viver e amar.

Não é notícia que meu amigo, o padre Marcos Aurelio, por salvar jovens durante a guerra de Angola, os tenha transportado de Kalulo a Dondo, e ao voltar à sua missão tenha sido metralhado no caminho; que o irmão Francisco, com cinco senhoras catequistas, tenham morrido em um acidente na estrada quando iam prestar ajuda nas áreas rurais mais recônditas; que dezenas de missionários em Angola tenham morrido de uma simples malária por falta de atendimento médico; que outros tenham saltado pelos ares por causa de uma mina, ao visitarem o seu pessoal. No cemitério de Kalulo estão os túmulos dos primeiros sacerdotes que chegaram à região… Nenhum passa dos 40 anos.

Não é notícia acompanhar a vida de um Sacerdote “normal” em seu dia a dia, em suas dificuldades e alegrias consumindo sem barulho a sua vida a favor da comunidade que serve. A verdade é que não procuramos ser notícia, mas simplesmente levar a Boa-Notícia, essa notícia que sem estardalhaço começou na noite da Páscoa. Uma árvore que cai faz mais barulho do que uma floresta que cresce.

Não pretendo fazer uma apologia da Igreja e dos sacerdotes. O sacerdote não é nem um herói nem um neurótico. É um homem simples, que com sua humanidade busca seguir Jesus e servir os seus irmãos. Há misérias, pobrezas e fragilidades como em cada ser humano; e também beleza e bondade como em cada criatura…
Insistir de forma obsessiva e perseguidora em um tema perdendo a visão de conjunto cria verdadeiramente caricaturas ofensivas do sacerdócio católico na qual me sinto ofendido.

Só lhe peço, amigo jornalista, que busque a Verdade, o Bem e a Beleza. Isso o fará nobre em sua profissão.

Em Cristo,

Pe. Martín Lasarte, SDB.

Pedofilia na Igreja

ROMA, terça-feira, 25 de maio de 2010 (ZENIT.org). Quantos casos de pedofilia foram registrados na Igreja Católica? E quantos são verificados na sociedade? Para responder a estas e outras perguntas sobre um tema tão delicado e espinhoso, Francesco Agnoli, Massimo Introvigne, Giuliano Guzzo, Luca Volonté e Lorenzo Bertocchi acabam de publicar um ensaio sobre o assunto.

Para aprofundar no tema, ZENIT entrevistou um dos autores do ensaio italiano “Indagine sulla pedofilia nella Chiesa” (edições Fede & Cultura). É Lorenzo Bertocchi, estudioso da história do Cristianismo.

-Quantos são os casos de pedofilia na Igreja?

Bertocchi: Ainda que houvesse um único caso, é óbvio que já seria demasiado e dentro da Igreja quem manifestou idéias muito claras neste respeito é justamente Bento XVI. Dito isto, creio que é útil entender as dimensões do fenômeno e, na primeira parte do livro, Massimo Introvigne nos ajuda a moldar o problema. Nos Estados Unidos, por exemplo, segundo investigações acadêmicas autorizadas, de 1950 a 2002, os sacerdotes acusados de efetiva pedofilia foram 958 de mais de 109.000 sacerdotes, mas as condenações diminuem drasticamente até um número inferior a 100.

O padre Lombardi [porta-voz do Vaticano], em uma declaração de 10 de março passado, mencionava o caso da Áustria onde, no mesmo período, as acusações verificadas e atribuídas à Igreja somam 17, enquanto em outras ambientes elas passam de 510. Estes números podem dizer muito ou nada, todavia mostram sim uma tendência que permite esvaziar a hipótese que a respeito da Igreja quereria fazer-se “de toda la hierba un haz” [expressão italiana que significa “generalizar”].

-E na sociedade?

Bertocchi: Lendo os dados parece que a praga da pedofilia está verdadeiramente estendida e é impressionante. Em um relatório da Organização Mundial da Saúde – Estimativas Globais de Conseqüências de Saúde devido à Violência Contra Crianças (Genebra, OMS 2006) – é indicado, por exemplo, que em 2002, no mundo, estima-se que aproximadamente 150 milhões de meninas e 73 milhões de meninos forçados a diversas formas de abuso no âmbito sexual.

Um relatório da ONU, apresentado em 21 de julho de 2009 na Assembléia Geral, centraliza a atenção, por outro lado, na situação da internet: a escala mundial, o número de páginas de natureza pedo-pornográfico aumenta em ritmo vertiginoso; por exemplo, se em 2001 eram 261.653, em 2004 somavam-se 480.000, tendência que também se confirma consultando os relatórios anuais da Associação Meter, do padre Di Noto.

-Que cultura promove a pedofilia?

Bertocchi: No centro da problemática está a “cultura do sexo” que, especialmente a partir da chamada 68, promoveu uma verdadeira revolução destinada a “abolir os tabus”. A difusão da pornografia, que de alguma maneira representa a bandeira desta revolução, está à vista de todos. A mentalidade dominante hoje é aquela que justifica a prática de uniões sexuais de todo o tipo, fruto de um pensamento que encontra suas raízes em De Sade, Freud, Fromm, Reich, Marcuse etc, aqueles que poderíamos definir como profetas da exaltação do orgasmo.

-Como, quando e por que a cultura favorável à pedofilia penetrou nos seminários e na Igreja?

Bertocchi: A resposta pode vir da carta que Bento XVI escreveu aos católicos da Irlanda onde, além de confrontar o problema de casos de pedofilia no clero irlandês, o Santo Padre procura também as raízes do fenômeno. Em sua argumentação, faz referência para que “o programa de renovação proposto pelo Concílio Vaticano II foi Às vezes mal entendido”. Seguramente há uma alusão àquele período dos anos 60/70 do século passado no qual a chamada “abertura do mundo” conduziu a Igreja a uma debilidade da fé e a uma secularização progressiva.

O ataque social, feito em princípio pela autoridade, com o famoso slogan “proibido proibir”, se insinuou na Igreja e, deste modo, nos seminários uma certa interpretação terminou por confundir a disciplina com o diálogo; o resultado foi uma manga mais larga na seleção de candidatos para o sacerdócio.

-Por que a pedofilia organizada e praticada com o turismo sexual não faz barulho e não é possível detê-la?

Bertocchi: A investigação da Universidade de Parma realiada por ECPAT estanelece o perfil do “turista” que não é certamente um mostro: em 90% dos casos, tem entre 20 e 40 anos, cultura de nível meio alto, bom padrão de renda, muito freqüentemente casado. Por outro lado, as vítimas têm idade entre 11 e 15 anos, no caso das meninas, e entre 13 e 18 para os rapazes.

Este tipo de “turismo” é considerado crime em muitos países, mas apesar disto é uma indústria florescente e justo pelo fato de ser “uma indústria” torna-s difícil deter o fenômeno. Mas também há uma razão mais radical investigada naquela “cultura do sexo” da qual falava a pouco; há expressões políticas que são estandartes de temas nascidos naquela “cultura” e que se movem como um verdadeiro lobbby.

-Qual é o limite entre realidade e falso moralismo?

Bertocchi: Por uma espécie de perversão da verdade, hoje nos deparamos com uma confusão ética de taps proporções que a realidade se perde no subjetivismo. Vemos, deste modo, que a condenação do comportamento imoral dos religiosos vem da mesma atmosfera cultural que está disposto a aceitar a toda arbitrariedade do indivíduo. As razões são de tipo ideológico, mas também de tipo econômico, como demonstram esses escritórios de advocacia americanos que têm ganho milhares de milhões de dólares, graças ao uso despreocupado da acusação de pedofilia.

-Como avaliar a linha de tolerância zero adotada pelo Papa Bento XVI?

Bertocchi: A determinação do Santo Padre querendo deixar claro me parece exemplar, mostra uma via de transparência que não só é válida para a Igreja, mas deveria ser para todos os setores da sociedade que tiveram ou tenham haver com este triste fenômeno.

Nas meditações da Via Crucis  2005, o então cardeal Ratzinger mostrou claramente a necessidade de se “fazer limpeza” dentro da Igreja, vontade não justiceira, mas desejo de verdadeira justiça para fazer brilhar cada vez mais a Esposa de Cristo “uma, santa, católica e apostólica”.

-De que modo a Igreja Católica poderá será capaz de superar a consternação e a desconfiança disseminada entre as pessoas?

Bertocchi: Eu concordo com as conclusões que Agnoli mostra no ensaio: oração, recuperação do senso de sobrenatural, serviço efetivo do governo da Igreja e, eu acrescento, uma profunda  recuperação do senso de pecado. “O verdadeiro inimigo para temer e combater é o pecado, o mal espiritual que, às vezes, lamentavelmente, contamina também aos membros da Igreja”, disse Bento XV após a Regina Caeli de 16 de maio.

Infelizmente, em muitas catequeses, está cada vez menos na moda o tópico “pecado”, deslocado por muita psicologia e muita sociologia. Reconhecer-se pecadores, porém, é a via para acolher a Misericórdia de Deus. Caridade na Verdade, não há outro modo para dar esperança aos homens de nosso tempo.

O verdadeiro inimigo é o pecado

CIDADE DO VATICANO, domingo, 16 de maio de 2010 (ZENIT.org). – Cerca de 200 mil pessoas compareceram à Praça de São Pedro ao meio-dia deste domingo para manifestar seu apoio e solidariedade a Bento XVI e aos sacerdotes, neste difícil momento para Igreja, após os escândalos de abusos sexuais cometidos por alguns membros do clero.

O Papa, que ao longo das últimas semanas tem sido o alvo principal dos duros ataques perpetrados pela mídia, não se expressou em tom de vítima: “O verdadeiro inimigo a temer e combater é o pecado, o mal espiritual, que por vezes contagia também os membros da Igreja”.

Já nas primeiras horas da manhã começavam a chegar ao Vaticano numerosos peregrinos oriundos de toda a Itália para este encontro convocado pelo Fórum Nacional das Associações Leigas.

Os braços da colunata de Bernini mal podiam conter o enorme fluxo multicolorido de pessoas – quase o triplo do número de pessoas reunidas no Domingo de Páscoa – que se estendia por toda a Via della Conciliazione até inundar todas as ruas vizinhas.

Uma grande faixa se destacava em meio à multidão com os dizeres: “Juntos com o Papa”.

“Caros amigos – disse o Papa da janela de seus aposentos no Palácio apostólico, é belo ver hoje esta multidão na Praça São Pedro, assim como foi emocionante para mim ver em Fátima tamanha multidão.”

“Vós hoje mostrastes o grande afeto e a profunda proximidade da Igreja e do povo italiano para com o Papa e os vossos sacerdotes que diariamente se ocupam de vós, para que, no empenho por renovação espiritual e moral, possamos servir sempre melhor à Igreja, ao Povo de Deus e a todos os que vêm a nós com confiança.”

Entre os peregrinos, estavam presentes também parlamentares e políticos de toda a Itália.

Sem fazer menção a temas polêmicos, o Papa lembrou que neste momento é preciso “temer o pecado e, para tal, estar fortemente enraizados em Deus, solidários no bem, no amor e no serviço”.

“É o que a Igreja, seus ministros, unidos aos fiéis, têm feito e continuam fazendo com fervoroso empenho, pelo bem espiritual e material das pessoas de todas as partes do mundo.”

“É o que cada um de vós busca fazer habitualmente nas paróquias, associações e movimentos: servir a Deus e ao homem em nome de Cristo.”

O Santo Padre encorajou então todos a “prosseguirem juntos com confiança por este caminho”.

“Como filhos com seu pai”

Uma hora antes do encontro com o Papa, o cardeal Angelo Bagnasco, presidente da Conferência Episcopal Italiana, presidiu um momento de oração, explicando que “desejamos nos agrupar em torno do Papa Bento XVI como filhos com seu pai”.

“Queremos orar com ele e por ele, desejosos de apoiá-lo em seu ministério, expressando nosso afeto e nossa gratidão por sua paixão por Cristo e por toda a humanidade”, acrescentou o arcebispo de Gênova.

“Nossas orações constituem uma maneira privilegiada de tornar eficaz e visível a solidariedade de toda a Igreja para com o Santo Padre”, disse ainda o purpurado.

“Na oração – concluiu o cardeal Bagnasco -, desejamos também expressar estima e confiança aos sacerdotes, por seu insubstituível ministério, e invocar para eles o contínuo sustento do Espírito Consolador.”

Jesús Colina

Médico, advogado, professor

Um médico, um advogado, um professor.

Três profissões maravilhosas. Pelo bem que fazem à sociedade, são às vezes equiparadas à uma vocação sobrenatural, um chamado divino.

Imagino um jovem que se decide pela medicina. Cheio de garra, de vontade de fazer o bem aos outros, de curar, de socorrer os mais fracos, de lutar pela justiça nos setores públicos… até sonha em achar a cura de uma doença como o câncer, a AIDS…

Um outro que acabou de fazer, com tantas lutas e sacrifícios, todas as etapas para ser aprovado na OAB, que sonha em defender grandes causas, colocar na cadeia criminoso e sanar grandes injustiças.

Talvez ainda mais lindo e menos reconhecido de todos é aquele que adentra pela área do magistério. O sonho de moldar uma criança e fazê-la cidadã do mundo, construir as mentalidades para uma nova sociedade, ser modelo para os jovens e para as novas gerações um referencial.

Acho que, em diversas áreas, quase todo jovem se identifica aqui nessas palavras acima citadas. Até um vocacionado ao sacerdócio, um jovem padre.

Mas… sim, tem que haver um “porém”, as coisas não continuam exatamente assim como sonhamos na juventude. Muitas vezes as contradições, os desafios, as lutas para realizar os mais lindos sonhos parecem maiores do que nós. Vem, para a maioria dos casos nas três profissões acima, o casamento, a mulher/o marido, os filhos, as contas a pagar, a rotina… Os desejos de conforto, segurança, bem intencionados até. Os sonhos “financeiros”, as decepções com colegas, com as empresas, com o governo que nunca muda…

Então, aquele plantão no hospital com falta de remédios e com uma equipe enfadonha já não é o que se possa dizer “que legal!”; aqueles alunos barulhentos, mimados, com pais que fazem tudo o que eles querem, com diretores que olham mais para o carnê de mensalidades que para o boletim, não é exatamente a “construção de uma sociedade democrática”. Juízes corruptos, colegas gananciosos, leis que nunca se aplicam a quem não pode pagar bem vão torrando até o último grama de paciência e de desejo de dedicação.

Os anos vão passando, e os nossos três heróis já não têm 25 anos, mas sim 39, 45… cabelos brancos, calvície, barriguinha protuberante pela cervejinha do final de semana, filhos adolescentes exigindo as últimas invenções do Jobs ou do Gates ou de quem quer que esteja na moda… e nada mudou! Não, na verdade, mudou sim, mudou a disposição, o alento, a garra, o sonho esvaneceu.

Mas, o que pode substituir o sonho? Como colocar algo no lugar da realização de minha juventude? Fácil pensar, na verdade, não se pensa, as coisas acontecem naturalmente. De repente, lá está nosso ex-jovem defendendo um culpado no tribunal só porque ele lhe paga muito bem; passando informações na sala de aula só porque o colégio exige excelência, na verdade, exige que sejam repassados todas as dicas, os “bizus” para o vestibular, não importando minimamente se aquilo forma realmente um cidadão. Lá está nosso doutor preferindo as clínicas ricas, e fazendo todo tipo de jogo de cintura para escapar daquilo que custaria sacrifício para salvar vidas, afinal, sempre foi assim, quem se importa? Mais um, menos um não faz diferença…

Puxa vida, que pessimismo! Sim, caríssimos, graças a Deus que isso não é tão generalizado assim. Talvez você tenha até ficado revoltado em pensar em tantos bons professores, dedicados e doados aos alunos como se fossem filhos; tantos bons advogados que favorecem sempre os pobres e não permitem que as injustiças se perpetuem no nosso tão sofrido Brasil; tantos médicos que se consomem para que outros tenham um atendimento cheio de respeito, mesmo que sejam pobres, sujos, ignorantes… Seria uma injustiça generalizar, não é? Seria muito sério falar mal dessas três profissões por causa de alguns que se corrompem. Seria terrível dizer que os professores de educação física são pedófilos porque há vários casos nessa área, ou que os médicos são uns assassinos porque há alguns sem escrúpulos e por aí vai…

Já perceberam onde eu quero chegar? Obvio. Assim como nessas lindas e maravilhosas “vocações” há quem se perca no caminho, quem abandone seus sonhos, quem não consegue mais olhar para trás e ver de onde tudo isso partiu e que alento o levou a enfrentar tantos sacrifícios para se formar e obter o título tão honroso de médico, professor, advogado… etc., a mesma coisa pode acontecer, e acontece, infelizmente, com o padre.

Ele pode esquecer o seu primeiro chamado, os seus sonhos de seminarista. Pode aposentar o seu breviário (livro de orações) porque, afinal, há muitas reuniões a serem conduzidas. Ele pode deixar mofar os seus livros de espiritualidade, de teologia. Pode empolgar-se (por que não?) com coisas que não deveriam ofuscar a sua mente como o dinheiro, o conforto, as relações sociais favoráveis. Sim, ele, como todo ser humano pode se corromper, como qualquer um, na solidão da paróquia, no perder-se em coisas que realmente não fazem parte dos sonhos de sua juventude.

Quando, para qualquer um, se perde a esperança, se abandona os sonhos, só resta a amargura de entregar-se aos prazeres passageiros. Aí vem à tona aquilo que a graça de Deus, alimentada na oração e no amor, já havia há muito derrotado. Vem à tona os instintos mais baixos, porque afinal, o celibato, a fidelidade, não faz mais sentido. Nada muda, todos são iguais, etc.

É triste. Pode acontecer. Acontece. Mas não é a maioria. E não podemos desistir de lutar, não podemos querem acabar com as maravilhosas carreiras, profissões e funções que tanto bem fazem à sociedade, mesmo que existam advogados, professores, médicos e… padres, que nos envergonhem, podemos e devemos renovar as nossas forças e fincar com mais coragem e empenho a bandeira da justiça, da verdade e do amor ao próximo que defendemos.

Para concluir, vou contar um testemunho pessoal. Quando eu era adolescente, as coisa não eram diferentes. No mundo haviam santos e pecadores, honestos e injustos, trigo e joio, e, como todo jovem, eu começava a perceber isso. Eu tinha um grande amigo de escola que era protestante, ele queria ser pastor e eu queria ser padre, mas éramos muito amigos. Um dia eu disse a ele que, quando mais eu descobria ou via coisas erradas, coisas com as quais eu não concordava, padres que para mim não eram modelo, mais eu queria ser padre. Os maus exemplos alimentaram minha vocação! Sim, eu queria ainda mais ser padre para poder ser diferente daquilo que eu não gostava.

Hoje eu digo para os meus filhos espirituais (são muitíssimos!): quero ser para vocês aquilo que eu gostaria de ter tido quando eu era o que vocês são.

Pensem nisso.

Deus os abençoe.

Inquietação…

Sinto-me no dever de dizer uma palavrinha bem breve sobre um assunto muito importante.

Como padre e como cristão, também eu sou envolvido nessa enxurrada de comentários e notícias sobre casos de “pedofilia” que envolvem sacerdotes, meus irmãos de ministério.

Acho que todo mundo, de uma forma ou de outra tenta se defender ou defender a Igreja, ou atacar a mídia… etc. Bom, eu poderia aqui fazer a mesma coisa, mas não me sinto motivado a isso.

Queria só partilhar que para nós padres isso é particularmente difícil, pois facilmente se toma a parte pelo todo. Na hora de “descobrir os podres” se faz com muita facilidade generalizações e condenações de todo tipo. Talvez seja pelo fato de que a Igreja, fiel ao Evangelho apesar da fraqueza de seus membros, ataca aquilo que a sociedade anti-cristã defende como valor atualmente: aborto, eutanásia, divórcio… só para citar alguns; e defende com muito ardor outros valores que a mesma sociedade expurga: castidade, fidelidade no matrimônio, celibato dos sacerdotes, dentre tantos outros.

Portanto, quando se pode arranjar um motivo para “se vingar” dessa Igreja que incomoda com suas denúncias dos contra-valores e defesa da Verdade do Evangelho, se faz com todo gosto e alarde.

Não quero com isso defender ou desculpar os erros, nem o Papa o faz. Ninguém no seu juízo perfeito o faria. Mas quero partilhar que é, no mínimo, desagradável. É a imagem sagrada dos homens consagrados a Deus e, pelo Espírito Santo, configurados a Cristo para agir em Seu Nome no anúncio do Evangelho e na administração dos sacramentos e das coisas sagradas, que é manchada. Eu faço parte dessa classe (se é que posso chamar assim…), sou sacerdote, procuro ser fiel a Deus desde a minha juventude e quero ser fiel até o fim de minha vida. Milhares de outros sacerdotes procuram viver o que eu estou dizendo, milhares são muito mais santos do que eu. A maioria. Se desgastam nas missões difíceis, com recursos muitas vezes insuficientes ou não condizentes com sua formação. Tantos que dão a vida aos pobres nos hospitais, asilos, favelas, terras de missão. Outros vivem em perigo de morte constante em países muçulmanos ou de intolerância religiosa. Vidas consumidas por amor ao povo, em santa castidade no celibato. Qual a mídia que vai contabilizar esses números? Quem vai fazer reportagem sobre eles? Não vale a pena, não dá IBOPE.

É irmãos, é duro. É triste. Choramos os pecados dos nossos irmãos e sentimo-nos também nós machucados, com o dedo da humanidade apontado para o nosso rosto em acusação.

Bendito seja Deus. Até no seu grupo houve um Judas. Mas não vamos desanimar. Ele, nosso Senhor, não nos prometeu vida fácil, não nos garantiu “imunidade parlamentar”, muito pelo contrário, nos ofereceu a Cruz pois o discípulo não pode ser maior do que o seu Senhor.

Que o Senhor nos ajude, a todos nós, a sermos cada dia mais transparente imagem do Cristo Senhor para o mundo.

CRISTO RESSUSCITOU, ALELUIA!

SIM, VERDADEIRAMENTE RESSUSCITOU, ALELUIA!

Feliz Páscoa!